quarta-feira, 27 de julho de 2011

Há Escolas e Escolas, mas também há alunos e alunos...

Na continuação da mensagem sobre os "pais trafulheiros" que se "desunham" para inscrever os filhos em Escolas públicas mais "reputadas", surge esta, como se fosse um aviso. Isso de estar numa instituição de Ensino melhor é garante de bons resultados do educando?

Um mau aluno não fica bom por ingressar numa boa Escola. Se entra "manco" para uma turma de "atletas", como vai acompanhá-los? Se numa Escola "menos boa" o ritmo que é adoptado é o dos alunos fracos, numa escola "melhor" o ritmo é mais acelerado.

Mas se numa escola "menos boa" os alunos são "más companhias" e desencaminham os mais encaminhados, estes últimos têm toda a vantagem de se mudar para uma Escola melhor.

Quantos de nós já pensaram "se me conseguisse livrar deste, daquele e do amigo dele, esta turma ficava muito melhor!"

Um aluno mediano no meio de alunos com piores resultados até pode ter vantagem nas avaliações. Mas depois pode ser "penalizado" num exame nacional... "Em terra de cegos, quem tem olho é Rei".

Andar numa Escola melhor não é, por si só, a salvação. Onde fica o interesse, a vontade de ter sucesso, o empenhamento, a satisfação da superação, a vontade de ser alguém na vida...?


"Uma boa escola não faz um bom aluno

Directores avisam para o perigo de a liberdade de escolha segregar os alunos fracos de um lado e concentrar os bons alunos do outro



Associar o ranking dos exames às boas e más escolas é uma ilusão perversa, avisam directores

Estudar numa escola bem cotada é garantia para um aluno ter boas notas? Há pais que acreditam nisso, mas há também directores que asseguram não ser uma boa escola a fazer a diferença. "Sem esforço e trabalho nenhuma criança ou adolescente vai longe", avisa Rosário Gama, ex-directora da secundária Infanta D. Maria (Coimbra). "Os bons alunos sobrevivem em qualquer escola", defende Armandina Soares, do agrupamento de Vialonga, em Vila Franca de Xira.

É preciso perceber ainda o que é uma boa escola, já que os encarregados de educação têm tendência para se deixarem "iludir com os rankings nacionais", defende Carlos Santos, da secundária Joaquim de Carvalho, na Figueira da Foz, que também está entre as mais bem classificadas: "Os rankings são perversos porque surgem no abstracto e sem contexto." As médias das escolas com base nos exames nacionais só fazem sentido quando são bem explicadas, alerta o director: "Uma escola com mil exames, por exemplo, não pode competir com outra só com 100 provas."

Todos estes argumentos podem ser válidos, mas há uma boa parte dos encarregados de educação que insiste no seu direito em escolher a escola dos seus filhos. Desenvolver "progressivamente" as iniciativas de liberdade de escolha para as famílias face à oferta de ensino público e particular ou cooperativo é, aliás, uma das medidas que constam do programa deste governo.

Neste ponto, porém, nem todos os directores estão em sintonia. Manuel Esperança, director da secundária José Gomes Ferreira (Lisboa) e presidente do Conselho de Escolas, está convencido de que se um estabelecimento de ensino é procurado será sobretudo porque os encarregados de educação reconhecem o mérito. "Tenho, por exemplo, muitos pais que querem pôr os seus filhos nesta escola porque também já foram aqui alunos e já conhecem como é que funcionamos." Daí que defenda que um dos critérios para admitir novos alunos sejam as suas notas, não para os mais novos, mas para os que vão entrar no secundário: "Penso que seria mais justo do que, por exemplo, dar prioridade aos mais velhos, como acontece actualmente."

Armandina Soares alerta para o "perigo" que a liberdade de escolha pode provocar no ensino público, tendo em conta a "tendência de alguns directores" em querer "seleccionar" os melhores alunos: "Isso já acontece actualmente de forma mais ou menos encapotada. Mas, se caminharmos para a liberdade de escolha, esse fenómeno passa a ser a regra." Ao não terem capacidade para responder à procura, os estabelecimentos de ensino mais bem cotados vão passar a seleccionar: "Os pais dos melhores alunos até podem escolher; os restantes serão escolhidos pela escola."

