segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ADD a piscar o olho à autonomia das Escolas

Parece que o caminho é mesmo o da autonomia das Escolas, inclusive na ADD, ou, pelo menos em parte, pois noutra há avaliação externa.

Acredito até que a autonomia para contratar pessoal docente esteja para breve...


"Cada escola terá o seu método de avaliação interna de professores

Regras da avaliação externa serão determinadas pela tutela, mas metas da avaliação interna estarão fixadas no projecto educativo de cada escola


Professores dos escalões mais elevados não serão alvo de avaliação

O projecto do modelo de avaliação docente de Nuno Crato tem tudo para abrir uma nova guerrilha, entre professores, directore e sindicatos. A proposta do Ministério da Educação e Ciência para a avaliação interna concentra quase todos os poderes nas direcções escolares. Do princípio ao fim, o director de um agrupamanto tem uma palavra decisiva sobre a avaliação dos seus professores. A tutela quer que seja o director a definir as metas e objectivos da avaliação; quer igualmente que o director decida juntamente com os outros membros do conselho pedagógico os parâmetros da avaliação e, por fim, que presida a secção de avaliação, o órgão que aprova a classificação final dos professores.

A decisão está sobretudo nas mãos dos directores e esse será aliás um dos pontos que os sindicatos querem rever com a tutela. João Dias da Silva, dirigente da Federação Nacional de Educação (FNE), entende que a proposta do ministro da Educação e Ciência "concentra demasiados poderes na direcção" das escolas. "Os avaliadores (coordenadores de departamentos curriculares) não devem resultar de escolhas pessoais de cada director", defende o sindicalista, acrescentando que essa será para a FNE uma das principais questões a rever durante as negociações com o ministério de Nuno Crato, agendadas para dia 22.

Os directores das escolas, por seu turno, não se supreendem com a concentração de poderes que a tutela lhes quer atribuir. A autoridade nas escolas tem de estar no director e nos conselhos pedagógicos", avisa Adalmiro Fonseca, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), admitindo no entanto que "se um professor obtiver um "Muito Bom" ou "Excelente" faz todo o sentido ter outro avaliador" para evitar injustiças na avaliação. Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), também refuta as críticas dos sindicatos. "Ao director compete escolher os órgãos de gestão intermédia. O director sempre teve o poder de escolher os coordenadores de cada departamento."

A tendência dos últimos governos tem sido centralizar todas as decisões no director das escolas ou dos agrupamentos. Em matérias de avaliação, o método também não difere. Embora muitas das funções não sejam assumidas em exclusivo pelo director, ao presidir a todos os órgãos com poder de decisão (à excepção do Conselho Geral), será ele a figura determinante na avaliação interna dos docentes, de acordo com a proposta apresentada por Nuno Crato na sexta-feira à noite.

Cada escola terá as suas metas Além de um avaliador externo - que vai integrar uma bolsa de avaliadores constituída por docentes de todos os grupos de recrutamento -, serão os directores da escola e quatro professores do conselho pedagógico nomeados por ele a aprovar a classificação final de um professor.

E enquanto as metas dos avaliadores externos serão determinadas pela tutela, os objectivos da avaliação interna estarão fixados no projecto educativo de cada estabelecimento de ensino. Isto significa que cada escola terá o seu próprio método de avaliação de um professor.

Adalmiro Fonseca, da ANDAEP, recusa olhar para este ponto como algo que vai dificultar a harmonização dos resultados da avaliação. "Se fosse igual para todo o país muito mal estávamos. Cada escola é um caso e cabe a cada escola saber os objectivos que tem de perseguir para conseguir melhores resultados." Manuel Pereira, da ANDE, sublinha que este modelo de avaliação interna "não dá poderes ilimitados" às direcções, porque "existem quotas de avaliação definidas e por isso cada escola sabe as percentagens que pode cumprir".

