terça-feira, 20 de setembro de 2011

Professor defende direito a 'vida paralela'

Abordo este assunto meio a sério, meio a brincar - pareceu-me uma notícia boa para fugir à rotina da ADD e dos concursos que têm marcado a nossa vida.

Por cá tivemos um bela jovem professora em fotos reveladoras. Em Inglaterra têm um professor que faz poses para fotografias e entra em outras coisas...


"Professor defende direito a 'vida paralela' como ator pornô




Nas imagens, o professor aparece vestido como bombeiro (esq.) e no julgamento (dir.)

Um professor que admitiu levar uma "vida dupla" como stripper e ator pornô defendeu seu direito à privacidade para um painel disciplinar na Inglaterra. Benedict Garrett, que usa o codinome Johnny Anglais na indústria pornô, disse que outros professores fumam e bebem até cair e não são julgados por sua conduta.

O caso está sendo julgado no Conselho Geral de Ensino da Inglaterra. Garrett trabalhava como chefe de Educação Pessoal, Social, Econômica e da Saúde na escola secundária Beal High School, em Ilford, nos arredores de Londres. A história dele veio à tona no ano passado, quando alunos viram seu website, no qual ele disponibiliza fotos, vídeos e email de contato para clientes.

Em várias imagens, Johnny Anglais desempenha o que parece ser seu personagem mais bem-sucedido, vestido de bombeiro. Desde que assumiu a sua vida paralela, Garrett tem sido criticado principalmente pelo fato de ensinar, entre outros temas, educação sexual para jovens de 11 e 12 anos.

O professor diz que não se arrepende de ensinar seus alunos a "ter uma mente aberta". Ele já deu declarações afirmando que "há muitas formas mais imorais de ganhar a vida que atuar em frente a uma câmera".

"Advogados defendem pedófilos, banqueiros levantam recursos através de meios questionáveis e grandes corporações frequentemente colocam os lucros antes do meio-ambiente", argumentou.

Confissões
O professor, que continua suspenso, postou no site de compartilhamento de vídeos YouTube uma série intitulada "Confissões de um professor censurado" (em inglês, "Confessions of an X-rated teacher").

O astro pornô tem dado entrevistas a rádios, TVs e jornais. Brinca com seu nome, (Benedict, ou bento, "um nome perfeitamente católico") e diz que ganha 300 libras, ou mais de R$ 800, por aparição ("metade do que ganham as mulheres").

Para o professor que apresentou as acusações durante a audiência de Garrett no Conselho de Educação inglês, entretanto, os argumentos não convencem.

"Realizar trabalhos de natureza pornográfica mina a confiança pública e a reputação da profissão e da escola", afirmou o especialista. Garrett admitiu as acusações, mas sustentou que elas não constituem nenhum desabono à sua competência profissional.

Ao deixar a sede do Conselho onde seu caso está sendo julgado, ele falou à imprensa britânica. "Professores do norte ao sul do país bebem e fumam, mas o fato de você concordar ou discordar não os impede de serem incríveis na sala de aula."

O painel de especialistas continuará nesta terça-feira a analisar o caso para decidir se e como Garrett será punido."
BBC Brasil
Abraço!

BR2: falsos temporários!

É grave! É muito Grave!

Mais uma vez brincam connosco.

Creio que não restam dúvidas que muitas colocações "temporárias" na BR" não o são. 

Amanhã muitas Escolas vão receber telefonemas para questionar se os horários que lançaram a concurso são ou não anuais pois já muitos se aperceberam desta situação.

Bastam 2 exemplos: Quando o mesmo Agrupamento tem 3 colocações temporárias no mesmo grupo, ou.quando muitas, mas muitas mesmo, colocações acabam em Outubro num "desvio" de uma semana...

Quem concorreu só a anuais, com todo o direito, assim não faca colocado nas BR. E quem o fez, salvo excepções, está melhor graduado e pode-se dar a esse "luxo". Mas vai ficar de fora, pelo menos até virem as contratações de Escola para todos.

Espero por reacções "de cima". Por enquanto leiam esta notícia (foi a única que encontrei, mas devem aparecer muitas mais durante o dia...)



"Docentes exigem anulação
Concurso de professores gera revolta

Os resultados da colocação de professores contratados através da segunda Bolsa de Recrutamento, que foram conhecidos ontem, geraram uma onda de revolta.

