quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ainda a Parque Escolar

As "boas intenções" foram "comidas" pelos glutões da "massa". Era para ajudar os pequeninos (PME),  serviu para engordar os grandes.

Mais uma vez pergunto: estes 946 milhões de dívidas davam para manter o emprego a quantos contratados?


"Parque Escolar. Criada para incentivar PME, aproveitada pelas gigantes

Entre 2008 e 2011 foram feitos ajustes directos de 98 milhões de euros. A modalidade foi utilizada em centenas de contratos nos últimos anos

A empresa encarregada de promover as obras de reabilitação de escolas públicas, Parque Escolar, foi mais uma vez notícia com o pedido de auditoria confirmado ontem pelo Ministério da Educação. O projecto, lançado em 2008 pelo executivo de Sócrates, foi apresentado como um incentivo às pequenas e médias empresas (PME) de construção, mas na realidade isso não se tem verificado. Segundo a AECOPS - Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas -, têm sido os grandes consórcios a dominar os concursos da Parque Escolar.

Nas empreitadas, os concursos foram feitos por lotes de escolas, o que acabou por excluir as PME de construção, relegadas para o papel de subempreiteiros. Já os projectistas foram designados sem que os critérios de escolha tivessem sido públicos.

Em Agosto de 2010, nove construtoras, num total de 78, ganharam 41% de um valor total de mil milhões de euros a concurso referente às obras adjudicadas pela Parque Escolar. No total, estas nove construtoras ganharam 446 milhões de euros, de um total de mil milhões, respeitantes à primeira e segunda fases do projecto de modernização escolar do governo. A Mota-Engil, liderada por Jorge Coelho, foi a empresa que ganhou mais adjudicações da Parque Escolar, com 110 milhões de euros do montante total adjudicado. Segue-se, com 89,3 milhões, o consórcio Abrantina, formado por Manuel Rodrigues Gouveia e a Lena Construções.

A construtora de António Mota interveio nas requalificações das escolas Marquesa de Alorna, Josefa de Óbidos, Eça de Queirós, D. Manuel I, Pedro Alexandrino e Benavente, obras adjudicadas por um valor que supera os 42 milhões de euros. Além destas seis escolas, também foram concluídas obras nas escolas secundárias de Santa Maria da Feira, Oliveira Júnior e Ferreira de Castro, por um valor que supera os 41 milhões de euros. Por último, outras duas obras foram feitas pela mesma construtora - nas escolas Passos Manuel e Gil Vicente. E a mesma construtora vai ser ainda a responsável pela manutenção destas escolas, por um valor que supera os 7 milhões de euros, por um período mínimo de cinco anos e máximo de dez.

A curta história da Parque Escolar conta-se entre notícias de obras desnecessárias, de adjudicações acima de valores de mercado ou de relações promíscuas entre adjudicados e administradores. Agora a empresa pode ter os dias contados. A pedido do Ministério da Educação e Ciência, a Parque Escolar será alvo de uma auditoria financeira. O endividamento da empresa, que se situa nos 946 milhões de euros, preocupa o governo de Passos Coelho. Agora as contas serão avaliadas pela Inspecção-Geral de Finanças. Para já, e até a auditoria terminar, estão suspensos todos os novos concursos e as adjudicação de novas intervenções.

A Parque Escolar previa garantir a requalificação de mais de 300 escolas a nível nacional até 2014. Nestes três anos de existência da empresa, 98 escolas foram concluídas, mas o problema de falta de verbas pôs em causa as outras 77 que estão ainda em obras."

Abraço!

ADD: não há acordo!

MEC pouco ou nada cede.

FENPROF  não aceita, FNE ainda tem esperança (nada de novo).


