quarta-feira, 2 de março de 2011

Isabel + Alexandre: é para nos tramarmos até ao fim!

Depois do Alexandre, a Isabel:

"A ministra da Educação, Isabel Alçada, afirmou hoje, em Coimbra, que o processo de avaliação do desempenho docente está a decorrer «em 100% das escolas» e o modelo vai vigorar durante «o tempo que está previsto». "


Abraço!

Educar a mãe à facada

O título é sugestivo e a facada é real.

Devem ter ouvido/lido sobre este acontecimento que já não é de hoje. Na altura não escrevi sobre esta situação passada entre um filho e sua mãe (situação=facada), mas agora vou buscar as letras de José Quaresma, que escreve para o Expresso.

Este texto desenrola-se e vai dar à mensagem que já deixei aqui há um tempo atrás, acompanhada por um texto de Adriana Campos.

Um "não" é difícil de manter, e um "sim" é muito mais "porreiro": não se traumatiza o menino nem este se sente inferiorizado por não ter.

Esta mãe "traumatizou" o filho, que teve que recorrer a uma emboscada (sim, não foi num momento de fúria "descontrolada") para apanhar a mãe de surpresa e esfaqueá-la.

Sem mais delongas, eis o texto:


"Em Cascais, um rapaz de 13 anos esfaqueou a mãe porque esta lhe tirou a playstation e lhe impediu o acesso à internet. Passaram duas semanas. O assunto, no plano mediático, morreu logo. No plano educativo não merece este acentuado arrefecimento soturno da comunicação social.


O episódio é edificante. E mais facada, menos facada, deveria pôr de sobreaviso pais e educadores. Declaro solenemente que, na minha pudibunda opinião, a internet, a playstation e a faca de cozinha não tiveram culpas no cartório.

Este jovem tinha maus resultados escolares. Os pais castigaram-no. Impediram-no de jogar playstation e de navegar na internet. Revoltado, foi comprar, à revelia dos pais, um periférico de acesso à internet. E, não satisfeito, armou-se de faca de cozinha. Emboscou-se à porta de casa, esperou a mãe que regressava das compras, desferindo-lhe várias facadas nas pernas, na cabeça e no tronco. Quiçá, agora sou eu a pensar mal, para treinar com mais realismo algum dos jogos da sua playstation.

O incidente, exceptuando a violência, é mais comum do que parece. Este só não teve consequências mais dramáticas porque, decerto, alguns órgãos vitais da mãe estavam fora do sítio. Ou porque, felizmente, o rapaz tem mais destreza nos treinos virtuais da playstation do que nos exercícios reais de faca de cozinha em riste. Ou então houve, ali a desviar o curso da lâmina, a mãozinha de Deus.

Não conheço estes pais. Mas conheço outros que, ao longo dos anos, têm sido muito bem educados pelo filhos. Os pais desconhecem, apesar disso, coisas elementares da educação que recebem dos herdeiros. Eu também sofri com as tentativas dos meus filhos desde a sua mais tenra idade. Presumo que, apesar de muitos erros que cometi, permaneci muito mal educado.

Um filho, a partir da primeira infância, é muito carente. E insaciável. Por esta razão, os pais devem dar-lhe tudo. Nem que tenham de pedir emprestado, endividar-se, roubar. Quanto menos se dá, menos carinho o filho recebe. Carinho é um brinquedo. Quanto mais sofisticado for, maior é o amor maternal ou paternal. O filho não tem de dar nada em troca. Só tem direitos. Deveres têm os pais.

Muitos pais continuam a não compreender que uma playstation, a partir do momento em que é ofertada no Natal ou em dia de aniversário, constitui posse e usufruto pleno do petiz. E, mais do que isso, extensão física, corpórea, parte integrante da sua individualidade. O confisco, de um objecto destes, corresponde a extirpar um braço do corpo da criança. Não se faz.

