quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

170 vagas em Timor

São mais 90 colocações. Grão a grão...


"Timor-Leste: Número de professores portugueses vai duplicar este ano - Governo

Lisboa, 24 jan (Lusa) -- O número de professores portugueses em Timor-Leste vai duplicar a partir deste ano, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

Em nota enviada à agência Lusa, a diplomacia portuguesa indica que, em resultado de um novo protocolo, "Portugal duplicará o número de professores portugueses contratados, dos atuais 80 para aproximadamente 170".

Estes docentes "serão colocados em todos os 13 distritos do território timorense" e a cooperação portuguesa contribuirá ainda "para a formação de 7000 candidatos a professores timorenses, bem como de professores que lecionam atualmente nos níveis básico e secundário, num universo escolar que compreende 300 mil alunos", acrescenta o comunicado."
Sic/Lusa

Abraço!

Cansados de reformas inúteis!

Uma crítica à reforma curricular e ao que não vai conseguir produzir: melhores alunos!


Cansados de reformas inúteis!
José Matias Alves

"Está em curso mais uma reforma curricular. Mais hora ou menos hora. Tira aqui e coloca ali. Reforçando a visão disciplinar do conhecimento. Decretando que os conhecimentos mobilizáveis para agir, conhecer, intervir e transformar o mundo e dar sentido à vida não têm dignidade curricular. Só o conhecimento puro (mesmo que seja o sistema nervoso da mosca que para “nada” serve) é que importante.

Está em curso uma suposta mudança de paradigma. Mas não se conhece o horizonte, a substância, a rota, o rumo. Vive-se na era do vazio, da incerteza e da ameaça. De cortes e de asfixia. Com os diretores das escolas transformados nos chefes de secretaria preenchendo formulários eletrónicos nas plataformas centrais. Com os professores cansados de tanta mudança inútil porque não toca no essencial.

E é inútil porque não é isso que faz os professores ensinar melhor. Que faz os alunos aprender mais. Que faz a organização escolar querer mudar de registo e de práticas. E pode ser até prejudicial porque há um enorme cansaço e desilusão nas escolas. Que esperam (mesmo que disso não tenham consciência) que seja possível um outro sentido para a ação profissional. Muito mais fundado na liberdade e na autonomia e no risco. Na possibilidade de autoria de normas próprias no campo da organização do conhecimento, do agrupamento dos alunos, na gestão do tempo.

Como o atesta a insuspeita OCDE (2010):
Les réformes ont un impact constant sur les structures superficielles et les paramètres institutionnels des écoles, mais il est beaucoup plus difficile d’agir sur les activités fondamentales et la dynamique des apprentissages de classe.

Justamente. Entre nós persiste esta ilusão. Precisamos de passar da ordem do mando para a ordem da autonomia e da responsabilidade. Da ordem do domínio e do controlo remoto para a ordem da criação local. Porque é isto que nos faz crescer. Porque é isto que nos faz querer. Como pessoas, como profissionais e membros de organizações que também podem aprender."


Abraço!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A obrigatoriedade do 12º

Agora que os temos até ao nono, são-nos apresentadas todos os dias situações que nos põe os "cabelos em pé". E são jovens que estão na Escola obrigados com  idades bem avançadas para o ano que frequentam.

Agora vamos ter jovens obrigados a estar na Escola até bem mais tarde. E cada vez mais velhos e mais difíceis de educar. 



Abraço!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Número de auxiliares por aluno

Comecei a ler a notícia com algum receio: "será que é para aumentar ou para diminuir?" E não obtive resposta: " O PÚBLICO tentou saber junto do ministério se o objectivo é aumentar o número de funcionários, mas não obteve respostas." E se quiser, muito legitimamente, ser pessimista, acredito que seja para diminuir...

Outra parte interessante é o rácio atual(?): " Actualmente, o rácio é de um funcionário por 48 alunos no 1.º ciclo e de um para 100 no 2.º e 3.º ciclo." 1 por 48 alunos? Já estou a ouvir os colegas do 1º ciclo a rir à gargalhada. Quem lhes dera... sei de casos, todos sabemos de casos, que nem há funcionário para abrir a porta se alguém tocar à campainha... Quanto ao rácio no 2º e 3º ciclos, também não sei se é real, que dizem colegas? Pois...

