sábado, 30 de abril de 2011

Desporto Escolar: uma visão mais atenta do despacho próprio

Não é o fim do Desporto Escolar como se chegou a temer. Não morre, mas foi ferido com alguma gravidade.

É uma restruturação, com regras novas para serem aplicadas e outras para serem melhor cumpridas.

Mas não se deixem enganar: o objectivo é a poupança!

A. Começando pela carga horária disponível, 24 000 horas (assim de repente até parece muito) são (24 000:22) 1091 horários. Fala-se actualmente (não consigo confirmar) em 1500 horários, pelo que a redução (e isto olhando apenas ao lado bruto dos dados) é de 409 horários.

Pode parecer pouco, mas é bastante significativo. Os mais graduados nem sentirão a diferença, mas nós que estamos mais para baixo na lista sabemos bem que é mais do que suficiente para ficarmos sem colocação...

Estes 24 000 tempos são distribuídos, por critérios que desconheço, pelas DRE's.


B. Segundo o ponto 3, 

"Sem prejuízo do disposto nos números anteriores, os projectos aprovados no âmbito doprograma de desporto escolar para 2009/2013 só poderão ter continuidade mediante apresentação de novo projecto para 2011/2013, tendo em conta as prioridades seguintes:
a) Modalidades que em 2010/2011 tiveram presença em quadros competitivos
regionais, nacionais ou internacionais;
b) Modalidades que tenham protocolos e/ou acordos com entidades desportivas
federativas, municipais ou locais;
c) Modalidades, que não se enquadrem nos números anteriores, mas cujas instalações
desportivas existentes na escola tenham sido objecto de requalificação ou construção
nos últimos 5 anos;
d) Outras situações."

Para os melhores, para os que têm acordos com entidades desportivas, para os que não estão enquadrados nestas situações por só há pouco tempo terem condições para a pratica de determinadas modalidades (interpretam como eu?) e depois as restantes situações.

Os novos projectos serão também analisados à luz destes critérios.

C. Um grande corte nas actividades não competitivas: passam para a actividade interna. Estão em risco...

D. Quanto à carga horária,

"a) Um crédito de três tempos lectivos, por grupo equipa, para as modalidades referidas nas alíneas a) a c) do n.º 3;
b) Um crédito de dois tempos lectivos, por grupo equipa, para as modalidades referidas na alínea d) do n.º 3;
c) Um crédito de três tempos lectivos, por grupo equipa que apenas integre alunos com necessidades educativas especiais."

Passamos de 4 para 3 ou mesmo para 2 quando são modalidades referidas na alínea d) do n.º 3 (outras sitiações). Quantas para treino e quantas para os jogos? Não sei.

Serão 2 tempos para treino e 1 para as competições? É pouco para treinos se assim for. E as deslocações com as equipas levam-nos muito tempo e muitas vezes são ao sábado. No ano passado gastei mais do que a soma de todas as horas para a competição de todo o tempo que trabalhei naquela escola. Mas reconheço que noutros anos nem sempre aconteceu.

Esta situação devia ser tida em conta para quem continuasse apurado para as fases seguintes de competição, nem que fosse contemplado com horas extra, visto que são estes que gastam mais tempo com as saídas para competições.

E. 18 alunos inscritos, no mínimo, num grupo/equipa, com excepção dos desportos náuticos e dos que envolvem apenas alunos com necessidades educativas especiais, onde podem ter só 8 alunos.

Há escolas mais pequenas e outras com menos tradição em determinados desportos onde vai ser difícil conseguirem estes mínimos.

Mais complicado é conseguirem 12 alunos por treino. E é um requisito obrigatório.

As escolas não têm a tradição de dar atenção à distribuição dos tempos do Desporto Escolar. Quantas vezes nem aparecem no horário de trabalho?