As horas infinitas que um jovem passa diante do monitor, com a aquiescência dos pais, esquecendo trabalhos escolares e testes, rotinando o cérebro nesta e noutras dependências, conferem-lhe poderes absolutos. E os pais, enquanto pequenino, admiram-lhe a inteligência. Mais tarde, estranham-lhe os vícios ou os descaminhos.

Nunca se deve dizer "não" a uma criança. A palavra "não" devia ser banida do dicionário. Traumatiza. A palavra "sim" é muito mais pródiga. Transforma um petiz num imperador. Faz do adulto, pai ou mãe, seu serviçal cordato e dócil. Não é mais interessante?

A criança, quando chegar à idade da razão será uma egoísta feroz. O mundo começará e acabará nela. Incapaz de lidar com a frustração descarregará o seu infinito amor sobre quem estiver mais à mão, os pais e familiares próximos, os amigos e, por fim os desconhecidos. Serão amigos de muita gente. E, não raramente, amigos do alheio.

A vida não se irá moldar a um jovem que tentou, e conseguiu, educar os pais à sua maneira. Mas ele tentará moldar a vida como puder. À facada, à catanada, a tiro, nas suas formas mais severas. À picada, à charrada, ou emborcada, nas suas vertentes mais celestiais.

Mas também há quem não enverede por nenhum destes percursos e permaneça são, e praticamente imortal, a viver à conta dos pais para lá dos cinquenta anos de idade. Sempre jovem. Jovem de espírito. Com alguém, da santa família, a alimentar-lhe o corpo. Eu sei que há excepções. E muitas.

Mas não é este o resultado da educação perfeita que muitos pais consentem receber dos seus rebentos iluminados e adorados?"

Reorganização curricular: ainda há esperança?

Temos guerra(?). Será que vamos ter resultados na prática?

Espero bem que sim.

Parece possível, desde que a oposição se junte para conseguirem a cessação de vigência do decreto-lei que introduz alterações curriculares no ensino básico. O tal que determina a eliminação da área de projecto, limita o estudo acompanhado a alunos com mais dificuldades, a Língua Portuguesa e Matemática, e reduz de dois para um o número de docentes a leccionar Educação Visual e Tecnológica.



Mais uma notícia do Público:

"PSD, PCP e BE vão requerer anulação das alterações curriculares no básico

PSD, PCP e Bloco de Esquerda vão requerer no Parlamento a cessação de vigência do decreto-lei que introduz alterações curriculares no ensino básico, ficando nas mãos do CDS-PP o destino do diploma aprovado pelo Governo.

No âmbito da apreciação parlamentar do decreto-lei, pedida por PCP, BE e CDS-PP, os partidos podem requerer a cessação de vigência, votada em plenário, ou apresentar propostas de alteração, que baixam à especialidade, à Comissão de Educação.


Se aprovada na generalidade em plenário, a cessação de vigência toma a forma de resolução e o decreto-lei em questão deixa de vigorar no dia da publicação da resolução em Diário da República.

PSD, PCP e BE somam um total de 112 deputados, pelo que é necessária, pelo menos, a abstenção do CDS-PP para que a cessação de vigência seja aprovada, tendo em conta que o PS votará contra.

Contactado pela agência Lusa, o grupo parlamentar do CDS-PP remeteu para mais tarde uma decisão.

O decreto-lei do Governo, publicado a 02 de Fevereiro com entrada em vigor a 01 de Setembro, determina a eliminação da área de projecto, limita o estudo acompanhado a alunos com mais dificuldades, a Língua Portuguesa e Matemática, e reduz de dois para um o número de docentes a leccionar Educação Visual e Tecnológica.


PSD, PCP e BE confirmaram à Lusa que vão optar pela cessação de vigência.

Os sociais-democratas argumentam que o Governo tem demonstrado “uma absoluta incapacidade” para fundamentar estas opções, recordam o parecer “claramente desfavorável” do Conselho Nacional de Educação, ignorado pelo Governo, e sublinham o “desacordo” do Conselho das Escolas, directores, associações e sindicatos de professores.

