domingo, 29 de maio de 2011

País deve funcionar como uma orquestra

É claro que sim: todos afinadinhos, cada um a fazer o que deve fazer e todos juntos por um bem comum.

E que tal dizermos que o governo deve funcionar como uma orquestra? O problema é que estes últimos concertos têm sido maus para os ouvidos, a desafinação é enorme, trabalham todos para o bem deles e não fazem ideia do que andam a fazer (ou sabem e não se interessam pelas consequências)...

"País deve funcionar como uma orquestra - Ministra da Educação
De Francisco Fontes (LUSA)

A ministra da Educação comparou hoje uma orquestra àquilo que deve estar presente no desenvolvimento do país, uma unidade de esforços que supera a mera soma individual.


Isabel Alçada, que ao princípio da noite de hoje encerrou em Coimbra o "Mima", o encontro regional do Centro de escolas de música, salientou que uma orquestra "é o exemplo de trabalho individual que produz trabalho coletivo que supera em muito" a junção dos esforços de cada um.

Na sua perspetiva, cada um, no seu desenvolvimento pessoal, e na sua autonomia "leva mais longe o resultado"."

Abraço!

Reformas de junho - Professores e Educadores

Desta vez chega um pouco mais tarde, mas chega.

Já está disponível há algum tempo, mas, como sabem, a minha vida anda um pouco alterada e não consigo fazer tudo o que quero quando quero...

Estes colegas deixam as Escolas em junho:


Abraço!

sábado, 28 de maio de 2011

Porque temos mesmo que estar sempre a aprender!

E não é preciso mais um mestrado, seguido de doutoramento e depois de um curso qualquer conseguido lá por fora...

O "sempre a aprender" é possível na escola, enquanto trabalhamos e reflectimos sobre o nosso trabalho. Continuamos Professores mas não deixamos de aprender.

E há uma frase, que não pode ser levada muito à letra, que costumo adoptar (não é original minha, mas não me recodo do nome da pessoa que a usava também muito): Pedagógico é o que resulta! Tenta-se, "retenta-se", "re-re-tenta-se" e lá se aprende qualquer coisa, nem que seja o que não resulta... 

* Teresa Martinho Marques


Ela aproximou-se de mim no final da aula e disse: "De tudo o que andamos agora a fazer nas aulas quando resolvemos problemas, o que mais me tem ajudado é aquela coisa da professora estar sempre a dizer e a mostrar que temos de usar a nossa inteligência natural para os resolver! Já estou melhor a resolvê-los e já nem tenho tanto medo!”
Há uns anos li um livro de John Holt que marcou indelevelmente o meu caminho (How children fail – Dificuldades de aprendizagem, Ed. Presença). Entre muitas coisas escritas nos anos 60, mas com preocupaçãoes tão atuais como as de hoje, uma história prendeu-me. Essa história foi, por sua vez, retirada por John de um outro livro (James Herndon – How to survive in your native land) e estava num capítulo intitulado “A turma burra”. Esse capítulo dizia respeito a uma turma, que James lecionava, constituída por crianças do 1.º Ciclo incapazes de aprender e, sobretudo, a um rapaz que parecia ser o mais burro da turma burra. Era descrito como absolutamente irrecuperável e incapaz para qualquer trabalho escolar. Um dia, James encontrou-o numa pista de bowlinganotando os resultados oficiais em torneios exigentes. Apontava as sobras, os plenos e havia sido contratado por trabalhar rapidamente e com precisão. Ninguém toleraria erros nesses torneios e ele não os cometia. Então James decidiu propor-lhe, na escola, alguns problemas sobre bowling... e ele não foi capaz de os resolver! As respostas, mais do que erradas, eram completamente absurdas.