Para termos 12 alunos num treino é preciso que hajam tempos distribuídos pelos horários da escola onse seja possível ter várias turmas sem outra actividade. Não podem ser as "horas de almoço" (se não se marca a educação Física logo a seguir ao almoço...) nem interessam muito os últimos tempos ou os primeiros da manhã, a adesão é fraca.

Há disciplinas que, pela sua necessidade de espaços específicos, devem ser as primeiras a ver o seu horário distribuído. Falo da Educação Física, claro, mas também de Ciências (laboratórios), de disciplinas artísticas e outras. Com a Educação Física tal dificilmente acontece. Com as outras não sei, estou informado...

Um relatório por período sobre as presenças, competições, e outros aspectos já se faz. A novidade poderá ser a entrega deste ao Director de Turma para ser divulgado aos pais. Concordo. Os pais têm direito de saber e assim poderão levar mais a sério a participação dos seus filhos nas equipas.

F. Agora os prazos, apertados: As escolas têm 15 de Maio para apresentar novos projectos ou a reformulação dos existentes`; Depois DRE's, DGIDC, Governo e de volta às Escolas até 15 de Junho.

É pouco tempo para nós, 15 de Maio está já aí. Criar alianças com entidades desportivas neste tempo é (quase) impossível. Reformular ou criar novos projectos não é "do pé para a mão"... 



Há mais no despacho. Se quiserem consultá-lo na íntegra podem fazê-lo aqui. E há mais para dizer: façam-no nos comentários ou mandem-me um e-mail, sou "todo ouvidos" (ou "todo olhos").

Boa sorte para o Desporto Escolar. Já teve melhores dias... Como disse acima, não morreu, mas foi ferido com alguma gravidade...


Abraço!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Contagem do tempo de serviço

Em velhos tempos quem trabalhasse até 31 de Agosto e depois fosse colocado antes de 31 de Dezembro beneficiava da contagem do tempo de serviço entre o término do contrato anterior e o início do seguinte.

Pois esses tempos ficaram para trás. Agora (creio que no ano passado tal já aconteceu, mas não afirmo) o tempo de serviço que se regista é o que se efectivamente trabalha. Se entrarem, por exemplo, a 21 de Setembro conta a partir daí e termina no fim do contrato.

A DGRHE publicitou a Circular n.º B11069994M, de 27.abr.2011 (podem aceder também através do ad duo) onde tal é esclarecido.

Abraço!

Avaliação dos professores continua como está

Continua esta ADD, continua o nosso desagrado.

O governo esfrega as mãos de contente, a opinião pública exclama "é "bem feitos", querem boa vida? Trabalhem mas é...". E quem se trama é a Educação (para não ser sempre o mexilhão).

O Educare.pt tem esta notícia que é um bom aglomerado dos "recortes" que fiz na mensagem abaixo:
"Tribunal Constitucional garante que a suspensão da avaliação dos professores é inconstitucional. Reações divergem: FNE continua a defender outro sistema, Conselho de Escolas ficou satisfeito. PS fala em vitória, PSD promete modelo menos burocrático se ganhar as eleições.

A avaliação da classe docente traçada pelo Ministério da Educação vai continuar. A 25 de março, a revogação desse sistema de avaliação tinha sido aprovada na Assembleia da República pela oposição parlamentar, com os votos favoráveis do PSD, PCP, BE, PEV e CDS-PP e contra da bancada do PS e do social-democrata Pacheco Pereira. O Presidente da República decidiu, pouco depois, remeter o assunto para o Tribunal Constitucional (TC), que acaba de anunciar a sua decisão: a revogação violava o princípio da "separação e interdependência dos poderes". A ministra da Educação, Isabel Alçada, fala em "vitória do sistema educativo" e diz que o chumbo da instância judicial vem "travar aquilo que seria um erro e um prejuízo para a qualidade da educação".

