quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pode-se ser mau por mais tempo

Como mudaram os ciclos de avaliação, os "maus" professores podem dar aulas até mais 8 anos, em vez dos anteriores 4 - no caso dos quadros.

Deixo uma pergunta no ar: como é que se pode ter maus professores a dar aulas?  É o sistema...

"Nova avaliação. Um mau professor vai ficar o dobro do tempo a dar aulas

Nuno Crato foi menos severo: os professores dos quadros com insuficiente podem ser retirados das aulas ao fim de oito anos. No caso dos contratados são dois anos

Retirar um mau professor da sala de aula vai demorar mais tempo. O dobro do tempo, para sermos exactos. Uma das diferenças entre este e o próximo modelo de avaliação é a benesse que se dá a um docente avaliado com insuficiente, que vai poder permanecer mais tempo a ensinar. No caso dos contratados são dois anos, mas entre os docentes integrados na função pública esse período prolonga-se por oito anos.

No sistema que vai entrar em vigor após o acordo que o Ministério da Educação alcançou com sete dos 13 sindicatos, um docente dos quadros que obtenha a nota mais baixa em duas avaliações consecutivas ou três intercaladas fica sujeito a um processo de averiguações instaurado no seu agrupamento ou escola, esperando o seu desfecho para saber qual a sentença.

No modelo antigo também seriam precisas duas classificações negativas para questionar a competência de um professor, mas agora, ao estender em média os ciclos avaliativos de dois para quatro anos, só ao fim de oito é que um mau docente pode vir a ser afastado do ensino. O velho sistema era mais severo com os docentes insuficientes em duas avaliações consecutivas: ao fim de quatro anos, se o seu desempenho não melhorasse só existia uma saída: deixar de dar aulas e receber formação para reconverter a carreira. Significa isto que o docente seria impedido de leccionar, passando a desempenhar outras funções na sua escola ou em qualquer outra.

Os contratados, que são avaliados todos os anos, têm esse período quatro vezes mais reduzido. Antes ficavam impossibilitados de renovar contrato ou de celebrar um novo e ainda de concorrer ao concurso nacional com uma nota insuficiente; agora são necessárias duas classificações negativas (ou três intercaladas), mas apenas são afastados do ensino três anos lectivos.

Não é só neste ponto, aliás, que o modelo diferencia um professor dos quadros e um contratado. Quem tem um vínculo laboral precário continua a ter efeitos da avaliação no concurso nacional - bom e muito bom tem uma bonificação de um ponto (antes o excelente valia dois pontos e o muito bom valia um). Para a colocação dos docentes do quadro nas escolas esses efeitos desaparecem, respondendo a uma das principais reivindicações dos sindicatos.

Os contratados estão também impedidos de solicitar aulas observadas. Não havendo quem lhes assista as aulas, será impossível candidatarem-se à nota excelente. A avaliação de mérito não tem consequências no concurso nacional nem na promoção profissional, uma vez que estes professores não estão integrados na carreira docente. Para a Associação Sindical dos Professores Licenciados (que está entre os seis sindicatos ou federações que não assinaram), uma das principais razões para não ter chegado a um acordo com o ministério reside "também no facto de a tutela não tratar com equidade e justiça os professores contratados", esclarece a dirigente Fátima Ferreira."

Abraço

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dupla grafia aceite nos exames até 2013

Tem a sua lógica, uma vez que a adapatação não vai ser da noite para o dia. Se para os professores vai ser complicado, para os alunos ainda pior...

(Adicionei esta mensagem na das ajudas para o Acordo Ortográfico que podem consultar através da ligação que criei logo abaixo do aquivo de mensagens)

"Dupla grafia aceite nos exames até 2013

O Acordo Ortográfico (AO) da Língua Portuguesa entra em vigor este ano lectivo no sistema de ensino, mas "serão consideradas como válidas ambas as grafias" nos exames nacionais e nas provas de aferição, esclarece o Ministério da Educação e Ciência (MEC). Ou seja, durante o ano, os alunos serão penalizados se escreverem segundo as regras anteriores ao AO. Já nos exames e nas provas de aferição, tanto podem escrever "acção" como "ação", que não será considerado erro.

A explicação está no facto de os manuais escolares estarem ainda escritos com a grafia antiga, e de a adaptação às novas regras ir ser feita de modo progressivo, sublinha o MEC.

