domingo, 31 de julho de 2011

EFA's: Novas turmas suspensas

Abrir novas turmas só com garantia de financiamento parece-me bem e ninguém discorda. O problema é a confusão e a falta de uma orientação que dê confiança.

Quando estava tudo alinhado com as turmas e docentes distribuídos, lá vem o balde de água fria: não há garantia das novas turmas  de EFA (Educação e Formação de Adultos). E quem já estava destinado a leccionar nessas turmas? Pois é, as Escola, mais uma vez, vão ter que se desenrascar! E sozinhas, pois com orientações destas...


"Ministério suspende novas turmas para adultos




As escolas só poderão abrir novas turmas dos cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA) quando estiver garantido o financiamento por parte do Programa Operacional Potencial Humano (POPH), que gere o financiamento oriundo do Fundo Social Europeu, confirmou ontem o Ministério da Educação e Ciência.

"Haverá novas turmas quando houver financiamento, o que acontecerá ainda este ano lectivo, mas não já", garantiu ao PÚBLICO a assessora de imprensa do MEC. Esta informação já está a ser divulgada pela Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo (DRLVT), mas ainda não chegou a escolas de outras regiões do país.

Nos cursos EFA estavam inscritos, no ano passado, cerca de 78 mil pessoas. Por causa de uma nova circular da DRLVT, vários directores e professores acreditaram que podiam avançar para a abertura de novas turmas. Agora a confusão parece instalada.

O primeiro comunicado da DRLVT foi feito na quarta-feira. Precisamente o último dia do prazo dado às direcções de escolas e agrupamentos para indicarem à Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação (DGRHE) quais os professores sem componente lectiva no próximo ano - depois de conhecido o número de alunos inscritos e os respectivos cursos.

"Aqui na escola já tínhamos tudo apurado quando chegou a informação de que não abririam para já as novas turmas dos cursos EFA - foi um momento de forte impacte emocional, porque de um momento para o outro, sem que nada o fizesse prever, mais dois professores ficaram com horário zero e obrigados a concorrer para Destacamento por Ausência de Componente Lectiva (DACL)", descreveu ontem, em declarações ao PÚBLICO, José António Sousa, director da Escola Secundária D. Dinis, de Lisboa.

Ao fim do dia de anteontem viveu-se um segundo momento de confusão, graças a uma segunda nota da DRLVT em que se informava que "as ofertas de dupla certificação de jovens e adultos integrados no Sistema Nacional de Qualificações (CEF, EFA, cursos profissionais e formações modulares certificadas) não sofrerão qualquer alteração para o próximo ano lectivo, face ao que estava planeado". No blogue de Paulo Guinote, por exemplo, a afirmação foi interpretada como um recuo do Governo e José António Sousa admite que o mesmo tenha acontecido em vários estabelecimentos de ensino.

"Num primeiro momento, eu próprio pensei que era assim", admite o director da Secundária D. Dinis que, depois de pedir um novo esclarecimento, foi informado pela DRELVT de que não havia alterações "em termos de matéria curricular, mas que as escolas deveriam continuar a aguardar autorização para abertura de novas turmas e afectação de recursos humanos nos casos dos cursos de EFA".

Apesar de não dispor de mais informação, José António Sousa disse-se convicto de que não se trata de acabar com os cursos, mas de um mero adiamento que, se ficar resolvido até meados do mês, "permitirá recuperar os professores agora dispensados". Só na Secundária D. Dinis estão inscritos cerca de cem alunos para novas turmas.

"Manda o bom senso que só se abram primeiras turmas depois da candidatura ser aprovada", comenta Manuel Pereira, dirigente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares."



Abraço!

sábado, 30 de julho de 2011

Nova ADD: Princípios gerais

Por estas linhas não se tem grandes certezas, teremos que esperar pelas negociações com os sindicatos para sabermos mais.