Essa escolha por parte das escolas terá consequências, avisa a directora do agrupamento de escolas de Vialonga: "Os bons vão para um lado, os fracos para o outro; os desprotegidos de um lado, as classes média e alta de outro lado." E é assim que a escola pública vai perder uma das suas grandes virtudes, alerta Armandina Soares: "Corremos o risco de desvalorizar a diversidade social e cultural das escolas." Será uma escola mais pobre, defende Armandina Soares, em que os alunos deixam de ter oportunidade de "aprender e crescer" com a diferença.

Para António Pinto, da secundária D. Sancho I (Famalicão), a liberdade dos pais só pode ser assegurada em função da oferta da rede pública e da racionalização de custos: "As escolas devem ser complementares e a escolha orientada de acordo com os recursos existentes para não se cair no erro de ter um estabelecimento de ensino sobrelotado e outro quase sem turmas."


Abraço!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Parte-se do princípio ou do fim? Ou do meio?

Os alunos sabem quase tudo e temos que descobrir o que não sabem.


Ou será que sabem quase nada e temos que ir descobrindo o que sabem?


E se soubermos o que ele tem que saber (um 20, na componente cognitiva - não se esqueçam do resto -  não é para um aluno perfeito, é para um aluno que sabe tudo o que é necessário saber para determinado teste ou prova) e partirmos daí?


Certamente ainda conhecem e/ou aplicam outro método...




"De 0 a 20 ou de 20 a 0?
Albano Estrela - Educare

Eu partia do princípio que o aluno entrava na prova a valer 0 e, pouco a pouco, eu ia tentando ver o que sabia. Eu não tirava, acrescentava.
Creio que foi em 1960 que eu compreendi a diferença que havia entre classificar um aluno de 0 a 20 ou de 20 a 0. Eu explico-me.

Naquele ano, eu prestava serviço de exames num liceu do Porto e integrava um júri de provas orais do 5.º ano dos liceus. O 5.º ano que estava dividido em duas secções: a de Letras e a de Ciências. A secção de Letras tinha quatro disciplinas: Português, Francês, Inglês e História. Como a dispensa das provas orais só era possível com a média de 16 valores, a maioria dos alunos acabavam por ter de as realizar.

Ora, nessa manhã, tínhamos um caso interessante, o de um aluno que tinha dispensado em Ciências com 17 valores e que vinha à oral de Letras com 15 valores. Com uma nota fraca em Português, boas notas em línguas estrangeiras e uma classificação excecional em História: 19,6 - enfim, um 20! E era exatamente pela História que ele ia começar. O examinador, um professor de outra época à beira da reforma, antes de começar a sua interrogação, folheara a prova escrita, sorrira-se e passara-ma para a mão: 'Não foi o colega que corrigiu esta prova, pois não?' Perante a minha negativa, adiantou-se um pouco mais: 'Francamente, darem 20 valores a um aluno... Se quiser dar uma vista de olhos, talvez chegue à mesma conclusão a que eu cheguei.' Como eu era de História (embora estivesse a examinar Português), não achei estranha a sua sugestão. A prova pareceu-me impecável, pelo que não via razão para tanto espanto. Quando lhe ia dar a minha opinião, o presidente do júri chamou o dito aluno, pelo que não tive tempo de dizer o que pensava.

E começou o interrogatório: cerradíssimo, na busca dos pontos fracos do examinando. Quando lhe mandou escrever no quadro uma cronologia de reis, rainhas, príncipes e colaterais, convenci-me que estávamos perante um ato de terrorismo pedagógico... O aluno, evidentemente, ignorava alguns dos elos de linhagens tão ilustres e disse-o: 'Isso não sei, senhor doutor, nunca me ensinaram, nem encontrei nos livros por onde estudei.' O meu colega exultava: 'Ai, não sabe? Admira-me, para quem teve 20 valores...'

Foi nesse momento que eu percebi o que era um exame para esse professor (e para a maioria com os quais eu sempre contactara): um processo de inquirição, numa procura sistemática do erro. O aluno iniciava a prova em estado de graça, ou seja, a valer 20; a função do professor era ir descobrindo o que ele não sabia, a fim de ir descontando - uma espécie de expulsão do Paraíso daquele que pecou...