As reações ao chumbo do TC divergem e as posições sindicais e políticas voltam ao de cima. A Federação Nacional da Educação (FNE) respeita a decisão do TC, mas não desarma da defesa de um novo modelo de avaliação. João Dias da Silva, secretário-geral da FNE, gostava que a "sentença" tivesse sido diferente e lembra que o próximo Governo não pode ignorar a decisão que foi tomada na Assembleia da República em relação a essa matéria. "Teremos um novo Governo que necessariamente vai ter que ter como prioridade a definição de um novo modelo", refere, em declarações à Lusa. Na sua opinião, é necessário encontrar "mecanismos de proteção relativamente às injustiças que este modelo pode ter introduzido e que precisam de ser salvaguardadas em legislação futura".

O Conselho das Escolas (CE) não tem a mesma opinião e está satisfeito com a decisão do TC. O presidente do CE, Manuel Esperança, recorda, aliás, que o processo de avaliação nunca parou nas escolas. "Acho bem (a inconstitucionalidade), que é para ver se há possibilidade de chegarmos ao final do ano e avaliarmos o modelo de avaliação e depois separarmos o trigo do joio", sustenta Manuel Esperança.

O PSD não desiste e insistirá na revogação da atual avaliação. Esta é a promessa deixada pelo deputado social-democrata, Pedro Duarte, que, em conferência de imprensa, garantiu que o processo parará se o seu partido ganhar as eleições de 5 de junho. E prometeu um novo sistema que acabará com a burocracia inútil e que clarificará o que é classificação e melhoria do desempenho. "O ideal seria suspender e revogar o atual modelo o mais rapidamente possível, por forma a que o mesmo não crie instabilidade neste final de ano letivo nas nossas escolas", disse.
"Má notícia para as escolas" O CDS-PP, por seu turno, admitiu que tinha algumas dúvidas precisamente no ponto que o TC evoca para justificar a sua posição, mas os valores que defende falaram mais alto na discórdia do sistema de avaliação em vigor. O partido recorda, a propósito, que chegou a apresentar um modelo de avaliação "mais simples e com menos carga burocrática". "Era uma questão de princípio, porque achávamos que o modelo de avaliação contrariava o que o CDS-PP defende para os docentes portugueses", justifica, à Lusa, o popular José Manuel Rodrigues.

O PCP discorda em absoluto com a decisão do TC. "A manutenção do atual modelo de avaliação nas escolas é penalizadora não apenas para os professores, mas também para os alunos devido à instabilidade criada nas escolas", sustenta Jorge Pires, membro da comissão política do PCP. O comunista não tem dúvidas de que o recente chumbo terá repercussões na qualidade do ensino. Para o partido não há meias medidas. Em seu entender, o modelo de avaliação devia "ser banido do sistema educativo o mais depressa possível".

Para o BE foi uma má notícia para as escolas. A deputada Ana Drago voltou a defender que o sistema educativo precisa de um modelo de avaliação que "permita conhecer as falhas das escolas, conhecer os contextos em que elas estão". Segundo a bloquista, os próximos governantes não podem esquecer a posição tomada a 25 de março. "Houve uma articulação entre diferentes partidos políticos a partir deste diagnóstico que vinha das escolas, ou seja, que este modelo de avaliação é muito pesado, é muito burocrático, não permite de facto melhorar as práticas que são seguidas nas escolas e que era preciso discutir um outro modelo", lembrou.

O PS, que se opôs determinantemente à suspensão do modelo de avaliação dos docentes, ficou naturalmente satisfeito com a decisão do TC e voltou a apontar o dedo ao "golpe de teatro" da Oposição. "Estamos perante uma vitória da democracia e das regras", afirma Ana Catarina Mendes, vice-presidente da bancada socialista. E deixou um aviso: "Não podemos fazer tudo de forma tão atabalhoada e tão atrapalhada, porque o que foi feito gerou uma enorme confusão nas escolas portuguesas e uma enorme ilusão aos professores portugueses".