O projecto educativo de cada escola é sempre apresentado pelo director e é aprovado pelo Conselho Geral depois de passar pelo Conselho Pedagógico. Nele cada director estabelece no princípio do ano um plano de actividades para a escola e as metas a atingir no final do ano lectivo.

A Secção de Avaliação do Desempenho Docente do Conselho Pedagógico terá como competências assegurar a aplicação do sistema de avaliação de desempenho tendo em consideração o projectivo educativo da escola, calendarizar os procedimentos de avaliação e conceber a folha de registo e avaliação do desenvolvimento das actividades realizadas pelos avaliados. No final, caberá a este grupo aprovar a classificação final "integrando e harmonizando as propostas dos avaliadores, garantindo o rigor e a aplicação das percentagens de diferenciação de desempenhos, cabendo-lhe validar as avaliações de desempenho de Muito Bom, Excelente e Insuficiente."

Um "Excelente" determina um ano de progressão na carreira docente, enquanto um "Muito Bom" levará a uma progressão de seis meses. A regra será diferente para os professores nos 4.o e 6.o escalões da carreira: essas classificações permitirão um salto automático para os 5.o e 7.o escalões, respectivamente, independentemente do número de vagas. Já um "Insuficiente" implica que as horas de serviço nesse ciclo avaliativo não contarão para efeitos de progressão na carreira."

Abraço!

Após 2 dias, a actualização! Parte III

O fim de semana foi atribulado e não deixei mensagens neste blogue. Foi também um fim de semana com muitas novidades (e a sexta também). Junta-se tudo e temos uma grande desactualização!

1. Proposta do Governo para a ADD.
2. Reacções à ADD.
3. Aumento do número de alunos por turma no 1º ciclo.
4. Acordo com as privadas.


3. É claro que mais alunos por turma só vai complicar o que já era complicado.
Pensem nos colegas do 1º ciclo com um 1º ano: não têm autonomia, precisam de muita atenção personalizada (carteira a carteira, aluno a aluno) e estão naquela fase fundamental em que se não começam bem depois é complicado...

Para além disto, não será uma medida economicista? Vai dar para poupar uns professores...

"Dizem os professores
Mais alunos por turma terá como consequência menos qualidade


Ministério diz que houve uma "procura excepcional de matrículas"

O número máximo de alunos por turma no 1.º Ciclo passa de 24 para 26. O Bloco de Esquerda já pediu explicações.


O sistema público de educação tem de estar preparado para uma maior procura de modo que "a consequência não seja mais alunos e menos qualidade". Para Miguel Reis, do Movimento Escola Pública, será este o resultado do aumento do número máximo de alunos por turma, agora aprovado pelo Ministério da Educação e Ciência.

Na quinta-feira foi enviada para as escolas uma circular da Direcção-Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular transmitindo orientações da secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário no sentido de aumentar de 24 para 26 o número máximo de alunos por turma no 1.º Ciclo. Esta alteração é justificada com a "procura excepcional de matrículas em escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico".

O Movimento Escola Pública entregou, no ano passado, uma petição no Parlamento onde se pedia o movimento inverso: a redução do número de alunos por turma nos vários níveis de ensino. A petição, subscrita por mais de 18 mil pessoas, traduziu-se em dois projectos no mesmo sentido, apresentados pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP, que não chegaram a ser votados. O então secretário de Estado da Educação, João da Mata, alegou que cerca de 60 por cento das turmas já têm menos alunos do que os máximos estipulados.

O Bloco de Esquerda já pediu esclarecimentos ao MEC. "A alteração ocorre a menos de um mês do arranque do ano lectivo de 2011-2012 e pode comprometê-lo, o que não seria novo para um Governo de maioria PSD-CDS", sustenta em comunicado. O BE requereu também o "acesso aos dados que justificam a excepcionalidade da procura de matrículas no 1.º ciclo com que o Governo fundamenta esta alteração".