Professores que concorreram a horários temporários foram colocados, ultrapassando outros mais bem posicionados na lista graduada mas que concorreram a horários completos e ficaram de fora. Isto porque os horários foram lançados com a duração de um mês, quando de facto serão renovados até final do ano escolar. Há ultrapassagens de 2 mil lugares.

O CM recebeu inúmeros contactos de professores, e em blogues multiplicavam-se comentários de indignação. Muitos ameaçam recorrer e outros exigem a anulação do concurso. Contactado pelo CM, Mário Nogueira (Fenprof) afirmou que, "se o problema não for corrigido, uma delegação da Fenprof vai amanhã [hoje] ao Ministério da Educação e Ciência exigir explicações. Confrontado pelo CM, o gabinete do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, afirmou: "O concurso está a decorrer conforme a lei.""
Correio da Manhã

Abraço!

domingo, 18 de setembro de 2011

Contratos: só eu é que estou de "pé atrás"?

O meu "pé atrás" deve-se a isto:

"Desde que a necessidade subsista" não é bem a mesma coisa que "até ao fim do ano lectivo"! Ou melhor, é, pois a necessidade é até ao fim do ano escolar. Mas a interpretação dos sr.s lá de cima pode ser outra...

E como fica "no ar", arrastam o assunto para fins do ano lectivo e depois vê-se o que acontece...


"Contratos até Agosto

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) esclareceu ontem que as escolas podem celebrar contratos até 31 de Agosto com os professores que contratarem directamente até final do ano lectivo. Trata-se da chamada contratação de escola, para substituição de docentes aposentados ou doentes e usada também por escolas com autonomia e em caso de recusa de colocação pela bolsa de recrutamento.

"Caso se mantenha a necessidade até final do ano lectivo, os contratos terminam a 31 de Agosto", garantiu o MEC ao CM. Mário Nogueira (Fenprof) disse que esta posição configura um "recuo" do MEC e "resolve o problema" e lamentou que a nota informativa emitida ontem pela tutela não fosse tão clara.

Os sindicatos tinham acusado ontem a tutela de tentar terminar os contratos a 31 Julho, cometendo uma ilegalidade para poupar alguns milhões de euros com os salários de Agosto. As acusações surgiram após uma nota informativa emitida quinta-feira pela Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação, que impunha contratos a termo incerto com a duração mínima de 30 dias. "O problema não é os contratos terem 30 dias, porque são prorrogados sucessivamente, mas sim quando acabam. E a nota diz que o contrato termina a 31 de Agosto ‘desde que a necessidade subsista’, cinco palavras assassinas que podem levar as escolas a terminar os contratos no fim das aulas", afirmou Nogueira.

Ao final do dia de ontem, o MEC emitiu uma nota a sublinhar que "os professores assinarão com as escolas um contrato com a duração da necessidade transitória identificada pelo estabelecimento de ensino". Para Adalmiro Fonseca, da Associação de Directores de Escolas Públicas, fica claro que "os contratos serão até 31 de Agosto, com as férias a que o professor tem direito, como manda a lei".

PROTESTO DE PROFESSORES DE NORTE A SUL

Professores e educadores voltaram ontem à rua, com protestos de norte a sul do País, para mostrarem o seu descontentamento contra o desemprego, a precariedade e a instabilidade profissional. De manhã, em Portalegre e Beja, os professores apostaram na sensibilização da população. Em Lisboa, a concentração realizou-se à tarde, no Largo Camões, e contou com representantes da CGTP e da Federação Nacional dos Professores (Fenprof). Juntou cerca de 50 professores. A fraca adesão foi justificada por João Barreiros, da CGTP, com o horário que impediu que as pessoas saíssem do trabalho. Em Faro, uma centena de professores contestou as novas políticas de educação. Houve também protestos no Porto, Coimbra e Évora.

CRIANÇAS EXIGEM ESCOLA EM MARCO DE CANAVESES

"Queremos a nossa escola", gritam os alunos da EB1 de Sande, em Marco de Canaveses, após terem conhecimento que o estabelecimento vai encerrar. Depois de, anteontem, os pais não terem chegado a um consenso com os representantes da Direcção Regional de Educação do Norte e com a câmara municipal, os encarregados de educação garantem que a luta é para continuar até "abrirem a escola ou garantirem o transporte até ao novo centro escolar".

Segunda-feira, pais e crianças prometem estar novamente junto ao portão da Escola Básica de Sande, em mais uma acção de protesto. Os encarregados de educação não desistem e asseguram que as crianças continuarão a não ir à escola até que o problema seja resolvido."
Correio da Manhã


Abraço!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

BR's todas as Segundas?