Ontem já destaquei as novidades mais interessantes. Agora deixo-as todas:

"PRINCÍPIOS GERAIS DE PROPOSTA DE
NOVO MODELO DE
AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOCENTE


Esta proposta de princípios gerais baseia-se na experiência dos últimos anos de avaliação, procura
lançar novas bases num processo de avaliação justo, de forma a ultrapassar os problemas
detectados nos últimos anos. Queremos iniciar tranquilamente o novo ano lectivo com um novo
modelo de avaliação aprovado em que os professores, directores de escola e Ministério, se revejam.

1.º Princípio. Enquanto não se implementar um novo processo de avaliação, o MEC salienta que
NINGUÉM SERÁ PREJUDICADO na fase de transição.
Após o próximo ciclo de avaliação, com o novo modelo, os professores poderão optar pela melhor
classificação obtida num dos ciclos já realizados. Deste modo, no futuro e aquando do
descongelamento da carreira, nenhum professor avaliado pelo modelo actual será prejudicado.

2.º Princípio. OS CICLOS DE AVALIAÇÃO SERÃO MAIS LONGOS, de forma a permitir uma maior
tranquilidade da vida das escolas e a possibilidade de todos os professores participarem no processo
sem atropelos e sem concentração do trabalho avaliativo sobre todos os professores. (Os ciclos
coincidirão com a duração dos escalões da carreira docente.

3.º Princípio. O PROCESSO SERÁ DESBUROCRATIZADO, baseando-se em elementos simples para o
avaliado – Programa Educativo do Professor e Relatório de Auto-Avaliação.

4.º Princípio. HIERARQUIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO com REFERÊNCIA EXTERNA, a fim de eliminar
conflitos de interesses entre avaliadores e avaliados. Os avaliadores terão de pertencer a um escalão
mais avançado que os dos respectivos avaliados. As aulas observadas serão efectuadas por
professores do mesmo grupo disciplinar, mas exteriores à escola do professor avaliado.

5.º Princípio. VALORIZAÇÃO DAS COMPONENTES CIENTÍFICA E PEDAGÓGICA em sala de aula, tendo em vista a melhoria dos resultados escolares.

6.º Princípio. O estabelecimento de um QUADRO OBJECTIVO DE ISENÇÕES DE AVALIAÇÃO, para
situações concretas;

7.º Princípio. Um SISTEMA DE ARBITRAGEM expedito para os recursos."
Público

Abraço!

ADD: Ai as quotas, as quotas...

Não se mexe, são iguais para toda a função pública! E já está justificado...

Afinal somos ou não equiparados à função pública no geral?

Correndo o risco de já estar desactualizado, não há um lei qualquer que não permite que se façam mais do que 3 contratos para os funcionários públicos? Depois desses 3 entra para os quadros ou não tem mais contratos? (Desta não tenho a certeza...)

E no fim de um contrato não recebem compensação por caducidade desse? A mesma que nos querem tirar?

E não podem meter férias durante o ano e não só em Agosto como nós?

E um lugar de chefia não garante ao chefe realmente mandar?

E recebem horas extras com base em 22 horas em vez das 35?

Quem quiser pode juntar outras...

Somos função pública "geral" e/ou"particular" conforme querem...

E será que vai ser pelas quatas que o caldo vai entornar?

"Avaliação docente. Negociação tem tudo para dar errado



A negociação começa dentro de duas semanas, mas quem souber ler nas entrelinhas já consegue adivinhar que os sindicatos e o ministro da Educação e Ciência dificilmente vão chegar a um acordo sobre o novo modelo de avaliação dos professores para o próximo ano lectivo. Não estão em causa as orientações gerais ontem apresentadas aos 14 sindicatos e federações no Palácio das Laranjeiras, mas um princípio-base de que nenhuma das partes está disposta a abdicar - as quotas para restringir as classificações mais altas.