Os bloquistas querem saber também como é que esta medida está em articulação com os compromissos programáticos deste Governo de "melhoria das aprendizagens no 1.º Ciclo". "Quem tomou esta medida foi alguém que, por certo, nunca trabalhou no 1.º Ciclo", criticou o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira. Este responsável lembra que as turmas para o próximo ano lectivo já estão constituídas e que as alterações deverão ser pontuais. Por isso sustenta que a medida adoptada "é um alargamento para o futuro". Miguel Reis não tem essa certeza: "Veremos em Setembro se o objectivo do ministério não será também o de reduzir o número de turmas e, portanto, de professores."

Também o líder da Federação Nacional de Professores, Mário Nogueira, advertiu que esta medida poderá levar as escolas a refazerem as turmas já constituídas e homologadas e, por conseguinte, "dispensarem professores e criarem mais horários zero".

O aumento do número de alunos por turma foi anunciado no mesmo dia em que o Ministério da Educação e Ciência divulgou a lista das 297 escolas do 1.º Ciclo que vão fechar em Setembro. Esta lista contou com o aval da Associação Nacional de Municípios Portugueses, confirmou à Lusa António José Ganhão, responsável pela área da Educação na ANMP."

Abraço!

Após 2 dias, a actualização! Parte IV

O fim de semana foi atribulado e não deixei mensagens neste blogue. Foi também um fim de semana com muitas novidades (e a sexta também). Junta-se tudo e temos uma grande desactualização!

1. Proposta do Governo para a ADD.
2. Reacções à ADD.
3. Aumento do número de alunos por turma no 1º ciclo.
4. Acordo com as privadas.

4. Há um entendimento que acabou por agradar aos dois lados, com cedências de ambas as partes. Ou será que não?


"Escolas privadas com ensino público contratualizado
Ministério mantém pagamento e reduz turmas

O Ministério da Educação e Ciência vai atribuir 85 288 euros a cada turma dos segundo e terceiro ciclos do ensino básico e secundário das escolas privadas com ensino público contratualizado, que terão de reduzir as turmas até 50 por cento do número anteriormente acordado até ao final do ano 2012/2013 .

As condições estão no protocolo assinado entre o Ministério e o Movimento de Escolas Privadas com Ensino Público Contratualizado. O director executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular, Rodrigo Queiroz e Melo, reagiu "com espanto" a este protocolo, afirmando que o valor devia ser 90 mil euros, e criticou a assinatura de um protocolo entre a tutela e "um pequeno movimento de escolas"."
Correio da Manhã


Abraço!

Após 2 dias, a actualização! Parte II

O fim de semana foi atribulado e não deixei mensagens neste blogue. Foi também um fim de semana com muitas novidades (e a sexta também). Junta-se tudo e temos uma grande desactualização!

1. Proposta do Governo para a ADD.
2. Reacções à ADD.
3. Aumento do número de alunos por turma no 1º ciclo.
4. Acordo com as privadas.


2. Reacções do género "bom ponto de partida, mas não sabemos muitas coisas"!

E há muito para saber:

- A avaliação afectará a graduação? Parece que não, mas ainda não está claro.
- Quem compõe a bolsa de avaliadores?
- Cotas?
- Afinal esta ADD é uma pequena alteração da anterior?

Após 2 dias, a actualização! Parte I

O fim de semana  foi atribulado e não deixei mensagens neste blogue. Foi também um fim de semana com muitas novidades (e a sexta também). Junta-se tudo e temos uma grande desactualização!

1. Proposta do Governo para a ADD.
2. Reacções à ADD.
3. Aumento do número de alunos por turma no 1º ciclo.
4. Acordo com as privadas.


1 - Podem ler a proposta na íntegra aqui.