Ao longo dos meus muitos anos de ensino não foram raras as vezes em que senti muitas crianças dentro da sala de aula completamente afastadas da realidade e da sua inteligência natural (aquela que usam no mundo fora da escola) quando resolviam problemas simples. Que idade tem a menina? 95 anos... Quantos meninos foram no autocarro? 18,25... Quanto aumentou a menina de peso dos 10 para os 11 anos? 380 kg... Tudo é respondido com naturalidade, vira-se costas depois de responder, não se pensa mais nisso. Acreditamos que, pelo simples facto de colocarmos “coisas reais” nos problemas matemáticos, tudo se torna mais próximo do real e da vida. Não é assim e tudo isto merece(ria) um olhar profundo e atento. Que efeito tem este corropio na escola, que parece estar tão distante da vida mesmo quando fingimos que é da vida que falamos? Quando lhes conto estas histórias de respostas absurdas (faço-o nas aulas como estratégia) eles riem-se e são capazes de identificar o erro. Avaliam sem qualquer problema a razoabilidade de um resultado se não se sentirem ameaçados por esse problema. Mas, curiosamente, ao resolverem um problema parecido... distanciam-se dessa sua já provada competência e cometem os mesmos erros de que se riram antes.
Muito antes de apelar para os caminhos e soluções matemáticas, encaminho as crianças para a confiança no seu julgamento, na sua inteligência natural. Muitas reagem positivamente e os efeitos são visíveis. É preciso resolver muitos problemas de todos os tipos e feitios (podem – e devem – nem sequer estar próximos do real, porque a abstração tem um papel muito importante no seu desenvolvimento) e levá-los a pensar em voz alta sobre eles. Matar a vergonha, o medo de se exporem, levá-los a virarem-se do avesso com gosto, tornando os cérebros transparentes e capazes de mostrar a forma como pensam, é fundamental e a recompensa é imensa. Mais do que encontrar respostas rápidas e precipitadas para se verem livres do “bicho” sem dor, ou engolirem o óleo de fígado de bacalhau de nariz tapado e olhos fechados, passam gradualmente de “a resposta é” para “eu faria assim e assim e depois assim e então calculava... e depois ia verificar se tinha razão com uma conta ou medição ou se tinha lógica!”
Quando, numa universidade, olhamos para vários exames de alunos (mais de 50% numa turma) onde é solicitado que determinem graficamente (desenhando) um ângulo cuja medida da amplitude é, nesse desenho, visivelmente inferior a 20º e, depois, o têm de fazer analiticamente (recorrendo a cálculos) obtendo valores próximos dos 90º e assumindo, sem crítica, essa resposta como válida (mesmo tendo a possibilidade de comparar o ângulo desenhado com os valores obtidos)... sabemos que algo de (muito) grave se passa.
Por onde começar? Confiar nas crianças e jovens, levá-los a confiar em si, apoiá-los e ajudá-los a (re)encontrar a inteligência natural que parece desaparecer, como que por triste magia, no território distante, isolado, quantas vezes estéril e insondável, a que chamamos escola.

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e  http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Isabel Alçada: "Cedo descobri o lado bom das aulas"

Isto deve ser do tempo em que eramos "Srs. Professores", e juntamente com o Padre e o Médico da Vila formavamos o grupo mais respeitado na comunidade.


Se eu tenho boas memórias da minha Educação? Sim, muitas (pois, a mim não me entrevistaram, não sou famoso). Os colegas, as aventuras, a minha Professora Primária (isso do 1º ciclo não é da minha altura), um ou outro professor que transmitia o conhecimento de um modo que nem parecia uma aula e outras mais.


Lembro-me de ser dos primeiros a acabar os exercícios na primária. Quem acabava ia para junto do quadro e havia uma competição saudável entre nós para ver quem lá chegava primeiro. Mas, mais do que o prazer de conseguir fazer, gostava muito da parte em que a Professora nos permitia ir ajudar os colegas que estavam mais atrasados. 


Pensando agora bem nisto, pode muito bem ter sido o primeiro passo para a escolha da minha profissão... Se calhar mais valia ter levado com um tijolo na cabeça e começar a pensar ser engenheiro civil :)


A entrevista da ministra ao Educare:





"Quem passou pelos bancos da escola guarda recordações de momentos ou professores, alguns tão especiais que podem marcar, tornando-se no ponto de partida de um futuro promissor. A ministra da Educação é a primeira convidada, entre várias personalidades, a partilhar as suas memórias.
O EDUCARE.PT quis saber de que forma a escola marcou a vida de diferentes personalidades em diversas áreas da sociedade.

Desafiámos a ministra da Educação, Isabel Alçada, a viajar no tempo e a recuperar as suas memórias de aluna, mas também a tentar identificar o momento, ou o professor, que tenha influenciado as suas opções de vida.
Colocámos duas questões:
1. Que memórias guarda do seu percurso enquanto aluna?
2. Houve algum momento, ou professor, que, durante o seu percurso escolar, tenha influenciado as opções que tomou em relação à sua vida profissional?