Segundo a socialista, estiverem em causa dois planos: o jurídico e o político. Para Ana Catarina Mendes, a suspensão da avaliação significava uma ingerência nas competências do Governo. "Do ponto de vista político, o que aconteceu na Assembleia da República, no passado dia 25 de março, foi um golpe de teatro, passando por cima de todas as regras constitucionais, que iludiu os portugueses e, sobretudo, os professores", reforça.

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, também ficou agradado com a posição do TC. E explicou as razões. "A regularidade da vida das nossas escolas pode continuar - e essa é a melhor notícia para o país". A decisão da Oposição também entrou no seu discurso. "Tive a ocasião de dizer que essa iniciativa era um ato de falta de decência democrática, que vinha comprometer um trabalho difícil e de concertação aturado, envolvendo o Governo, as organizações representativas dos professores para estabilizar a vida nas nossas escolas. Mas, de um dia para o outro, entre 24 e 25 de março, assistimos na Assembleia da República a alterações sucessivas das tentativas de legislar em cima do joelho".

Até ao fecho desta peça, a Federação Nacional dos Professores (FENPROF) ainda não se tinha pronunciado sobre o assunto."



Abraço!

Não nos livramos desta ADD

Parece que veio para ficar, pelo menos até ao fim deste ano lectivo, ou melhor será dizer, até ao fim deste ciclo de avaliação (Outubro?).

Notícias não faltam. Uns alegres, outros que se justificam, outreos que mostram indiganação e não o permitiriam se fossem governo ("ora dá cá um votinho para eu ir para o poleiro")...

Certo, certo, mesmo certo, é que ninguém quis saber até hoje e assim vai continuar: pontapés na Educação! Quem vier vai trazer ideias novas, mas se forem como as antigas...

A justificação:

"O Tribunal Constitucional justificou hoje a declaração de inconstitucionalidade da revogação da avaliação de desempenho dos professores, aprovada pela oposição, com a «violação do princípio da separação e interdependência dos órgãos de soberania»."
Diário Digital


A alegria:
"A ministra da Educação aplaudiu a declaração de inconstitucionalidade da revogação da avaliação dos professores, pelo Tribunal Constitucional, que classificou de "uma vitória do sistema educativo" contra o que disse ser a "irresponsabilidade e oportunismo da oposição". "
JN


O "comigo não":
"PSD promete insistir na revogação do actual modelo de avaliação"
...
O PSD, "se merecer a confiança dos portugueses no próximo dia 5 de Junho para governar o nosso país, revogará o actual modelo de avaliação de professores que está em vigor e apresentará uma proposta de um novo modelo de avaliação", afirmou. [Pedro Duarte]"
JN

A "absoluta discordância":
"Para o dirigente comunista, «a manutenção do actual modelo de avaliação nas escolas é penalizadora não apenas para os professores», mas também para os alunos devido «à instabilidade criada nas escolas», o que, acrescentou, vai reflectir-se na «qualidade do ensino»."
TSF


Os que afinal tinham dúvidas:
"«Mesmo tendo votado a favor da revogação do decreto regulamentar, também tínhamos dúvidas dessa separação agora evocada pelo TC», disse. [José Rodrigues - CDS-PP]
TSF

Os que esperam "juízo" do próximo governo:

"Ouvido pela TSF, João dias da Silva, da FNE, disse que agora a esperança para a mudança do modelo de avaliação de professores passa pela eleição do novo Governo."
TSF


Os que esperam mais conflitos:

"Para o dirigente da Fenprof, «os conflitos que estão instalados entre professores nas escolas tenderão a agudizar-se»."
TSF



Para todos os gostos e feitios. E não estão cá todas as reacções...

Abraço!

Despacho do Desporto Escolar

Foi-me enviado este despacho do Desporto Escolar, o tal despacho próprio que estavamos à espera que saísse.

Não tive ainda oportunidade para me debruçar sobre ele com mais atenção, mas vem restringir muito a atribuição de tempos lectivos para os grupos/equipa.