Pelo menos a do dia 19 (Segunda-feira) parece certa, interpretando este belo documento da DGRHE de 16 de Setembro:

"A partir da próxima segunda-feira, dia 19 de Setembro, estará disponível a aplicação

destinada aos recursos da Bolsa que correu no dia 12. A aplicação destinada aos

recursos da Bolsa que correr no dia 19 estará disponível desde o dia 26 até ao dia 30, e

assim, sucessivamente."

Interpretam como eu?

Abraço!

MEC fará contratos com o mínimo de um mês para docentes em falta

É o fim da macacada!

O MEC consegue sempre surpreender-nos com estas "invenções" para poupar tostões!

E eu a pensar que era um erro da aplicação... é, sem dúvida, para nos roubar um mês 8ou mais) de vencimento, de uma forma bastante vergonhosa (no mínimo!).

Brincam com os contratados!

(Artigo na sequência deste do Público.)

"João Casanova de Almeida esclareceu que os professores em falta nas escolas terão contratos com a duração mínima de um mês, que "durarão enquanto as necessidades durarem". Nuno Crato afirmou que sempre houve professores com estes contratos, mas que este ano se verificou uma renovação automática."O que diz a legislação é que os contratos não podem ter um período inferior a um mês", afirmou João Casanova de Almeida aos jornalistas, sublinhando que os mesmos "não têm termo certo" e que um mês "é a referência mínima".

A edição de hoje do Público avança que as escolas com falta de professores só poderão celebrar contratos mensais com os docentes que vierem ainda a contratar, o que configura uma "alteração nos procedimentos de colocação de professores".

Contudo, de acordo com aquele governante, que falava à margem da inauguração de uma escola em Almancil, não houve qualquer alteração nos mecanismos de colocação de professores, tendo havido sim uma diferente "interpretação" da lei.

O PCP insurgiu-se contra a decisão do Ministério da Educação de celebrar com docentes contratos a termos de um mês, considerando que se trata de uma medida que agrava a precariedade e é contrária à excelência no ensino.

A posição dos comunistas foi manifestada pelo deputado comunista Miguel Tiago, depois de entregar uma pergunta dirigida ao ministro da Educação, Nuno Crato, sobre esta mesma matéria.

"Fomos confrontados com uma contratação que está a ser levada a cabo nas escolas sob a insígnia do agravamento da precariedade. Com contratos de um mês, como aqueles que agora estão a ser autorizados, a precariedade será ainda mais sentida", sustentou o deputado do PCP.

Para Miguel Tiago, esta prática do Ministério da Educação e Ciência, "de contratação à peça dos professores por um mês, é totalmente incompatível com o objetivo de estabilidade do corpo docente".

"Com isto o Governo quererá certamente poupar dinheiro, não pagar todos os meses que estão previstos nos contratos, mas há uma questão que se finge em ignorar, porque os contratos são de um ano e os horários para os quais estes professores estão a ser contratados são anuais", advertiu o deputado comunista.

Segundo Miguel Tiago, o Governo "sabe que está a aprofundar a precariedade, a desvalorizar o trabalho do docente e a provocar instabilidade".

Esta medida, acrescentou o deputado do PCP, "é frontalmente contra tudo o que este Governo diz defender: a qualidade, a excelência e a estabilidade".

A FENPROF exigiu uma reunião urgente ao Ministério da Educação e Ciência para resolver os problemas de colocação de docentes, que considera graves, contendo "ilegalidades".

Em carta dirigida ao Ministério da Educação e Ciência (MEC), a Federação considera necessário resolver o quanto antes "todas as ilegalidades que estão a ser cometidas em torno da colocação de professores".

De acordo com a FENPROF, continuam a faltar professores em muitas escolas, a colocação através da bolsa de recrutamento é "verdadeiramente opaca" e os professores estão a ser contratados ao mês para períodos de maior duração, que podem mesmo chegar ao final do ano letivo.

Os sindicatos questionam também os critérios utilizados pela Direção-Geral de Recursos Humanos da Educação e a forma como decorrem as "ofertas de escola", denunciando falta de transparência no processo.

"A FENPROF considera urgente a realização desta reunião, tanto mais que os ofícios que enviou ao MEC, expondo alguns destes problemas, não mereceram qualquer resposta", lê-se em comunicado hoje divulgado pela estrutura sindical.

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, afirmou hoje que sempre houve professores com contratos a termo de um mês, mas que este ano se verificou uma renovação automática.