"Número de funcionários nas escolas vai ser revisto e será mais fácil contratá-los



Os ministérios da Educação e das Finanças vão rever o rácio do número de alunos por funcionário de modo a adaptá-lo às "novas construções escolares".

A medida, divulgada através de um comunicado de imprensa, foi anunciada pelo Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, Casanova de Almeida, no final do périplo de reuniões que o ministério promoveu com directores de escolas de todo o país no âmbito da discussão pública da proposta de revisão da estrutura curricular do ensino básico e secundário.

Actualmente, o rácio é de um funcionário por 48 alunos no 1.º ciclo e de um para 100 no 2.º e 3.º ciclo. O PÚBLICO tentou saber junto do ministério se o objectivo é aumentar o número de funcionários, mas não obteve respostas. As novas construções escolares, nomeadamente no 1.º ciclo, são maiores e destinam-se a mais alunos. O ministério também se comprometeu a facilitar os procedimentos de contratação de pessoal não-docente.

No comunicado de imprensa divulgado pelo ministério afirma-se que as medidas agora anunciadas "vêm atender aos anseios das equipas directivas e irão simplificar significativamente o dia-a-dia das escolas".

Entre elas figura também a revisão do diploma de avaliação dos directores e do Estatuto do Aluno. O modo como se processou a avaliação dos dirigentes escolares foi contestado, no mês passado, por muitos destes responsáveis e levou muitos a ameaçar com a demissão. Quanto ao Estatuto do Aluno, Casanova de Almeida confirmou que a revisão se destina a reforçar "a autoridade dos professores, a exigência, o rigor, o empenho, a disciplina e também a responsabilização dos diferentes intervenientes".

O secretário de Estado indicou ainda que o processo de fusão de escolas e agrupamentos irá ser retomado "em diálogo com as autarquias e os directores"."

Abraço!


domingo, 22 de janeiro de 2012

Mais vozes contra o fim da Formação Cívica

E todas as vozes podem ser poucas.

Está em causa uma grande parte do contato dos Diretores de Turma com os seus alunos.



"JSD contra fim da disciplina formação cívica 

"Associações de Pais contra retirada de Educação Cívica nas escolas 
A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) afirmou-se neste sábado contra a retirada da disciplina de Educação Cívica nas escolas, como está previsto na proposta do Governo da revisão curricular."

Abraço!

Nuno Crato e a instrução salazarista

Um "ataque" de Agostinho Domingues,  deputado na comissão de educação da AR entre1982 e 1987, ao despacho que revoga o documento Orientações Curriculares do Ensino Básico. Será ressentimento por mexerem naquilo que ajudou a construir?

"Nuno Crato e a instrução salazarista
Por Agostinho Domingues in Correio do Minho


Quando iniciei a minha docência no ensino liceal, na década de sessenta, as orientações do Ministério da Educação Nacional iam no sentido de favorecer a transmissão de conhecimentos, privilegiando a memória e evitando qualquer juízo crítico dos alunos. Não faltavam sequer modelos de composições literárias decoradas para adaptar nas provas de exame. Era sagrado o princípio de que “a ciência é filha da repetição”, na linha tradicional do ensino pela sebenta. Enquanto o aluno repetisse o que o mestre dizia, estava no bom caminho, pois não punha em causa o sistema nem o regime político. “Aluno instruído” era cidadão politicamente conformado.
A partir da década de setenta, com Veiga Simão, e ao longo de trinta e cinco anos de regime democrático, o Ministério da Educação, orientado por ministros socialistas e sociais-democratas, concedeu relevo ao espírito crítico, às condições de formação de autonomia pessoal, à flexibilidade mental, numa palavra, à formação de pessoas mais livres e mais capazes de interagirem com responsabilidade e solidariedade, sem descurar a aprendizagem dos conteúdos programáticos.

Quando analisamos a história da educação em Portugal, não podemos deixar de verificar o nosso atraso cultural no confronto com a maioria dos países europeus. Os progressos verificados nestes trinta e cinco anos de democracia só podem ser devidamente avaliados na sua relação com séculos de desprezo pela escola. É certo que tivemos, em momentos cruciais da nossa História, elites culturais de grande mérito. Mas o grande corpo da Nação ficou à margem do saber e da cultura.

