quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"Ao imporem disciplina desde cedo estão a promover o autocontrolo dos filhos e a ajudá-los a serem capazes de estabelecer os seus próprios limites"

Partilho esta notícia convosco pois considero-a muito pertinente.

A ideia que temos que ser uns "pais porreiraços" para os nosso filhos não ficarem traumatizados...

Como se diz abaixo, é mais fácil dizer sim do que andar a dizer não e ter que o manter. É mais fácil dar-lhes tudo - até como compensação pelo tempo que não se passa com eles (este parêntisis tem o patrocínio da Swatch: "Tempo é o que fazemos com ele..." Isso de não termos tempo...). É mais fácil pensar que "ele é assim, é mesmo rebelde, não há nada a fazer" do que estar constantemente em vigilância e impor as regras.

Mas se não começarmos cedo não vai ser na idade da rebeldia (adolescência) que os vamos "domar". (Outro parêntsis, este sem patrocínio: na minha altura não havia tanta rebeldia na adolescência. Conhecia um ou outro, poucos. Eu sei que os tempos eram outros, mas...)


Sem mais delongas, aqui fica a notícia.


"Regras em crise

Adriana Campos
2011-02-02 - Educare.pt

É urgente que os pais compreendam que ao imporem disciplina desde cedo estão a promover o autocontrolo dos filhos e a ajudá-los a serem capazes de estabelecer os seus próprios limites.

"Já não sei mais o que fazer... dou-lhe tudo! Ele tem computador, telemóvel topo de gama, televisão no quarto e leitor de MP3."

A elevada frequência com que me tenho confrontado com afirmações semelhantes a esta, tem-me deixado verdadeiramente preocupada. Os pais que fazem afirmações deste tipo têm geralmente filhos problemáticos, sendo frequentemente chamados à escola porque estes não cumprem regras nem respeitam os adultos. Em termos educativos, entramos na onda do dar muito, mas exigir pouco. Muitos dos nossos alunos sabem que o mau comportamento não será penalizado, nem na escola, que infelizmente tem poucos meios para impor autoridade, nem em casa. Depois de dois ou três dias em que o castigo vigora, o coração do pai ou da mãe amolece e, portanto, rapidamente se reconquista tudo o que se perdeu na sequência dos maus comportamentos na escola. Como não há consistência em termos educativos, rapidamente a criança/o jovem volta a apresentar distúrbios de comportamento, porque afinal os castigos, se existirem, são de tão curta duração que a/o leva a aprender que "o crime verdadeiramente compensa". Não é difícil um jovem pensar "Para que é que vou mudar de atitude, se mesmo sendo arrogante e mal-educado poderei usufruir de telemóvel, televisão no quarto e de todas as outras mordomias que felizmente tenho sempre ao meu alcance?". O meu contacto frequente com alunos não me deixa qualquer dúvida relativamente à veracidade da teoria apresentada. Recentemente, devido ao comportamento disruptivo de um grupo de alunos que frequentam um CEF (Curso de Educação e Formação), dizia uma aluna: "Eu estou a esforçar-me por melhorar o meu comportamento, porque a minha mãe me tirou o telemóvel e as saídas com as minhas amigas. Só poderei voltar a ganhar isto, se o meu comportamento melhorar." Outro aluno, cujo pai fora também alertado para a importância de aplicar algumas penalizações em consequência do seu mau comportamento, dizia arrogantemente: "O meu pai não me tirou nada."

Quando estes jovens são encaminhados para o Serviço de Psicologia e Orientação, procuro que os pais compreendam que os filhos não sofrem de nenhum problema psicológico e o processo de mudança passa pelo estabelecimento de regras e limites por parte da família. Ora este processo esbarra de imediato com muitas dificuldades, pois o trabalho que os pais deveriam iniciar nos primeiros anos de vida começa apenas na adolescência, quando a omnipotência e tirania dos jovens já é reinante. Nos primeiros seis anos de vida, a interiorização das regras e a tomada de consciência dos limites são mais fáceis de integrar.

É de sublinhar que alguns destes pais nunca impuseram limites, por considerarem que os comportamentos disfuncionais dos filhos seriam o resultado deste ou daquele problema familiar e não o fruto da inexistência de autoridade; outros, porque dizer "não" e manter o "não" dá muito mais trabalho que dizer "sim". Contrariamente ao que estes pais supõem, no fundo, as crianças gostam de ouvir "não", uma vez que este significa que há alguém acima delas que as ajuda a resolver o que não conseguem resolver sozinhas, e que toma conta delas, protegendo-as contra eventuais riscos.

