quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Alunos sem Escola

Primeiro pensei que há muitos alunos a saírem das privadas, o que implica que sejam colocados nas públicas. Isto deve ajudar, mas segundo esta notícia do público a razão, pelo menos a principal, é outra: os pais querem as melhores escolas públicas para os filhos.

Há pouco tempo atrás falou-se dos "esquemas" para se conseguir vaga numa determinada Escola mais reputada, do género mentir sobre a residência (fácil de detectar), alugar casa na zona de abrangência da Escola mesmo sem a habitarem, fazerem pressão (mesmo com muito tempo de antecedência) sobre os directores e outras.

Em parte temos que perceber que os pais querem o que pensam ser melhor para os filhos. mas nem todos os bons alunos estão nas melhores Escolas, há muito mais do que estar num estabelecimento com um bom lugar no ranking nacional. Um mau aluno não se transforma por milagre num bom se estiver numa boa Instituição. Não há "osmose", não aprendem por estar junto a melhores alunos. Pode ajudar, mas se não estiverem dispostos a um esforço constante...
Este ano estive a fazer turmas do 6º, 8º e 9ºs anos no Agrupamento onde ainda estou colocado até ao fim do mês. Pensei que seria tarefa para umas boas horas, mas acabei por estar lá bem mais tempo do que eu, e a própria direcção, esperava, apesar de ter a colaboração de outra colega. Não é fácil gerei pedidos de transferência da e para a nossa Escola. Não é fácil meter todos os alunos num número restrito de turmas (por não haver autorização para mais, por não haver instalações para tal, porque uns são de Espanhol e outros de Ingês e outras situações que quem está de fora só imagina), não é fácil abrir um curso e não ter inscrições suficientes (por vezes menos 2 ou 3 alunos "estragam" a abertura desse curso), não é fácil...

Assim acredito que muitos alunos ainda andem "de Escola para Escola" á espera de uma que os possa aceitar. O trabalho que desenvolvi com a minha colega ainda não está terminado, apesar de termos trabalhado até ao limite do início das nossas férias. é mesmo moroso e complicado!

"Há alunos que ainda não estão colocados em nenhuma escola


A um mês do início das aulas, há alunos que ainda desconhecem onde vão estudar. Os responsáveis das escolas apontam o dedo à divulgação de rankings que fizeram com que as preferências dos pais recaíssem em apenas alguns estabelecimentos.

Neste momento, “ainda está a haver movimento de processos de alunos” de umas escolas para as outras, contou à Lusa Manuel Esperança, presidente do Conselho de Escolas. Ou seja, há estudantes que ainda não estão colocados em nenhum estabelecimento de ensino.

“Os pais procuram as escolas mais bem colocadas nos rankings, mas elas têm o seu limite e os pais não podem pensar que todos irão para o estabelecimento X”, alertou o responsável, lembrando que, não havendo vaga na preferida, os processos vão sendo transferidos por ordem de preferência, de secretaria para secretaria, até encontrar uma turma incompleta.

Desde que começaram a ser divulgadas listas com as médias das notas dos exames dos alunos, a escolha da grande maioria dos encarregados de educação começou a incidir em apenas alguns estabelecimentos de ensino, lamentou Manuel Esperança.

A agravar a situação, a crise sentida no país veio aumentar os casos de transferências de alunos do ensino privado para o ensino público.

O presidente do Conselho das Escolas diz que só no final do mês será possível traçar um quadro realista, mas neste momento já são conhecidas algumas “zonas extremamente problemáticas”, como os agrupamentos escolares de Benfica ou Carnide, em Lisboa.

Adalmiro da Fonseca, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos das Escolas Públicas, acrescenta outros casos no norte do país: “Há escolas que não conseguem dar resposta a todos os pedidos. Em Gaia, por exemplo, temos uma escola a abarrotar e mesmo ao lado temos outras duas praticamente vazias. Os pais querem pôr os filhos todos nas mesmas escolas”, disse.

O presidente desta associação não tem dúvidas de que “o ensino público vai conseguir dar resposta a todos os meninos”, mas admite que possam surgir “problemas pontuais”. Adalmiro da Fonseca lamenta o “lado pior dos famosos rankings, que valem o que valem”.

A própria Confederação Nacional de Associações de Pais (CONFAP) reconhece que as direcções escolares não podem fazer mais. Albino Almeida, presidente da CONFAP, lembra que o direito de liberdade de escolha da escola consagrado na lei não pode ser visto de forma cega, como acontecia há poucos anos.

“Houve uma altura em que tínhamos escolas na zona de Lisboa, Porto e Coimbra com uma ocupação de 170 por cento, porque os pais pareciam preferiam ter os filhos a estudar no telhado de uma boa escola do que numa escola menos considerada”, criticou Albino Almeida.

Hoje, sublinha o responsável da CONFAP, os responsáveis das escolas estão obrigados a respeitar a limitação máxima das escolas e todas as situações extra têm de ser autorizadas pelas direcções regionais de educação."

Abraço!

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