A filosofia político-educacional “social-democrática” (da responsabilidade de ministros socialistas, sociais-democratas e independentes) “contagiou” muitos professores que souberam programar e trabalhar em grupo, elaborar planos curriculares, centrar o ensino no aluno, desenvolver capacidades, incentivar a autonomia, tendo em vista o ensino-aprendizagem.

No âmbito das minhas funções de deputado, na comissão de educação da AR, entre1982 e 1987, pude trabalhar de perto com destacados profissionais da educação do PS e do PSD. Não havia entre nós divergências de fundo. Agora, ao ler o despacho de Nuno Crato, que revoga o documento Orientações Curriculares do Ensino Básico, pergunto-me como reagirão esses militantes sociais-democratas. O ministro tem o despudor salazarista de falar de instrução em vez de educação, ou seja, de pretender como resultado «membros instruídos da sociedade». Centrando-se nos conteúdos, deita fora todo o processo de aprendizagem tendente à construção da autonomia do aluno. Por outro lado, reforça o isolamento do professor na sala de aula, já que não há, no despacho, uma só palavra para a relação do professor com o seu departamento, com o projecto de turma e de escola, com o progresso inter-individual. Nuno Crato transpõe para o despacho as suas diatribes do programa televisivo “Plano Inclinado”. Ministro independente da esfera partidária tem de ser confrontado com a matriz social-democrata a única que foi sancionada pelo voto nas eleições legislativas.

Resta-me a esperança de que as escolas e os professores saibam aproveitar a margem de autonomia pedagógica concedida pelo ministério, para não deitarem fora “o menino com a água do banho”. Saberão os docentes ultrapassar os excessos de burocracia e os pontuais facilitismos de algumas orientações ministeriais anteriores, para não recuarem nos grandes objectivos do ensino-aprendizagem? O caminho faz-se caminhando e não recuando a preconceitos e obscurantismos geradores de inércia, de passividade e de alienação. Que no ano hoje iniciado (escrevo no dia de Ano Novo) os profissionais de ensino saibam vencer o desânimo provocado pelos cortes nos vencimentos e reavivem a chama do nobre ideal de ajudar a formar pessoas mais livres, mais felizes, mais fraternas e mais solidárias. Eis os meus votos para 2012."

Abraço!

Excesso de chumbos ou de facilitismo?


Mais um artigo no Educare, onde se juntam opiniões de vários diretores sobre os resultados de um estudo do CNE.


"Excesso de chumbos ou de facilitismo?
Sara R. Oliveira | Educare


Estudo do CNE dá conta de um desfasamento etário dos alunos e de um corpo docente envelhecido. Responsáveis educativos pedem uma definição clara de objetivos e conceitos e lembram que "os conflitos sociais entram muito rapidamente na sala de aula".O relatório do Conselho Nacional de Educação (CNE) coloca o dedo em duas feridas: no desfasamento etário dos alunos e num corpo docente que está a envelhecer. Os números dão que pensar: em 2010, 42% dos alunos com 15 anos ainda não estavam no Ensino Secundário; no 3.º ciclo, 23,1% dos professores têm idade igual ou superior a 50 anos; no Secundário 21% têm 50 ou mais anos. O CNE transcreveu o que se passa no terreno e deixou algumas sugestões, nomeadamente reforçar a formação dos docentes e dar uma maior autonomia às escolas. O EDUCARE.PT escutou o que pensam os responsáveis educativos sobre as principais conclusões do CNE.

Maria Luísa Pereira, diretora da Escola Secundária de Rio Tinto, sabe que há alunos com 15 anos que ainda frequentam o 7.º ano de escolaridade. O desfasamento etário é um assunto que tem sido discutido várias vezes no seio da comunidade educativa. Será que o sucesso escolar passa por insistir na repetição de anos nos bancos da escola? A responsável recorda que neste tema há "dois discursos conforme a visão que as pessoas têm da educação". Isto é: o discurso dos que se concentram nos excessos de repetências e o discurso de quem acusa os professores de excesso de facilitismo. "É preciso que a sociedade defina o que pretende das suas escolas", afirma.