“O grupo parlamentar do PSD irá propor a cessação de vigência do decreto-lei nº 18/2011 de 02 de Fevereiro, incentivando o Governo a que, de imediato, inicie um processo de reorganização curricular do ensino básico que, desta feita, se caracterize pelo envolvimento dos diferentes agentes e parceiros educativos, pela razoabilidade nas medidas a propor e, não menos importante, pela fundamentação pedagógica das soluções a apresentar”, afirma o partido, num texto assinado pelo deputado Pedro Duarte, a que a Lusa teve acesso.

Pelo PCP, Miguel Tiago confirmou o pedido de cessação, afirmando que as alterações introduzidas pelo Governo representam um “retrocesso”.

“É tudo orientado para a diminuição de horários nas escolas, com custos para a qualidade do ensino. Não há nada para aproveitar. As alterações curriculares terão que ser discutidas e ponderadas num debate alargado”, defendeu.

Ana Drago, do BE, argumenta que o diploma do Governo não faz qualquer “reestruturação” do currículo do básico, limitando-se a “eliminar postos de trabalho”.

“Não pode ser a Assembleia da República a remendar. Defendemos um processo alargado de auscultação”, afirma Ana Drago, lembrando que o Governo não apresentou uma única página para justificar as alterações.

Secretário de Estado garante que avaliação docente só será alterada em 2012

"O actual modelo de avaliação de desempenho docente só sofrerá alterações depois de terminado o actual ciclo avaliativo, em Dezembro próximo, garantiu ontem ao PÚBLICO o secretário de Estado adjunto da Educação, Alexandre Ventura. O governante afirmou ainda que mais de 40 por cento dos professores pediram a observação de aulas."

Aguentem com esta que não há outra!!!Nem que a vaca tussa (?)! Não querem saber se é boa ou má, se serve ou não para alguma coisa: é para acontecer!

E agora? Como estará a nossa força para contestar e conseguir resultados?

É uma notícia do Público:

"A avaliação continuará a desenvolver-se nas escolas de acordo com o que se encontra estipulado na lei e foi acordado com os sindicatos. Depois de terminado este ciclo, o Ministério da Educação estará disponível e muito interessado em reunir-se com sindicatos e parceiros no sentido de introduzir melhorias ao actual sistema", precisou. Este futuro aperfeiçoamento já se encontrava previsto no decreto que em 2010 institui o actual modelo.


"Não podemos iniciar um processo e ao fim de uns meses proceder a alterações ou simplificações", frisou, acrescentando que só a própria aplicação do modelo permitirá chegar a conclusões sobre a sua adequação e exequibilidade. Segundo Ventura, a avaliação está a desenvolver-se nas 1078 escolas e agrupamentos que existem no ensino básico e secundário. Nestas escolas, "mais de 40 por cento dos docentes já pediram a observação de aulas".

No actual modelo, este procedimento não é obrigatório, embora seja indispensável para os docentes que queiram concorrer a classificações de mérito (Muito Bom e Excelente) e para a progressão ao 5.º e 7.º escalão (existem dez no total). Actualmente, as progressões estão congeladas.

Cerca de 90 escolas e agrupamentos já tomaram posição contra o actual modelo. E tanto a Federação Nacional dos Sindicatos dos Professores, como a Federação Nacional de Educação (FNE) exigiram que o ministério suspenda a sua aplicação. Ontem, em conferência de imprensa, João Dias da Silva, da FNE, indicou que estão a ser pedidos aos professores "relatórios e documentos perfeitamente desnecessários", que estão a produzir uma situação de "excesso de trabalho", que "é inútil" e degrada as relações entre os docentes. "Não aceitamos que o Mi- nistério da Educação queira que a par- tir de 1 de Setembro continue a funcionar este modelo de avaliação", acrescentou.