"Avaliação. Fenprof já sabe que não haverá acordo na última reunião

Tutela mantém quotas ou a obrigatoriedade do director avaliar topo da carreira. Sindicatos vão pedir novo encontro com Ministério da Educação

As quotas mantêm-se para as classificações de mérito, os directores continuam a avaliar os professores no topo da carreira e só quem conseguir dar 95% das aulas que lhe foram atribuídas no ciclo de avaliação em causa pode aspirar ser "muito bom" ou "excelente". Estas são algumas das posições do Ministério da Educação e Ciência (MEC) que ontem à noite enviou aos sindicatos a terceira versão do projecto sobre o novo modelo de avaliação de desempenho docente.

A mais recente proposta do MEC tem tudo para não agradar os sindicalistas e por isso a reunião que seria conclusiva agendada para esta sexta-feira com a tutela e a Fenprof "será rápida" e sem acordo da maior federação de sindicatos dos professores: "Se for este o documento que é suposto discutir no dia 9 não vale a pena perder muito tempo. Estas propostas já foram apresentadas anteriormente, logo, nós já emitimos e transmitimos o nosso parecer", explicou ao i o líder da Fenprof, Mário Nogueira.

Não há diferenças entre esta e a última versão, a não ser "uma construção do texto com outra arrumação", censura Mário Nogueira que agora só está à espera de saber se a tutela está ou não disponível para aceitar um período negocial suplementar ou então concluir que "se enganou e por lapso enviou aos sindicatos um documento errado". Os sindicatos têm até ao dia 17 deste mês para decidir se pretendem solicitar à tutela mais tempo para agendar nova reunião e tentar um possível entendimento.

João Dias da Silva, da Federação Nacional da Educação, não é tão peremptório no eventual desenlace da última ronda negocial com o secretário de estado da administração escola, apesar de reconhecer o "desencanto" com a mais recente proposta da tutela. "À primeira vista este documento é muito próximo da versão anterior", diz João Dias Silva, salvaguardando que, à hora de fecho desta edição, só foi possível fazer uma leitura superficial da proposta do MEC.

O único "ponto positivo" para a FNE prende-se com o facto do ministério ter recuado na composição do júri que avalia o recurso hierárquico e admitir que os seus membros possam pertencer a outras escolas.

De resto, está tudo em aberto e dependente do que o secretário de Estado João Casanova de Almeida tiver ainda a acrescentar ou negociar, esclarece o dirigente da FNE.

"Há matérias que para nós são decisivas como é o caso dos efeitos da avaliação no concurso de professores ou a atribuição de quotas nas classificações mais elevadas e que poderão ter até novos desenvolvimentos", diz João Dias da Silva, acrescentando que a reunião desta sexta-feira não deve ser entendida como a última a encerrar este processo.

Na proposta da avaliação do desempenho docente, os professores que ambicionarem a classificação "excelente" terão que ter aulas observadas, não ter menos de nove (em dez) na escala de valores e estar num percentil "igual ou superior a 95", patamar aplicado "por universo de docentes a estabelecer por despacho conjunto dos membros do Governo responsáveis pela Administração Pública e da Educação".

Para a nota da avaliação final conta 60% da classificação na vertente científica e pedagógica; 20% da "participação na escola e relação com a comunidade" e outros 20% na "formação contínua e desenvolvimento profissional".

Serão ainda os directores a avaliar os professores nos escalões de topo da carreira (9.º e 10.º) e os de oitavo escalão que tenham tido "satisfaz" nos resultados das avaliações antes de 2007 e pelo menos "bom" nas posteriores."

Abraço!

Concurso "viciado" nas TEIP

Muitos reclamam e sentem-se postos de lado com os critérios de selecção das TEIP (e das OE).

A comunicação social lá vai dando uma ou outra notícia sobre este assunto:

"Concursos nas escolas de risco. Num jogo viciado ganham sempre os mesmos professores

Para ensinar numa escola pública de risco é preciso vocação. Só que há professores contratados que até julgam estar aptos a ocupar o lugar, mas não têm hipótese de o provar. Em boa parte dos agrupamentos integrados nos territórios educativos de intervenção prioritária (TEIP) os concursos são fechados e dão sempre vantagem aos mesmos candidatos.

