sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mais 20 mil professores em emprego

Já não são os 30 mil (ou mais) que se tina falado, mas entretanto mudaram algumas realidades (manteve-se o par pedagógico em EVT, menos Escolas fundidas, outras que não devem fechar como estava previsto, o Desporto Escolar não se "extinguiu" - embora tenha uma grande redução no número de horas atribuídas - e outras).

Ainda assim, 20 mil é um número enorme - e eu estou lá incluído!


"Cortes na educação podem mandar 20 mil professores para o desemprego

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) diz que o corte no orçamento da educação deste ano vai fazer com que 20 mil professores percam o emprego. O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, afirma que o corte de 800 milhões de euros vai ter impacto em professores contratados, bem como em docentes do quadro e pede que o ministro da Educação, Nuno Crato, agende uma reunião com a FENPROF o mais rapidamente possível."
Antena 1


Abraço!

Professores despedidos!?

A poupança continua a fazer estragos. Desta vez querem-se livrar mais cedo dos colegas que têm
contratos celebrados a termo resolutivo incerto.

Numa notícia do Correio da Manhã pode ler-se o caso "caricato" de uma colega que na altura que estava a corrigir exames recebeu um telefonema a informar que estava "despedida".

O documento que aqui exponho (conseguido no blogue Professores Lusos) vem dar ordem às Escolas para se livrarem, logo que possível, dos professores com este tipo de contratos:

Na RTP passaram esta notícia (muito curta e pouco explorada):



Abraço!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Estudar para quê? - III

Para adquirir maus hábitos?

Embora esta introdução leve o assunto para a brincadeira com ironia, estamos a falar de coisas sérias.

Há pouco tempo li uma afirmação muito preocupante: "esta nova geração vai ser a primeira a ter uma esperança média de vida menor do que a dos seus pais". E nem é preciso dizer mais nada...

E faltam aqui as noites mal dormidas, os "copos", as drogas, as doenças sexualmente transmissíveis... ou sou eu que estou a exagerar?

"Obesidade, tabagismo e colesterol aumentam com entrada na universidade

Aumento do sedentarismo, obesidade, níveis elevados de gordura no sangue e tabagismo foram as principais conclusões de um estudo que avaliou o impacto da vida académica na saúde dos estudantes, dois anos após a entrada na universidade.

A investigação, a que a Lusa teve hoje acesso, foi realizada no âmbito da tese de doutoramento de Maria Piedade Brandão, docente da Universidade de Aveiro.

Em declarações à Lusa, a investigadora considerou que as conclusões do estudo "refletem os hábitos de vida de uma população jovem dois anos após a transição do ensino secundário para o ensino Superior".

O objetivo foi avaliar o impacto dos fatores de risco para as doenças crónicas não transmissíveis, em particular para as doenças cardiovasculares,

Segundo a Direção-Geral de Saúde, em Portugal, a mortalidade por doenças do aparelho circulatório (cerebro-vasculares e cardiopatia isquémica) ocupa o primeiro lugar no conjunto de todas as causas de morte (34,1 por cento).

Neste sentido, o estudo liderado por Maria Piedade Brandão, resultante de uma parceria entre o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, e a Universidade de Aveiro

O estudo resultou de uma parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto e envolveu 154 estudantes da Universidade de Aveiro, por pelo menos dois anos de acompanhamento.

Revelou que os alunos expostos à vida académica universitária quando comparados com aqueles de entrada recente no ensino superior apresentaram proporção mais elevada de níveis de tabagismo(zero por cento nos não expostos para 19,3 por cento nos expostos).

“Ou seja – sustentou a investigadora - destes 154 alunos, aquando da entrada na universidade, nenhum fumava, no entanto, após dois anos de exposição universitária 19,3 por cento dos indivíduos passou a fumar”.

Maria Piedade Brandão destacou também que a proporção de dislipidemia (presença de níveis elevados de lípidos no sangue) também aumentou com a exposição à vida universitária (28,6 por cento nos não expostos para 44 por cento nos expostos), bem como o sobrepeso (12,5 por cento nos não expostos para 16,3 por cento nos expostos).

