quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

É o que dá ensiná-los...


"Aula de biologia determina divórcio de pais de aluno

Uma aula de Biologia levou ao divórcio de pais de aluno por dúvidas em relação às suas origens. É que a aula sobre tipos de sangue levou o aluno a descobrir que afinal o seu pai "oficial" não é o seu pai verdadeiro.

Em casa, o rapaz perguntou aos pais como era possível que ele tivesse um tipo de sangue B se os seus pais tinham tipo de sangue A. Tal questão abriu uma guerra e desencadeou as suspeitas.

Depois de realizado um exame, o rapaz desfez todas as suas dúvidas. O homem com quem tinha convivido até agora não era afinal o seu verdadeiro pai. O caso foi a tribunal e veio a descobrir-se que a mulher tinha tido uma relação extraconjugal, que começou dois anos depois de se ter casado."
Jornal i

Abraço!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Roadtrip de Nuno Crato

Ouvir até ouve, o resto é que...


"Diga o que quer mudar na escola que o ministro promete ouvir

Crato começa hoje uma roadtrip para ouvir o que os directores querem mudar no currículo



Ontem esteve no parlamento e hoje vai estar na estrada. Durante três dias, o ministro da Educação, Nuno Crato, vai andar pelo país a ouvir o que têm os directores de escola a dizer sobre a proposta de revisão curricular do básico e secundário. No fim da viagem, a equipa de Crato conta regressar com uma colecção de sugestões para analisar. Críticas já o ministro recolheu muitas, a começar pela oposição – que o acusa de por em causa a escola pública por razões económicas – e a acabar nos sindicatos, que temem mais desemprego. Esta é a hora de fazer críticas ou apresentar propostas. A tutela estabeleceu até ao fim do mês o prazo para o debate público desta matéria, criando um endereço electrónico destinado à recolha de contributos (revisão.estrutura.curricular@mec.gov.pt). Directores, professores ou encarregados de educação já começaram essa tarefa. Segundo os dados que o ministro revelou ontem no parlamento, a tutela recebeu até à primeira semana de Janeiro 262 contributos e analisou 230 propostas.

A proposta do governo pretende reduzir a carga horária e centrar o currículo em disciplinas como História, Geografia ou Ciências. O inglês, por exemplo, será obrigatório a partir do 2.o ciclo. História e Geografia do 7.o e 9.o anos, Ciências Naturais e Físico-Química do 7.o, 8.o e 9.o anos terão mais uma aula por semana.

A disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação sairá do 9.o ano e passará para o 5.o e 6.o anos. Formação Cívica e Estudo Acompanhado desaparecem, surgindo cinco horas facultativas de Apoio ao Estudo no 2.o ciclo, e a carga horária da maior parte dos anos será reduzida. A maior redução acontecerá no 12.o ano que de 13 a 14 horas por semana vai passar para 10."

Abraço!

Podemos estar descansados...

Sendo assim, podemos estar descansados.

A reforma não é para poupar, é para melhorar o Ensino! Nem que seja só com um professor e um auxiliar por Escola...

"Ministro diz que a “preocupação” da revisão curricular é “a educação dos jovens”

O ministro da Educação, Nuno Crato, reconheceu hoje que os recursos de Portugal "não são ilimitados", mas garantiu que a "preocupação" da proposta do Governo de revisão curricular dos ensinos básico e secundário é "a educação dos jovens"."


Abraço!

Crianças impedidas(?) de almoçar junto dos colegas

Agora ouvidas as duas partes, parece-me que o caso foi "avolumado", mas continuo sem saber onde está a verdade.

Parece "terrível" impedir, alegadamente, as crianças de comerem com os colegas, mas também não quero acreditar que a Associação de Pais agiu de má fé. 

Em causa está um dívida de 300 euros. E, segundo a Associação de Pais, a falta de vontade de pagar por parte dos pais. Parece que a situação económica é complicada, mas ponho-me a pensar: "será que os devedores e seus filhos apresentam sinais exteriores de "riqueza" que tenham levado a que se pense que podiam pagar a dívida, ou será mesmo uma terrível discriminação/falta de sensibilidade?"...