Com tudo isto a perturbar-me, tive de interrogar o candidato, em Português, no dia seguinte. De facto, aí, os seus conhecimentos eram diminutos, pelo que tive de o valorizar, de o reforçar, a fim de que ele se fosse aguentando na esfera das notas positivas. Quando acabei, o professor de História não se conteve: 'O colega é muito benevolente. Qualquer coisinha que ele dissesse, para si, já estava bem...' Sorri, comentei: 'Pois é, talvez seja porque não tenho a sua experiência...'. Pareceu-me hesitar na interpretação a dar às minhas palavras, mas nada mais acrescentou. Ele tinha razão: eu partia do princípio que o aluno entrava na prova a valer 0 (no caso presente, 8 valores) e, pouco a pouco, eu ia tentando ver o que sabia. Eu não tirava, acrescentava.

E não serão estes os dois modos de estar na vida, em que todos nós nos situamos? Talvez mais a 'descontar' do que a 'contar', talvez mais a 'julgar' do que a 'valorizar'. Talvez."

Abraço!

ADD: já pediram a declaração ao vosso centro de formação?

As mensagens sobre a ADD são as mais concorridas neste blogue nos últimos tempos, pelo que me lembrei de alertar os colegas para o facto de terem que solicitar ao centro de formação a que pertence o vosso agrupamento uma declaração que comprove a ausência de formação pública na vossa área ou noutra definida importante pelo agrupamento (OFÍCIO CIRCULAR Nº B10015647X), se for o caso.

Abraço!

Fuga dos privados deixa escolas públicas sem vagas

A crise, a crise...

Não é novidade nem é nada que não se estivesse à espera.

Conheço alguns casos destes. Mas a notícia é exagerada em relação a algumas Escolas, nem todas absorveram tantos alunos do privado que tenham que engrossar exageradamente o número de alunos por turma.


"Fuga dos privados deixa escolas públicas sem vagas

As escolas públicas nas grandes cidades estão a ficar sem vagas devido à fuga dos alunos dos estabelecimentos privados para os públicos devido à crise, indica esta terça-feira o Diário de Notícias.

Os colégios privados confirmaram ao jornal que as dificuldades financeiras estão a levar muitos pais a retirar os filhos e a colocá-los na escola pública.

A Confederação de Associações de Pais (Confap) destaca que a falta de vagas é particularmente complicada no terceiro ciclo e no ensino secundário.

A Confap receia que surjam inúmeras reclamações quando os alunos não conseguirem colocação nas escolas pretendidas.

Contactado pelo jornal, o Ministério da Educação disse não ter dados para comentar a situação, uma vez que o processo de matrículas ainda decorre."
Diário Digital



Abraço!

Nova ADD apresentada na próxima Sexta-feira

E o "nosso" Ministro acredita que nos vai agradar.

Concordam que a avaliação seja um factor de majoração na graduação?

Eu acredito que deve continuar a ser, embora tema que se vá "generalizar" a nota que der majoração. A cultura do "somos todos colegas, não vamos prejudicar ninguém" deu no que se vê hoje em dia.

Defendo que a avaliação para efeitos de concurso não tenha cotas (bem como para os outros efeitos). Assim, mesmo que não houvesse cota para uma determinada nota, quem a atingisse veria a sua graduação melhorada.

Mas sei que isto não é assim tão simples e que muito haveria a fazer. São muitas pessoas a avaliar, altos, baixos, gordos e magros, filhos de muitas mães (como diria o meu Sargento de instrução), com teorias diferentes sobre a "boa Educação" e critérios nem sempre muito concretos ou aceitáveis.

Para a avaliação ser mais justa deveria ser igual para todos, ser aplicada nos mesmos modos, ser aplicada nos mesmo contextos, ter em conta as mesmas condicionantes... e isto nunca será possível.

Mas pode ser melhor do que a actual, isso de certeza que pode!

"Nuno Crato acredita que novo modelo de avaliação de professores será bem recebido
 
Os sindicatos conhecem o novo modelo na sexta-feira 
O ministro da Educação, Nuno Crato, vai apresentar o novo modelo de avaliação aos sindicatos na próxima sexta-feira, disse à Lusa, manifestando-se convicto de que o mesmo “será bem recebido”.

Falando à margem da cerimónia de celebração dos 12 anos do Pavilhão do Conhecimento, Nuno Crato afirmou ter enviado já uma carta aos sindicatos representativos do sector, convocando-os para uma “sessão de apresentação do essencial do novo modelo de avaliação”, na sexta-feira.