O trabalho revelou ainda que os alunos que não estão expostos à vida universitária apresentaram padrões de saúde ligeiramente mais favoráveis do que aqueles que frequentam o ensino superior. Foi também encontrada uma proporção elevada de sedentarismo em ambos os grupos (79,6 por cento nos não expostos e 80,7 por cento nos expostos).

Esta investigação recorreu a técnicas invasivas de recolha de dados, como a medição de glicemia, perfil lipídico e níveis séricos de homocisteína (aminoácido não essencial que tem sido apontado por alguns investigadores como causa independente de doença cardiovascular).

“Os resultados fornecem evidências empíricas da importância da prevenção dos principais fatores de risco cardiovascular entre estudantes universitários, para evitar ou adiar consequências de estilos de vida inadequados”, salientou a investigadora.

Maria Piedade Brandão disse à Lusa estar a preparar um pedido de financiamento à Fundação para a Ciência e Tecnologia para dar continuidade a este estudo.

O plano é poder intervir na universidade com “algumas práticas diárias de modo a poder regredir estes valores”."


Abraço!

Principais resultados do Relatório dos Exames Nacionais 2010

No seguimento da mensagem abaixo exposta (ou em complemento), ficam os números:


"Principais resultados do Relatório dos Exames Nacionais 2010

56,9%

Foi a média nacional em 2010 do exame de Língua Portuguesa do 3.º ciclo do ensino básico, tendo sido consideradas as respostas de 83.332 alunos. O litoral a norte do Tejo, incluindo a Lezíria do Tejo e o Médio Tejo, o Noroeste, com destaque para o Baixo Mondego, e o interior centro apresentam os melhores resultados, com um valor médio igual ou superior a 58 por cento. No extremo oposto encontram-se a Madeira, o Sul (com excepção do Alentejo Central) e o Norte interior.

51,1%

Foi a média nacional do exame de Matemática do 3.º ciclo, tendo sido consideradas as respostas de 84.907 alunos. O padrão é muito semelhante ao verificado em Língua Portuguesa.

11 valores

Foi a média nacional no exame nacional (1.ª fase) da disciplina de Português do ensino secundário, tendo sido consideradas as respostas de 48.189 alunos. Destacam-se as regiões do Baixo Mondego, Beira Interior Sul, Médio Tejo e Lezíria do Tejo, bem como vários concelhos do Noroeste, incluindo o Grande Porto, cujos resultados médios se situam na classe com valores mais elevados (11,5 a 12). Os resultados mais fracos observam-se no Pinhal Interior, Península de Setúbal, Alentejo Central, Tâmega, Madeira e Açores.

9,9 valores

Foi a média nacional no exame nacional (1.ª fase) da disciplina de Biologia e Geologia do ensino secundário, tendo sido consideradas as respostas de 28.508 alunos. Os melhores resultados estão no litoral a norte do Tejo, com excepção de Baixo Vouga e Minho-Lima. Os mais baixos (entre 9 e 9,5 valores) incluem os Açores e a Madeira, o Interior Centro, o Alto Alentejo, a Lezíria do Tejo e o Alentejo Litoral.

12,2 valores

Foi a média nacional no exame nacional (1.ª fase) da disciplina de Matemática do ensino secundário, tendo sido consideradas as respostas de 27.450 alunos. Os resultados repetem, com ligeiras variações, o padrão observado no básico."


Abraço!

Diferenças regionais nas médias dos exames chegam a cinco valores

Não comento.

Apenas transcrevo uma pequena parte, que foi a que mais me interessou.

O resto podem ler no Público.

"Diferenças regionais nas médias dos exames chegam a cinco valores
...
Porém, Hélder Diniz de Sousa, director do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave) do Ministério da Educação, avisa que é preciso ter cuidado com as conclusões que se retiram dos resultados destas "provas de papel e lápis, de duração limitada" e numa só disciplina."
...


Abraço!

FENPROF: Programa deste ME pior do que o do anterior

Mário Nogueira mais uma vez ao ataque.