Aqui fica um artigo para esclarecer melhor:


"Modelo de Avaliação. Tudo o que precisa de saber sobre a proposta de Nuno Crato

O i responde a 12 perguntas essenciais sobre o projecto do modelo de avaliação dos professores do Ministério da Educação



Ciclos mais longos, avaliação feita dentro e fora da escola ou isenção para quem se encontra acima do 8.º escalão são algumas das propostas para o modelo que o ministro de Educação e Ciência Nuno Crato enviou já quase perto da meia-noite de sexta-feira aos sindicatos. Para já, a proposta de regulamentação não produz efeitos nos concursos nacionais, prevendo apenas bonificações na progressão da carreira. É uma cedência aos sindicalistas, mas só isso não vai resolver todos os problemas durante as rondas negociais que começam no dia 22.

As resistências já estão aí, a começar pelo secretário-geral da FENPROF, que considera a proposta pouco ambiciosa e sem roturas com o antigo sistema. "Neste modelo os ciclos avaliativos deixam de ser de dois anos e passam a estar relacionados com a progressão na carreira. Mas como é que isso vai ser feito se as carreiras estão congeladas?", questionou Mário Nogueira, esclarecendo que apesar de apresentar melhorias, o modelo tem ainda “muitas questões” que vão ter de ser esclarecidas com os sindicatos.

E, enquanto, as rondas negociais não começam, tire todas as dúvidas sobre o que a tutela quer para a avaliação dos professores:

1 - Quem avalia quem?
• Director avalia os avaliadores, os coordenadores e os membros dos órgãos de gestão
• No caso da avaliação interna, o coordenador avalia os colegas do seu departamento curricular ou então designa um professor
• No caso da avaliação externa (aulas assistidas), são os professores de outras escolas integrados numa bolsa com docentes de todos os grupos de recrutamento

2 - Que componentes vão ser avaliadas?
• Científica e pedagógica
• Participação na escola e relação com a comunidade
• Formação contínua e desenvolvimento profissional

3 - Quais os instrumentos de avaliação?
• O documento de registo e avaliação
• O projecto do docente, um documento com um máximo de duas páginas que tem como referência o projecto educativo da escola/agrupamento
• Relatório de auto-avaliação, um documento com máximo de três páginas que incide sobre aulas, actividades, análise dos resultados obtidos, formação, ou contributos para melhorar os objectivos e metas fixadas no projecto da escola
• Aulas observadas no último ano de cada ciclo de avaliação. É obrigatório durante o período probatório (estágio) e no segundo e quartos escalões da carreira. Os professores de todos os outros escalões podem igualmente requerer aulas assistidas no caso de se candidatarem à nota Excelente

4 - Quais os objectivos, os parâmetros e metas para a avaliação?
• Metas e objectivos fixados no projecto educativo da escola ou agrupamento
• Parâmetros estabelecidos para as três dimensões aprovados pelo Conselho Pedagógico
• Parâmetros nacionais estabelecidos para a avaliação externa (aulas assistidas) definidos por órgão a designar

5 - Qual a duração do ciclo de avaliação?
• Professores de quadro - O ciclo de avaliação coincide com os escalões da carreira docente. O processo de avaliação termina no final do ano escolar antes de o docente transitar para o escalão seguinte
• Professor contratados - o ciclo de avaliação corresponde à duração do contrato, tendo como limite mínimo 180 dias de serviço lectivo prestado
• Professores em início de carreira (período probatório) - o ciclo de avaliação corresponde a um ano escolar

6- Quais as dimensões da avaliação?
• Avaliação interna - é feita pela escola onde o professor dá aulas e realizada em todos os escalões.
• Avaliação externa - está centrada na observação de aulas e é obrigatória durante o período probatório e no segundo e quartos escalões da carreira. Os professores de todos os outros escalões podem igualmente requerer aulas assistidas no caso de se candidatarem à nota Excelente. As aulas são assistidas por colegas de outras escolas. Ministério da Educação e Ciência vai criar uma bolsa de avaliadores formada por professores de todos os grupos de recrutamento