Para a diretora da Secundária de Rio Tinto, num momento de indefinição de políticas educativas, é necessário parar para pensar para que rapidamente se apontem caminhos. "Se está provado que insucesso gera mais insucesso, agora temos de discutir, a nível da sociedade, como vamos resolver o problema", refere ao EDUCARE.PT. Até porque, sustenta, há várias hipóteses que poderão ser analisadas, como encontrar alternativas de ensino mais precoces, diversificar a oferta já a partir do 7.º ano de escolaridade. "Ou assumir que os alunos vão repetir mais, em contraciclo com o que acontece noutros países", acrescenta.

A questão do corpo docente envelhecido não é, na opinião de Maria Luísa Pereira, uma responsabilidade dos professores, mas sim de orientações políticas que mexeram na idade da reforma. "Não é um problema dos professores, é da população em geral, sobretudo da administração pública, e que se prende com a idade da reforma". "É uma consequência política das deliberações relacionadas com a lei laboral", refere. Com as alterações, neste momento, os professores, teoricamente, têm de se manter ao serviço até aos 65 anos.

"A formação dos professores nunca pode ser descurada em qualquer fase do percurso", defende Isabel Coelho, diretora da Secundária de Avelar Brotero, em Coimbra. A recomendação do CNE faz, portanto, todo o sentido. A formação inicial e contínua é fundamental para que os docentes estejam atualizados, adaptados à realidade e disponíveis para darem as respostas que os momentos exigem. Até porque, realça, "os conflitos sociais entram muito rapidamente na sala de aula". E, na sua perspetiva, o novo Estatuto do Aluno provoca "ceticismo e descrença" quanto aos mecanismos que coloca à disposição dos docentes.

Isabel Coelho encara com "preocupação" o desfasamento etário dos alunos, referido no estudo do CNE. "É fruto dos tempos", diz, acrescentando que as escolas têm pela frente "um público cada vez mais diversificado" e que há situações mais complicadas resultantes de desfasamentos sociais. "É um reflexo desse puzzle". "O desinteresse dos alunos não é total", avisa. Um dos caminhos poderá ser a aposta nos cursos profissionais.

Para Júlio Santos, diretor da Secundária do Restelo, em Lisboa, há muitas perguntas a fazer, conceitos a definir, realidades a analisar. Em seu entender, a autonomia que se quer dar às escolas é uma palavra que estica e encolhe conforme as vontades. "Cabe lá tudo e não cabe lá nada", comenta. E, portanto, na sua opinião, há que definir com exatidão o que é autonomia, a sua dimensão, se se fala na gestão administrativa, se o aspeto pedagógico também pertence a esse contexto. "É uma realidade que tem de ser clarificada. O que é a autonomia? De que estamos a falar?".

As perguntas também surgem quando se afirma que o corpo docente está envelhecido. "Porque é que está envelhecido? Qual é a expectativa neste momento? Qual era a expectativa há oito anos?". Mais: "Hoje em dia um indivíduo com 60 anos é velho ou não, quando a esperança de vida tem aumentado?". Júlio Santos defende que se tem de começar por aqui, ou seja, por encontrar as respostas para diversas perguntas. As questões são pertinentes quando a realidade muda e os conceitos se mantêm. Além disso, é preciso perceber que "cada escola é uma realidade muito diferente". Portanto, é necessário entender que não se pode medir determinadas realidades "com instrumentos desadequados"."

Abraço!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Aluno é o terror da escola aos 12 anos

Aos 12 é um terror, aos 13 vai continuar a ser, aos 20 e tal também... a não ser que o consigam controlar. 

Isso deve ser tarefa para o "super-professor", uma vez que não estou a imaginar os pais a assumirem responsabilidades, não estou a imaginar uma intervenção rápida e adequada do Estado... ou seja, não estou a imaginar grande futuro para este miúdo. Espero estar errado, mas...


"Aluno é o terror da escola aos 12 anos

Navalha, paus e até uma pressão de ar são levados para a escola por um aluno de 12 anos do Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo. Os pais já apresentaram queixa na GNR. O aluno é revistado diariamente à entrada do estabelecimento.