Já devem ter reparado que as "conversas de sindicato" já me agradaram mais. Já me cansa estar sempre a ler críticas atrás de críticas, ver greves e mais greves, protestos e afins e nada muda.

As declarações que fazem, os interesses de uns sobre os de outros, as formas de luta que sugerem, a capacidade negocial, as ligações políticas e outros aspectos não agradam a muitos, tal como a mim.

Põe-se em questão qual o peso dos sindicatos no panorama actual. Podem dizer, e com razão, que muitas vezes nos auxiliam quando pedimos ajuda, eu próprio já o fiz (embora nem sempre tenha ficado muito satisfeito). Mas o peso que deviam ter nas negociações com o ME é baixo. Num país que tem um número já assustador de obesos, os sindicatos parecem anoréticos...

Mas não estou a sacudir a água do meu capote, nem do vosso, caros colegas: a culpa é de todos...


"O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, afirmou hoje que existe em Portugal "um quarteto" composto pelo Presidente da República, PSD, PS e CDS.


"Só temos 'troika' em Portugal se considerarmos que o Presidente da República é o padrinho. Se assim não for temos um quarteto, composto pelo PSD, PS, CDS e Presidente da República", afirmou hoje o presidente do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) e secretário-geral daFENPROF, em Viseu.

Na conferência de apresentação das Jornadas do SPRC, que arrancam hoje e decorrem até sexta-feira, Mário Nogueira sublinhou que o país está “à beira de uma situação catastrófica”, servindo-se do exemplo do que se vive na Grécia um ano depois de terem sido introduzidas as medidas internacionais impostas pela ‘troika’ (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

“Nós não estamos para isso, temos de começar já a reagir. E só há uma forma de reagirmos: é não nos resignarmos e irmos para a luta exigindo respeito pelos nossos direitos”, sustentou.
Sobre o programa do atual GovernoMário Nogueira sublinha que o seu conteúdo é “mais que desgraçado”, chegando mesmo a ser “pior do que o do Governo anterior”.
Para o presidente do SPRC, a pior coisa que os portugueses podem fazer "é silenciarem-se e esmagarem-se", prometendo por isso “denunciar as malfeitorias que pretendem fazer ao país”.
Ao longo das jornadas, “cerca de 150 dirigentes sindicais votarão um projeto, que se for consensual, será entregue ao presidente da câmara de Viseu”, ao final da manhã de sexta-feira.
Aos jornalistas, Mário Nogueira disse ainda que no campo da Educação, o programa do Governo tem uma matéria que considera “constitucionalmente duvidosa”.

O dirigente sindical afirmou que o Executivo "tenta pôr o privado ao mesmo nível que o público", o que considerou "um ataque violento à escola pública”.
Mário Nogueira afirmou ainda que, no arranque do próximo ano letivo, vão ser encerrados cerca de 30 mil horários.
“Não são 30 mil professores, mas podem ser cerca de 20 mil. Este problema pode ir muito além dos professores contratados e entrar nos quadros”, esclareceu.
O secretário geral da FENPROF considerou ainda que “começa a ser tardio o prazo para que o ministro da Educação se apresente às tropas”.

Segundo o responsável, no dia seguinte à posse do novo Governo foi solicitada uma reunião urgente ao ministro Nuno Carto, mas esta ainda não foi agendada.
“Ainda não é tarde, mas começa a não ser cedo e essa reunião deve ser rapidamente marcada”, referiu."

Abraço!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O "ataque" de Castilho ao Governo

Este é o artigo que deu origem à notícia da TVI que comentei mais abaixo.

Como já referi, não sei se parte destas palavras não vêm por ter ficado de fora do governo. A visão deste senhor não é para aceitar cegamente, mas tem pontos que merecem a minha concordância, ou, pelo menos, a minha reflexão.