7 - Quem são os intervenientes no processo de avaliação?
• Presidente do Conselho Geral
• Director
• Conselho Pedagógico
• Secção de Avaliação de desempenho docente do Conselho Pedagógico (CP), constituída pelo Director (que preside) e quatro docentes do CP
• Avaliadores
• Professores do quadro, contratados e em período probatório

8 - O que faz o Conselho Pedagógico?
Elege os quatro professores para integrar a Secção de Avaliação, aprova o documento de registo e avaliação do desenvolvimento das actividades realizadas pelos avaliados.

9 - O que faz a Secção de Avaliação?
É o órgão do conselho pedagógico de cada escola responsável por assegurar a aplicação do sistema avaliativo tendo, entre outras tarefas, de calendarizar todos os procedimentos da avaliação, acompanhar todo o processo, aprovar a classificação final, validar as notas de desempenho de Muito Bom, Excelente e Insuficiente.

10 - O que faz o director?
É responsável por todo o processo de avaliação e é quem homologa a decisão final, avaliando ainda os recursos.

11 - Que efeito tem a avaliação?
• Excelente – permite uma bonificação de um ano na progressão da carreira, que acontece no escalão seguinte
• Muito bom - bonificação seis meses na progressão na carreira docente, a usufruir no escalão seguinte
• Excelente ou de Muito Bom no 4.º e 6.º escalões - permite, respectivamente, a progressão ao 5.º e 7.º escalões sem estar dependente de vagas
• Bom ou mais – é considerado o período de tempo a que respeita para efeitos de progressão na carreira
• Insuficiente ou de Regular – determina a obrigatoriedade de um plano de formação do docente a realizar no ciclo avaliativo seguinte. As duas notas não permitem avançar na carreira, sendo que no caso dos professores de quadro que obtiverem insuficiente por duas vezes, será instaurado um processo de averiguações. Para os contratados, duas menções de insuficientes, determina a sua exclusão dos concursos

12 - Quem está isento da avaliação?
• Os professores no oitavo escalão da carreira, desde que, em todas as avaliações, tenham obtido, no mínimo, a classificação de Bom
• Os que se encontram no nono e décimo escalões da carreira
• Os que reúnam condições de aposentação"

Abraço!


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Afinal não se poupa!

Perde-se tempo e por vezes compra-se mais caro. Perde-se relações de confiança com os vendedores e a capacidade de comprar o que realmente se quer.

"Ensino. Fazer compras parece fácil, mas é o pesadelo das escolas


Atrasos ou burocracias são as críticas ao sistema de compras públicas. Até há quem cometa ilegalidades para não prejudicar as escolas




Definir todos os bens e materiais que as escolas precisam para um ano inteiro pode ser complicado, mas o...
jose pedro tomaz

Há um grupo de mulheres (e já agora de homens) que até se diverte quando passa o dia nas compras. É um hábito relaxante, mas só para quem não faz ideia do inferno que isso representa para as escolas e agrupamentos da rede pública que estão desde o início do ano obrigadas a adquirir bens e serviços através da central de compras públicas. As direcções escolares adiaram até ao limite uma norma para toda a administração do Estado e agora parecem um bando de miúdos desorientados que da noite para o dia ficou sem o professor.

Ir às compras é uma tarefa de alta complexidade. É preciso decidir as necessidades antes sequer de as ter; assumir despesas sem saber se têm dinheiro para as pagar; preencher plataformas informáticas, lançar concursos, esperar meses até ter finalmente o que pediram (ver organigrama).

Haverá poucos directores contentes com a central de compras apesar de a maioria reconhecer as suas virtudes. "É um sistema justo nos seus princípios porque permite uma maior transparência das contas públicas, mas na prática são regras para empresas que gerem milhões aplicadas às escolas que lidam com tostões", ironiza Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares.