Questionado sobre as principais linhas orientadoras desse novo modelo de avaliação, Nuno Crato não quis adiantar nada, mas afirmou: “julgo que vai ser bem recebido”.

Durante a sua intervenção na celebração do aniversário do Pavilhão do Conhecimento, o ministro que tutela também a Ciência sublinhou que todos os centros e toda a divulgação científica que se faz em Portugal “é importante”.

“Os cientistas portugueses têm adoptados nos últimos tempos uma postura de fazer ciência e olhar para fora e para os jovens, o que é muito importante, pois percebemos que podemos ser bons cientistas e olhar para os jovens”, considerou."

Aliás, a ciência e os jovens são uma aposta de Nuno Crato, que o assegurou quando questionado sobre os jornalistas sobre as medidas do seu ministério para alcançar o “emagrecimento” necessário para ultrapassar a crise.

O objectivo é que “após o período de dificuldades, possamos novamente desenvolver o país com base na ciência e na tecnologia, apostando nos jovens”, afirmou, lembrando que o Pavilhão do Conhecimento é um dos centros Ciência Viva que “tem feiro um trabalho magnífico na divulgação da ciência para todos, mas sobretudo para os mais novos”.

Na cerimónia estavam presentes diversos nomes ligados à área da ciência, entre os quais os anteriores ministro e secretário de Estado da tutela, Mariano Gago e Manuel Heitor, o presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, João Sentieiro, o investigador Alexandre Quintanilha e o físico Carlos Fiolhais."

Abraço!

Reacções sindicais ao "emagrecimento" das DRE's

O sr. Nogueira (FENPROF) desconfia (deve ser o único a desconfiar pois todos os restantes têm a certeza) que "o objectivo do Governo é reduzir despesa e despedir professores que estavam a substituir docentes destacados." - TSF

O sr. Dias da Silva (FNE) diz que "não faz sentido que haja continuação de destacamentos quando o que é importante é o trabalho pedagógico", ressalvando que há excepções - Diário Digital

Os contratados estão à espera das migalhas que vão cair, mas daqui a pouco nem os quadros arranjam emprego...

É a crise...

Abraço!

DRE's "emagrecem" 320 Professores

Não é um reality show onde ganha quem perde, é a realidade das DRE's já em Setembro: dos 400 Professores que têm ao serviço, 320 regressam às Escolas.

Será que as contas passam a ser 900+77+320? São muitos colegas...

E embora se diga que não vão ser substituídos nas funções que desempenhavam, será que não vai dar para abrir uns lugares para os boys que não têm job? Não sei...

"As regras da mobilidade docente vão ser alteradas, anunciou o ministro da Educação e Ciência no passado dia 15, em conferência de imprensa. O objectivo é proporcionar o retorno dos professores às escolas, esclarece um comunicado distribuido esta tarde aos orgãos de comunicação social.


As regras que definirão este regresso, bem como os casos excepcionais em que se justifica que estes apoios continuem estão a ser definidas pelo Ministério da Educação e Ciência.

A mobilidade docente consiste em deslocações pontuais e temporárias da escola, que não configurem o abandono da carreira docente. Por isso mesmo, o Estatuto da Carreira Docente estabelece um limite de quatro anos em destacamento, limite este que deverá ser respeitado, refere o mesmo comunicado, adiantando que "os docentes que se encontram nesta situação deverão regressar em Setembro aos respectivos agrupamentos e escolas não agrupadas, não sendo substituídos por outros docentes de carreira".

Situações de excepção são as dos professores destacados a dar aulas junto a entidades que desenvolvem a sua actividade em âmbitos sociais diferenciados, como as instituições do Ensino Especial e no apoio a hospitais pediátricos. "Nestas situações, os pedidos de mobilidade serão analisados no quadro das actuais exigências e rigor sem comprometer a qualidade da prestação educativa e da garantia do apoio a todas as crianças e jovens que dela careçam", garante o Ministério.

O comunicado divulgado hoje esclarece ainda que cada Direcção Regional de Educação continuará a poder contar com o apoio de docentes requisitados para o exercício de funções não docentes nestes serviços, em função da sua especificidade. "Os actuais cerca de 400 professores em actividade nestas instituições passarão por conseguinte a 80", diz o texto, notando que as Direcções Regionais continuam com todos os recursos necessários para acompanhar as escolas e para preparar e iniciar o próximo ano lectivo.