Quotas diferenciadas

Mas o secretário de Estado mostra-se convicto de que "o aspecto essencial que estava a causar receios e angústias" entre os docentes se encontra "completamente ultrapassado" com a elaboração de um projecto de despacho que deverá ser aprovado em breve onde se consagra a existência de quotas diferenciadas para diferentes grupos de professores: "Com esta segregação impede-se a digladiação de avaliadores a avaliados pelas mesmas quotas". As quotas são aplicadas às classificações de mérito: 20 por cento para Muito Bom e cinco por cento para Excelente. Ventura confirmou que estas percentagens em vez de serem aplicadas às escolas globalmente serão tidas em conta em cada um dos seguintes quatro grupos: os relatores (que são os avaliadores), os docentes do quadro, os contratados e os professores que são avaliados pelos directores dos agrupamentos.

Vários directores têm denunciado que, sendo esta uma avaliação entre pares, já há professores que começaram a olhar para os colegas do lado como um problema, uma vez que muitos continuam a concorrer às mesmas quotas. "A avaliação entre pares constitui uma inovação entre nós. Quando as pessoas não estão habituadas têm dificuldades. Temos de dar tempo ao tempo. É através da experimentação que as pessoas que se envolverem a sério irão encarar a avaliação como uma oportunidade para melhorar as suas competências", aconselhou.

O secretário de Estado admitiu, por outro lado, que em "situações pontuais" há professores que vão ser avaliados por outros que estão em escalões inferiores, o que contraria um dos preceitos estipulados no acordo celebrado no ano passado com os sindicatos. Aquela avaliação só se fará se todos os envolvidos estiverem de acordo, precisou.

Antes de ir para o Governo, Ventura presidiu ao Conselho Científico para a Avaliação de Professores, a quem compete acompanhar este processo. No relatório que fez sobre o modelo de Maria de Lurdes Rodrigues, referia-se que o modo como este foi implementado, os instrumentos de registos adoptados e o curto prazo de tempo em que tudo se passou levaram a uma "alteração caótica das rotinas" das escolas."

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Abraço!

Memórias de professores

Quem quer ser como a Ana?

Gosto de criar laços com os alunos, gosto quando me cumprimentam na rua e me reconhecem um tempo depois de lhes dar aulas. Não me acontece frequentemente, até porque sou professor itinerante (ora aqui, orá acoli) e desterrado (ora longe, ora ainda mais longe). Mas gosto.

Ana envolveu-se com os seus alunos e famílias. Cinco anos de direcção de turma. Cinco anos é um bom tempo para tal acontecer.

Mas será que eu quero ser como a colega Ana?

Até onde temos que ir na Educação escolar? Somos professores, transmitimos e aprendemos e é essa a nossa principal tarefa. Depois fazemos o que quisermos para além disso.

Há quem leve os alunos a consultas. Há quem lhes dê sempre o lanche. Há quem empreste dinheiro aos pais. Há quem os vá buscar a casa.

E ponho-me a pensar: uma vez sem exemplo, tudo bem, há casos e casos. Mas muitos que eu conheço são abusivos:
- Não mandam lanche porque a professora dá;
- É preciso levar o miúdo ao Psicólogo fora da escola? A professora que o leve. "Já levou o João e a Rita, também leva o meu";
- Não mandam a mochila com o filho - o professor desenrasca umas folhas e umas canetas e os livros ficam na escola - "não faz os trabalhos de casa, não precisa deles aqui para nada".
- Etc, etc...

Será que há um meio termo? Acredito que sim, um equilíbrio saudável.

Mas casos como estes que "satirizei" atrevo-me a dizer que fazem mais mal do que bem: põe todos os professores em cheque!

E já sabem que há sempre quem abuse. E tanto abusam que passa a ser hábito e ficamos "obrigados" a fazê-lo.

Mais funções para os professores? Não, obrigado!