Assim, só a partir do ano lectivo 2013-2014, passará a ser aceite exclusivamente a nova grafia, para os exames do 6º ano. Já nos exames dos 9º, 11º e 12º anos, e nas provas de aferição do 4º, serão consideradas válidas exclusivamente as novas regras apenas em 2014-2015.

Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português, considera positivo haver um período de adaptação no caso dos exames, mas aconselha os docentes a não perderem tempo. "Devem começar já a ensinar a grafia moderna", disse ao CM, defendendo que os alunos sejam penalizados na classificação dos testes feitos ao longo do ano se escreverem à moda antiga: "Entendo que se deve penalizar os erros, mas isso fica ao critério dos professores".

Noutro âmbito, o MEC deverá definir esta semana quanto valem na nota final os novos exames do 6º ano, a Matemática e Língua Portuguesa. "Já devia estar definido" disse ao CM Elsa Barbosa, da Associação de Professores de Matemática. Miguel Abreu, da Sociedade Portuguesa de Matemática, defende uma ponderação "um pouco inferior aos 30%" aplicados no 9º."
Correio da Manhã

Abraço!

Escolas: aumenta o IVA, aumentam as despesas

Uma despesa maior com menos verbas...

É só não contratar um professor que isso fica coberto...


"Escolas correm risco de não conseguirem pagar a luz


Aumento do IVA fará despesa subir em mais de 3000 euros

O aumento do IVA sobre a electricidade e o gás para 23%, associado aos cortes no financiamento do ensino público, pode levar muitas escolas à falência, avança o DN.

O presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Adalmiro da Fonseca já alertou para a situação. “ Como vão conseguir manter as escolas em funcionamento, sobretudo com esta despesa de IVA?”, disse o presidente.

Adalmiro da Fonseca acrescenta ainda que muitas escolas deixarão de ter aquecimento e admite que as visitas de estudo, bem como as actividades curriculares terão de ser bem coordenadas devido aos gastos. Só assim se poderá poupar algum dinheiro.

Segundo o jornal, não será difícil as escolas verem a sua factura electrónica anual aumentada em cerca de 3400 euros mensais na conta da luz. “ Este tipo de encargos – luz, gás, água – representa muito dinheiro, refere Manuel Esperança, presidente do Conselho das Escolas.

Manuel Esperança recorda que já houve muitos gastos energéticos, nomeadamente nas escolas que tiveram a intervenção da empresa Parque Escolar. Contudo, todos esses gastos eram pagos pelo ministério da Educação.

Neste momento, o sector da educação terá menos dinheiro, menos vagas e menos escolas."

Abraço!

Nova ADD: FNE satisfeita

Esta posição de "satisfação" da FNE pode ser lida aqui.

Conseguiram "tudo" menos as quotas, dizem eles.

Fico com dúvidas/estupefacções:

1 - Quem não trabalhar 180 não é avaliado ou vai ter uma avaliação diferente? É que sem bom ou muito bom não têm o tal valor a mais na graduação...

2 - Ser bom ou muito bom é o mesmo para efeitos do concurso???

3 - Porque raio é que os contratados não podem tirar excelente? (Eu sei a resposta, tal como vocês, é uma questão de euros, mas deixo a pergunta na mesma...)

4 - Os contratados vão ser as cobaias deste novo modelo? Só se aplica a nós?

5 - "... todo o tempo acumulado de contratos é considerado, quer para efeitos de concurso, quer para efeitos de ingresso em carreira." - Fomos descongelados?

Leiam e digam de vossa justiça!



No Público:

"FNE satisfeita com acordo assinado com o Ministério da Educação

Problema das quotas ficou por resolver, admitiu João Dias da Silva (Rui Gaudêncio)

O problema das quotas fica por resolver, mas as preocupações dos professores ficaram maioritariamente consagradas no acordo obtido, disse ao PÚBLICO, João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE).

A assinatura do acordo dependia da apreciação global de tudo o que estava em cima da mesa, reconheceu aquele dirigente sindical. A reivindicação mais importante era que “todos os professores com classificação de Bom ou Muito Bom tivessem a expectativa de atingir o topo da carreira no decorrer da sua vida normal como docentes”, disse Dias da Silva. E acrescentou: “As nossas preocupações ficaram maioritariamente consagradas no texto final”

Esse acordo fora atingido em 2010, mas a sua concretização ficara dependente de um despacho e de uma portaria que “encalharam no Ministério das Finanças”, explica o secretário-geral da FNE. “Obtivemos agora do Governo o compromisso político de que esse mecanismo será operacionalizado até ao final do corrente ano”.

