domingo, 24 de julho de 2011

Crato, promessas e expectativas

Não concordo inteiramente com Luís Ferreira, autor deste texto que abaixo transcrevo.

Para ficarmos desiludidos, temos que nos iludir primeiro: e quem estava iludido? Quem é que estava à espera do Cavaleiro montado num belo cavalo branco e de armadura reluzente?

É claro que todos gostamos das palavras iniciais, de que os professores estavam a ser "maltratados" e que a situação não podia continuar. Mas sabíamos que os tempos são de contenção, de aperto do cinto e que não iam haver milagres.

No entanto continuo esperançado, a tal luz no fundo do túnel que agora pode estar mais comprido, como refere o autor. Creio que muito há para fazer e muito vai ser feito. Pelo menos vai ser diferente das linhas que estavam a ser seguidas.

Quanto a resultados, vamos esperar (ainda algum tempo) para os ver...



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Nem tudo o que luz é ouro




Ouvimos dizer e com alguma razão, que as coisas nem sempre são o que parecem e que tudo o que nos acontece não é sempre o que se deseja. É natural que nos enganemos de vez em quando ou mesmo que nos enganemos nas nossas expectativas.

O desejo de cada um reflecte-se muitas vezes na enorme vontade de querermos ver concretizado o que está subjacente a ele e o que se verifica é que raramente isso acontece. Ou seja, não se cumpre o desejo, não por culpa nossa, mas devido à interferência de outros que não nos proporcionam a concretização do desejo. A conclusão é que ficamos decepcionados. Nem outra coisa seria de esperar.

Antes das eleições ouvimos algumas comunicações e mesmo conferências de Nuno Crato sobre o estado da Educação em Portugal, tendo mesmo adiantado algumas possíveis medidas que considerava necessárias para que a Educação fosse completamente alterada. Os professores congratularam-se com isso e ficaram esperançosos que, sendo eleito para ministro da educação, ele cumprisse as suas ideias, pondo-as em prática o mais rápido possível. Foi eleito e isso fez nascer um desejo enorme nos professores porque viram nele a possibilidade de, finalmente, se cumprir um desejo de alguns anos. Ele passou a ser durante algum tempo, a luz que se pretendia para iluminar o caminho que levaria à remodelação da Educação, satisfazendo alguns desejos dos professores. Era normal esse estado de alma depois de tantas incongruências dentro do ministério da educação e de determinadas acções avulsas que desagradaram à classe docente e não só. O que se verificava então era uma sintonia, há muito desejada, entre o ministro da educação e os professores e, talvez não seja despiciendo incluir aqui os alunos, já que eles também anseiam por algumas mudanças, principalmente aqueles que querem ir mais além, cumprindo um trajecto de sucesso. Nada mais natural que assim fosse.

Iniciada a actuação do governo, todos preconizavam a concretização dos seus anseios. Seus, deles e nossos. Seus de todos os ministros. Seus do ministro da educação e nossos dos professores. Muito embora os tempos sejam de crise, nada impediria o cumprimento das ideias do ministro, pensavam os professores, até porque as suas medidas pouco colidiriam com as imposições da troika. As primeiras medidas prometidas criaram uma esperança extraordinária. Foi o bálsamo necessário neste final de ano lectivo, para que os professores encarassem o próximo ano com outra disposição. Escolas que não iriam fechar, mais horas para as disciplinas de Língua Portuguesa e de Matemática, exames nos finais de ciclo para melhorar o aproveitamento dos alunos e a necessidade de alterar o processo de avaliação dos professores. Era o mínimo desejável para iniciar uma mudança profunda na educação em Portugal.

O estado de graça não durou muito tempo. Nuno Crato esqueceu-se que devia obediência a um primeiro-ministro e a uma troika que impôs condições restritas às actuações do mesmo governo e que, por isso mesmo, não podia actuar independentemente como era seu desejo. Afinal iriam fechar mais de duas centenas de escolas do primeiro ciclo, seriam aumentados os horários das disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática e embora adiantando a necessidade de os alunos serem submetidos a exames no final de ciclo, nada adiantou sobre a avaliação dos professores, dizendo somente que iria ser objecto de alterações tornando-a menos burocrática.

Eu compreendo que ele não possa fazer o que quer, mas que a engrenagem em marcha-atrás desta mudança, numa marcha que se queria acelerada, levou a um descontentamento dos professores e dos sindicatos, é verdade. Não sei se nos enganámos ou se foi ele que se enganou, mas estou convencido que ele deixou de ser tão independente como julgava e tem agora de cumprir com as determinações que o conselho de ministros aprova e só isso.

É verdade que ele era o ouro que faltava à educação, mas só brilhou um momento. Talvez continue a ser a luz ao fundo do túnel que todos esperam, mas parece-me que o túnel agora é muito mais comprido do que inicialmente. Realmente as coisas nem sempre são o que parecem e esta luz, oxalá não se apague dentro em breve."
Diário de Trás-os-Montes



Abraço!

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