Para ser professor num dos 105 agrupamentos TEIP seria preciso demonstrar que se está entre os melhores para ensinar turmas com as maiores taxas de insucesso escolar do país. Esta foi a condição para o Ministério da Educação atribuir a estas escolas o poder de escolherem os seus próprios docentes. Quatro anos depois de a regra ter sido aplicada, o que acontece na prática é que quem ganha são muitas vezes os professores que já estão na escola.

Em grande parte dos concursos nas escolas prioritárias, a primeira condição para seleccionar os professores é terem dado aulas naquele agrupamento no ano lectivo anterior. Essa é a prioridade, por exemplo, para 24 das 29 escolas cujos critérios de selecção o i conseguiu consultar. Como as condições não são publicamente afixadas, o i solicitou a ajuda de vários docentes contratados que usaram as suas passwords para ter acesso aos critérios informatizados das escolas localizadas nas cinco regiões do país. A esta lista é possível acrescentar ainda dois casos em que a "continuidade pedagógica" surge em segundo lugar, logo abaixo das habilitações académicas.

Será apenas uma amostra que representa 28% do total, mas, segundo a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE), de todas as escolas da Grande Lisboa, só três não usam esse critério. É essa a razão de o porta-voz da associação concluir estar perante um concurso público viciado: "Ao dar vantagem a quem já deu aulas no agrupamento, as direcções escolares estão a restringir os concursos públicos, dando oportunidade sempre aos mesmos." Enquanto não permitirem que todos os professores concorram em "igualdade de circunstâncias" não vão saber nunca se os candidatos excluídos são melhores que aqueles que já lá estão, defende Ricardo Silva.

A decisão do director. O agrupamento de escolas de Elvas n.o 1 está entre os que usam a "continuidade pedagógica" e ainda a "concordância" do director como primeiro critério para recrutar os seus professores. Esse é o preço a pagar para garantir a "estabilidade do corpo docente", justifica o director. Ter professores que acompanham os seus alunos ao longo dos anos, que conhecem os projectos educativos da escola e que compreendem "melhor que ninguém" a realidade social e económica do agrupamento são os argumentos de António Garcia.

E é por isso que quem já deu aulas nas escolas de Elvas concorre em vantagem: "Se na hora de escolher o melhor tiver alguns candidatos na mesma situação, uso o critério da concordância do director." É António Garcia que decide portanto quem fica com o lugar em função da avaliação da prestação destes docentes no ano lectivo anterior: "Procuro avaliar a sua relação com os alunos e com os encarregados de educação", explica, admitindo ser o próprio a definir o que é uma boa relação do professor com a comunidade escolar.

"Não sendo os meus critérios exemplares e admitindo que possam até ser injustos, são os que a escola considerou serem os melhores para preencher as nossas necessidades e características", explica o director, salvaguardando desde já que os critérios da sua escola não têm como objectivo "guardar" lugares para eventuais protegidos. A continuidade pedagógica - diz o director do agrupamento de Elvas - não é mais do que contornar uma "desvantagem" face às escolas sujeitas a concurso nacional: "Enquanto às outras escolas é permitido renovar o contrato de um professor até ao limite de quatro anos, as escolas dos territórios educativos de intervenção prioritária são obrigadas a lançar concursos todos os anos."

Concurso inquinado E todos os anos ganham os mesmos, lamenta Ricardo Silva, da APEDE. É um jogo "viciado" que ficou "inquinado" logo no princípio, quando o Ministério da Educação permitiu, em 2008/09, que só os professores do quadro pudessem concorrer a estas escolas: "O objectivo até pode ser considerado nobre, porque o que a tutela quis assegurar é que só os mais experientes e os que se sentissem vocacionados para dar aulas em contextos difíceis e exigentes tivessem essa oportunidade", diz o porta-voz da associação.