Outra razão que levou à assinatura do acordo diz respeito aos efeitos da avaliação na graduação profissional dos professores: “Ficou consagrado que uma avaliação positiva de todos os docentes terá efeito na graduação profissional.”

João Dias da Silva aponta ainda outros aspectos positivos que saíram da maratona negocial mantida ontem com o Ministério da Educação: a simplificação da burocracia de avaliação, a participação de avaliadores externos no processo de avaliação e a contabilização de todo o tempo de serviço dos professores contratados para efeitos de concurso e ingresso na carreira."



Abraço!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Acordo Ortográfico: várias ajudas

Reparei nas estatísticas deste blogue que têm procurado as mensagens onde refiro o Acordo Ortográfico que entra agora em vigor nas Escolas no Ensino Básico - pelo que apurei, no Secundário só entra em vigor em 2013/2014.

Há quem não se importe, há quem deteste, há quem diga "cobras e lagartos", há quem questione a sua necessiade, há quem... Na prática temos que usar, por isso...

Decidi recolher estas ajudas e disponibilizá-las a todos os interessados.

Vídeos aqui.

Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa

Aplicações para o Windows Vista

Diccionário on-line (com a possibilidade de escolher o antes e depois do acordo ortográfico)

Critérios de aplicação das normas ortográficas ao Vocabulário Ortográfico do Português

Lince -  conversor para a nova ortografia

Office - Atualização do Verificador Ortográfico e Verificador Gramatical para Português de Portugal

Conversor on-line da ortografia antiga para a nova grafia

Esta mensagem vai estar sempre disponível logo abaixo do arquivo de mensagens deste blogue para que possam consultá-la com facilidade.

Se tiverem mais sugestões deixem-nas que eu englobo-as aqui.

Abraço!


Ainda a Parque Escolar

As "boas intenções" foram "comidas" pelos glutões da "massa". Era para ajudar os pequeninos (PME),  serviu para engordar os grandes.

Mais uma vez pergunto: estes 946 milhões de dívidas davam para manter o emprego a quantos contratados?


"Parque Escolar. Criada para incentivar PME, aproveitada pelas gigantes

Entre 2008 e 2011 foram feitos ajustes directos de 98 milhões de euros. A modalidade foi utilizada em centenas de contratos nos últimos anos

A empresa encarregada de promover as obras de reabilitação de escolas públicas, Parque Escolar, foi mais uma vez notícia com o pedido de auditoria confirmado ontem pelo Ministério da Educação. O projecto, lançado em 2008 pelo executivo de Sócrates, foi apresentado como um incentivo às pequenas e médias empresas (PME) de construção, mas na realidade isso não se tem verificado. Segundo a AECOPS - Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas -, têm sido os grandes consórcios a dominar os concursos da Parque Escolar.

Nas empreitadas, os concursos foram feitos por lotes de escolas, o que acabou por excluir as PME de construção, relegadas para o papel de subempreiteiros. Já os projectistas foram designados sem que os critérios de escolha tivessem sido públicos.

Em Agosto de 2010, nove construtoras, num total de 78, ganharam 41% de um valor total de mil milhões de euros a concurso referente às obras adjudicadas pela Parque Escolar. No total, estas nove construtoras ganharam 446 milhões de euros, de um total de mil milhões, respeitantes à primeira e segunda fases do projecto de modernização escolar do governo. A Mota-Engil, liderada por Jorge Coelho, foi a empresa que ganhou mais adjudicações da Parque Escolar, com 110 milhões de euros do montante total adjudicado. Segue-se, com 89,3 milhões, o consórcio Abrantina, formado por Manuel Rodrigues Gouveia e a Lena Construções.

A construtora de António Mota interveio nas requalificações das escolas Marquesa de Alorna, Josefa de Óbidos, Eça de Queirós, D. Manuel I, Pedro Alexandrino e Benavente, obras adjudicadas por um valor que supera os 42 milhões de euros. Além destas seis escolas, também foram concluídas obras nas escolas secundárias de Santa Maria da Feira, Oliveira Júnior e Ferreira de Castro, por um valor que supera os 41 milhões de euros. Por último, outras duas obras foram feitas pela mesma construtora - nas escolas Passos Manuel e Gil Vicente. E a mesma construtora vai ser ainda a responsável pela manutenção destas escolas, por um valor que supera os 7 milhões de euros, por um período mínimo de cinco anos e máximo de dez.