Onde se corta, como se negam agora as propostas defendidas em campanha eleitoral, para onde se leva a educação e outros "ataques" de Castilho ao governo:


"Nuno Crato lamentou o tempo que se perde com conflitos. Mas permite que continue o maior do sistema

Sob a epígrafe “Confiança, Responsabilidade, Abertura”, o programa de Governo garante-nos que “… nada se fará sem que se firme um pacto de confiança entre o Governo e os portugueses…” e assevera, logo de seguida, que desenvolverá connosco uma “relação adulta” (página 3 do dito). Tentei perceber. Com efeito, é difícil estabelecer um pacto de confiança com um Governo que não se conhece no momento em que se vota. Mas, Governo posto, o que quer isto dizer? E que outra relação, senão adulta, seria admissível? O que se seguiu foi violento, mas esclarecedor. Passos afirmou em campanha que era um disparate falar do confisco do subsídio de Natal? Afirmou! Passos garantiu que não subiria os impostos e que, se em rara hipótese o fizesse, taxaria o consumo e nunca o rendimento? Garantiu! Passos prometeu suspender o processo de avaliação do desempenho dos professores? Prometeu! Mal tomou posse, sem pudor, confiscou, taxou e continuou. O homem de uma só palavra mostrou ter várias. Ética política? Que é isso? Confiança? Para que serve isso? Relação adulta? Que quer isso dizer?

Não tinha que ser assim, julguei que não seria assim. Mas foi, fatalmente! Passos reconduziu-me a Torga que, se tivesse algum apreço pelos políticos, não se teria demarcado deles de modo tão eloquente: “A política é para eles uma promoção e para mim uma aflição. E não há entendimento possível entre nós… Separa-nos um fosso da largura da verdade… Ouvir um político é ouvir um papagaio insincero.” Conhecíamos as divergências de Passos Coelho, relativamente a José Sócrates. Começamos agora a conhecer as convergências. Se a palavra de Sócrates já estava politicamente cotada, faz agora sentido perguntar: quanto vale a palavra de Pedro Passos Coelho?

O programa de Governo para a Educação está longe de constituir o plano coerente, arrojado e corajoso de que o país necessitava, para combater o estado de calamidade educativa a que chegámos. Retoma a retórica habitual enganosa: enuncia preambularmente princípios consensuais, para logo os anular através das respectivas medidas. A gasta autonomia e a estafada desconcentração estão lá. Mas não é preciso ser-se iluminado para perceber que, quanto à rede de escolas e gestão das mesmas, é mais controlo centralizado e mais concentração desumanizada e desertificante do interior do país. A suspensão do encerramento de algumas centenas de estabelecimentos não é ditada pela alteração de políticas. Justifica-a o atraso das obras em curso nos grandes centros educativos. Logo que concluídas, prosseguirá a transferência das crianças e a actividade da Parque Escolar, sobre a qual não há uma palavra.


A municipalização da Educação, para que o programa aponta, terá como consequência a feudalização educacional pelo caciquismo local. Quem esteve atento às recentes movimentações nos processos de escolha dos directores não pode deixar de ficar apreensivo. Não me espantará se, a breve trecho, a progressão na carreira docente e o próprio despedimento dos professores depender da decisão dos directores que, por sua vez, dependem dos conselhos gerais.

Até Sua Santidade a Troika é profanada no programa para a Educação. Ela manda diminuir o financiamento do ensino privado? O programa faz prever o seu aumento! Ela recomenda o reforço da Inspecção-Geral da Educação? O programa passa ao lado.

Claro que as direcções regionais e o cortejo de custos e prebendas que significam resistem à prudente via reformista.
A prova de acesso à docência é recuperada. Foi instituída por Maria de Lurdes Rodrigues, que, entretanto, não a pôs em prática. Estipula que, para se exercer actividade docente num estabelecimento de ensino público pré-escolar, básico ou secundário, não chega o grau académico de mestre. É preciso aprovação numa prova de avaliação de conhecimentos e competências. Recuperando-a, Nuno Crato vem dizer duas coisas: que não confia nas instituições de ensino superior que formam professores e que nós, portugueses, não devemos confiar no Estado. Com efeito, as universidades e os politécnicos, que formam professores, não são clandestinos. Foram reconhecidos pelo Estado como competentes para tal, através de uma agência externa, tão do agrado do ministro. Para operarem, têm que obedecer às exigências do Estado. O Estado fiscaliza-as e pode fechá-las, se deixar de lhes reconhecer qualidade. O Estado é, pois, tutor de todas. Mas, mais ainda, o Estado é dono da maioria. Neste quadro, esta prova de avaliação de conhecimentos e competências mostra que o Estado não confia em si próprio. E faz com que todos aqueles que pagaram propinas durante anos para obterem uma habilitação profissional, sublinho, profissional, se sintam agora enganados e deixem de confiar no Estado.