Eis as "Memórias de Passagem" da ministra da Educação:
Guardo muitas e boas memórias, pois tenho a sorte de me lembrar com facilidade de acontecimentos positivos e de não recordar acontecimentos negativos.

Fiz todo o ensino primário e secundário no Liceu Francês em Lisboa. Havia turmas de meninas e de rapazes, mas à exceção do ensino secundário, em que as turmas eram mistas, só convivíamos na camioneta.

Do tempo de escola as melhores recordações são, naturalmente, o convívio com colegas.

Mas cedo descobri o lado bom das aulas. Recordo a alegria de compreender um assunto novo, de resolver um problema de Matemática, de conseguir executar bem uma atividade escolar ou de receber um teste com nota alta. Na minha família era voz corrente que eu gostava da escola e de aprender. Tinham razão.

No ensino primário a semana era sempre variada pois alternava aulas em português, dadas por uma professora portuguesa, com aulas em francês, dadas por uma professora francesa.

Em Português, a minha turma foi entregue a uma professora inesquecível - Alice Gomes. Além de professora, era autora de livros para crianças e tinha muitas obras publicadas. Fazia questão de levar as suas alunas à biblioteca escolar, de ler livros completos na sala de aula, de conversar sobre histórias e poemas e de nos dar tempo de aula para escrevermos as nossas histórias.

Por vezes, lia em voz alta um ou outro texto escrito pelas alunas, mas nunca dizia quem era a autora. Graças ao seu empenho e entusiasmo transmitiu-me o prazer de ler e de escrever. Marcou-me para sempre.

Uma das disciplinas que sempre me fascinou foi História. A professora, Maria Ângela Miguel, era fantástica. Narrava os acontecimentos com uma serenidade muito delicada, mas tão intensa e convicta que captava totalmente a minha atenção. Fazia-me viajar no tempo e conhecer as personagens históricas, como se os pudesse ver em ação a mudar o destino da humanidade.

Marcou-me para sempre."


Pois. Também nos marcou para sempre...


Abraço!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Eu, com Muito Bom, me confesso

Um colega (podem ver aqui) deu-se ao trabalho e fez este quadro que compara as avaliações presentes nestas listas com as do ano passado:

Uns chamam-lhes oportunistas, outros desleais, outros sei lá o quê.

No entanto o número de avaliados com muito bom e excelente tem aumentado e com isso conseguem melhorar a sua graduação.

Eu assumo que pertenço ao grupo dos avaliados com muito bom no ano passado e sem vergonha de o assumir.

Gosto de ver o meu trabalho reconhecido e esta foi uma forma. Agora se é justa é outra história...

Há quem tenha sido vítima das cotas e não conseguiu o mesmo que eu e há quem diz não se ter "vendido" e não pediu, por convicção, aulas assistidas.

Não gosto de ser chamado "traidor" quando fiz mais do que muitos e saí benefíciado com isso. Processem-me... mas estava farto de sermos todos "bons" quando existiam diferenças abismais entre nós.

Não pedir aulas assistidas como protesto é um direito, mas será que é a melhor forma de mostrar o seu desagrado?

E no meio destes há quem não queira ter trabalho, há quem prefira dizer mal dos outros, há quem pediu e não teve grande avaliação e agora inveja quem teve...

Eu, dentro da lei (se é justa ou não é outro assunto), procedi desta forma: não sou "chico-esperto", sou um professor que trabalha e gosta de ver o trabalho reconhecido. Infelizmente tem que ser desta forma... nas condições que tinha no ano passado fui muito bom. Este ano posso ser uma vítima das cotas, mas tenho a certeza que não regredi e continuo um muito bom trabalho (desculpem-me a imodéstia)!

Não sou excelente nem muito bom. Mas sou melhor do que muitos bons que vi serem atribuídos e isso também não é justo! Mal por mal, fico com o muito bom!

(É desta que vão chover comentários?)

Abraço!

Listas de Ordenação Provisória já disponíveis

Mas que competência (queria eu!): ainda agora foram validadas as candidaturas e já estão disponíveis as listas provisórias.

Até aqui tudo bem.

Nos entretantos já me chegaram ao ouvido algumas "reclamações" sobre a avaliação acumulada (com a do ano anterior ou por ser feita duas vezes) que ainda não consegui esclarecer.