Outras medidas, mais profundas, serão aplicadas depois da reorganização do Ministério, o que ocorrerá no decorrer do próximo ano lectivo, anuncia o comunicado, adinatando que "ss situações de excepção referidas deverão ser remetidas à Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) para serem submetidas a despacho do Secretário de Estado do Ensino e da Administração Educativa".

Os pedidos de mobilidade deverão ser registados na aplicação informática que está disponível no portal da DGRHE, no período de 25 a 27 de Julho de 2011 inclusive."


Abraço

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Será que o Sr. Passos vai mudar isto?

Antes de assumir o poder falou no "Cheque Ensino": financia-se o aluno e não a Escola! Assim ele vai para onde quer e a Escola recebe por ele lá estar.

É claro que isto não é assim tão simples, mas termos que levar com a Escola má só porque está perto de nossa casa também não é nada bom...


"Pais que procuram a melhor educação para os filhos só podem ser trafulhas

Falsificar documentos, arrendar casas, abdicar da tutela dos filhos ou pressionar directores são esquemas usados para escolher a escola pública




Procurar uma escola para os filhos é uma tarefa que, em boa parte dos casos, começa seis meses antes do...
Pai ou mãe que se preze faz tudo pelos filhos. E quando chega o momento de eleger a melhor escola pública o instinto maternal/paternal é capaz de superar os mais difíceis obstáculos. Pais preocupados com a educação dos filhos chegam ao ponto de falsificar documentos, arrendar casas ou abdicar da tutela dos seus filhos só para terem direito a uma vaga na escola que consideram ser a ideal.

Pais que a todo o custo querem matricular os seus filhos nas suas escolas preferidas não se importam de madrugar para serem recebidos pelo director. Nem sequer ficam constrangidos por continuar a insistir, na esperança que um director possa ser vencido pelo cansaço. Quando se trata da educação dos miúdos, uma boa parte dos pais começa a mexer os cordelinhos seis meses, ou até mais, antes do início do ano lectivo.

A escola pública é uma livre escolha até certo ponto. Só entram os filhos com os pais a trabalhar ou a morar na área de abrangência do agrupamento, a não ser que sejam portadores de deficiências ou tenham irmãos a frequentar o mesmo estabelecimento de ensino. Caso contrário, sujeitam-se à lei das vagas.

As inscrições para o próximo ano lectivo estão feitas, mas só no final deste mês é que as direcções determinam quem são os novos alunos a entrar nas escolas. Só que, muito antes desta data, já os pais andam a rondar os directores. Vale quase tudo. Da chantagem psicológica ao "choradinho", até à teimosia sem limites, conta Maria do Rosário Gama, que até Junho dirigiu a secundária Infanta D. Maria (Coimbra), a escola pública mais bem colocada nos rankings dos exames nacionais: "É uma pressão muito grande, que este ano começou logo em Março. Cheguei até a ter um pai à porta da minha casa a dizer que não arredava pé enquanto o seu filho não entrasse para a escola."

Furar a lei O "assédio desmedido" não é contudo a estratégia mais comum, esclarece a professora que se aposentou este ano. Indicar o nome de outro familiar a residir mais próximo da escola para encarregado de educação do seu filho ou falsificar a morada são os subterfúgios mais recorrentes para furar a lei: "As escolas não têm como investigar todos os processos, a não ser que se deparem com casos flagrantes, como já aconteceu há uns anos ter cinco alunos de famílias diferentes a residir na mesma morada."

Na secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa, desde Maio que o director diz receber todas as manhãs entre cinco e seis pais ansiosos por saber o que é preciso fazer para os seus filhos entrarem na escola. "Querem conhecer como funciona a escola, quais são os critérios. Eu percebo a ansiedade deles, mas digo--lhes que mais não posso fazer do que aplicar as normas", conta Manuel Esperança.

Se Maio é muito cedo, noutra escola bem classificada nos rankings nacionais, os telefonemas, os emails ou os faxes dos pais começaram a chover logo em Janeiro. As solicitações no início do ano servem apenas para os pais perceberem se as suas moradas coincidem com a área de influência da escola. Só depois é que surgem as tentativas para contornar as regras, explica o director de uma escola básica da Grande Lisboa que só contou ao i as trafulhices dos pais sob a condição de manter o anonimato.