Nuno Crato lamentou o tempo que se perde com conflitos. Mas permite que continue o maior do sistema. Refirome ao processo pelo qual se avalia o desempenho dos docentes. Foi deplorável Pedro Passos Coelho ter dito que não revoga a avaliação do desempenho porque agora só tem três meses, quando, em Março, quando a propôs, tinha seis. Se isto fizesse algum sentido, que não faz (Passos Coelho sabe bem que não fala verdade), então devia tê-lo dito em campanha. E não disse. Mais: esqueceu-se de que, em Novembro de 2009, o PSD deu ao PS um mês para fazer a mesma coisa? Entretanto, entre o programa eleitoral do PSD e o programa do Governo, sumiram-se os princípios que deveriam nortear o futuro modelo. Dissimuladamente, como convinha!"

Abraço!

O lado económico do Acordo Ortográfico

Não sou, no geral, contra o AO, mas este texto obrigou-me a reflectir e a concordar com muito do que lá está escrito.

Esta perspectiva económica sobre a aplicação deste é muito relevante nos tempos de crise actuais (e, infelizmente, futuros).

"Caros Senhores da 'troika',
VASCO GRAÇA MOURA no DN

O chamado Acordo Ortográfico (AO) contém defeitos gravíssimos, altamente lesivos da língua, da identidade e da cultura nacionais, cujos valores são protegidos na Constituição da República e no Tratado de Lisboa.

O AO acaba com a ortografia da língua portuguesa na sua variante euro-afro-asiática, utilizada por mais de 50 milhões de seres humanos.

A sociedade civil tem-se manifestado vigorosamente contra o AO que, embora subscrito por oito países, não foi ainda ratificado por Angola e Moçambique, decorridos mais de 20 anos sobre a sua assinatura!

Falta-lhe portanto uma condição essencial de validade jurídica.

De resto, falta ainda um pressuposto da sua aplicação: o vocabulário ortográfico que o próprio AO exige e que deve ser elaborado com intervenção de todos os signatários.

A alteração de uma grafia perfeitamente estabilizada desde 1945 em nada vai ajudar à aprendizagem, à formação, à qualificação ou ao sucesso profissional dos portugueses.

A aplicação do AO nas escolas vai corresponder a um terrível e desnecessário aumento da despesa do Estado e das famílias.

Pretende-se tornar obrigatória essa aplicação em 2015.

A transição forçada em curso coincide agora com os 3 anos previstos no memorando que Portugal negociou com a troika.

Nesse mesmo período, as famílias dos 1 256 462 estudantes do ensino básico e dos 483 982 estudantes do ensino secundário vão ter de desembolsar rios de dinheiro na aquisição de novos dicionários, livros e manuais escolares.

As editoras sofrerão graves prejuízos porque, mesmo renovando periodicamente as suas publicações, não podem deixar de ter consideráveis existências em armazém (v.g., dicionários). De resto, não vão esperar por 2015. Já começam a produzir os livros segundo o AO e não poderão ficar 3 anos sem os vender.

Não se podem reduzir os custos suplementares das novas edições aos da mera utilização de um conversor ortográfico. Nem este é uma espécie de micro-ondas em que os livros, objectos físicos, sejam metidos para saírem "actualizados" poucos minutos mais tarde. Nem a impressão, o papel, a mão-de-obra, as artes gráficas, os acabamentos, etc., saem a um milagroso custo zero na produção de livros de substituição...