A curta história da Parque Escolar conta-se entre notícias de obras desnecessárias, de adjudicações acima de valores de mercado ou de relações promíscuas entre adjudicados e administradores. Agora a empresa pode ter os dias contados. A pedido do Ministério da Educação e Ciência, a Parque Escolar será alvo de uma auditoria financeira. O endividamento da empresa, que se situa nos 946 milhões de euros, preocupa o governo de Passos Coelho. Agora as contas serão avaliadas pela Inspecção-Geral de Finanças. Para já, e até a auditoria terminar, estão suspensos todos os novos concursos e as adjudicação de novas intervenções.

A Parque Escolar previa garantir a requalificação de mais de 300 escolas a nível nacional até 2014. Nestes três anos de existência da empresa, 98 escolas foram concluídas, mas o problema de falta de verbas pôs em causa as outras 77 que estão ainda em obras."

Abraço!

ADD: não há acordo!

MEC pouco ou nada cede.

FENPROF  não aceita, FNE ainda tem esperança (nada de novo).


"Avaliação. Fenprof já sabe que não haverá acordo na última reunião

Tutela mantém quotas ou a obrigatoriedade do director avaliar topo da carreira. Sindicatos vão pedir novo encontro com Ministério da Educação

As quotas mantêm-se para as classificações de mérito, os directores continuam a avaliar os professores no topo da carreira e só quem conseguir dar 95% das aulas que lhe foram atribuídas no ciclo de avaliação em causa pode aspirar ser "muito bom" ou "excelente". Estas são algumas das posições do Ministério da Educação e Ciência (MEC) que ontem à noite enviou aos sindicatos a terceira versão do projecto sobre o novo modelo de avaliação de desempenho docente.

A mais recente proposta do MEC tem tudo para não agradar os sindicalistas e por isso a reunião que seria conclusiva agendada para esta sexta-feira com a tutela e a Fenprof "será rápida" e sem acordo da maior federação de sindicatos dos professores: "Se for este o documento que é suposto discutir no dia 9 não vale a pena perder muito tempo. Estas propostas já foram apresentadas anteriormente, logo, nós já emitimos e transmitimos o nosso parecer", explicou ao i o líder da Fenprof, Mário Nogueira.

Não há diferenças entre esta e a última versão, a não ser "uma construção do texto com outra arrumação", censura Mário Nogueira que agora só está à espera de saber se a tutela está ou não disponível para aceitar um período negocial suplementar ou então concluir que "se enganou e por lapso enviou aos sindicatos um documento errado". Os sindicatos têm até ao dia 17 deste mês para decidir se pretendem solicitar à tutela mais tempo para agendar nova reunião e tentar um possível entendimento.

João Dias da Silva, da Federação Nacional da Educação, não é tão peremptório no eventual desenlace da última ronda negocial com o secretário de estado da administração escola, apesar de reconhecer o "desencanto" com a mais recente proposta da tutela. "À primeira vista este documento é muito próximo da versão anterior", diz João Dias Silva, salvaguardando que, à hora de fecho desta edição, só foi possível fazer uma leitura superficial da proposta do MEC.

O único "ponto positivo" para a FNE prende-se com o facto do ministério ter recuado na composição do júri que avalia o recurso hierárquico e admitir que os seus membros possam pertencer a outras escolas.

De resto, está tudo em aberto e dependente do que o secretário de Estado João Casanova de Almeida tiver ainda a acrescentar ou negociar, esclarece o dirigente da FNE.

"Há matérias que para nós são decisivas como é o caso dos efeitos da avaliação no concurso de professores ou a atribuição de quotas nas classificações mais elevadas e que poderão ter até novos desenvolvimentos", diz João Dias da Silva, acrescentando que a reunião desta sexta-feira não deve ser entendida como a última a encerrar este processo.