Um artigo de Armanda Zenhas no Educare:

"Cinco anos depois, o telefone tocou: "Professora, é a Maria, a sua aluna daquela turma de há cinco anos. Tenho estado com alguns colegas meus e resolvemos fazer-lhe uma surpresa. Queremos convidá-la para vir tomar o pequeno-almoço amanhã, sábado, numa esplanada, ao pé do mar. Pode vir?". "Claro.", respondeu Ana, feliz com a surpresa. Lembrava-se bem da turma. Tinha sido sua diretora durante os cinco anos dos 2.º e 3.º ciclos. Tinham sido cinco de anos ligação aos alunos e às suas famílias. Cinco anos em que tinha acompanhado cada um dos jovens e dos seus problemas, dos escolares e também dos familiares e de saúde, que acabavam por se repercutir na escola. Cinco anos em que, por isso também, tinha conhecido bem os pais e as famílias, com quem tinha contactado regularmente, para que pudesse haver uma verdadeira colaboração entre a escola e a família no acompanhamento da vida escolar de cada um dos jovens.


Entre a noite do telefonema e a manhã do encontro (pouco mais de doze horas), as memórias sucederam-se. As reuniões que sempre fazia com pais e alunos, tentando debater temas de interesse mútuo e correspondentes a necessidades dos jovens e das suas famílias. O ambiente de confiança que se foi estabelecendo entre a escola e os alunos e as famílias ao longo desse trabalho. Os debates, a apresentação de trabalhos dos alunos, os convívios: de tudo havia um pouco nessas reuniões, a que poucos encarregados de educação e poucos alunos faltavam. A festa de fim de ano letivo, num sábado à tarde, com jogos tradicionais e uma churrascada, em que os pais se encarregavam de grelhar a carne e as mães tratavam das saladas (e das mesas), enquanto os alunos tratavam dos jogos e de outras diversões.

Outras memórias brotaram. Memórias de alunos a quem surgiram problemas de saúde mais ou menos graves e que a escola apoiou durante e depois da doença, o apoio dado aos pais e aos alunos por Ana, diretora de turma, para que ultrapassassem os problemas escolares e a sua tentativa de contribuir para diminuir também os emocionais. Memórias de alunos com características especiais: este escrevia muito bem, aquele tinha uma consciência já muito grande dos problemas sociais, outro era muito revoltado e acabava por dar os seus 'tiros' às aulas e fazer as suas tropelias. Memórias de uma turma que se foi tornando unida, fruto de um trabalho de cinco anos, e que procurava ajudar qualquer colega que sentisse em dificuldades ou integrar qualquer novo aluno, fazendo-o com grande empenho e sempre com sucesso. Memórias de algumas tropelias coletivas, como daquela vez em que Ana e outro professor levaram a turma a passar um fim de semana numa pousada da juventude. Memórias de um trabalho coletivo com esse colega, também professor dessa turma durante esses cinco anos, e também convidado pelos alunos para o encontro desse sábado de manhã.

Como estariam os alunos? Que modificações que lhes teria produzido a idade? Que recordações teriam destas memórias de Ana?

Sábado de manhã chegou. Primeiro, a observação física, as modificações de adolescentes a transformarem-se em adultos. Depois, as novidades: uns estavam na universidade, outros ainda no 12.º ano... Outros tinham ido trabalhar. O tempo foi pouco para confrontar memórias, mas foi o suficiente para reviver algumas e, principalmente, para reviver e confirmar afetos. Cinco anos depois, estar com aqueles alunos fazia parecer que o tempo não tinha passado. A união mantinha-se, o afeto estava bem vivo.

Para Ana, aquela manhã, com aqueles alunos, foi uma verdadeira terapia para recuperação de energias. No seu espírito, um pensamento bem nítido: 'É verdade que o tempo não está fácil para os professores. É verdade que esta profissão está cada vez mais desvalorizada pela sociedade. É verdade que as ameaças, os insultos e as agressões aos professores se sucedem - como vai contando a comunicação social, quando as coisas até ela chegam - sem que, muitas vezes, os infratores sofram as devidas consequências. Mas, quando um professor, cinco anos depois, recebe um telefonema para um encontro assim, tem que sentir que vale a pena ser professor. Na sua memória, ficaram aqueles alunos, mas ela ficou também na deles. Ana sentiu e sabe que lhes ensinou muitas coisas: a matéria que ensinava, valores e afetos. Os cumprimentos mandados pelos pais dos alunos para Ana (e que ela retribuiu) mostram que a memória positiva que ela guarda deles é recíproca e que vale a pena trabalhar com as famílias pelo sucesso dos alunos e que esse trabalho, não sendo fácil, é gratificante e é reconhecido por quem o vive. Sim, ser professor, apesar de todos os contratempos e dos tempos adversos, vale a pena. Este encontro, cinco anos depois, comprovou-o."