Só que o tiro saiu pela culatra: "A 31 de Agosto de 2009, a maioria destas escolas ficou com uma boa parte dos horários por preencher porque a maioria dos docentes fugiu delas, preferindo aquelas em que ficaram colocados no concurso nacional."

E os agrupamentos TEIP, que queriam só os melhores, viram-se obrigados a lançar novos concursos em tempo recorde para completarem o corpo docente a tempo do início das aulas, contratando os "menos experientes" e os que ficaram excluídos do concurso nacional. "Estes professores, que passaram pelo buraco da agulha, são agora beneficiados com o critério da continuidade pedagógica", alerta Ricardo Silva.

O "mal está feito" e a única forma de remediar um "erro do Ministério da Educação" é propor que se comece tudo do zero, defende a associação. Por isso a APEDE quer levar esta proposta à comissão de educação do Parlamento: lançar novos concursos para docentes do quadro e contratados, eliminando o critério da continuidade pedagógica e elegendo a graduação profissional como prioridade. "É um critério uniforme, usado para todos os professores que concorrem ao concurso nacional", diz Ricardo Silva.

Fórmula matemática A graduação profissional, explica o coordenador da associação, é uma equação matemática usada para traduzir em valores a experiência e a classificação profissional de um professor. O método permite, por um lado, sintetizar a nota do curso obtida antes e depois do estágio e por outro avaliar a experiência do candidato, traduzida em dias de serviço prestado antes do estágio (meio valor) e após a profissionalização (um valor).

Contam-se pelos dedos os que usam essa condição em primeiro lugar. Entre os 29 agrupamentos ou escolas que o i consultou, apenas uma recorre à graduação profissional para contratar os seus professores. No agrupamento de escolas de Darque, em Viana do Castelo, esse critério já produziu os seus resultados. "Nenhuma das sete vagas que coloquei a concurso foi ocupada por professores que deram aulas no ano lectivo anterior", conta o director. Luís Braga usa a graduação profissional desde o início e assegura não estar arrependido.

Ter dado aulas em anos anteriores é condição que não entra nos seus concursos e há um único argumento para justificar a decisão: "Eu, como professor de História, não tenho hipótese de entrar numa destas escolas porque nunca dei aulas num agrupamento TEIP." Quando um candidato com classificação profissional de "16,5 valores e 15 anos de experiência" não consegue ganhar um concurso público, sendo ultrapassado por colegas com menos tempo de serviço e classificações inferiores, é porque "há qualquer coisa de profundamente errado", remata o director das escolas de Darque."


Abraço!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

ADD: 3ª Versão

Está disponível no site da FENPROF o documento integral.

Destaco a falta de excelência do reles contratado, ou seja, não pode requerer aulas assistidas, pelo que não poderá atingir o Excelente.

Para os contratados, não leio nada em concreto sobre a influência da avaliação na graduação.

Os colegas "mais antigos" entregam um relatório de auto-avaliação - processo simplificado.

Poupa-se nas aulas observadas, logo nos avaliadores eternos.

Contratado é m#$%&a e docentes dos últimos escalões já sabem tudo e não precisam prová-lo!

É a vida... de contratado (desempregado)!

Abraço!

1ª Bolsa de Recrutamento a 12 de Setembro

Num e-mail da autoria do SPZN pode-se ler:


"De acordo com informação verbal da DGRHE a data previsível para a primeira bolsa de recrutamento será o próximo dia 12 de Setembro.

Assim que obtivermos mais informações, as mesmas serão colocadas no site do SPZN."


Aguardemos.


Abraço!

O que os outros dizem

Fazendo publicidade à "concorrência", deixo-vos uma "bem metida" na Educação do Meu Umbigo:

"Como Solucionar A Falta De Equipamentos Sociais: Antes E Depois


Antes:
Quando dava nas vistas a falta de equipamentos sociais, o governo PS fazia uma conferência de imprensa com o PM a anunciar um plano grandioso de obras, depois fazia uma conferência de imprensa com o PM a anunciar o lançamento do grandioso plano de obras, seguindo-se uma conferência de imprensa (com visita guiada e televisionada) com o PM a assistir ao início da primeira obra do grandioso plano.