"É um processo que sempre existiu e não há novidade em relação a isso", afirmou o governante à margem da inauguração do Centro Escolar de Valpaços e em resposta a críticas de sindicalistas.

Acrescentou que se trata de um processo habitual nesta fase e que a única coisa que mudou este ano foi que a Direção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) promoveu na sua plataforma essa contratação.

"Está a fazer-se o mesmo que já se fazia, mas não de forma automática e sem apoio central", salientou.

Nuno Crato fez questão de salientar a "grande normalidade" em que está a decorrer a abertura do ano letivo, o grande empenho dos professores e o facto de se ter resolvido o problema latente da avaliação docente.

O secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE) considera "irracional" que o ministro da Educação pretenda fazer a substituição de professores aposentados ou em licença de parto por outros com contratos a um mês.
"O ministro, que até é matemático, como é que sustenta uma situação que não tem racionalidade nenhuma?", questionou João Dias da Silva, que dirigiu uma carta ao ministro Nuno Crato sobre o assunto.

O sindicalista disse que os contratos a um mês já são utilizados para substituir professores com doenças pontuais, mas discorda que se adote essa solução para substituir os que se aposentam ou estão em licença de parto, porque no primeiro caso não regressam à profissão e no segundo ausentam-se durante vários meses.

Dias da Silva, que falava à entrada de um congresso de técnicos administrativos e auxiliares de educação, em Lisboa, disse também que tem dúvidas sobre a legalidade desta medida do Ministério da Educação.

Segundo o dirigente da FNE, a decisão do ministro da Educação e Ciência poderá ter como objetivo não pagar o mês de agosto aos professores contratados a um mês.
"Se não quiser pagar o mês de agosto aos professores, diga isso e seja claro", defendeu Dias da Silva."
Educare

Abraço!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ainda não sabem?(!)

Governo compromete-se a descobrir quanto gasta com a formação de cada aluno no ensino público

Abraço!

Educação: afinal está tudo bem(?)!

Não são precisos sobressaltos cívicos, o IVA não vai trazer problemas... Está tudo bem(?)!

Passos abre escolas com defesa de cortes "por moralização"

Crise: Preços do Gás e Electricidade não criam problemas às escolas

Abraço!

Biologia: Parabéns Diogo!

Mais uma mensagem para nos elevar a moral e o orgulho em sermos portugueses.

"Biologia: Ministro felicita aluno que conquistou bronze

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, felicitou esta segunda-feira a equipa portuguesa pelo resultado obtido nas V Olimpíadas Ibero-Americanas de Biologia, em que um aluno de uma escola de Caldas da Rainha conquistou uma medalha de bronze.

As V Olimpíadas Ibero-Americanas de Biologia decorreram entre 5 e 11 de Setembro na Costa Rica, tendo a equipa portuguesa regressado hoje a Portugal.

Diogo Maia e Silva, de 18 anos, aluno da Escola Secundária Raul Proença, nas Caldas da Rainha, conseguiu um "resultado inédito para Portugal, ao conquistar uma medalha de bronze", realça um comunicado do gabinete do ministro Nuno Crato.

Além de Diogo Maia e Silva, participaram nestas Olimpíadas Rui Pedro Nunes, da Escola Manuel Bernardes, em Lisboa, Beatriz Madureira, do Colégio São Miguel, em Fátima, e Ana Beatriz Teixeira, do Agrupamento de Escolas de Castro Daire.

Portugal organizará em 2012 as VI Olimpíadas Ibero-Americanas de Biologia, em Cascais.

As Olimpíadas Ibero-Americanas de Biologia visam promover o estudo das ciências biológicas e estimular o desenvolvimento dos jovens talentos nesta ciência.

Diogo Maia e Silva, o primeiro aluno português a conquistar uma medalha de bronze nas Olimpíadas Iberoamericanas de Biologia, acredita que Portugal poderá aspirar à medalha de ouro na próxima edição do evento.

"A minha classificação foi uma agradável surpresa e um sinal de que no próximo ano, em Portugal, podemos aspirar a uma classificação mais alta e até conquistar a medalha de ouro", disse à agência Lusa Diogo Maia e Silva à chegada da comitiva portuguesa ao aeroporto de Lisboa."
Correio da Manhã

Abraço!

O esperma feliz de Nuno Crato

O título não é meu, mas deixei-o por ser sugestivo. No fim do texto vão perceber de onde veio.