Definir todos os bens e serviços para um ano inteiro pode ser complicado, mas o que preocupa as direcções escolares é a espera. Encomendar, por exemplo, em Janeiro para ter o material no mês seguinte é pura "ilusão", avisa Adelina Precatado da Secundária Luís de Camões, em Lisboa: "O processo é tão prolongado e burocrático que se os bens ou serviços solicitados chegarem num intervalo de três ou quatro meses teríamos muita sorte." Entre o pedido e a entrega, há um longo caminho a percorrer - convites que o centro de aprisionamento do Ministério da Educação lança aos fornecedores, concursos que as escolas abrem, cadernos de encargos, propostas para analisar ou prazos para reclamar. "Um mês de atraso tem um grande impacto nas escolas, logo esse tempo de espera é impraticável."

Por vezes enganar o sistema é a única forma de contornar a demora. Negociar com os fornecedores as quantidades, os preços, os prazos de entrega antes de lançar o concurso é a solução para evitar meses de espera. As direcções que por vezes adoptam este método, no entanto, não o admitem publicamente. É um risco, avisam sob anonimato. Correriam o perigo de mais tarde ou mais cedo sentarem-se no banco dos réus.

É um sistema que "não funciona", defende o dirigente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas e "apanhou desprevenidas as direcções escolares". Toda a administração e empresas públicas aderiram às compras públicas em 2008, mas as escolas foram conseguindo ficar fora do sistema: "A ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues nunca foi clara sobre está matéria, dando-nos margem para decidirmos se queríamos ou não aderir ao sistema", conta Adalmiro Fonseca. Agora, diz o dirigente da associação, há uma "culpa política" de quem nunca pediu isso às escolas e passou a exigir do dia para noite um procedimento que é "complexo, burocrático e demorado" e para o qual será preciso dar formação antes de obrigar as direcções escolares a cumprir as normas.

O que está em causa, contudo, não é só mais tempo ou formação que as escolas pedem à tutela para aprender a lidar com as burocracias da central de compras. "Há uma grande dose de irracionalidade neste sistema, a começar pela impossibilidade de conseguirmos encontrar produtos mais baratos e não podermos comprá-lo porque está excluído da rede da Agência Nacional de Compras Públicas", explica Adelina Precatado. De resto, será tudo uma questão de tempo para quem vai ter de se habituar ao sistema. Por enquanto, ir às compras é uma grande dor de cabeça. Natividade Ferra da Secundária Arquitecto Oliveira Ferreira, em Gaia, está ainda a descobrir como fazer compras sem cometer erros: "Escolher a cor da cartolina é um gesto aparentemente simples, mas ao seleccionar por exemplo o azul, ainda não sei se vou ter uma surpresa quando me entregarem resmas de cartolina azul bebé, azul escuro ou outro tom." As quantidades são outro quebra-cabeças para a directora desta escola, indecisa entre medidas que tem de escolher e que tanto podem ser em metros, em unidades ou em embalagens."

Podem ler também esta notícia relacionada.

Abraço!



Encerramento de Escolas - II

"Norte é a região onde fecham mais escolas do ensino básico


É mais uma fase no processo de reorganização da rede escolar. O Ministério da Educação e Ciência decidiu encerrar 297 escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico. A área coberta pela Direcção Regional de Educação do Norte é a mais afectada: aqui fecham 132 estabelecimentos de ensino.

Só o concelho de Penafiel perde 11 - caso das escolas n.º 1 e n.º 2 de Miragaia, da escola de Ribaçais e da de S. Paio. O concelho de Santo Tirso vê desaparecer dez escolas, o de Gondomar oito e o de Paços de Ferreira outras tantas.

O plano de reorganização da rede para o ano lectivo de 2011/2012 previa que muito mais estabelecimentos frequentados por menos de 21 alunos fossem fechados. Em Março, a então ministra da Educação Isabel Alçada falava de cerca de 600. Mas, depois de tomar posse, Nuno Crato fez saber que esse plano estava a ser reavaliado.