Mais uma vez a intenção de poupar parece ter orientado este despacho...

Mais tarde voltarei a referir-me a ele. No entretanto aceito comentários sobre o mesmo...


Podem aceder ao Despacho aqui.



Abraço!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Retrato de alguns dos nossos alunos

Eu sei que a nossa paciência está em baixo. Andamos 2 períodos a batalhar para transmitir conhecimentos e conseguir que os interiorizem e as perspectivas para o 3º não saõ as melhores.

Mas as situações sociais estão a modificar drasticamente, e os nossos alunos são espelho disso.

É claro que podem pensar, eu também o penso, que não podemos ser nós a resolver tudo: há instituições/organismos que têm mais competência e obrigação do que a Escola em resolver/atenuar estes casos.

Mas o que é certo é que somos nós a "levar com eles" e, no fundo, lá vamos ter que intervir ou majorar a nossa compreensão. O que não quer dizer que agora vamos permitir tudo por pena dos miúdos... Mas somos crescidinhos e conseguimos encontrar um equilíbrio saudável ao tratarmos destas situaçãoes, ou melhor, ao tratarmos das consequências destas situações.

Deixo-vos um extracto de uma notícia da RTP:

"Portugal tem a 8ª maior taxa de pobreza infantil da OCDE

Portugal apresenta uma taxa de pobreza infantil acima da média dos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que publicou um relatório sobre o bem-estar das famílias dos Estados-membros. As pressões económicas sobre as famílias têm contribuído para a descida da taxa de natalidade. Ainda segundo este estudo, as mulheres portuguesas representam 60 por cento da força laboral do país e a segunda taxa de natalidade mais baixa.

A pobreza em Portugal atinge 16,6 por cento das crianças, um valor superior à média dos países da OCDE (12,7 por cento), de acordo com o estudo “Doing better for families”, hoje publicado. Portugal apresenta a oitava maior taxa de pobreza infantil entre os 34 países da OCDE. Os valores registados posicionam Portugal atrás de Israel, México, Turquia, Estados Unidos, Polónia, Chile e Espanha.

A OCDE, que analisou dados relativos à última década, apurou que Dinamarca, Noruega e Finlândia têm as menores taxas de pobreza infantil, com 3,7 por cento, 4,2 por cento e 5,5 por cento, respetivamente.

Portugal partilha com os países nórdicos a caraterística de famílias monoparentais tenderem a apresentar menor taxa de pobreza do que famílias duo-parentais em que apenas um adulto trabalha.

Mais de 60 por cento das crianças portuguesas vivem em famílias em que os dois pais estão empregados e trabalham a tempo inteiro. Esta é uma situação idêntica ao que se verifica na Eslovénia e nos Estados Unidos."
...


Abraço!

Conselho das escolas quer separar férias de datas religiosas

Não é má ideia repensar esta distribuição de aulas pelo ano lectivo...

Tal como eu, devem ter andado a fazer uma grande ginástica para encaixarem todos os conteúdos que ainda faltam introduzir este ano, devido a este mini-período que temos pela frente.



"Páscoa tardia e com pontes limitou 3.º período a 30 dias úteis para alunos com exames. Líder do Conselho das Escolas defende que calendário escolar deveria ser autónomo dos feriados religiosos, mas a ideia não reúne consenso.
O presidente do Conselho das Escolas, Manuel Esperança, defendeu ao DN a necessidade de "pensar o calendário escolar de uma forma diferente" da actual, em que os feriados religiosos servem de referência para as férias lectivas, sendo que a data da Páscoa pode variar num mês.

A ideia é recusada pela Confederação Nacional de Pais, que, no entanto, admite um diálogo, "abrangendo a sociedade", sobre o número de feriados e a duração das férias de Verão escolares.