"Confap condena quem permite que crianças almocem afastadas dos colegas



A Confederação das Associações de Pais condenou hoje a actuação da associação de pais de uma escola em Tomar, onde três crianças são alegadamente impedidas de almoçar junto dos colegas por falta de pagamento do serviço de refeição.

De acordo com a edição da passada sexta-feira do jornal , três meninas de 5, 7 e 8 anos do Jardim de Infância e a EB 1 do Ensino Básico de Carvalhos de Figueiredo, em Tomar, estarão a ser forçadas a comer no átrio da escola com talheres e pratos que trazem de casa, porque os pais não têm pago o serviço de almoços prestado pela Associação de Pais.

Em declarações à Lusa, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Albino Almeida, condenou esta prática “inaceitável” que vai contra “os direitos das crianças”.

Chocado com as notícias, Albino Almeida lembra que “nunca uma associação de pais pode permitir, seja porque razão for, que os miúdos não comam”.

Muito pelo contrário, cabe às associações de pais, "garantir todas as condições de ensino e aprendizagem às crianças, sendo que a alimentação é uma parte muito importante. Ninguém aprende com fome. A associação jamais poderia levar a que crianças não almoçassem por eventual débito dos pais”, defendeu.

De acordo com o responsável, a cobrança de refeições não é responsabilidade das associações de pais mas sim das escolas, que “de forma oportunista” parecem fechar os olhos ao que se passa.

A direcção da escola e professores “de forma oportunista estão a permitir que a associação de pais trate de um problema que devia ser a escola a gerir”.

“A escola não se pode afastar deste problema mas tolera que os meninos, levando loiça de casa, possam comer no átrio da escola. Isto é inaceitável, trata-se dos direitos das crianças”, defendeu Albino Almeida.

Para o presidente da Confap, se os pais não pagam as refeições então a situação deve ser comunicada às entidades competentes, consoante o cenário em causa: “Se é incumprimento doloso dos deveres de parentalidade então devem notificar a Comissão Protecção de Menores”; se se tratar de dificuldades financeiras então “há mecanismos sociais para apoiar estas crianças”.

“Se os pais têm dificuldade em cumprir, a rede social local tem condições para os ajudar, agora nunca deixar as crianças sem comer nem deixar as crianças a comer no átrio da escola, Isso parece-me absolutamente anormal”, defendeu.

Albino Almeida apela aos pais daquela escola, “que se sentem incomodados com a situação”, que convoquem uma Assembleia-Geral da associação de pais para avaliar o processo: “devem pronunciar-se sobre o facto de a associação estar a propiciar que as crianças não comam ou comam em más circunstâncias.”

O presidente da Confap garante que o que se passa naquela escola vai contra o “espírito das associações de pais”: "Em milhares de associações de pais a prática é precisamente a contrária: é uma prática generosa e solidária".

Associação defende-se

Entretanto, na segunda-feira à noite, três dirigentes da Associação de pais da escola realizaram uma conferência de imprensa para se defenderem das acusações de discriminação em relação às três crianças a quem a associação deixou de servir almoço e a prestar o serviço de ATL, noticia o jornal O Templário

Segundo a associação de pais, o almoço que as crianças tomaram na rua foi encenada pela mãe para a comunicação social. “A associação de pais não pôs ninguém na rua. Não temos competência para isso”, argumentou Pedro Fontes, presidente da associação.

Os dirigentes disseram que tudo fizeram para cobrar a dívida de cerca de 300 euros e evitar a situação limite de não servir as refeições às crianças. Acusam os pais de “falta de vontade em pagar”.

Ainda segundo o jornal, através de um movimento de solidariedade gerado no facebook, várias pessoas já se disponibilizaram a ajudar a pagar a dívida."

Abraço!

800 formadores e 214 técnicos demitidos

Muitos condenaram este "ensino" que é bastante questionável.

Agora, o outro lado: o de quem perde o emprego:

"Novas Oportunidades. 800 formadores e 214 técnicos demitidos




Mais de 800 formadores e 214 técnicos que trabalhavam nos Centros Novas Oportunidades (CNO) afetos ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) foram demitidos, revelou a Associação Nacional de Profissionais de Educação e Formação de Adultos.