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Abraço!

Mais (menos) 200 Professores e Educadores de Infância - Repetição

>Edito esta mensagem para vos pedir desculpa pelo meu lapso: esta lista já tinha sido publicada neste blogue. No entanto deixo a mensagem, ainda está actualizada;) As minhas desculpas.<

E os que podem saem!

São mais 200. Pena não se abrirem mais 200 lugares nas escolas...





Abraço!

terça-feira, 1 de março de 2011

E será que todos responderam bem?

Gosto principalmente da parte final do texto:

"Claramente, está a preparar o alargamento da escolaridade obrigatória para doze anos através do lamentável caminho que vem sendo seguido até aqui: o caminho da facilidade progressiva."


Carlos Fiolhais, no Jornal Sol, mostra-nos o seu desagrado com o teste intermédio de Física e Química A, do 11º ano. Até que ponto vamos facilitar nos testes e exames para conseguirmos resultados positivos (ou melhor, classificações positivas, porque os resultados conseguidos com perguntas destas não são positivos, são básicos)?

E será que todos responderam bem?



"O ensino das ciências: de mal a pior

O Gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação, que já tem deixado passar erros em várias provas nacionais, não pára de nos espantar. Agora resolveu, num teste intermédio do 11.º ano da disciplina de Física e Química A, repito, do 11.º ano, fazer uma transcrição de um livro meu (Física Divertida, Gradiva, 1991), com apenas quatro linhas mas adaptada (adaptada?), e pedir aos alunos para transcrever (sic) uma informação trivial que se encontra no texto. Queria tão só que os alunos fizessem uma transcrição a partir da transcrição que o Gabinete tinha feito, como se apenas estivesse interessado em saber, num teste de Física do secundário, se os jovens sabiam o que significa aquela palavra. Talvez o ministério venha um dia a pedir, para poupar esforço e tinta, que os alunos sublinhem uma frase a fim de obterem toda a pontuação. E talvez inclua nos testes de Física um glossário com o significado das palavras usadas nos enunciados.


A Divisão Técnica de Educação da Sociedade Portuguesa de Física ficou justamente indignada com aquela prova:

«A questão 1 do Grupo I na qual o aluno deve transcrever a parte de um texto, de apenas 4 linhas, que refere o que Oersted observou, não é admissível neste ano de escolaridade. Esta questão pode ser respondida por um aluno do 2.º ciclo do ensino básico que nunca tenha estudado o assunto abordado [...]. Este teste intermédio dá indicações erradas aos alunos sobre as suas aprendizagens e não os estimula ao esforço que é necessário para que sejam atingidos os objectivos de aprendizagem da disciplina».

Para que o leitor julgue por si próprio, com este exemplo singelo, o estado do nosso ensino das ciências, deixo o pedaço do meu texto que foi usado pelo Ministério da Educação:

«Durante algum tempo o magnetismo e a electricidade ignoraram-se mutuamente. Foi só no início do século XIX que um dinamarquês, Hans Christian Oersted, reparou que uma agulha magnética sofria um desvio quando colocada perto de um circuito eléctrico, à semelhança do que acontecia quando estava perto de um íman. Existia pois uma relação entre electricidade e magnetismo».

E deixo a pergunta que o Ministério colocou aos alunos: «Transcreva a parte do texto que refere o que Oersted observou».