Depois:
Quando dá nas vistas a falta de equipamentos sociais, o governo PSD/CDS manda o ministro Pedro Mota Soares anunciar que o espaço onde antes cabiam 20 crianças passam a caber 30 e onde cabiam 25 idosos passam a caber 50. Aguarda-se o momento em que o ministro Pedro Mota Soares anuncie que os pacotes de 1 litro de leite passaram a ter 1,5 litros e que 1 kg de carne tem, na verdade, 1500 gramas"

Abraço!

A Parque Escolar sob suspeita

Deve 946 milhões de Euros, mas só agora se lembraram de verificar as contas?

Conhecem Escolas que foram remodeladas? Não as acham um pouco "exageradas"? Não poderiam ter sido mais comedidos, poupavam, e agora não estavam metidos neste buraco?

Todo este dinheiro dava para manter quantos contratados durante quantos anos lectivos? Mas o mais fácil é reduzir despesas com o pessoal... tenham vergonha!





"Governo pede auditoria à empresa que gere a requalificação de escolas

A Parque Escolar, empresa pública criada pelo anterior Governo para requalificar e gerir mais de 300 edifícios do ensino secundário, vai ser alvo de uma "auditoria financeira, com componente técnica e administrativa", após o pedido feito pelo Ministério da Educação à Inspecção-Geral de Finanças.

Segundo informa hoje o Diário de Notícias, o Executivo liderado por Pedro Passos Coelho está preocupado com o endividamento da empresa - 946 milhões de euros -, que foi já proibida de lançar novos projectos ou de adjudicar novas obras, não estando, para já, em causa as intervenções em curso.

Neste momento, 103 requalificações estão concluídas e 72 escolas estão a ser alvo de intervenções, mas falta ainda aprovar os projectos para mais de uma centena de estabelecimentos de ensino.

O plano global de investimentos da Parque Escolar deveria chegar até 2015 aos 3,2 mil milhões de euros, sendo que o Ministério da Educação, Ensino Superior e Ciência exigiu à empresa um ponto de situação permanente de todos os projectos em marcha até ao final da auditoria das Finanças.

Ainda de acordo com o Diário de Notícias, o ministro da Educação, Nuno Crato, está a "analisar" o futuro da Parque Escolar."

Abraço!

Ofertas "anuais" até 31 de Julho???

Os colegas interessados já devem ter reparado que voltaram a sair Ofertas de Escola, com horários minúsculos, mas saíram. Em princípio são os que, tendo menos de 8h, são colocados directamente por esta forma.

O "problema" é o seguinte: são anuais (?), mas acabam a 31 de Julho. Um mês de poupança...

1 - Será que assim pagam logo a compensação por caducidade? Quem sai a 31 de Julho, mesmo que colocado a 1 de Setembro, tem interrupção no emprego...

2 - Será que vão pagar as férias que não poderão ser gozadas? Normalmente só se podem gozar a partir dos fins de Julho...

Pois, não sei...

Abraço!

Medidas futuras para a Educação


Ora tomem lá mais esta: cortes nos recursos humanos, aumento de alunos por turma, racionalização dos meios, revisão de projectos... poupança! O tal milagre do "mais com menos"!

Mas gosto do 1º parágrafo! Principalmente depois de ler o resto! Andam a gozar connosco...

"E d u c a ç ã o , C i ê n c i a e E n s i n o S u p e r i o r

A Educação e a Ciência são áreas que determinam, de forma indelével, o futuro coletivo do nosso País.

No que diz respeito à Educação, Portugal enfrenta como principais desafios a necessidade de garantir
uma melhoria significativa da aprendizagem, a elevação dos níveis de qualificação dos jovens e de
adultos e o combate ao abandono escolar precoce. Em termos de estratégia do Governo, a resposta a
estes desafios far-se-á por via do desenvolvimento e consolidação de uma cultura de avaliação, de uma
profunda reorganização curricular e administrativa e da reavaliação das ofertas formativas para jovens e
adultos.