Segundo a associação, o IEFP encerrou os CNO e não renovou contratos, que terminaram a 28 de dezembro, de 214 profissionais de educação e formação de adultos que exerciam funções na sua rede de centros.

"Inesperadamente, e para surpresa destes profissionais, o IEFP decidiu proceder à rápida transferência dos processos de qualificação de adultos que tinha em cursos para CNO que ainda se encontram em funcionamento", adiantou, em comunicado.

Além destes profissionais, também "mais de 800 formadores ficaram desempregados, no período de uma semana, sem a possibilidade de recorrer a mecanismos de proteção em situação de desemprego por serem prestadores de serviços (recibos verdes)".

O porta-voz da associação, Sérgio Rodrigues, disse à Agência Lusa que a situação destes formadores "é preocupante porque não têm qualquer tipo de apoio e estão completamente desprotegidos".

Citando o IEFP, a associação adianta que estarão cerca de 50 mil adultos em processos de qualificação nestes centros e que serão transferidos para outros.

A preocupação da associação prende-se com o facto de saber "quem decide o local para onde será transferido o adulto", "quando ocorrerão as transferências" e se existe o risco de transferi-los para centros "cuja continuidade não está garantida e a candidatura pode não ser aprovada".

Sérgio Rodrigues lamentou ainda que não tenha havido uma informação oficial, por parte do IEFP, sobre o encerramento dos CNO a partir de 02 de janeiro.

A Agência Lusa contactou o IEFP, que remeteu esclarecimentos para mais tarde.

A 30 de dezembro e "após insistência da associação", a Agência Nacional para a Qualificação (ANQ) anunciou a possibilidade de manter as equipas em funcionamento em janeiro.

"Continuamos sem uma data prevista para a comunicação dos resultados das candidaturas efetuadas ao financiamento dos CNO para o período de janeiro a agosto de 2012", adiantou Sérgio Rodrigues, lembrando que os CNO "só têm autorização de funcionamento até 30 de janeiro, o que pressupõe que os profissionais que ainda se encontram em funções irão ser dispensados".

Sérgio Rodrigues adiantou que, enquanto não forem publicados os resultados das candidaturas, os centros estão "a funcionar numa gestão cuidadosa de todos os processos, não desenvolvendo todo o trabalho que um CNO pode desenvolver".

A associação diz ainda que "não está a ser efetuado o pagamento da compensação pela cessação dos contratos por caducidade, bem como todos os créditos emergente da relação laboral cessada".

"O que nos tem preocupado acima de tudo tem sido a ausência absoluta de informação por parte da tutela", lamentou.

A única informação que houve por parte do Ministério da Educação foi o encerramento de 20 centros, que já estavam previstos, mas não houve qualquer informação sobre os CNO afetos ao IEFP, os que são promovidos por entidades privadas" e os que funcionam nas escolas, acrescentou."

Abraço!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Estou espantado!!! A sério???

Se sabe escrever o nome passa... 

Sim, é exagerado, não é bem assim, mas pouco mais é...

Reter um aluno é um ato pecaminoso, destrutivo, desagregador, discriminatório, insensível... um dia ainda nos batem se o fizermos! (Correção: já nos batem, falando dos pais. Agora quem nos vai bater é o MEC...)

Querem qualidade? E que tal condições para termos qualidade?

Querem sucesso verdadeiro ou preferem sucesso "passa o problema para o ano seguinte"?

Assim vamos...



"Alunos revelam escrita deficiente

A expressão escrita foi o domínio em que os alunos sentiram mais problemas nas provas de aferição de Português do 4º e 6º anos, em 2011, revela o relatório do Gabinete de Avaliação Educação do Ministério da Educação e Ciência, ontem divulgado.

Já nas provas de matemática, também do 4º e 6º anos, foi na resolução de problemas que os estudantes apresentaram piores performances.

Os resultados das provas, que já foram revelados em Junho, indicam uma estabilização a Português e uma ligeira descida a Matemática, tanto no 4º como no 6º ano.

A média dos resultados na disciplina de Português manteve-se quase inalterável nos 68,8 por cento para o 4º ano e 64,6% para o 6º. A matemática, no 4º ano a média desceu de 70,8 por cento para 67,8%, e no 6º ano passou de 61,7% para 58%.