Já no início de Julho, o novo ministro anunciou que 266 estabelecimentos de ensino deveriam deixar de funcionar. E, ontem à noite, um comunicado enviado às redacções dava conta de que o processo de reorganização da rede estava finalmente concluído, "com o acordo das respectivas autarquias". Afinal, são 297 as escolas do 1.º ciclo que desaparecem do mapa de escolas do país. Mais de 40 por cento no Norte do país.

Os alunos destes estabelecimentos de ensino que fecham portas "iniciam o novo ano lectivo em centros escolares ou escolas com infra-estruturas e recursos que permitem melhores condições de ensino", promete o Ministério em comunicado. "Nas escolas de destino, os alunos vão encontrar espaços educativos com mais qualidade e melhores condições para obterem sucesso escolar."

A reorganização da rede, essa, vai prosseguir no próximo ano lectivo. Ou seja, haverá mais fechos. Até porque, no âmbito da ajuda financeira a Portugal, o Governo comprometeu-se com a troika a poupar este ano 195 milhões de euros com "a racionalização da rede escolar", como sublinhou a agência Lusa.

Contudo, o processo não é novo. Entre 2005 e 2009, fecharam portas mais de 2500 escolas com poucos alunos ou com elevados níveis de insucesso escolar. O argumento tem sido o de que estabelecimentos de ensino muito pequenos não garantem as condições necessárias para a educação das crianças. Ainda assim, o anúncio de mais encerramentos é, muitas vezes, acompanhado de críticas. Não há muito meses, Francisco Almeida, dirigente da Federação Nacional de Professores, considerava que fechar escolas de aldeia contribuía para acelerar a desertificação do interior do país.

Para já, a lista ontem divulgada mostra que Alcobaça (que pertence à área de intervenção da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo) é o concelho, dos 100 afectados, que mais escolas perde: 12. As escolas básicas do 1.º Ciclo de Covões, Cumeira, Azambujeira e Candeeiros, por exemplo, não receberão mais alunos em Setembro. Seguem-se Penafiel (que pertence à Direcção-Regional de Educação do Norte) e Viseu (no Centro) - estes concelhos perdem 11 escolas cada.

O Alentejo é a região de país onde se registam menos encerramentos: cinco. As escolas básicas n.ºs 2, 3, 4 e 5 de Beja, por exemplo, não voltarão a abrir portas. No Algarve fecham sete estabelecimentos, na Direcção Regional de Educação do Centro 85 e na Direcção Regional de Educação de Lisboa 68. O Ministério não divulgou para já quanto espera poupar com estes encerramentos."





Abraço!

Encerramento de Escolas - I

Mais 30, menos 30, já se sabia que iam fechar. Não se sabiam quais nem quando sairia a informação, o que é grave. Quase a começar o novo ano lectivo...



"Ministério da Educação e Ciência encerra 297 escolas do ensino básico
Há 297 escolas do ensino básico que vão encerrar este ano. Mais 31 do que o previsto inicialmente. O concelho onde fecham mais escolas é o de Alcobaça, com 12 estabelecimentos de ensino encerrados."


Abraço!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

DCE negado

Há situações que exigem maior proximidade às áreas de residência e faz todo o sentido que sejam tidas em conta.



"Fenprof exige soluções para professores com necessidades de colocação específica




A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) exigiu hoje que o governo aceite os pedidos de colocação específica feitos por "centenas" de docentes que precisam de cuidados de saúde ou têm pessoas a cargo.

Em comunicado, a Fenprof refere o caso de nove docentes dos Açores que se candidataram ao chamado destacamento por condições específicas mas não tiveram resposta positiva.