Esse calcanhar de Aquiles, aliás, nem sequer foi discutido em pormenor entre Nuno Crato e os sindicalistas. Foi quase um assunto tabu, mas, apesar do silêncio, cada um sabe o que o outro pensa. Basta ouvir ambas as partes. Nuno Crato, não querendo desvendar tudo o que vai fazer, vai avisando desde já que as "quotas são a regulamentação para toda a administração pública". É o mesmo que dizer que os professores não são casos especiais nem merecem regimes de excepção: "Se calhar temos de regulamentar até como uma forma de incentivar os melhores."

Do outro lado está o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, que antes sequer de se sentar à mesa com o ministro da Educação sabe à partida que, se a tutela insistir nas quotas, "é certo e sabido que não haverá acordo". Está em causa um "sistema injusto" que "estrangula" a carreira de um professor excelente de uma escola e permite a ascensão de um outro colega só porque teve a sorte de frequentar um agrupamento com mais vagas para as notas altas, diz o sindicalista para justificar o finca-pé.

E pronto. Estão reunidas boa parte das condições para este processo continuar a arrastar- -se por tempos infinitos. A guerra na avaliação já atravessou três reinados - começou em 2007, com a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues, atravessou a tutela de Isabel Alçada e agora resta saber se vai ultrapassar o ministério de Crato.

Está tudo em aberto, até porque os pormenores do novo modelo só vão ser conhecidos no dia 12 de Agosto. Ontem apenas foram apresentadas as linhas gerais do próximo sistema de avaliação. E foram tão gerais que os sindicatos nem sequer conseguiram perceber se estavam perante uma alternativa melhor ou pior que antes. Para os sindicalistas, os sete princípios do novo modelo apresentados pelo ministro tanto podem ser "bons como maus"; diferentes como iguais ao que já existe; "tudo ou nada". Os sindicatos saíram ontem da reunião com um certo desencanto por levarem para casa uma folha A4 com pouco mais de meia dúzia de tópicos.

"O que o ministro apresentou foram princípios tão genéricos que tanto dá para estar de acordo como para criar dúvidas", conta João Dias da Silva, dirigente da Federação Nacional da Educação. Importa pois discutir como vão ser "operacionalizadas" todas as ideias que a tutela quer introduzir no novo modelo, e portanto será preciso esperar pelas três rondas negociais que começam a 22 de Agosto e terminam a 9 de Setembro.

O ministro queria concluir a negociação até 31 de Agosto e a tempo de aplicar o novo modelo no início do ano lectivo, mas acabou por ceder às exigências sindicais. As férias dos professores são um entrave ao processo, já que os sindicalistas não abdicam da consulta à classe docente antes de partirem para qualquer entendimento. "Percebemos esse ponto de vista e estendemos o prazo, mas mesmo assim estou convencido de que vai ser possível chegar a um acordo no início do ano lectivo para que os professores possam recuperar a tranquilidade", explicou Nuno Crato.

Só que ninguém consegue garantir um desfecho feliz para esta novela, apesar de João Dias da Silva até apontar alguns pontos de partida que estão em sintonia com as reivindicações dos professores. Os ciclos de avaliação vão ser adaptados aos escalões da carreira, o que significa que, em vez de acontecer de dois em dois anos, a avaliação passará a ser em média de quatro em quatro.

Resta saber o resto, alerta o dirigente da FNE, esperando um modelo menos burocrático e "mais centrado na componente científica e pedagógica dos docentes"."


Abraço!

Elevar a fasquia!

Li este texto de Ana Santiago no Expresso. Na ideia ficou-me o "elevar a fasquia":
se pedirmos 2, os alunos dão-nos 1; Se pedirmos 4, dou-nos 2 ou 3; Se pedirmos 5...


Eu sei, tal como vós, que não é assim tão linear.


Se eu pedir 4 mas o meu colega da mesma disciplina pedir 3 cria-se logo um grande problema: vão protestar porque os outros fazem menos e têm melhores notas, porque a professora dos outros é que é "fixe", os pais não vão gostar de ver os filhos com notas piores do que os outros que tinham um professor que facilita... 