Na proposta da avaliação do desempenho docente, os professores que ambicionarem a classificação "excelente" terão que ter aulas observadas, não ter menos de nove (em dez) na escala de valores e estar num percentil "igual ou superior a 95", patamar aplicado "por universo de docentes a estabelecer por despacho conjunto dos membros do Governo responsáveis pela Administração Pública e da Educação".

Para a nota da avaliação final conta 60% da classificação na vertente científica e pedagógica; 20% da "participação na escola e relação com a comunidade" e outros 20% na "formação contínua e desenvolvimento profissional".

Serão ainda os directores a avaliar os professores nos escalões de topo da carreira (9.º e 10.º) e os de oitavo escalão que tenham tido "satisfaz" nos resultados das avaliações antes de 2007 e pelo menos "bom" nas posteriores."

Abraço!

Concurso "viciado" nas TEIP

Muitos reclamam e sentem-se postos de lado com os critérios de selecção das TEIP (e das OE).

A comunicação social lá vai dando uma ou outra notícia sobre este assunto:

"Concursos nas escolas de risco. Num jogo viciado ganham sempre os mesmos professores

Para ensinar numa escola pública de risco é preciso vocação. Só que há professores contratados que até julgam estar aptos a ocupar o lugar, mas não têm hipótese de o provar. Em boa parte dos agrupamentos integrados nos territórios educativos de intervenção prioritária (TEIP) os concursos são fechados e dão sempre vantagem aos mesmos candidatos.

Para ser professor num dos 105 agrupamentos TEIP seria preciso demonstrar que se está entre os melhores para ensinar turmas com as maiores taxas de insucesso escolar do país. Esta foi a condição para o Ministério da Educação atribuir a estas escolas o poder de escolherem os seus próprios docentes. Quatro anos depois de a regra ter sido aplicada, o que acontece na prática é que quem ganha são muitas vezes os professores que já estão na escola.

Em grande parte dos concursos nas escolas prioritárias, a primeira condição para seleccionar os professores é terem dado aulas naquele agrupamento no ano lectivo anterior. Essa é a prioridade, por exemplo, para 24 das 29 escolas cujos critérios de selecção o i conseguiu consultar. Como as condições não são publicamente afixadas, o i solicitou a ajuda de vários docentes contratados que usaram as suas passwords para ter acesso aos critérios informatizados das escolas localizadas nas cinco regiões do país. A esta lista é possível acrescentar ainda dois casos em que a "continuidade pedagógica" surge em segundo lugar, logo abaixo das habilitações académicas.

Será apenas uma amostra que representa 28% do total, mas, segundo a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE), de todas as escolas da Grande Lisboa, só três não usam esse critério. É essa a razão de o porta-voz da associação concluir estar perante um concurso público viciado: "Ao dar vantagem a quem já deu aulas no agrupamento, as direcções escolares estão a restringir os concursos públicos, dando oportunidade sempre aos mesmos." Enquanto não permitirem que todos os professores concorram em "igualdade de circunstâncias" não vão saber nunca se os candidatos excluídos são melhores que aqueles que já lá estão, defende Ricardo Silva.

A decisão do director. O agrupamento de escolas de Elvas n.o 1 está entre os que usam a "continuidade pedagógica" e ainda a "concordância" do director como primeiro critério para recrutar os seus professores. Esse é o preço a pagar para garantir a "estabilidade do corpo docente", justifica o director. Ter professores que acompanham os seus alunos ao longo dos anos, que conhecem os projectos educativos da escola e que compreendem "melhor que ninguém" a realidade social e económica do agrupamento são os argumentos de António Garcia.

E é por isso que quem já deu aulas nas escolas de Elvas concorre em vantagem: "Se na hora de escolher o melhor tiver alguns candidatos na mesma situação, uso o critério da concordância do director." É António Garcia que decide portanto quem fica com o lugar em função da avaliação da prestação destes docentes no ano lectivo anterior: "Procuro avaliar a sua relação com os alunos e com os encarregados de educação", explica, admitindo ser o próprio a definir o que é uma boa relação do professor com a comunidade escolar.

"Não sendo os meus critérios exemplares e admitindo que possam até ser injustos, são os que a escola considerou serem os melhores para preencher as nossas necessidades e características", explica o director, salvaguardando desde já que os critérios da sua escola não têm como objectivo "guardar" lugares para eventuais protegidos. A continuidade pedagógica - diz o director do agrupamento de Elvas - não é mais do que contornar uma "desvantagem" face às escolas sujeitas a concurso nacional: "Enquanto às outras escolas é permitido renovar o contrato de um professor até ao limite de quatro anos, as escolas dos territórios educativos de intervenção prioritária são obrigadas a lançar concursos todos os anos."