São motivados "casos do foro oncológico a exigir tratamento ininterrupto, acompanhamento de familiares dependentes": situações "mais do que justificáveis", para a Fenprof, e que os sindicalistas colocaram ao ministro da Educação quando se reuniram com ele em julho e que este se comprometeu a desbloquear, refere-se no comunicado.

O problema não se põe só nos Açores, frisa a Fenprof, que afirma que são "algumas centenas" - embora num universo de "quase 150 mil professores e educadores" - de pessoas que precisam de estar colocados num local específico para atender aos seus problemas de saúde ou aos de familiares.

"Só poderão ser colocados se, após as colocações de destacamento por ausência de componente lectiva (DACL), sobrarem vagas. Dada a dimensão de docentes que, nas escolas, foram obrigados a concorrer a DACL (professores considerados como tendo “horário zero”) o mais provável é que não sobrem as vagas necessárias para as condições específicas", lamenta a fenprof.

Para este ano, exigem que o problema seja resolvido, admitindo que poderá ser "de forma excecional" até que haja mudanças na lei para garantir que os pedidos, desde que fundamentados, não só não sejam recusados como tenham caráter permanente."

Abraço!

Limpezas no MEC

São limpezas de Verão, ou limpezas de Primavera atrasadas.

Uma parte de mim diz "muito bem, o sr. Crato está a ser coerente, quando não era ministro estava contra as políticas destas pessoas e agora não as quer ao lado dele".

Outra parte, uma parte mais pequenina, diz "o sr. Crato está a vingar-se e arruma tudo como quer".

Como já devem ter reparado, nunca o neguei, estou optimista com este ministro, tenho esperança que dê uma boa varridela ao ministério e conduza bem a Educação/ensino. Não concordo com todas as medidas, mas com algumas sou obrigado a dar-lhe, pelo menos, o benefício da dúvida. Aliás, vou sofrer grandemente com as políticas que ele embora não tenha começado aproveitou (também naquela ideia do "a outra é que fez e assim livro-me na mesma dos professores, poupo e ponho culpas para ela): vou ficar desempregado, como milhares de colegas contratados.

Sr. Crato, veja lá o que faz...


"Ministro da Educação afasta mais dois dirigentes


Os responsáveis foram afastados pelo ministro Nuno Crato 


Os responsáveis do Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE) e da Direcção-Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDIC) foram afastados pelo ministro Nuno Crato.



Em resposta a questões do PÚBLICO, o gabinete de imprensa do Ministério da Educação e Ciência confirmou ontem que não lhes foi renovada a comissão de serviço.

A lei em vigor determina que a comissão de serviço dos titulares dos cargos de direcção superior cessa com a mudança de Governo. Para continuarem em funções, o novo titular da pasta tem de lhes renovar a comissão num prazo de 45 dias. Nuno Crato optou por não o fazer em relação a Luís Capucha, presidente da Agência Nacional para a Qualificação. E também decidiu afastar Carlos Pinto Ferreira e Alexandra Marques.

Pinto Ferreira era director-geral do GEPE desde 2009. Antes tinha estado à frente do Gabinete de Avaliação Educacional, o organismo responsável pela elaboração dos exames. A Sociedade Portuguesa de Matemática, então presidida por Nuno Crato, teceu duras críticas aos exames propostos aos alunos durante o mandato de Pinto Ferreira. "Escandalosamente fácil", disse sobre o exame de Matemática A de 2008.

Alexandra Marques foi escolhida, em 2009 pela anterior ministra da Educação para directora-geral da DGIDIC. A DGIDIC é o organismo responsável pela criação de instrumentos normativos, pedagógicos e didácticos. Tem a seu cargo, entre outros, os programas e currículos do ensino básico e secundário, contra os quais Nuno Crato não poupou críticas. No final de Julho, quando as escolas já tinham concluído os horários do próximo ano lectivo, Alexandra Marques enviou uma nota sobre regras para a sua elaboração, evocando legislação ainda inexistente. O incidente instalou a confusão nas escolas."

Abraço!