E para pedirmos mais temos que dar mais. E todos estamos dispostos a dar mais? Muitos de nós já dão muito, não podem dar muito mais. Outros dão o suficiente e estão tão enraivecidos com a Escola que nem querem dar mais. Outros ainda pouco dão, mas ninguém os chateia pois inflacionam as notas finais e é isso que os pais, alunos e direcção querem na maior parte das vezes.


Tenho alguma experiência de Ensino. Todos os anos ouço: "o professor é muito exigente". E todos os anos respondo: "não exijo nada que não vos dê!" O ano vai avançando, os alunos vão-se adaptando e muitos acabam por gostar. Outros claro que nem tanto, pois isso de eu exigir dá-lhes muito trabalho...


Mas estou sempre a aprender. Ainda este ano fui obrigado a questionar uma ou outra parte do meu "professor", o que me levou a limar já umas arestas e a deixar outras para limar no próximo ano.


Nos tempos que era mais assíduo na missa, lembro-me de ouvir qualquer coisa deste género: "se queres ser santo basta que te livres de um defeito/pecado por ano..."


"Educação: foco nas soluções para melhorar resultados


Os resultados dos exames nacionais do 9º ano, nomeadamente de Língua Portuguesa e Matemática, ficaram muito aquém do desejável. Aliás, foram considerados os piores dos últimos anos. Se continuarmos assim, que profissionais vamos ter amanhã no mercado de trabalho? 

Somos responsáveis por estes resultados


As últimas notícias sobre esta matéria dão-nos conta que os pais estão preocupados com estes resultados e que a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação pede medidas urgentes por parte do Ministério da Educação. Por sua vez, o Ministro da Educação, Nuno Crato admitiu em conferência de imprensa que "as deficiências consistentemente verificadas mostram o muito trabalho que é necessário realizar para o progresso " naquelas disciplinas, cujo ensino será reforçado nos 2.º e 3.º ciclos.
De facto, talvez este seja o momento certo para repensar as políticas educativas que têm sido adotadas e encontrar soluções que visem melhorar efetivamente a educação em Portugal, com vista a obtermos resultados mais positivos no futuro.
Agora, é preciso não esquecer que esses resultados só serão alcançados se todos os agentes do sistema educativo, e até mesmo da sociedade civil, se empenharem nessa causa.  

Precisamos de "elevar a fasquia"


Recordo-me várias vezes da lição de um professor que tive no 9º ano sobre o "elevar a fasquia" quando nos queixávamos, enquanto estudantes, dos inúmeros trabalhos que ele nos exigia. Esse professor esticava o braço e dizia qualquer coisa como isto: "pois, mas se eu vos peço até aqui (e apontava para o cotovelo), vocês fazem até aqui (e apontava para o meio do ante-braço), se eu vos pedir mais (e apontava para o ombro), acabam por chegar onde eu quero".
Precisamos de "elevar a fasquia" na educação, ela está muito baixa. Se não o fizermos, os resultados serão cada vez mais medíocres na escola e, consequentemente, no mundo laboral.
Um país de alto rendimento constrói-se com organizações de alto rendimento e, por conseguinte, com pessoas de alto rendimento. 

Encontrar soluções para obter melhores resultados


Porque um problema deve ser transformado num desafio e um desafio deve ser o ponto de partida para encontro de soluções, os resultados dos exames nacionais que acabamos de conhecer devem servir de alavanca à adopção de uma nova atitude, de uma nova forma de estar e fazer.
Já agora, e porque para encontrar soluções às vezes temos que sair da nossa zona de conforto, fica aqui este pequeno vídeo extraído do filme "The Ron Clark Story":



Abraço!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nova ADD não elemina efeitos da antiga neste concurso

Andava no ar a ideia que a avaliação do ano passado ia ser "anulada" e os asteriscos iam desaparecer.