Podia ter-lhes, ao menos, pedido para usarem palavras suas. Ou para interpretarem o que Oersted observou, tal como o próprio fez. Mas não. Escolheu o mais fácil. Claramente, está a preparar o alargamento da escolaridade obrigatória para doze anos através do lamentável caminho que vem sendo seguido até aqui: o caminho da facilidade progressiva."


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Abraço!

Haja alguma luz naquelas cabecinhas...

"As horas extra dos funcionários públicos referentes a 2010 não vão sofrer cortes. O Governo admite que houve ilegalidade e assegura que vai devolver o dinheiro. O caso começou com uma queixa dos médicos, mas a ordem para repor a legalidade vai estender-se a todos os funcionários públicos depois de José Sócrates ter tido intervenção pessoal no assunto ao reconhecer a ilegalidade do corte feito nos dois primeiros meses do ano."


Podem ler mais na RTP.

Abraço!

Se os gestores são os salvadores da pátria, o que somos nós?

Confesso que quando li o título deste artigo pensei logo em questões práticas: "isto deve ser sobre o papel do professor como gestor. Gestor de recursos humanos, materiais...". No entanto é uma comparação da nossa nobre profissão (sim, é nobre, por muito má que esteja a ser tratada) com a profissão de gestor de empresas públicas.

Vale a pena a leitura, até porque a conclusão que se pode tirar é que nós é que somos indispensáveis!

"Os professores e os gestores
Correio da Educação



E o que acontece sempre que os salários dos gestores públicos são trazidos à praça da classe trabalhadora (não se pode dizer pública porque deixou de o ser há muito) é simplesmente isto: alguém no Parlamento levanta a questão e é imediatamente acusado de ter contribuído para a soma avultada que agora contesta. Resultado: tudo fica como está. Entretanto, a imprensa dá a notícia e convida para os noticiários comentadores que justificam tais quantias, dizendo que, se esta gente não for apaparicada por todos nós, ela vai para o estrangeiro ou para o privado.

E porque não a deixamos ir?
Não, não, nem pensar. Ela dá a ganhar muitos milhões de euros ao Estado.
Ah, sim… e onde estão esses milhões?
No Estado.
Mas o Estado somos nós. E nós estamos falidos, certo?
Certo. O diálogo sem fim à vista morre aqui.

O Estado está falido, porque não se sabe governar a si próprio, daí continuarem milhares de portugueses a descontar para pagar tanto aos catalogados de melhores do país – os que mais se esforçam pelos famosos lucros das empresas públicas. No fundo, os salvadores da pátria; os insubstituíveis, cujos cargos mais ninguém, com menor salário e sem chantagear o país de que se vai embora, consegue desempenhar; os que têm um QI acima da média, desenvolvido por muitos professores que veem agora os seus salários a serem reduzidos e os seus lugares nas escolas a diminuírem, só para que não se deixe estas crianças, agora adultas, tão esforçadas e tão inteligentes, sentirem uma dificuldade no seu percurso de vida, que seria ganhar menos, muito menos, porque o país não pode pagar tanto.

A diferença entre um gestor e um professor é, de facto, muito grande. Reside no salário. Reside no bom senso. Reside no espírito de sacrifício. Reside no bem que procura fazer aos outros e à comunidade onde está inserido. Reside no que entende por Estado. Não se acha o mais especial. Não é o melhor. É simplesmente um entre muitos. Comete erros todos os dias. Muitos. E o maior que o professor pode cometer é o de não ensinar o indivíduo a trabalhar para o bem comum.

Há que corrigir o erro no futuro, já que filho criado, trabalho redobrado.

Os acontecimentos da educação, que têm sido noticiados nos últimos tempos, relacionam-se, sobretudo, com a forma como o governo tem conduzido a sua ação governativa, assente em questões financeiras, que se traduziram nos cortes dos salários dos professores do ensino público e nos despedimentos dos do ensino particular e cooperativo. O desequilíbrio na profissão de docente é notícia. E é notícia séria, para levar a sério.