As medidas apresentadas têm por denominador comum o  objetivo de melhorar a qualidade das
aprendizagens e de elevar os níveis de qualificação num contexto, como o  atual, em que se revela
fundamental gerir de forma melhor e mais eficiente os recursos existentes, eliminando desperdícios e
utilizando as capacidades instaladas, evitando duplicações.

Quanto ao Ensino Pré-Escolar, Básico e Secundário, em matérias relacionadas com questões
curriculares e de qualificação será apresentado um conjunto de medidas com impacto significativo na
redução da despesa pública  – em particular, ao nível da necessidade de contratação de recursos
humanos –, de entre as quais merecem referência especial as seguintes:

 supressão de ofertas não essenciais no Ensino Básico;

 revisão criteriosa de planos e projectos associados à promoção do sucesso escolar;

 reavaliação e reestruturação da iniciativa Novas Oportunidades;

 outras medidas de racionalização de recursos, nomeadamente quanto ao número de alunos
por turma, no ensino regular e nos cursos EFA (“Educação e Formação de Adultos”).

Reitera-se que o esforço de contenção financeira será firmemente prosseguido, mas sem que tal
prejudique os objetivos que devem nortear as atividades na área educativa. A este propósito, refere-se
que serão adotadas medidas como as conducentes ao alargamento da escolaridade mínima obrigatória e
o aumento da carga horária nas disciplinas Língua Portuguesa e Matemática dos 2.º e 3.º ciclos, que, em
alguns casos correspondem a despesas adicionais, mas que não comprometem um balanço global
positivo ao nível da redução de custos.

Quanto a matérias no âmbito da Administração Escolar, relevam-se as seguintes medidas:

 racionalização da rede escolar, designadamente o encerramento de escolas do 1.º ciclo com
um número de alunos reduzido e a agregação de escolas em agrupamentos;

 ajustamento dos critérios relativos à mobilidade docente, racionalizando os recursos humanos
da educação e promovendo, por esta via, o regresso de professores às escolas,
especialmente daqueles cuja responsabilidade financeira tem sido imputada ao Ministério da
Educação e Ciência.

Em linha com a necessidade imperiosa de controlar a despesa pública, que decorre da situação
financeira do país, a estratégia orçamental do Programa Ciência e Ensino Superior (PCES) elaborada
para o ano de 2012 assenta, principalmente, na redução dos custos de estrutura (funcionamento) e
algumas rubricas de investimento do ex-MCTES, tendo como objetivo a redução em cerca de 12% face à
execução prevista para o ano de 2011. Desta forma, prevê-se atingir uma redução global para o PCES,
em 2012, de 9,6% face à execução prevista para 2011.

A introdução já em 2012 de alterações na gestão do PCES irá permitir a evolução gradual, mas
sustentada, da dependência do Orçamento do Estado, em consonância com a necessidade de contenção
orçamental de médio prazo. Esta atuação tem duas linhas de orientação fundamentais: i) maior disciplina
na utilização de fundos públicos, com a introdução de modelos de financiamento e critérios de avaliação
mais rigorosos; e ii) implementar, onde possível, um plano de substituição de fontes de financiamento via
Orçamento do Estado, por contrapartida de um aumento na rubrica de financiamento comunitário.

Ao conjunto de medidas atrás enunciadas acrescem ainda medidas relacionadas com a redução das
despesas de funcionamento dos Gabinetes do Ministro e dos Secretários de Estado, dos Serviços
Centrais e dos Serviços Regionais e suporte, através de fundos comunitários, de despesas que têm vindo
a ser asseguradas pelo Orçamento do Estado."

Abraço!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

MEC quer descentralizar as colocações

Já se esperava tais medidas, mas agora estão a ser mais "faladas".