A Federação Nacional de Educação (FNE) propõe maior autonomia das escolas nesta matéria, enquanto os alunos consideram mais grave o "excesso" de matéria nos actuais programas."
DN


Abraço!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Educação no programa do PS

Eles querem tudo, mas à custa de quê ou de quem?

Ensino obrigatório até ao 12º já estava previsto, nada de novo.

Modernizar e equipar com meios tecnológicos as Escolas também é no seguimento do que têm feito (calma, isto não é um elogio, é uma constatação, não quer dizer que tenhamos melhores alunos ou melhor Ensino).

Reforçar a aprendizagem do Português, da Matemática e das Ciências Expereimentais com menos Professores na Escola? Vão aumentar as horas de trabalho? Só se for... (vamos lá ver se isto não acontece, já não digo nada... As reduções dos últimos escalões...)

Querem diversificar a oferta educativa? Depende de como for feita...

Mas a melhor novidade, a que se destaca mesmo é "a "promoção de uma cultura de rigor e exigência", o que passará necessariamente por criar sistemas de avaliação, "equilibrados e eficientes", de alunos, professores e escolas."

Esta sim, é uma novidade! Rigor e exigência!

E como se consegue isto? Com avaliações equilibradas e eficientes dos alunos, Professores e Escolas! Isto quer dizer que, se forem de novo governo, vão abrir os olhos e fazer coisas de jeito???

Equilibrio e eficiência não são qualidades presentes na avaliação actual (sim, é actual, ainda não foi revogada).

A notícia é do DN:



"Educação: Escolaridade obrigatória até ao 12.º e avaliação de professores

O PS quer estender a escolaridade obrigatória até ao fim do ensino secundário e desenvolver um modelo de avaliação de professores e de escolas, de acordo com o programa eleitoral do partido hoje divulgado.
A concretização da extensão da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano é um dos principais desafios apontados pelo Partido Socialista para "promover a qualificação das pessoas".

Para tal, pretende prosseguir com a modernização do parque escolar e com o apetrechamento tecnológico das escolas.

Em termos de conteúdos educativos, os socialistas querem uma oferta formativa mais diversificada, apostando em especial nas vertentes tecnológica e profissional.

Para combater os principais problemas de aprendizagem dos alunos portugueses, o PS propõe um reforço do ensino da língua portuguesa, das matemáticas e das ciências experimentais.

Um outro objectivo apresentado pelo partido é a "promoção de uma cultura de rigor e exigência", o que passará necessariamente por criar sistemas de avaliação, "equilibrados e eficientes", de alunos, professores e escolas."



Abraço!

“Há uma permissividade quase total na escola”

Encontrei esta entrevista no Semanário Regional Mirante a um antigo colega nosso, agora reformado.

Começou nos velhos tempos e fala da sua experiência de vida.

Tem opiniões bastante válidas e não é um "ilustre pensador/opinador" sem experiência como se vê muito por aí.

A entrevista é longa e só transcrevo a parte que diz mais respeito à Educação, mas podem ler o resto, continua a ser interessante, aqui.



"Quando estudava também levou reguadas e puxões de orelhas?

Era a prática, mas ninguém fazia queixa em casa porque ainda levava mais do pai. Era um exagero. Temos que reconhecer que não era método. Houve miúdos que ficaram marcados para o resto da vida e que ainda hoje, passados muitos anos, têm pesadelos com os professores e a escola. Conheço uma pessoa nessa situação.


Hoje a realidade é bem diferente.

Há uma permissividade quase total. A indisciplina é generalizada nas escolas, os professores têm dificuldade em controlar os alunos, perdem uma boa parte da aula a mandá-los calar e estamos numa situação insustentável. A primeira grande reforma que o Ministério da Educação deve fazer é meter ordem nas escolas, que estão num caos, e reforçar a autoridade do professor sem deixar de reprimir abusos que possam existir. O professor tem que ter autoridade porque é uma referência na educação da criança.