A sério deveria também ser levada a notícia sobre os salários dos gestores trazida a lume recentemente, que, aliás, não é de hoje. Lembro-me de, há um tempo atrás, ter ouvido qualquer coisa semelhante. Não me lembro dos valores revelados. Lembro-me simplesmente de ter ficado atónita perante a inércia de todos, tal como aconteceu agora."
Inês Silva - Doutora em Linguística (Sociolinguística).
Professora Adjunta Convidada na Escola Superior de Educação de Santarém.
Tem realizado estudos sobre a escrita dos alunos.
É autora de várias publicações de caráter didático e de caráter linguístico.
Na ficção, publicou o romance: A Casa das Heras.


Abraço!

Professores em greve às horas extraordinárias por tempo indeterminado

Começa hoje mais esta luta.

Já tive oportunidade de referir que não acredito que queiram prejudicar os alunos, pelo que muitos não a farão ou darão as aulas sem "assinar".

Fico à espera para ver...

É uma notícia da SIC.


"Professores e educadores iniciam hoje uma greve às horas extraordinárias por tempo indeterminado que pode deixar alunos sem aulas e sem avaliação, até ao final do ano letivo, em algumas escolas.


Professores e educadores iniciam greve às horas extraordinárias por tempo indeterminado

Notícias País O impacto da medida, adotada pela Plataforma de Sindicatos dos Professores, vai depender da quantidade de horas extraordinárias que cada escola tenha e pode sentir-se pouco em alguns estabelecimentos com menos serviço extraordinário, disse à agência Lusa o secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira.

Os sindicatos contestam a forma de cálculo que o Governo determinou este ano para pagamento das horas extraordinárias, que dizem ser ilegal e contrariar o disposto no Estatuto da Carreira Docente (ECD).

"Apesar de o ECD ser claro sobre a fórmula a adotar, devendo a hora extraordinária calcular-se a partir das 22 ou 25 horas letivas do horário base dos docentes, o Ministério da Educação (ME) decidiu unilateralmente e ilegalmente efetuar o cálculo a partir das 35 horas, ou seja, o horário completo do docente, deixando de fora o tempo de trabalho individual que está adstrito a cada hora", lê-se em comunicado conjunto emitido pelos sindicatos.

Em declarações à Lusa, o dirigente da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) insurgiu-se igualmente contra o projeto de despacho para organização do novo ano letivo e acusou o Ministério da Educação de querer pôr os docentes a "trabalhar de graça", no seu tempo de descanso, para preparação de aulas, correção de testes e avaliação dos alunos.

Os impactos da greve serão difíceis de avaliar para já, admitiu Mário Nogueira, explicando que primeiro é preciso fazer um levantamento do número de horas extraordinárias que cada docente tem para eventualmente se saber a repercussão.

"Há também um problema que tem a ver com o valor, decorrente da redução salarial", disse Mário Nogueira, para quem o objetivo último do Governo é preencher o horário dos professores com aulas e deixar para trabalho de casa, não remunerado, a preparação das aulas, testes e outras tarefas.

Embora o cenário possa não se colocar em todas as escolas, Nogueira assumiu que se uma turma ficar sem aulas pode ficar sem avaliação, o que atribui a "irresponsabilidade" do Ministério da Educação.

O ME indicou na semana passada ter dado orientações às escolas para seguirem as regras gerais de pagamento de horas extraordinárias.

Fonte do ME disse à Lusa estar em causa o "estrito cumprimento do estabelecido na Lei do Orçamento do Estado", pelo que as escolas deverão seguir a regra geral aplicável nesta matéria a toda a Administração Pública.

No final do primeiro dia de greve, a Plataforma de Sindicatos vai ser recebida na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, onde exporá as suas razões.

Os sindicatos pediram para ser ouvidos alegando preocupações face "à falta de negociação em aspetos essenciais à vida das escolas e dos professores", questões relacionadas com o esperado "aumento do desemprego em setembro" e "a desorganização que a teimosa manutenção do atual regime de avaliação está a causar" nos estabelecimentos de ensino"

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Abraço!