Nesta escola os documentos são passados a pente fino, garante o director, mas esse zelo tem um preço. "São muitas e muitas horas que perdemos a verificar os processos. Diria que, se as informações estivessem correctas, metade dos alunos, ou até mais, tinha pais separados e entregues a familiares, o que seria grave e obrigar-me-ia a alertar a Comissão de Protecção de Menores", ironiza.

E, mesmo assim, ainda há quem consiga enganar este director: "No ano passado, um pai veio ter comigo para dizer que ter o filho na minha escola saiu caro mas valeu a pena." Sendo a escola pública gratuita, o director estranhou o queixume e só ficou esclarecido com a confissão do encarregado de educação: "Arrendou uma casa, pagou dois meses de caução e mesmo assim está convencido de que foi a melhor opção."

Lei omissa. Detectar fraudes é, no entanto, um trabalho que poucas escolas conseguem fazer, adverte Manuel Esperança. A actual lei, aliás, nem sequer especifica que o encarregado de educação tem de ser o pai ou a mãe e, por isso, esse é um dos principais trunfos usados. "Em boa parte dos casos, quando os pais nomeiam o avô ou a avó como encarregado de educação nem considero que seja fraude, tendo em conta que os alunos passam a maior parte do tempo com eles", defende o director da secundária José Gomes Ferreira.

Em casos de falsificação de documentos será sempre possível pedir comprovativos, mas perante a quantidade de processos para analisar, esse controlo nunca é rigoroso, admite Manuel Esperança. Carlos Santos, da secundária Dr. Joaquim de Carvalho, na Figueira da Foz, assegura que exige comprovativos para tudo: recibos de água, luz, renda e tudo o que dificulte a fraude: "Estou na direcção desta escola há 14 anos e nunca tive um ano em que não tivesse de me deparar com pais a reclamar."

Abraço!

Este Ensino não chega para ele...

Fez-me lembrar as histórias sobre os emigrantes de leste que mandam os filhos de volta para os países de origem depois de experimentarem o Ensino português: "aqui o Ensino é a brincar"!


“Ensino normal não chega para os alunos como eu”

Miguel Santos, aluno do 10.º na Escola Secundária de Alcanena, sobre medalha de ouro nas Olimpíadas de Matemática
Correio da Manhã – Esta medalha de ouro nas Olimpíadas indica que o País não está assim tão mal a Matemática?
Miguel Santos – Estes resultados são mais consequência do esforço individual de um grupo pequeno de alunos de topo apoiado pelo projecto delfos. No sistema de ensino ainda há um longo caminho a percorrer.
– O ensino normal não se adequa a alunos como o Miguel?
– Não. Não chega. Mesmo tendo professores na escola que se interessam e incentivam. Se numa turma há um ou dois alunos bastante bons, o professor não se pode centrar neles, tem de dar atenção a todos.
– O Miguel é um ‘nerd’?
– Acho que não. Tenho este gosto pela Matemática como outros têm pela música. Tenho uma vida social interessante, gosto de fazer desporto, não me sinto isolado, tenho namorada.
– Portugal foi 46.º em 101 países. Deu para aprender com os melhores (China e EUA)?
– Convivemos mais com pessoal da América Latina e de Espanha. Em 2010, deu para falar com chineses, que são sempre dos melhores."
Correio da Manhã

Abraço!

900+77?

Só não sei se estes 77 estão no "monte" dos 900 que referi anteriormente...


"Educação: eliminados 77 cargos

Medida de cortes imposta pela troika terá de ser implementada até ao final do ano

A educação vai ser uma das pastas mais afectadas pelos cortes nos cargos de chefia. Deverão ser eliminados 77 cargos de dirigente até ao final do ano.

O ministro da Educação, Nuno Crato, garante que é preciso fazer mais com menos e que o emagrecimento do Estado é importante numa altura de contenção.

Até ao final do ano, o governo vai ter de apresentar à troika o plano para reduzir em 15 por cento os custos da administração central.

Se o novo Governo seguir a proposta do executivo de José Sócrates serão eliminados mais de mil cargos de chefia e sessenta organismos públicos."
TVI24

Abraço!