Nessa altura já havia indícios do que chama o caos que reina hoje nas escolas?

Nunca pensávamos muito nisso, mas às vezes até dizia a alguns colegas professores que não fossem demasiado exigentes com determinados aspectos porque algum dia íamos ter um fim triste. E efectivamente chegamos a um extremo em que o ambiente nas escolas é muito mau. Gerou-se um clima de excessiva competitividade entre professores por causa entre outras coisas da progressão na carreira. E se o ambiente é mau entre professores não pode ser bom para os alunos.

Quando andou no liceu o ensino era muito mais rígido.

Tive professores excelentes que tinham métodos e organização de trabalho avançados para a época e que ainda hoje estão actuais. As aulas começavam em Outubro mas em Setembro já estávamos ansiosos que as férias acabassem porque gostávamos de ir para as aulas e sentíamo-nos bem na escola.

Quando começou a dar aulas não havia problemas entre professores?

Vivíamos um clima de camaradagem e amizade que tentei fomentar sempre enquanto estive a dirigir a Escola Febo Moniz de Almeirim. Tinha um cuidado especial no acompanhamento de colegas que estavam a começar a profissão, porque me recordava dos tempos em que comecei e das dificuldades que tive. Hoje as pessoas fogem da escola.

Já não há um amor à causa da educação…

Numa altura em que não eram obrigatórias as aulas de substituição consegui que algumas se efectuassem em regime de voluntariado. Hoje nem a pagar as pessoas querem.

“Todos passámos um mau bocado” na antiga escola Febo Moniz

Esteve 13 anos no conselho directivo da Escola Febo Moniz, dos quais 11 como presidente. Como é que aguentou dirigir uma escola de salas pré-fabricadas onde as condições eram muito más?

Era um drama. Tinha pena pelos professores, funcionários e alunos. Todos passámos um mau bocado naquela escola. Quando chovia muito chegava a haver inundações e às vezes era necessária a intervenção dos bombeiros. No Verão as temperaturas nas salas eram altíssimas e ainda houve alguém que teve a ideia de construir uns pavilhões de madeira pintados de preto. Mas os arquitectos e engenheiros não viam que aquilo era impossível. Uma vez entrei nessa sala e o suor corria-me em bica. Mandei toda a gente para casa e assumi a responsabilidade.

Não chegou a trabalhar na nova escola.

Reformei-me na altura em que a escola é atingida por um vendaval que destruiu as coberturas das salas. Foi um contributo do São Pedro para que se avançasse para a construção de uma nova.
Tinha um ar muito reservado, dando a ideia de austeridade. Era uma forma de impor o respeito?
Hoje estou um bocado mais expansivo, mas naquele tempo era mesmo assim. Mas essa impressão desfazia-se logo que as pessoas falavam comigo. Recebia toda a gente de braços abertos.

Tem saudades da escola?

Tenho sobretudo saudades do convívio com os colegas. Tenho colegas que se reformaram e nunca mais puseram os pés na escola. Eu ainda hoje vou à escola onde tenho colegas do meu tempo. Hoje aquilo é um luxo comparado com o meu tempo, em que era uma vergonha.

Alguma vez teve que puxar as orelhas a algum aluno?

Tive, tive. Havia lá uns malandrecos. Tive que pôr alguns em sentido. Às vezes encontro alguns deles que me falam disso. Acho que ninguém gosta de tomar medidas drásticas, mas às vezes é necessário.

Mas não havia problemas graves de indisciplina…

Já havia na altura. Havia uns alunos que eram potenciais delinquentes e que agora são adultos responsáveis com uma vida extraordinária.
Se calhar alguns não se perderam por haver alguma rigidez do conselho directivo.
O professor tem um papel importantíssimo na sociedade. O professor tem que ter consciência e também dar o exemplo mesmo na sua vida particular.

E dão o exemplo?