Pelos vistos não. Na TSF pode-se ler que "relativamente aos concursos para professores contratados está tudo feito e por isso não haverá alterações. No próximo ano logo se verá."

As cotas são para manter, os ciclos de avaliação passam a ser de 4 anos (depreendo que só para os Quadros, mas...), passamos a ser avaliados por colegas do mesmo grupo mas de fora da Escola, será dado mais peso aos aspectos pedagógicos da ADD (pelo menos é a impressão que me fica do que li) e outras alterações que com mais tempo deixarei aqui no blogue.

Abraço!

ADD: se o problema fosse só as quotas...

Há muita coisa má nesta ADD. Outra virá, que só pode ser melhor (vamos lá ver se não vou ter que morder a língua quando faço esta afirmação), mas nunca perfeita. Nunca vai agradar a 100%. Uns vão gostar mias, outros menos e outros nunca irão gostar.

Defendo a necessidade da avaliação. Mais do que para dizer que "a" é melhor do que "b", devia servir para identificar os maus profissionais, dar-lhes a oportunidade de melhorarem e, se não conseguirem, serem dispensados.

Mas é claro que se olho para o lado e vejo um colega que pouco faz para melhorar, quero ser distinguido dele. Agrada-me a ideia de não sermos metidos todos no mesmo saco. Se não for mais nada recebermos uma pancadinha nas costas do Director a dizer que gostou do nosso trabalho. Mas gosto mais do que isso, tal como vocês.

Com esta ADD todos conhecemos o caso do professor tal que "ensaiou" muito bem as aulas assistidas e faz (ou, quem sabe, outros fizeram e ele apresenta) uns papéis muito giros, organiza uma actividade vistosa, etc e tal, sempre dentro dos parâmetros da avaliação como interessa, e lá tem a nota que nós queríamos ter... E eles é que são espertos!

"Quotas podem perturbar negociação do novo modelo de avaliação docente

As quotas para as classificações de mérito poderão ser a pedra no sapato nas negociações para o novo modelo de avaliação de professores, que hoje terão o seu preâmbulo. Tanto o novo ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, como os principais sindicatos de professores, convergem que uma das referências para o novo modelo seja o que se encontra em vigor no ensino particular e cooperativo.





É o que se encontra previsto no programa do novo Governo e foi o modelo em vigor no ensino particular e cooperativo que moldou um projecto de resolução apresentado pelo CDS na anterior legislatura, e que foi aprovado pelo Parlamento em Março passado."É um bom ponto de partida. Não tem quotas e tem ciclos avaliativos mais longos, de quatro anos", resumiu ontem ao PÚBLICO o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira.

O problema é que a ausência de quotas dificilmente poderá ser importada para um modelo de avaliação dos professores do ensino público, a não ser que Nuno Crato consiga que lhes seja aplicado um regime distinto daquele que se encontra em vigor para toda a Administração Pública. O chamado Sistema Integrado de Gestão e Avaliação de Desempenho da Administração Pública (SIADAP), aprovado em 2007, estabelece percentagens máximas para a atribuição das classificações mais elevadas. São as chamadas quotas, justificadas para permitir uma "diferenciação de desempenhos", mas cuja aplicação se traduziu também em poupança antes do congelamento da progressão nas carreiras.

As classificações de mérito permitem uma progressão mais rápida. As percentagens estipuladas no modelo de avaliação em vigor decalcam as existentes para o resto da administração pública. As classificações de Muito Bom não podem exceder os 20 por cento e as Excelente os cinco por cento. Esta questão não é abordada nos projectos de resolução do CDS e do PSD que foram aprovados na anterior legislatura. Nuno Crato já anunciou que o novo modelo que irá propor não se limita a ser apenas mais uns remendos ao actual, mas sim que se traduzirá numa "reforma profunda" deste.