Usando as palavras do Dr. Daniel Sampaio: "É preciso afirmar, sem subterfúgios, que não se pode educar sem autoridade, quer no contexto da família quer no ambiente da escola. Há temas que não são negociáveis na interacção com os filhos: o respeito pelos mais velhos, a proibição da linguagem obscena, o cumprimento dos horários, a obrigatoriedade de trabalhar ou estudar, a manutenção dos limites da privacidade geracional, a necessidade de cumprir em conjunto os rituais familiares (festas significativas, datas de habitual festejo, férias da família), entre outros."

É portanto urgente que os pais compreendam que ao imporem disciplina desde cedo estão a promover o autocontrolo dos filhos e a ajudá-los a serem capazes de estabelecer os seus próprios limites."

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Mais palavras para quê?

Abraço!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Os alunos do 2º e 3º ciclos vão ter, em média, menos 4 horas de aulas por semana

E estão em marcha os cortes: para uns é para esta reorganização é para "ser aproveitada para fomentar o trabalho autónomo dos alunos e o melhor aproveitamento dos novos recursos disponíveis nas escolas"; Para outros é apenas uma questão de dinheiro...

Dizem eles que não despedem ninguém. Fácil: reorientam alguns, não renovam contrato a outros e nem deixam entrar os restantes. Não há despedimentos, à cortes!!!

A notícia é do Público.

"A partir do próximo ano lectivo, os alunos do 2º e 3º ciclos do ensino básico vão ter, cumulativamente, e com todos os anos considerados, cerca de menos 22 horas de aulas por semana, ou seja, menos quatro horas em média por cada ano. Esta redução da carga horária ficar-se-á a dever, sobretudo, à extinção da disciplina de Área de Projecto e à reorientação do Estudo Acompanhado apenas para alunos com dificuldades.


Actualmente, a frequência destas disciplinas é obrigatória para todos. O decreto-lei que consagra estas alterações curriculares foi hoje publicado em "Diário da República".

No 2º ciclo, que engloba 5º e 6º ano, os alunos que não forem encaminhados para o Estudo Acompanhado terão cerca de menos 10 horas lectivas (o equivalente a 6,5 tempos de 90 minutos). Por ano de escolaridade essa redução variará entre quatro e cinco horas.

No 3º ciclo, que engloba o 7º, 8º e 9º ano, os alunos sem Estudo Acompanhado terão menos 12 horas (o equivalente a oito tempos de 90 minutos). No 7º e 8º ano essa redução será de cerca de 4,5 horas e no 9º de três.

A ministra da Educação, Isabel Alçada, tem defendido que esta “racionalização” da carga horária deve ser aproveitada para fomentar o trabalho autónomo dos alunos e o melhor aproveitamento dos novos recursos disponíveis nas escolas.

A extinção da Área de Projecto é uma das medidas contempladas no Orçamento de Estado para 2011. Também se encontrava previsto, nas medidas do OE, a eliminação do Estudo Acompanhado do elenco das áreas curriculares não disciplinares. A matriz horária que acompanhou o primeiro projecto do diploma não lhe reservava qualquer tempo.



Estudo acompanhado para alunos com dificuldades

O decreto-lei hoje publicado mantém o Estudo Acompanhado como área curricular não disciplinar e reserva-lhe dois tempos lectivos semanas de 45 minutos cada. Esta alteração já tinha sido anunciada pelo primeiro-ministro José Sócrates na sequência da divulgação dos resultados do PISA, no princípio de Dezembro. Formalmente, o diploma hoje publicado foi aprovado pelo Conselho de Ministros a 25 de Novembro, que é a data que consta também no "Diário da República".

O presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais, que tem assento no Conselho Nacional de Educação, garantiu que este organismo recebeu um novo projecto de diploma, depois de serem conhecidos os resultados do PISA, contendo as alterações anunciadas por Sócrates.

O PISA é um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico que visa aferir as competências dos alunos de 15 anos. Pela primeira vez, os jovens portugueses aproximaram-se da média europeia. Uma das razões apontadas para esta evolução foi o facto de o Estudo Acompanhado, e também a Área de Projecto, estarem a ser utilizadas pelas escolas para reforçar a aprendizagem de Matemática e Língua Portuguesa.

O diploma hoje publicado confirma que o Estudo Acompanhado deve ser “orientado para a melhoria dos resultados escolares nas disciplinas em que os alunos tenham maiores dificuldades e visa prioritariamente o reforço de apoio nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática”. Será o conselho de turma a determinar quais os estudantes que devem frequentar aquela disciplina. As condições de funcionamento da disciplina são definidas por portaria.