Só por má-fé, falácia ingénua, obediência a lobbies ou razões inconfessáveis, se pode supor 0que a transição de uma ortografia para outra se fará, a partir de agora, sem problemas financeiros e educativos em cascata.

Havendo divergências de grafia, Portugal perderá uma parte importante da sua exportação de livros para Angola e Moçambique, a qual é muito significativa nas exportações para esses países.

Serão incomportáveis os custos da renovação dos acervos das 2 402 bibliotecas escolares existentes e a reedição das obras constantes do Plano Nacional de Leitura. E haverá os custos dramáticos do bloqueamento puro e simples da leitura, por opções pedagógicas ou por confusões insuperáveis, sobretudo nos mais jovens, devidas à divergência das grafias.

Acresce a formação de professores para aplicação do AO nas escolas, desviando os docentes de outras ocupações bem mais importantes e implicando a criação de formadores.

Milhões e milhões de livros e outros materiais escolares vão ser ingloriamente deitados ao lixo só por terem um c ou um p "a mais" numa série de palavras!

O Estado investe e comparticipa na aquisição de livros escolares. Vai ter mais despesa. Mas nada (custos directos e indirectos implicados pela aplicação, valor astronómico da riqueza destruída, outras perdas) foi objecto de estudo quantificado e sério por parte das autoridades portuguesas!

Isto é escandaloso numa altura em que as despesas das famílias com a educação já rondam os 1 400 milhões de euros; as da acção social escolar no ensino não superior, no tocante ao apoio sócio-económico, os 51 000 milhões; as das câmaras municipais, só na parte relativa a publicações e literatura, 136 000 e 15 700 milhões, entre despesas correntes e de capital.

Voto no PSD e apoio o Governo. Mas leio no seu programa esta coisa de estarrecer: "o Governo acompanhará a adopção do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa garantindo que a sua crescente uni- versalização constitua uma oportunidade para colocar a Língua no centro da agenda política, tanto interna como externamente."

No centro da agenda política, eu prefiro ver o combate ao desemprego à institucionalização do desperdício...

Não se podem despender exorbitâncias com o AO, enquanto o 14.º mês é onerado com mais um imposto brutal!

A troika impôs a drástica redução do défice e uma racionalização de despesas que também abrange a educação.

Espera-se portanto que intervenha!"



Abraço!

Evidências na ADD

Encontrei esta mensagem no Professores Lusos e decidi partilhá-la convosco.


O colega responsável por este blogue fez o "trabalho de casa" e partilhou-o: reuniu as leis e compilou a informação importante relativa às evidências na ADD.

"As evidências do relatório de auto-avaliação


Tenho recebido algumas mensagens de correio electrónico de colegas confusos com as tais evidências (e respectivos exemplos) que devem constar do relatório de auto-avaliação, obrigatória para concluir o processo de Avaliação do Desempenho Docente (ADD).

Antes de ir aos exemplos propriamente ditos, vamos à legislação (Despacho n.º 14420/2010, de 15 de Setembro). Assim, a informação relativa às evidências encontra-se no anexo II, onde constam as regras e padrões de uniformização para a elaboração do relatório de auto-avaliação, nomeadamente nos pontos 1 (alínea c) e 3.

Se lerem com atenção terão de mobilizar evidências para "justificar" o vosso contributo para a prossecução dos objectivos e metas da escola no âmbito das actividades exercidas (um dos tópicos que têm de constar do vosso relatório). Mas existem regras:

"Para a avaliação de cada dimensão, e tendo por referência os respectivos domínios, o docente avaliado deverá mobilizar o mínimo de duas e o máximo de quatro evidências."

Para quem ainda não sabe, existem 4 dimensões (Despacho n.º 16034/2010, de 22 de Outubro): a) profissional, social e ética; b)desenvolvimento do ensino e da aprendizagem; c) participação na escola e relação com a comunidade educativa; e d) desenvolvimento e formação profissional ao longo da vidaDentro de cada uma destas dimensões, existem domínios que "operacionalizam as dimensões em planos mais restritos permitindo descrever de forma clara os aspectos do desempenho docente e os correspondentes deveres e responsabilidades profissionais".