Estará garantido que desaparece a avaliação interpares, que segundo professores e directores envenenou o ambiente nas escolas nestes último ano. Existirá uma avaliação hierarquizada. No seu projecto, aprovado pelo Parlamento, o CDS recomendava que esta fosse centrada no conselho pedagógico. A avaliação, em vez de ser feita de dois em dois anos, deverá ser realizada em ciclos de quatros anos, que coincidem com o tempo médio em cada escalão. O projecto do CDS recomendava também que, à semelhança do que sucede no ensino particular e cooperativo, a avaliação seja baseada num documento único de auto-avaliação.

A elaboração deste documento contou com o contributo do actual secretário de Estado da Educação e da Administração Educativa, João Casanova. Na altura era chefe de gabinete do grupo parlamentar do CDS. No ministério de Crato é ele que tem a pasta da avaliação de desempenho docente e deverá ser, por isso, uma das figuras centrais da equipa de negociação ministerial, que será hoje apresentada aos sindicatos.

Na reunião com os sindicatos serão também apresentadas as linhas gerais do novo modelo e uma proposta de calendário negocial. A Fenprof já fez saber que este não poderá incluir o mês de Agosto "por se tratar de um período de férias para os docentes", mas as expectativas à partida são "boas", diz Mário Nogueira: "Esperamos que não desiludam os professores"."

Abraço!

DACL: Atenção colegas, novas datas

Na busca de informações sobre as datas dos concursos dos contratados, reparei que as manifestações de preferências para os DACL têm novo calendário: de 1 a 5 de Agosto.

Quanto às datas que me interessam, como "reles" contratado que pode ser descartado a qualquer hora, não vi novidades.

Abraço!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

As escolas desistiram de ensinar português?

O título é sugestivo.

O texto apresenta queixas de facilitismo. 

É este o Português na Escola?

Para ler, filtrar o que interessa e pensar.


"As escolas desistiram de ensinar português?

Henrique Raposo (www.expresso.pt)


Às vezes, a realidade é demasiado alucinada. Às vezes, nós lemos e ouvimos uma coisa, mas fingimos que não ouvimos nada. Há dias, a grande Maria do Carmo Vieira escreveu um artigo no Público. Dizia assim: "... em 2002 (e, agora, em 2011), peritos e militantes da nova ideologia pedagógica, incluindo a Associação de Professores de Português, acusaram a literatura de prejudicar o estudo da língua e impedir o trabalho com a oralidade, defendendo, com intransigência, o desaparecimento da literatura dos programas e a exclusividade de textos utilitários e informativos" . Bom, perante isto, uma pessoa não acredita à primeira. Tem de reler para confirmar. E, depois da segunda leitura, só há uma coisa a dizer: esta gente devia ser banida das escolas. A associação de professores da língua portuguesa está a dizer que os escritores da língua portuguesa são um empecilho às aulas de português. Caramba, isto é um episódio dos Monty Python no meio da realidade. Isto é a realidade transformada numa comédia do absurdo.

Como se isto não fosse suficiente, parece que os testes passaram a ser de cruzinhas. Parece que o ato de ler e o ato de escrever estão a ser banidos das aulas de português. Estas pedagogias pós-moderninhas da treta estão a criar pessoas sem a capacidade de pensar, sem a capacidade de imaginar coisas além daquilo que veem na TV. Não por acaso, estes pedagogos pós-moderninhos impõem os Morangos com Açúcar como assunto de estudo nas aulas de português. Romances? Não. Telenovelas juvenis é que é. Poesia de Camões? Não, isso da linguagem simbólica é muito puxado. Aparição? É, pá, não, porque as crianças ainda ficavam traumatizadas com o assassínio da galinha.

No meio disto tudo, a esperança é só uma: os verdadeiros professores de português não se revêem nesta posição da excelsa Associação de Professores de Português. Ou será que a nova vaga de professores olha para Maria do Carmo Vieira com desdém? Digam-me que não."

Abraço!

Pois, a Educação Física...

... só serve para estragar a média dos meninos. Quem é que se lembrou de a por a contar para a média? Daqui a pouco ainda vão exigir que a menina estrague uma unha ou que não possa pintar-se a meio da aula...