O relatório recomenda, aos professores, que ensinem "técnicas básicas de organização textual, fundamentais para a criação de automatismo e desenvoltura no processo da escrita".

E sugere, também, que os docentes de matemática proporcionem aos seus alunos "frequentes experiências matemáticas envolvendo a resolução de problemas"."

Correio da Manhã

Já agora, quem é que está espantado?

Abraço!

Luta dos colegas de EVT


Professores de Educação Visual e Tecnológica apostados em manter disciplina


A luta dos colegas de EVT contra o ataque à sua disciplina. No passado tiveram sucesso, mas agora parece ser difícil demoverem esta vontade do MEC.

Para todos os que pensam "não é comigo, não sou desta disciplina", pensem melhor. Já quando houve um ataque ao Desporto Escolar e muitos colegas até o defenderam dizendo que "só serve para dar horas a preguiçosos que não querem trabalhar", chamei atenção para o facto de muitos professores do quadro, que vão ter que manter o emprego, se não tiverem horas para leccionar vão ter que exercer funções em cargos que até agora podiam ser distribuídos por outros colegas.

Os ataques a qualquer professor refletem-se em todos os outros...

Abraço!

Reforma curricular - Debate com diretores

"Ministro da Educação debate reforma curricular com diretores de escolas a partir de quarta-feira"


Vão debater ou informar? Será que estão dispostos a ajustes e novas ideias?

Abraço!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O "preço" dos alunos



"Grupo de trabalho para apurar o custo real dos alunos no ensino público

O Despacho n.º 135/2012, publicado no Diário da República de hoje, publicita a criação de um Grupo de Trabalho com a missão de efectuar os estudos necessários para o apuramento do custo real dos alunos do ensino público por ano."
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Espero que não seja para chegarem à conclusão que estão a gastar muito e aproveitarem para cortar mais postos de trabalho...

Abraço!

A classe docente está a envelhecer


"Corpo docente está a envelhecer e desfasamento etário é preocupante
Educare


Relatório do Conselho Nacional de Educação revela que 42% dos alunos de 15 anos ainda frequentavam o Ensino Básico em 2010, quando já deveriam estar no Secundário. Para combater os atrasos sistemáticos na escolaridade, recomenda-se o reforço da formação dos professores e uma maior autonomia das escolas.
Descrição: http://www.educare.pt/educare/images/transparent.gif
Numa década, as mudanças são significativas. Os portugueses têm cada vez mais qualificações, mas, mesmo assim, o país continua distante de várias médias europeias e de alguns compromissos assumidos nesta área. O relatório sobre o Estado da Educação 2011 - A Qualificação dos Portugueses do Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão independente que aprecia o desenvolvimento e aplicação das políticas de educação e formação, revela que nos últimos dez anos o corpo docente tem envelhecido, que os professores têm mais habilitações, que a oferta do pré-escolar tem aumentado e que é necessário repensar o sistema devido aos atrasos sistemáticos na escolaridade dos alunos.

"Em tempos de crise, a Educação e Ciência são garantia de futuro pelo que é fundamental que a Educação e a Formação sejam encaradas como garante do desenvolvimento das pessoas e dos países e, como tal, não devem deixar de ocupar o centro das políticas e constituir uma prioridade do investimento público", refere o CNE.

O envelhecimento progressivo do corpo docente, verificado na última década, é um dos dados que ressaltam do estudo do CNE. E esse envelhecimento é mais visível no 3.º ciclo e no secundário. No 3.º ciclo, Portugal tem 9,2% de docentes com menos de 30 anos e 23,1% com idade igual ou superior a 50 anos. No secundário, 11,6% dos professores têm menos de 30 anos e 21% têm 50 ou mais anos. A partir do ano letivo de 2005/2006, o corpo docente do 1.º ciclo denota uma tendência de envelhecimento menos acentuada, notando-se uma certa estabilização do número de professores com 50 ou mais anos.

Os quadros têm emagrecido e há mais professores contratados. "Quanto ao vínculo laboral dos docentes do ensino público, a maioria pertence ao quadro em todos os níveis de escolaridade. Ressalta, no entanto, que ao longo da década tem ocorrido uma diminuição do número de professores do quadro a par de uma subida percentual do número de contratados", adianta o CNE. Em 2009/2010, a proporção de professores contratados em Portugal variou entre 17,1% no 1.º ciclo e 28,4% no 3.º ciclo e Ensino Secundário.