Hoje as pessoas talvez não tenham essa noção. Os professores não dão o exemplo até pela forma como se apresentam. Não sou reaccionário nem demasiado conservador, mas tem que haver o mínimo de dignidade.

A maneira como se apresentam tem influência no respeito que devia haver nas escolas?

Isto é um meio pequeno. Um professor que vive ao lado dos seus parceiros, dos seus alunos, dos pais de alunos e se dá o mau exemplo não é respeitado por estes e isso é mau.

Foi para a reforma porque já estava farto de aturar alunos?

Foi por saturação e desencanto. O trabalho docente é muito desgastante e já não tinha a energia que tinha no início da carreira. Depois comecei a aperceber-me que os alunos nos chegavam cada vez com menos preparação, desmotivados, sem interesse. Isso começou a criar-me alguma desilusão. Mas também porque tinha problemas familiares a que tinha que me dedicar a tempo inteiro.

Quando é que começam os problemas de relacionamento dos alunos com os professores?

O 25 de Abril foi uma rolha que saltou de uma garrafa de champanhe, extravasou e as coisas ainda não assentaram. Era complicado na altura dar aulas. Muitos deixaram de fazer trabalhos de casa, de estudar…

É nesta altura que o sistema de ensino se começa a degradar…

Quiseram inovar e fazer uma ruptura com o passado. Mas hoje em dia chega-se à conclusão que o sistema do antes do 25 de Abril não era tão mau como se dizia. Actualmente sentimos muito a falta de técnicos porque acabaram com as escolas industriais e fizeram o chamado ensino unificado. Deixou-se de formar bons técnicos.

Os professores devem ser avaliados?

Devem. Mas o sistema de avaliação que foi instituído era demasiado burocrático e veio criar dificuldades, até em termos de relacionamento entre as pessoas. Devem ser avaliados porque nas escolas há os que fazem muito e outros que só fazem o mínimo e ganham o mesmo."
...

Abraço!

E não é que ela (MLR) ainda anda aí...

Quem é que é boa e andou com isto para a frente?

Para quem pensava ter-se livrado da peça, tomem lá esta (nem vou comentar, não vale a pena...):

"“Suspensão da avaliação de professores foi um episódio sem significado no longo prazo”

Ex-ministra da Educação diz que o problema não é o modelo que desenhou mas a rejeição da avaliação por parte dos professores.



Maria de Lurdes Rodrigues, em entrevista ao Económico, desvaloriza a suspensão da avaliação de professores por não ter impacto no longo prazo. "O problema não é o modelo, mas a rejeição da avaliação", sustenta.

Com que sensação ficou quando soube que, à última da hora, o Parlamento travou a avaliação de professores que tantas dores de cabeça lhe deu?
Tenho um grande distanciamento em relação aos factos políticos do quotidiano. Enquanto estive à frente do Ministério da Educação houve várias tentativas para suspender a avaliação, faz parte do jogo político. Estou mais preocupada com o olhar de fundo e o que se passa é, apesar de tudo, muito gratificante e encorajador. Foi possível melhorar a educação, a qualidade das aprendizagens, os resultados escolares e a eficiência. Fez-se a prova de que com políticas adequadas e o envolvimento dos diferentes agentes é possível mudar as tendências de fundo.

Têm melhorado assim tanto?
Nos resultados do PISA melhorámos, descemos brutalmente o abandono precoce...

Mas Portugal continua a ser o segundo país da UE com o maior abandono escolar.
É verdade, mas tínhamos mais de uma década de estagnação nos 40% e, em sete anos, foi possível decrescer 12 pontos percentuais.

Explicou que era essencial avaliar os professores. A avaliação que delineou ficou suspensa. Em que ficamos?
Temos de ter a capacidade de olhar mais longe. Imprimir uma orientação pelos resultados é muito importante, não apenas na Educação, mas em todos os sectores. O resto são episódios que, no longo prazo, não têm grande significado. "
Diário Económico



Abraço!