Menos um professor a EVT

No 2º ciclo desaparece, como anunciado, o par pedagógico na disciplina de Educação Visual e Tecnológica, que passará a ser assegurada apenas por um professor em vez dos dois actuais.

A Federação Nacional de Professores tem denunciado que as alterações previstas para o próximo ano lectivo poderão conduzir ao desemprego cerca de 30 mil docentes. A ministra da Educação tem respondido que não serão despedidos docentes. Conforme o PÚBLICO noticiou na semana passada, o Ministério da Educação garantiu que, neste diploma, foram tomadas em consideração as recomendações do Conselho Nacional de Educação.

Estas recomendações constam do parecer aprovado pelo CNE a 14 de Dezembro e no qual este órgão consultivo do Governo e da Assembleia da República se pronuncia contra a extinção da área de projecto nos moldes em que será concretizada, contra a limitação do estudo acompanhado aos alunos com dificuldades e também se opõe ao fim do par pedagógico na disciplina de Educação Visual e Tecnológica. Estas considerações não foram contempladas. No seu parecer, o CNE sublinha que esta nova lei “apenas corporiza, no plano legislativo, medidas do orçamento de Estado para 2011, e que passam, entre outras, pela ‘redução de docentes'”. Alerta que “reduzir o Estudo Acompanhado a alunos com dificuldades de aprendizagem é insistir numa concepção de escola de remediação” e que se introduz assim “um princípio de discriminação de regulação do currículo nacional”. O CNE alerta também que a supressão de um professor na disciplina de Educação Visual e Tecnológica do 2º ciclo poderá levar ao “incumprimento de aulas práticas”.

O novo diploma dá também autonomia às escolas para organizar as cargas horárias em 45 ou 90 minutos. Esta flexibilização foi considerada positiva pelo CNE. Os blocos de 90 minutos foram introduzidos em 2001 enquanto padrão a seguir como tempo útil de aula.

O CNE sublinha também que as alterações para o próximo ano espelham “o que tem sido a orientação das políticas curriculares: o primado das alterações pontuais sobre as alterações sistematizadas”.

No 1º ciclo mantém-se a mesma carga lectiva semanal: 26 horas."

Exames Nacionais

Datas, regras e outros (clicar aqui).

"A realização de exames nacionais nas disciplinas de Língua Portuguesa

e de Matemática do 3.º ciclo do ensino básico e das disciplinas dos cursos
do ensino secundário, de exames de equivalência à frequência dos 2.º
e 3.º ciclos do ensino básico e de provas de equivalência à frequência
das disciplinas dos cursos do ensino secundário exige a fixação e a
publicitação dos prazos de inscrição para admissão às provas de exame,
bem como do calendário de realização dos exames nacionais, para
conhecimento dos alunos e das escolas."
 
Abraço!

Anda por aí "marosca"?




Abraço!

Fiquei com a mesma sensação...

E não devo ter sido só eu.

Falou-se pouco de muita coisa. Mas já era de esperar.


Abraço!

A nova matriz curricular do 2.º CEB

É uma mensagem do ad duo.

"Implicações:


•A disciplina de EVT passa a ser leccionada por um professor

•Elimina a Área de Projecto (4 tempos)

•Elimina a Oferta da escola (2 tempos)

•Elimina 1 tempo nas NAC’s (FC)

•Mantém o Estudo Acompanhado apenas para os alunos que tenham maiores dificuldades e com efectivas necessidades (Língua Portuguesa e Matemática)"



Podem ler mais aqui.

Abraço!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Notas baixam depois do acesso à banda larga

O acesso à internet não salvou o ensino... "e esta, hein?"

E não sou eu que o afirmo - é uma notícia do Educare.pt


"Estudo revela que a banalização do acesso à banda larga nas escolas gerou um impacto negativo. Em termos médios, as notas escolares baixaram 7,7% entre 2005 e 2008 e 6,3% de 2005 a 2009. Para o uso produtivo da Internet, defende-se a formação de alunos e professores e o acompanhamento parental."

Pois, isto de darem computadores e acesso à internet pode ser mau... estavam à espera de quê?

"As conclusões fazem parte do estudo Impact of Broadband in Schools: Evidence from Portugal, recentemente apresentado no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e que este mês será publicado na revista Review of Economics and Statistics."

"Vários dados do uso de banda larga nas escolas, da Fundação para a Computação Científica Nacional e o desempenho ao nível dos exames do 9.º ano foram cruzados e as conclusões surgiram. Nos primeiros anos de acesso à banda larga, com uma novidade nas mãos, os alunos baixaram as notas."

"O estudo conclui também que as escolas mais afastadas dos centros urbanos, onde se usa mais a Internet, são as que apresentam piores resultados."