A ironia não anda assim tão longe da verdade.

Como professor desta área conheço bem casos de quem nada faz e que pede muito na avaliação.

Se um aluno tem dificuldades mas tenta e aplica-se para fazer o melhor que lhe é possível tem uma nota. Se um aluno que nem sequer tenta, queixa-se todas as aulas, apresenta umas desculpas para não se esforçar, etc e tal, tem que ter outra!

Eu não tenho turmas do secundário há muito tempo, pelo que ainda não senti estes casos dos mais "crescidinhos". Mas os colegas que os têm não lhes querem mal, e não atribuem notas para os prejudicar. E são sensíveis às situações em que os alunos têm doenças ou incapacidades. São também sensíveis à perseverança,  empenho, gosto pela superação, dedicação, esforço, educação, comportamento e tudo mais que também está contemplado nos critérios de avaliação da disciplina...

Esta cultura actual de pouco esforço revela-se, e de que maneira, nas aulas de Educação Física. Num exercício de memória vem-me à cabeça os tempos em que era aluno: só não ia à Escola se estivesse mesmo de cama. E não era de cama por uma constipaçãozita ou uma dor de cabeça. Se ficava de cama é porque era mesmo necessário. E só não fazia a parte prática de Educação Física se não fosse à Escola!

Hoje em dia recebo os mais variados recados na caderneta: "passou mal a noite, cansou-se muito no treino, vai ter jogo hoje e não se pode cansar" e outras que tais que, quem é desta área, bem conhece. Há um grande abuso para se fugir ao que não se gosta. Mexam-se: pela vossa saúde! (E neste caso, pela vossa nota!)



"Tem 19 valores só com aulas teóricas

Uma aluna do 10º ano da Escola Dr. João de Brito Camacho, em Almodôvar, viu a nota de Educação Física subir de 17 para 19 valores, após ter recorrido. A estudante é filha da vice-presidente da direcção da escola. A decisão da subida de nota deixou indignados vários professores, que denunciam pressões sobre a docente de Educação Física. Edite Sousa, vice-presidente, garante ao CM que não fez "qualquer pressão" e que se limitou a recorrer, "tal como prevê a lei". "A minha filha é uma aluna como outra qualquer", diz.

A aluna apresentou atestado médico por ser asmática e ficou dispensada da actividade física nos 2º e 3º períodos, tendo sido avaliada pela componente teórica. Teve 14 no 1º período e 16 no 2º, subindo para 19 no final do ano, após o recurso. As notas do 10º ano contam para a média de acesso ao Ensino Superior.

"A asma não é uma doença impeditiva da actividade física, e nas doses certas, até pode minorar o problema", explica ao CM João Lourenço, presidente do Conselho Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física. Sem se pronunciar sobre o caso em concreto, João Lourenço refere que o atestado a declarar que o aluno tem asma "não é suficiente", pois "o médico tem de precisar que tipo de movimentos o aluno não pode fazer. Se não pode fazer qualquer movimento, então fica dispensado de toda a actividade física".

O recurso apresentado pela aluna foi analisado no Conselho de Turma. "Aceitaram subir a nota porque sabiam que, se não o fizessem, o assunto ia a Conselho Pedagógico [CP], e subia à mesma", afirma um docente da escola de Almodôvar. O CP é dirigido pelo director de escola e é formado pelos coordenadores de departamento, escolhidos pelo director."
Correio da Manhã

Abraço!

ADD: o que esperar das linhas apresentadas amanhã

No Diário de Notícias pode-se ler que "a FENPROF, maior estrutura sindical do sector, já emitiu um comunicado onde, com base na convocatória da reunião, conclui que o Governo se prepara para manter o actual modelo de avaliação, mudando apenas o regulamento, opção com o qual diz discordar."

Se tal se concretizar não nos deve servir de muito. 

De qualquer modo nunca vai agradar a todos, de certeza.