Aumentar a autonomia das Escolas e dar-lhes, nessa autonomia, liberdade de contratar os professores.

Este é um assunto que preocupa muitos. Eu acredito que tem vantagens que superam as desvantagens.

Já defendi esta possibilidade anteriormente. Se a Escola tem possibilidade de escolher tem lógica que queira escolher os melhores. Mas essa lógica não é assim tão lógica (desculpem-me a "tripla lógica").

Tal possibilidade pode ser um "presente envenenado" para as Escolas: não estão preparadas para receber não sei quantas mil candidaturas, fazer uma triagem, escolher os melhores segundo critérios que muitas vezes são discutíveis, lidar com contratações de vários grupos em simultâneo  e outras coisas que tais.

Algumas situações que podem acontecer:

1 - E eu concorro só a uma Escola? Claro que não. E se me seleccionam para uma e no dia seguinte estou seleccionado para outra, melhor do que a 1ª? É que estes concurso serão quase simultâneos em milhares de Escolas. Não é como um empresa que precisa de Engenheiros e publicita a oferta e, no máximo, existem mais umas 10 de outras empresas em simultâneo.

2 - O que é isso de "melhor"? Quem tem mais tempo de serviço? Quem acabou o curso com melhor nota? Quem tem cartas de recomendação? Quem teve melhor avaliação? Não é fácil... eu, tal como muitos, já fui colocado em Agrupamentos num horário de "restos", com colegas que ninguém respeita como profissionais, que faltam mais do que aparecem, que "dão a bola" aos putos e não querem saber, etc e tal, e no entanto lá estão a ganhar o deles sem se chatearem muito...

3 - As cunhas. É o filho do Presidente da Câmara, é o irmão da amiga do Director, é o amigo, o primo, o conhecido, o filho de...

E estas são só algumas.

Mas ao fim de algum "treino" o processo de recrutamento pode melhorar.

Se o MEC pedir os resultados em função desta liberdade de contratação, como é que se justifica ter contratado um incompetente só porque tinha cunha? E mesmo que haja a cunha, há cunhas para todos os postos de trabalho? E depois de entrar em paralelo com um colega "cunhado", no ano seguinte se não houver vaga para os dois quem é que fica? O Competente? Eu quero acreditar que o trabalho, empenho e dedicação são compensados...

Se usam o critério "X" e não conseguem os melhores, porque não usar o "Y" que pode ser mais fiável?

Se oferecer melhores condições de trabalho atraio os mais competentes? (A nível de vencimentos não se deve poder alterar muito, deve continuar a ser "centralizado". Mas podem oferecer um horário mais racional, podem ter um grupo de trabalho mais dinâmico, podem ter um clima de convivência mais salutar e mais isto ou aquilo).

A mensagem vai longa, vou resumir: acredito que este sistema favoreça os merecedores dos lugares. É um sistema que vai ter muitas falhas, mas o actual também tem.

Ver o contrato renovado por ser competente é um meio para querer continuar a fazer bem ou ainda melhor. Ter colocação só porque tenho sorte (sim, grande parte é sorte - não é tudo, mas...) e tenho arranjado horários completos e anuais, não faz de mim mais competente.

E agora a parte da notícia do Correio da Manhã que refere este tema:

"MINISTRO QUER DESCENTRALIZAR AS COLOCAÇÕES
Nuno Crato pretende que a colocação de professores seja "mais descentralizada", defendendo que um professor em Bragança não deve ser nomeado pela 5 de Outubro. João Dias da Silva, líder da FNE, segunda maior estrutura sindical de docentes, admite "a possibilidade" de serem as escolas a contratar os docentes, mas defende que "actualmente não há condições para uma mudança tão radical". "Não estamos convencidos de que um modelo tão descentralizado seja o melhor. Pode haver soluções híbridas. Mas esta história de milhares de professores no desemprego nesta fase tem de ter um fim."

Abraço!