Em defesa da Educação, João Esteves:


"O esperma feliz de Nuno Crato

João Lemos Esteves (www.expresso.pt)

1. Portugal vive assolado por uma grave crise financeiro - é um dado inquestionável. Todos devemos participar nos sacrifícios para reerguer a nossa Nação - é uma verdade, mas infelizmente, parece que o governo Passos Coelho tem mais coragem para atacar uns (os mais fracos) do que outros (os mais poderosos). Todavia, os cortes na despesa não podem ser cegos. Não podem comprometer o futuro do país e da nossa geração. A juventude portuguesa merece - e deve! - ser ouvida e respeitada neste processo. Mesmo em cenário de crise financeira, o governo - por muito liberal que seja! - não pode retirar o único instrumento de ascensão social para a grande maioria dos portugueses: a educação. E a aposta na educação passa por valorizar a escola pública, sem coarctar a liberdade de escolha individual. Passemos a desenvolver esta ideia.

1.1. Em primeiro lugar, reiteramos que qualquer política de educação em Portugal tem de colocar a escola pública num lugar central. Todos os dias ouvimos inúmeras críticas à escola pública - parece mesmo que nasceu um preconceito em relação a tudo que pertence ao Estado, ou seja, a todos nós. Parece que a escola pública é o problema central da educação no nosso país. Mas não é. Bem pelo contrário: a escola pública permitiu que Portugal registasse um acréscimo brutal no índice de escolaridade da nossa população, desde o início do processo de democratização. Foi a escola pública que formou muitos dos quadros, dos cérebros que Portugal não teve condições de fixar, dada a fraqueza do seu sistema económico. Foram os professores (que incluem os hoje tão ridicularizados "funcionários públicos") que todos os dias, dando o seu melhor, passando por enormes sacrifícios e tormentos pessoais, alimentaram e deram concretização ao sonho de milhares de portugueses em alcançar uma vida melhor. E muitos, com mérito, conseguiram. São as Universidades públicas portuguesas que merecem o respeito e a admiração das suas congéneres europeias e mundiais, aparecendo nos rankings das publicações com melhor crédito na matéria (v.g., do Financial Times). Não, caros leitores: a culpa dos falhanços da educação portuguesa não é da escola pública. Muito menos dos professores - cujo trabalho deve ser louvado e incentivado. O problema, caros leitores, é que o poder político brincou com a sua educação (ou dos seus filhos e netos).

1.2. Dir-me-á que a escola pública é excessivamente burocrática. Pois bem, mas a culpa é dos políticos que gizaram morosos procedimentos administrativos que, na prática, impedem os professores de tomar decisões com a brevidade necessária. Os professores, como funcionários do Estado, limitam-se a aplicar a lei que o poder político - insensível à realidade! - insiste em manter. Dir-se-á que a escola pública é indisciplinada. Pois bem, mas foi o poder político que aprovou o estatuto do aluno e um quadro legal que impede os professores de reporem a ordem na sala de aula sem serem penalizados. Tudo isto deve ser resolvido pelo actual governo para valorizar a escola pública - não para a prejudicar , diminuindo a sua qualidade a favor dos privados.

2. O memorando assinado com a troika prevê um corte significativo nas despesas com a educação, propondo o agrupamento de escolas e a dispensa de professores. Atenção: reorganização do parque escolar tem de ser feita com rigor, garantindo a qualidade de ensino a todos os portugueses, dotando as escolas dos meios necessários (nomeadamente laboratórios e bibliotecas) - sem (nunca!) esquecer os alunos com necessidades educativas especiais. Quanto aos professores, sou sincero: se para reforçar o ensino da matemática, do português e do inglês for necessário manter os professores (ou até contratar novos), preciso manter que o Estado gaste o dinheiro dos nossos impostos neste sector do que noutros menos relevantes. É possível cortar noutro tipo de despesa - por exemplo, consumos intermédios, assessores dos gabinetes ministeriais, empresas públicas - e manter uma escola pública apta a satisfazer as necessidades educativas dos jovens portugueses. O Estado deve-se preocupar com a escola pública em primeiro lugar. Qual, então, o papel da escola privada? De complementaridade: o Estado não deve hostilizar, mas não tem a obrigação de as promover. Aqui funciona a regra do mercado, reconhecendo-se a liberdade de escolha das famílias.