Assim, é essencial que leiam com tremenda atenção o Despacho n.º 16034/2010, de 22 de Outubro, para que conheçam de forma mais rigorosa os indicadores, os níveis e os descritores que são relevantes para este tópico do vosso relatório (porventura o mais importante).

Passemos ao que realmente interessa. Cada evidência deverá incluir:
- a identificação da actividade ou tarefa;
- as metodologias e estratégias;
- o seu enquadramento no projecto educativo e planos anual e plurianual de escola;
- os resultados obtidos (referindo, em cada evidência apresentada, a sua apreciação e, se for o caso, o respectivo grau de cumprimento face aos objectivos individuais apresentados).

Mas atenção que até aqui apenas "falei" acerca das evidências. Faltam osdocumentos que comprovam essas evidências, e que não constam do relatório propriamente dito, mas sim em "anexo". Assim, poderão utilizar como documentos para evidências, entre outros: actas,relatórioseventuais grelhas e registos de análises dos resultados escolaresinstrumentos de avaliação dos alunosplanificações (a longo e médio prazo, unidade didáctica ou de aula observada),projectos curriculares de turmamateriais didácticos produzidos eplanos de apoio a alunos. Já ouvi falar de colegas que estão a colocar fotografias, mas nem sequer me quero pronunciar acerca desse "exemplo".

Importa ainda reter que não tem qualquer interesse colocarem documentos (relativos a evidências) que constem no vosso processo individual


O Advogado do Diabo colocou no dia 30 de Maio um exemplo concreto de evidência. Cliquem aqui para dar uma vista de olhos.

Espero ter arrumado este assunto de vez... Ainda não elaborei o meu relatório de auto-avaliação e já nem o posso ver à minha frente. :)"
profslusos.blogspot.com

Abraço!

Castilho insatisfeito com Passos Coelho

Será por não ter sido chamado para um "job" no novo governo?


Ou porque esperava mais dos recém-empossados?


O que é certo é que já há coisas a apontar ao novo governo...


Ainda estou na fase de dar o benefício da dúvida, mas entretanto posso mudar de ideias...


"Santana Castilho atira fortes críticas ao novo ministro da Educação e ao primeiro-ministro. O professor universitário tem um livro com prefácio de Pedro Passos Coelho, mas diz que o programa do Governo está mal feito e acusa o governo de desonestidade política.

Foi um namoro de pouca dura. Agora, em declarações ao programa «Política Mesmo», da TVI24, o especialista em educação não hesita em chumbar o programa do Governo: «Está mal feito, pois é um sumário de declaração de intenções, sem medidas concretas que nos permitam ver o que vai mudar».

O que devia mudar de imediato é a avaliação dos professores. «Eu acho que é mesmo um escândalo, do ponto de vista da honestidade política do doutor Pedro Passos Coelho», frisa.

Sem meias palavras, Santana Castilho diz ainda que o Governo devia ter começado a mostrar trabalho desde o primeiro minuto: «Não há nenhuma razão para haver um estado de graça, porque um partido político tem responsabilidades políticas. Deve ter reflexão sobre as pastas, sobre sua responsabilidade, portanto eu não aceito que se chegue ao Governo necessitando de tempo para pensar as coisas».

Num artigo de opinião publicado esta quarta-feira no jornal «Público», Santana Castilho vai mais longe e diz mesmo que Passos Coelho está a mentir:

«Foi deplorável Pedro Passos Coelho ter dito que não revoga a avaliação do desempenho porque agora só tem três meses, quando, em Março, quando a propôs, tinha seis. Se isto fizesse algum sentido, que não faz (Passos Coelho sabe bem que não fala a verdade), então devia tê-lo dito em campanha. E não disse. Mais: esqueceu-se de que, em Novembro de 2009, o PSD deu ao PS um mês para fazer a mesma coisa? Entretanto, entre o programa eleitoral do PSD e o programa do Governo, sumiram-se os princípios que deveriam nortear o futuro modelo. Dissimuladamente, como convinha!»"

TVI


Abraço!