Mas também se fala numa aproximação ao modelo de avaliação do Ensino Privado, como se pode ler nesta notícia:

"Avaliação docente. Ministro usa trunfo privado que causa inveja no público

Dar liberdade às escolas para decidir como avaliar os seus professores é a grande virtude do privado, reconhecem sindicatos e associações



Qualquer que seja o novo modelo de avaliação de desempenho docente que o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, apresentar amanhã, não há hipótese de fazer toda a gente feliz. "Haverá sempre uma parte da classe que irá contestar a sua proposta porque esta matéria é muito controversa e é impossível de agradar a todos", avisa Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares. A ambição será portanto conseguir o maior consenso possível e, por enquanto, o modelo usado no ensino particular e cooperativo parece uma das alternativas que reúnem o acordo nos dois lados da barricada.

De um lado está o ministro Nuno Crato e o próprio programa do governo, que admite usar o exemplo dos colégios e escolas privadas como uma das principais inspirações para criar um novo sistema de avaliação; do outro estão os sindicatos e as associações ou movimentos de professores, que até estão dispostos a aceitar este caminho, desde que seja uma "base de trabalho" ou um "ponto de partida" para se chegar a um resultado em que se incluam também outros modelos e sugestões da classe, esclarece Carlos Chagas, da Federação Nacional do Ensino e Investigação (FENEI).

O certo é que o modelo de avaliação do ensino privado é aceite como um bom princípio de conversa. Resta perceber o que tem este sistema para contentar a maioria. Ter uma matriz comum a todo o ensino que avalia as principais competências de um professor é uma característica que não o distingue do modelo utilizado actualmente no ensino público. Porém, deixar para cada escola a liberdade de decidir como quer avaliar e que peso pretende atribuir a cada uma das competências é a grande diferença e a principal virtude reconhecida por boa parte dos professores [ver tabela ao lado].

"Usar a mesma régua para medir todos os professores por igual é uma grande falácia que acontece com o actual modelo e que só cria injustiças, tendo em conta que cada escola tem as suas especificidades", alerta Jaime Pinho, um dos coordenadores do Movimento Escola Pública. Não é possível por em pé de igualdade uma escola rural e uma escola urbana ou uma escola com taxas de abandono elevadas num bairro periférico e uma escola no centro de uma cidade frequentada pelas classes média e alta.

Esse é o aviso de Jaime Pinho, que até está em sintonia com o que defende João Grancho, dirigente da Associação Nacional de Professores, mas apenas mediante condições: "Haverá sempre a necessidade de definir uma linha orientadora e a partir daí criar nuances adaptadas aos contextos de cada estabelecimento de ensino e de cada um, uma vez que a exigência de um professor em início de carreira não é igual a outro com mais experiência."

Essa é a lógica do modelo adoptado pelo ensino privado, explica Rodrigo Queiroz e Melo, director Executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo: "O nosso regulamento tem meia dúzia de artigos a definir o essencial, que são as aptidões que todos os professores são obrigados a ter. Não dizemos, por exemplo, quantos formulários ou fichas é preciso preencher e minimizamos o mais possível a carga burocrática."

Retirar aos professores a responsabilidade de avaliar os colegas é outra "virtude" do privado cobiçada no ensino público. "Este é também o caminho que a rede pública deve seguir", defende o sindicalista Carlos Chagas. Atribuir notas aos colegas com graduação superior foi aliás um dos grandes motivos que levou boa parte da classe a contestar o actual modelo. Ao delegar essa tarefa a uma comissão composta por docentes do mesmo departamento curricular e ainda pelo director parece ser um mal menor que sindicatos e associações estão dispostos a aceitar. "O que não podemos ter é por exemplo como aconteceu com o meu caso. Sou professor de História e fui avaliado por uma colega de Filosofia. A única vantagem que isso tem é poder lançar uma discussão filosófica sobre o meu desempenho", ironiza Jaime Pinho."

Abraço!