3.Por último, sabemos que o governo quer avançar com o cheque-ensino: ou eja, as famílias recebem um montante para financiarem, caso optem, a escola do seu filho, facilitando, assim, a inscrição em escolas privadas. Eu não concordo com tal medida: primeiro, o Estado não consegue garantir que as verbas que concede às famílias são exclusivamente canalizadas para a educação dos filhos; segundo, porque poderá a uma desresponsabilização do Estado pela promoção da qualidade de ensino e pela defesa da escola pública. Com efeito, a escola pública poderia, em tal cenário, descer drasticamente a sua qualidade, sul-americanizando-se - isto é, ficando apenas para os mais pobres e matando todos os sonhos (e exigências!) de promoção social. Utilizando a célebre expressão de Warren Buffet, o governo Passos Coelho, mais do que concretizar os seus fétiches liberais, deve promover a escola pública como nenhum outro governo o fez, para que a educação não seja um privilégio do "esperma feliz" (dos portugueses que nascem em famílias ricas). Esperemos que essa não seja a ideia de Nuno Crato - converter a educação em algo reservado ao "esperma feliz", aos que mais têm e, por conseguinte, mais facilidade revelam no acesso à educação."

Concordar com Nuno Crato

Eu até acredito que este ministro é melhor do que as anteriores.

Acredito que está "limitado" com estes cortes impostos, as ideias dele ficam limitadas. Gostava de o ver gerir o MEC sem estas limitações, creio que teríamos a ganhar.

Sobre as Novas Oportunidades, continua crítico - e coerente com o que já defendia - pelo que põe "água na fervura" quando se fala neste belo aumento de "diplomados" no Ensino Secundário.

(E temos também a reacção da sra. Isabel Alçada na TSF.)

"Nuno Crato diz que estudo da OCDE “esconde realidade” portuguesa

O relatório “As Perspectivas da Educação 2011” mostra que a taxa de obtenção do diploma do secundário subiu 34 por cento (Rui Gonçalves/Nfactos)

O ministro da Educação desvalorizou hoje os resultados de Portugal no relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), no qual surge como o país com maior taxa de obtenção de diplomas do ensino secundário.

Em declarações aos jornalistas, Nuno Crato sublinhou que a taxa de sucesso de 96 por cento dos alunos do secundário inclui o programa Novas Oportunidades, o que “inflaciona em muito os números”.

Para o ministro da Educação, o relatório da OCDE apresentado hoje em Paris “esconde a realidade” do país.

“Temos sido muito críticos em relação a distribuir diplomas porque isso não resolve os problemas do país. O que resolve é a formação”, defendeu Nuno Crato no final de uma reunião de quatro horas com o Conselho Nacional de Educação.

O relatório “As Perspectivas da Educação 2011” mostra que a taxa de obtenção do diploma do secundário subiu 34 por cento de 2008 para 2009, colocando Portugal com a maior taxa de aumento na obtenção de diplomas do final do ensino secundário, apenas rivalizando com a Eslovénia.

Porém, o país encontra-se, juntamente como o Brasil, México e Turquia, num patamar muito inferior ao maioria dos países da OCDE já que mais de metade daqueles entre os 25 e os 64 anos não completaram o ensino secundário.

No documento refere-se que o programa ‘Novas Oportunidades’ foi lançado em 2005 para oferecer uma segunda oportunidade àqueles que interromperam os estudos numa idade precoce ou que estão em risco de o fazer, ou ajudar aqueles que já estão entre os [trabalhadores] activos mas desejam aumentar o seu nível de qualificações”.

“Estamos preocupados com a qualificação real dos portugueses”, garantiu o ministro, lembrando que as Novas Oportunidades estão “em avaliação profunda”.

Neste momento, os centros de Novas Oportunidades estão a ser avaliados “para tentar perceber a real empregabilidade dos centros”, disse Nuno Crato, reconhecendo que “no programa existem coisas boas mas também coisas que foram feitas para as estatísticas”.

“O programa ‘Novas Oportunidades’ foi lançado em 2005 para oferecer uma segunda oportunidade àqueles que interromperam os estudos numa idade precoce ou que estão em risco de o fazer, ou ajudar aqueles que já estão entre os [trabalhadores] activos mas desejam aumentar o seu nível de qualificações”, sublinha o documento da OCDE, que refere que cerca de 35 por cento dos diplomados têm mais de 25 anos.

As Perspectivas da Educação 2011 apontam para um aumento “sensível” dos salários dos professores do primeiro ciclo do ensino secundário (após 15 anos de carreira) em Portugal, em percentagem do PIB por habitante, entre 2000 e 2009, ao contrário da tendência geral no espaço da OCDE."

Abraço!