Ao longo dos últimos cinco anos, foram introduzidas mudanças legislativas que alteraram parte da rotina de quem ensina, nomeadamente o Estatuto da Carreira Docente e o regime jurídico da habilitação profissional para a docência. A evolução dos níveis de qualificação dos docentes continua a ser mais relevante no 1.º ciclo, já que até ao início da década de 90 não era obrigatória uma licenciatura para aceder à carreira. A percentagem de professores com licenciatura, mestrado e doutoramento também continua a crescer no nosso país.

O ensino pré-escolar tem-se aproximado das metas definidas pela União Europeia para 2020. A oferta tem aumentado, só num ano surgiram mais de 7000 lugares, e o horário de funcionamento tem vindo a ser alargado de forma a dar resposta às necessidades das famílias. Neste momento, a taxa de pré-escolarização das crianças até aos 3 anos é de 84% e sobe para 89% no grupo dos 4 aos 5 anos. O CNE alerta, no entanto, para "uma retração da rede pública de educação pré-escolar" e recomenda a "monitorização das condições de acesso e também da qualidade dos processos educativos".

Neste nível de ensino, verifica-se um aumento do nível de qualificação e uma tendência para o envelhecimento dos educadores de infância. Atualmente, o número de educadores de infância com mais de 50 anos é superior aos que têm menos de 30. Por outro lado, o número de alunos em Educação Especial nas escolas públicas tem aumentado e o 1.º ciclo é o que tem mais crianças a necessitar desse apoio, seguindo-se o 3.º ciclo. Neste ano letivo, estão ao serviço 5168 professores de Educação Especial.

Intervir aos primeiros sinais de dificuldadeEm 2009/2010, 93% das crianças com 5 anos, 100% dos jovens entre os 6 e os 16 anos e mais de 90% dos jovens de 17 anos frequentavam o sistema educativo português. "Mas este envolvimento massivo dos jovens na escola não significa que haja adequação da idade ao ciclo ou nível de ensino frequentado. Ou seja, o facto de a quase totalidade dos jovens em idade escolar se encontrar na escola não significa que estejam no ciclo ou nível de ensino teoricamente correspondente ao seu escalão etário", avisa o CNE. Em 2009/2010, os jovens de 15 anos alcançaram os 100% de escolarização, mas 43% ainda permaneciam no ensino básico e apenas 57% se encontravam no nível adequado à sua faixa etária, ou seja, no ensino secundário. Em 2010, 14% dos alunos do sexo masculino que frequentavam o 12.º ano tinham 20 ou mais anos.

O desfasamento etário afeta todos os ciclos e níveis desde o início da escolaridade, propagando-se e atingindo valores muito significativos à medida que se evolui para ciclos de estudos mais avançados. Em 2009/2010, apenas 45% dos rapazes e 55% das raparigas inscritos no 12.º ano tinham 17 anos - idade ideal no 12.º ano -, enquanto 14% dos homens e 10% das mulheres tinham 20 ou mais anos. Embora o desfasamento etário seja um fenómeno nacional, Alentejo, Setúbal e Algarve são as regiões que apresentam, em todos os ciclos, a maior proporção destes casos. Do lado oposto, estão os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro e Coimbra.

"O estudo sobre o desfasamento etário dos alunos que frequentam o ensino básico e secundário relativamente à idade ideal dos ciclos e níveis respetivos revela que o sistema continua a não estar preparado para responder às necessidades da população que acolhe, utilizando muitas vezes a repetência como meio de superação de dificuldades. Raramente esta solução resolve os problemas dos jovens implicados, pelo que uma primeira retenção é frequentemente geradora de outras e consequentemente de desmotivação e abandono", avisa o CNE, que apela para uma "mudança profunda na atitude dos professores e das escolas face ao insucesso dos seus alunos". Aqui recomenda-se uma atuação centrada no diagnóstico das dificuldades que interferem na aprendizagem, uma intervenção aos primeiros sinais de problemas para tentar evitar a acumulação de retenções. A mudança só será possível, segundo o CNE, "com o reforço da formação em exercício dos professores e com maior autonomia das escolas".