"Os responsáveis pela pesquisa sabem que a introdução de novas tecnologias não é, por si só, suficiente para gerar mudanças positivas nas escolas, mas defendem que a Internet não deve andar sozinha. Ou seja, o uso produtivo da Internet é fundamental e a monitorização adequada a essa utilização poderá fazer a diferença. Apesar de tudo, e como se assistiu a uma ligeira diminuição do impacto negativo dos períodos em análise, os autores admitem que esse decréscimo se possa diluir no tempo."

"Tito de Morais, fundador do projecto MiudosSegurosNa.Net, leu o estudo e defende que a introdução das novas tecnologias deve implicar formação aos professores, não apenas na vertente da utilização das ferramentas, mas também na exploração educativa do que o universo da Internet oferece, no sentido de melhorar a relação ensino aprendizagem. "Não basta ter as ferramentas e não basta saber usá-las. É preciso saber tirar o máximo partido das mesmas em contexto de sala de aula e isso implica mudanças nos processos de ensino/aprendizagem", afirma." - Plenamente de acordo: não é só dar a ferramenta, é preciso ensinar a usá-la.

...

E há mais, aconselho a leitura do artigo.

Abraço!

Violência junto às escolas

Foi por acaso que encontrei 2 notícias de casos de violência junto a escolas. Não estão relacionadas, mas revelam uma certa preocupação...


Podem ler aqui e aqui.

Ainda a propósito: escrevi há uns tempos atrás que não notei o reforço policial anunciado no início do ano junto às escolas. Agora posso dizer que até tenho visto, muito pouco, espaçadamente, mas tenho visto - está melhor, mas ainda não chega!

Abraço!

Mais uma muito boa de Antero

Pois...


Abraço!

PSD quer emagrecer o Ministério da Educação

Ontem no Prós e Contras Pedro Duarte abordou este assunto. Hoje encontrei esta notícia que partilho convosco.

Valer a pena reflectir, concordemos ou não. Uma coisa é certa: este modelo actual não tem resultado, uma mudança pode ser boa. É claro que depende da mudança...

"Estado. PSD quer emagrecer o Ministério da Educação

O PSD quer um Ministério da Educação (ME) limitado ao papel de regulador do ensino sem funções de gestão das escolas. Depois de, nas jornadas parlamentares do PSD, ontem em Braga, Joaquim Azevedo, ex-secretário do governo de Cavaco Silva, ter defendido que o "Ministério da Educação pode ser implodido sem nenhum problema", ao i, o vice-presidente da bancada parlamentar, Pedro Duarte, explica que o PSD quer "reduzir o monstro burocrático do ME". De acordo com o deputado, o sistema intermédio, "como as direcções regionais", gera "entropia na educação". Estas estruturas, esclarece, levada a cabo a "redução das competências" defendida pelos sociais-democratas, "extinguem-se por si próprias". A visão da educação do PSD passa por remeter a tutela a apenas "uma função de regulação e avaliação do sistema" mas "não a de dirigir as escolas". "Uma verdadeira autonomia das escolas", diz o Pedro Duarte, que concorda com uma avaliação dos professores feita por uma agência independente.

Nas jornadas, o antigo secretário de Estado Joaquim Azevedo tinha defendido que Portugal não precisa dessa administração do ME "para coisa quase nenhuma". O que é necessário, sustentou, é apenas uma agência de apoio às escolas e uma agência de avaliação. "Mais nada".

Encolher o peso e influência do ME foi a empreitada que Couto dos Santos quis levar até ao fim enquanto tutelou a pasta da Educação, no governo de Cavaco Silva. Falhou na missão e hoje culpa os partidos pelo fracasso: "Encontrei demasiadas resistências entre altos funcionários das direcções centrais e regionais, estratificados por todas as forças partidárias."

O modelo que o antigo ministro ambicionou tinha como finalidade reduzir o ministério a duas funções: "Um ministro e dois staff para gerir o processo legislativo e definir estratégias de médio e longo prazo das políticas educativas seria suficiente." Tudo o resto caberia às escolas, que veriam a autonomia aumentar, e às direcções regionais, que teriam de reduzir a dimensão: "Acabar com os serviços centrais e descentralizar o concurso de professores para um plano regional foram metas que não consegui cumprir."

Hoje é diferente, avisa Couto dos Santos, convencido de que é "agora ou nunca" que a reestruturação deve avançar: "A falta de dinheiro é uma oportunidade única para iniciar o processo, que contudo, não pode ser tão radical como defende Joaquim Azevedo - terá de avançar por fases", remata."
...

Agora pensem nisto.

Abraço!