Vou tentar debruçar-me sobre o assunto hoje mais para o fim da tarde, mas, como já sabem, a parentalidade do Professor Raro pode não o permitir... Uma é complicado, duas...

E ainda vos dou uma ajuda: quem não conseguir aceder com o Internet Explorer tente o Google Chrome, foi assim que consegui. Se clicarem aqui podem ter sorte e conseguir entrar.

Abraço!

Bullying? Ou agressão?

E está de novo na moda, mais uma vez pelas piores razões.


O vídeo é chocante, ou melhor, a atitude de todos os intervenientes é chocante, desde dos que filmam, aos que riem à gargalhada, dos que nada fazem para evitar a agressão às agressoras.


Os quatro canais deram (dão ainda) um enorme destaque, não só nos blocos de informação. Todos condenam, vários especialistas dizem de sua justiça.


Mas foi mesmo uma situação de bullying?


Já referi aqui anteriormente, num tempo em que o tema esteve também na moda, que para ser bullying  as agressões têm que ser continuadas, ao longo de um período de tempo:


"Conjunto de maus-tratos, ameaças, coacções ou outros actos de intimidação física ou psicológica exercido de forma continuada sobre uma pessoa considerada mais fraca ou mais vulnerável."

Não estou a tentar "abafar" a importância da notícia/acto, mas é de salientar que os meios de comunicação social deviam ter mais cuidado com o que chamam "às coisas". Só por ser um termo estrangeiro na moda não quer dizer que possa ser aplicado indiscriminadamente... 


A TV é a "educadora" de muita gente. Se aparece na televisão é verdade... e se aparece em todas mais verdade   é... é como a mentira que tantas vezes é repetida que se torna verdade!


Abraço!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Humor: Mais uma de Antero

Resultados iguais com menos recursos?

No site da Porto Editora, Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), e Pedro Araújo, vogal de direção, deram uma entrevista sobre a educação neste país.


É longa, pelo que não a transcrevo por completo.






"Manuel Pereira e Pedro Araújo, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, aplaudem chumbo da oposição à reorganização curricular do ensino básico.

Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), e Pedro Araújo, vogal de direção, são unânimes em concordar que a reorganização curricular do ensino básico resultava apenas de restrições orçamentais, com claro prejuízo para as escolas e influência nos resultados dos alunos."

Podem ler tudo aqui.

Abraço!

As preocupações de Albino Almeida

Albino Almeida, como sabem, é o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP). Diz-se apreensivo com a preparação do próximo ano letivo e deu uma entrevista ao Educare.


Este senhor defende a sua dama e nem sempre (se calhar quase nunca) tem a minha concordância. Parece-me que a sua visão é estarmos na Escola para servir os pais/alunos e o resto é conversa... mas posso estar errado.






“É preciso distância histórica para um balanço


Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), continua apreensivo com a preparação do próximo ano letivo. Defende diálogo e mais diálogo entre todos os níveis de ensino para que a reestruturação do sistema educativo atinja os objetivos pedagógicos.


Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), está preocupado com a suspensão da revisão curricular e com a não alteração do orçamento. A preparação do próximo ano escolar, com um governo demissionário, também lhe causa alguma apreensão. "Antevemos sérios problemas", adianta. 

Na sua opinião, as autarquias, no seu geral, estão a fazer um bom trabalho na área educativa. Mas lembra que as câmaras com mais dinheiro poderão ter mais qualidade no desempenho das tarefas educativas do que as que têm menos recursos. O prato da balança poderá não estar equilibrado. 

O encerramento de escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico com menos de 21 alunos é digerido como um caminho para investir em centros escolares qualificados. De qualquer forma, o porta-voz da CONFAP refere que ainda é cedo para fazer um balanço do desempenho do ministério liderado por Isabel Alçada e defende que os parceiros educativos devem continuar a identificar "boas práticas e processos de melhoria e aprofundamento de várias políticas lançadas na anterior legislatura". 
Em média, há um pai participante ativo na vida escolar por cada 15 alunos. Albino Almeida realça o envolvimento de quem tem a tarefa de educar e está convencido de que o aumento da escolaridade potenciará uma intervenção mais qualificada dos pais e encarregados de educação."


Podem ler tudo no Educare.


Abraço!