A percentagem de jovens entre os 18 e os 24 anos que abandonaram a escola sem terminar o secundário passou de 43,6% para 28,7% em dez anos. Apesar de ter sido o maior progresso verificado na União Europeia, Portugal continua longe dos 14% de média. Em 2020, o compromisso é ter uma taxa de abandono escolar precoce inferior a 10% e pelo menos 85% dos jovens entre os 20 e os 24 anos devem ter o 12.º ano.

Os números indicam que, em 10 anos, a percentagem de conclusão do 3.º ciclo subiu de 14,5% para 22,2%. Em 2000, 8,8% da população na faixa etária dos 25 aos 64 anos tinham o Ensino Superior, um número que subiu para 15,4% em 2010. Neste ano, a taxa de emprego de quem possuía o ensino superior era de 85,4%, o secundário de 79,9% e o ensino básico de 68,2%. O país tem, todavia, várias especificidades e, neste momento, os licenciados sofrem a maior quebra das taxas de emprego, em comparação com os que têm qualificações mais baixas.

Menos procura nos cursos de educação Os resultados nas provas de aferição de Língua Portuguesa e Matemática do 1.º ciclo não são satisfatórios. A descida generalizada das médias das duas disciplinas nas provas de aferição e nos exames nacionais tem sido justificada com o aumento dos níveis de exigência das provas. O CNE sustenta, a propósito, que esses exames só poderão cumprir a sua função "se houver estabilidade nos níveis de exigência e na composição matricial das provas". E, por isso, recomenda que se aposte na estabilização, na transparência e comparabilidade dos resultados.

No ensino superior, também há uma evolução. Em 2000, havia 61 140 jovens licenciados. Em 2010, o número aumentou para 76 609. As raparigas continuam à frente dos rapazes no ensino superior que, regra geral, tem melhores desempenhos e menos chumbos. Os dados recolhidos pelo CNE demonstram que os cursos nas áreas de Ciências Sociais, Comércio e Direito cobrem mais de 25% da oferta (1031 cursos), e que são as Ciências Empresariais que apresentam uma maior expressão - 46% no conjunto da área -, seguindo-se a área de Artes e Humanidades (599 cursos). A área da Agricultura representa apenas 2% da oferta educativa total.

O maior número de estudantes que se inscrevem pela primeira vez regista-se na área de Ciências Sociais, Comércio e Direito (mais 14 640), sendo a área da Educação a única que apresenta um decréscimo significativo de procura, no decurso da década, com menos de 7125 alunos inscritos. O número de estudantes inscritos nos cursos de Medicina subiu consideravelmente a partir de 2000, já que as vagas colocadas a concurso praticamente duplicaram em dez anos. Verifica-se também um crescimento muito significativo da frequência na área da Saúde e Proteção Social (mais 82,9%), sendo também de assinalar o aumento de alunos inscritos nas áreas de Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção e de Serviços. O CNE insiste na reconfiguração da rede de instituições e numa análise sobre a oferta de cursos de acordo com as necessidades. "Dados os constrangimentos demográficos em Portugal, o cumprimento da meta europeia de 40% de diplomados no grupo etário dos 30-34 anos em 2020 exige um esforço continuado por parte das instituições de integração das novas gerações e de capacidade de captação de novos públicos. Nesse sentido, a transição do ensino secundário para o ensino superior necessita de ser melhor articulada no plano curricular, de modo a garantir a preparação adequada dos alunos para o prosseguimento com sucesso dos estudos escolhidos".

O relatório do CNE evidencia que a sociedade portuguesa reconhece a importância da elevação do nível de qualificação. No entanto, o órgão consultivo alerta para a necessidade de "assegurar a credibilidade e sustentabilidade do sistema através de estudos de avaliação externa e de monitorização da qualidade dos processos de trabalhos dos Centro Novas Oportunidades, nomeadamente das estratégias de orientação, de reconhecimento e de validação de competências desenvolvidas pelos centros". E recomenda a definição de uma política geral para a orientação escolar e profissional que "possa reforçar as estruturas já instaladas e integrar as necessidades decorrentes da expansão e diversificação do sistema de educação e formação"."

Abraço!