O aluno foi transferido este mês para o Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo, (Viseu) e, 15 dias depois, os problemas já são mais que muitos. Alguns pais de estudantes do Agrupamento apresentaram queixa no posto local da GNR contra o aluno do 5.º ano, a quem acusam de ameaçar os colegas com uma navalha, dentro do recinto escolar. Um dos pais, José Manuel, garante que a filha, de seis, a frequentar o 1.º ano, lhe relatou que o adolescente "a ameaçou com uma navalha", tendo desmaiado de seguida.

No dia seguinte, o encarregado de educação dirigiu-se à escola e ficou a saber que foi mais do que isso. "Também lhe puxou os braços", relata. Apresentou o caso a um professor, mas, ao contrário de outros pais, diz que, para já, decidiu não apresentar queixa na GNR. Segundo afirma, o aluno, que diz conhecer bem, "há uns anos também levou uma pressão de ar para a escola".

Rosa Figueiredo, directora do Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo, admite que se trata de um aluno "problemático que necessita de ser integrado". Diz estar convencida de que este caso "isolado" não é mais do que "uma tempestade num copo de água".

"Os funcionários todos os dias revistam o aluno à entrada da escola e nunca lhe encontraram qualquer navalha", adianta a responsável, que explica a medida com a necessidade de transmitir "tranquilidade e segurança" aos pais e alunos. Rosa Figueiredo adianta que não recebeu qualquer queixa formal contra o aluno."
JN

Abraço!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Não me parece...

Não me parece que seja bem assim. Bata referir, por exemplo, o caso da EVT ou do fima da Formação Cívica...

Mas pelo menos o homem ouve, já não é mau! Tinhamos pior... (isto sou eu a ser otimista...)

"Revisão curricular tem sido “muito bem acolhida” garante Nuno Crato



O ministro Nuno Crato, disse hoje, em Coimbra, que a proposta de revisão curricular do Ministério da Educação e Ciência (MEC), “a favor do reforço das disciplinas fundamentais”, tem sido “no geral, muito bem acolhida”.

O ministro da Educação e Ciência falava, ao final da tarde, no Conservatório de Música de Coimbra, depois de se reunir com responsáveis da Direcção Regional de Educação do Centro, encontro com o qual terminou “uma volta pelo país”, para ouvir os dirigentes das restantes direcções regionais do MEC sobre a proposta de revisão curricular.

“Não se trata de uma reforma”, mas antes de um “ajustamento curricular”, no sentido do “reforço das disciplinas fundamentais”, como “História, Geografia, Físico-Química e Ciências Naturais”, e da “redução da dispersão”, precisou Nuno Crato.

“Não queremos mais uma grande reforma do ensino, queremos um reajustamento”, através de “mudanças graduais e seguras”, mas “sem grandes alterações”, assegurou.

Embora a proposta governamental esteja a ser “bem acolhida”, o MEC já recebeu “mais de 500 propostas, sobretudo de directores de escolas”, no sentido de proceder a alterações “pontuais”, revelou o ministro, sustentando que este projecto se destina “aos jovens, aos alunos”, para que fiquem “mais bem preparados para enfrentar a vida”.

O ministério vai continuar a receber sugestões até final de Janeiro e o ministro prevê que o projecto final seja apresentado em Março, de modo a “preparar atempadamente” a sua entrada em vigor “no próximo ano lectivo”.

Durante o breve encontro com os jornalistas, Nuno Crato rejeitou a ideia de esta reforma ter como objectivo a redução da despesa, mas, acrescentou, que não se pode ignorar “a situação difícil que o país atravessa”.

Instado pelos jornalistas, o ministro escusou-se a pronunciar-se sobre uma petição, dirigida ao Governo, no sentido de que passem a ser servidos pequenos-almoços nas escolas, argumentando não ser este o assunto ali tratado.

Antes da chegada de Nuno Crato ao Conservatório de Música de Coimbra, várias dezenas de professores concentraram-se perto do local, distribuindo uma “carta aberta ao ministro da Educação e Ciência” do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC).

No documento, são contestadas, designadamente, as políticas adoptadas pelo MEC, que “têm contribuído para fragilizar a Escola Pública, que não têm respeitado os direitos sócio-profissionais dos docentes e investigadores e que se limitam a procurar reduzir gorduras que o Governo teima em fazer de conta que existem, num sector onde não as há”."

Abraço!