Concurso inquinado E todos os anos ganham os mesmos, lamenta Ricardo Silva, da APEDE. É um jogo "viciado" que ficou "inquinado" logo no princípio, quando o Ministério da Educação permitiu, em 2008/09, que só os professores do quadro pudessem concorrer a estas escolas: "O objectivo até pode ser considerado nobre, porque o que a tutela quis assegurar é que só os mais experientes e os que se sentissem vocacionados para dar aulas em contextos difíceis e exigentes tivessem essa oportunidade", diz o porta-voz da associação.

Só que o tiro saiu pela culatra: "A 31 de Agosto de 2009, a maioria destas escolas ficou com uma boa parte dos horários por preencher porque a maioria dos docentes fugiu delas, preferindo aquelas em que ficaram colocados no concurso nacional."

E os agrupamentos TEIP, que queriam só os melhores, viram-se obrigados a lançar novos concursos em tempo recorde para completarem o corpo docente a tempo do início das aulas, contratando os "menos experientes" e os que ficaram excluídos do concurso nacional. "Estes professores, que passaram pelo buraco da agulha, são agora beneficiados com o critério da continuidade pedagógica", alerta Ricardo Silva.

O "mal está feito" e a única forma de remediar um "erro do Ministério da Educação" é propor que se comece tudo do zero, defende a associação. Por isso a APEDE quer levar esta proposta à comissão de educação do Parlamento: lançar novos concursos para docentes do quadro e contratados, eliminando o critério da continuidade pedagógica e elegendo a graduação profissional como prioridade. "É um critério uniforme, usado para todos os professores que concorrem ao concurso nacional", diz Ricardo Silva.

Fórmula matemática A graduação profissional, explica o coordenador da associação, é uma equação matemática usada para traduzir em valores a experiência e a classificação profissional de um professor. O método permite, por um lado, sintetizar a nota do curso obtida antes e depois do estágio e por outro avaliar a experiência do candidato, traduzida em dias de serviço prestado antes do estágio (meio valor) e após a profissionalização (um valor).

Contam-se pelos dedos os que usam essa condição em primeiro lugar. Entre os 29 agrupamentos ou escolas que o i consultou, apenas uma recorre à graduação profissional para contratar os seus professores. No agrupamento de escolas de Darque, em Viana do Castelo, esse critério já produziu os seus resultados. "Nenhuma das sete vagas que coloquei a concurso foi ocupada por professores que deram aulas no ano lectivo anterior", conta o director. Luís Braga usa a graduação profissional desde o início e assegura não estar arrependido.

Ter dado aulas em anos anteriores é condição que não entra nos seus concursos e há um único argumento para justificar a decisão: "Eu, como professor de História, não tenho hipótese de entrar numa destas escolas porque nunca dei aulas num agrupamento TEIP." Quando um candidato com classificação profissional de "16,5 valores e 15 anos de experiência" não consegue ganhar um concurso público, sendo ultrapassado por colegas com menos tempo de serviço e classificações inferiores, é porque "há qualquer coisa de profundamente errado", remata o director das escolas de Darque."


Abraço!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

ADD: 3ª Versão

Está disponível no site da FENPROF o documento integral.

Destaco a falta de excelência do reles contratado, ou seja, não pode requerer aulas assistidas, pelo que não poderá atingir o Excelente.

Para os contratados, não leio nada em concreto sobre a influência da avaliação na graduação.

Os colegas "mais antigos" entregam um relatório de auto-avaliação - processo simplificado.

Poupa-se nas aulas observadas, logo nos avaliadores eternos.

Contratado é m#$%&a e docentes dos últimos escalões já sabem tudo e não precisam prová-lo!

É a vida... de contratado (desempregado)!

Abraço!

1ª Bolsa de Recrutamento a 12 de Setembro

Num e-mail da autoria do SPZN pode-se ler:


"De acordo com informação verbal da DGRHE a data previsível para a primeira bolsa de recrutamento será o próximo dia 12 de Setembro.

Assim que obtivermos mais informações, as mesmas serão colocadas no site do SPZN."


Aguardemos.


Abraço!