segunda-feira, 25 de abril de 2011

O Ensino do futuro? Preocupante...

O artigo é longo, mas aconselho a leitura.

Já acontece nos Estados Unidos e espero que não seja uma moda no futuro da Educação portuguesa: o Professor substituído pela tecnologia.

Já cá deixei mensagens que defendem que o professor não pode ser substituído, mas tem que usar a tecnologia para melhorar o Ensino, para se aproximar dos alunos, para não "ficar para trás". Mas o que acontece nos EUA parece ser mesmo uma substituição.

Numa sala de aula cabem um número limitado de alunos, enquanto que se estiverem ligados pela internet podem ser muitos mais para um só Professor. As escolas, como espaço físico - "paredes ao alto"- deixam de ser necessárias. Vejam as vantagens económicas... O custo é muito menor - e já sabem que o factor económico é sempre o mais importante.

Mas não tem que ser assim, um meio termo pode ser possível: a tal complementariedade entre o homem e a tecnologia. Ou o seu uso em casos mais pontuais - aulas para alunos acamados, aulas de apoio, aulas de pesquisa mais activa...

 

"Ensino online cresce nos EUA e abre debate sobre futuro da educação

Autoridades e sindicatos americanos dividem-se sobre os resultados e as motivações da forte expansão do ensino pela internet no país

The New York Times em veja.abril.com.br
Mais de um milhão de estudantes nos Estados Unidos têm aulas pela internet                                     
O escritor Jack London era o assunto na aula online de Inglês 3 do jovem Daterrius Hamilton. Em uma sala de ensino médio cheia de computadores, ele leu uma breve biografia de London, com trechos de um só parágrafo das obras do autor. Mas o currículo não o obrigou a mergulhar em uma cópia maltratada de “O Chamado da Selva” ou “A Fogueira”.

O estudante – que foi reprovado em Inglês 3 em uma sala convencional e esperava ganhar créditos online para se formar – foi questionado a respeito do significado de darwinismo social. Ele lançou a pergunta no Google e leu um resumo de um verbete da Wikipedia. Copiou o texto, revisou-o e enviou por e-mail à sua professora. Hamilton, 18, pertence ao crescente número de alunos que do jardim de infância até a 12ª série – mais de um milhão nos Estados Unidos – têm aulas online.

Os defensores destes cursos dizem que eles permitem às escolas oferecer não só aulas de recuperação, a área de maior crescimento, mas também variedade maior de disciplinas eletivas e aulas de “advanced placement” – cursos oferecidos a estudantes do ensino médio nos EUA que são geralmente reconhecidos como equivalentes aos de graduação – quando não há alunos suficientes para preencher uma sala de aula.

Mas críticos dizem que o ensino online é, na verdade, guiado por um desejo de gastar menos com docentes e estabelecimentos de ensino – em tempos de crise orçamentária federal e estadual forçando cortes em educação. Eles argumentam que não há pesquisas suficientes que mostram que os cursos online no ensino básico são comparáveis aos presenciais.

Em Memphis, em um dos programas virtuais mais ambiciosos do país, todo estudante tem de fazer um curso pela internet para se graduar. Alguns assistem a versões online de aulas lecionadas em salas do próprio prédio. Oficiais da Memphis City Schools – órgão municipal de supervisão das escolas locais – argumentam que querem preparar seus alunos, permitindo-lhes adquirir habilidades necessárias à faculdade, onde cursos via internet são cada vez mais comuns, e ao ambiente de trabalho do século 21.

Por outro lado, também é verdade que Memphis está gastando apenas 164 dólares para cada aluno matriculado num curso online. Administradores dizem que nunca fizeram uma comparação sistemática entre o custo deste tipo de educação versus a presencial. Contudo, céticos em todo o país dizem que esta modalidade de ensino é um meio furtivo de aparar arestas.

“É uma educação barata e que não beneficia os alunos”, disse Karen Aronowitz, presidente do sindicato de professores de Miami, onde 7 mil alunos do ensino médio foram designados a estudar online em laboratórios de informática neste ano porque não havia professores suficientes para atender ao número de turmas no estado. “Isso está sendo proposto até para alunos mais novos”, Aranowitz disse. “Porque é melhor para as crianças? Não. Só se trata de baratear”.

Em Idaho, o superintendente estadual de educação planeja exigir que alunos do ensino médio façam quatro ou mais cursos online, conforme projeto de lei que foi recentemente aprovado pelo Legislativo.

A mesma lei prevê a doação de um notebook para cada aluno paga por uma reserva estadual dedicada ao salário de educadores.

Chicago e a cidade de Nova York apresentaram programas piloto de aprendizado online. Em Nova York, o projeto batizado como Innovation Zone, ou iZone, inclui aulas de recuperação e “advanced placement” em 30 escolas de ensino médio, além de exercícios personalizados em computadores de matemática e inglês para alunos do ensino fundamental.

Reza Namin, superintendente de escolas em Westbrook, Maine, que encara um déficit de 6,5 milhões de dólares no orçamento, disse que não podia continuar pagando um professor de idioma chinês apenas para dez alunos interessados. Entretanto, podia oferecer chinês online através do Virtual High School Global Consortium, uma escola sem fins lucrativos situada em Massachusetts. A instituição afirma que sua lista de escolas clientes aumentou 770, 34% em dois anos, na esteira dos cortes dos orçamentos locais.

Em todo o país, um número estimado de 1,03 milhão de estudantes do ensino básico fizeram um curso online entre 2007 e 2008, 47% mais do que dois anos para trás, de acordo com o Sloan Consortium, um grupo apoiador do ensino pela internet. Cerca de 200 mil estudantes frequentam integralmente escolas online – normalmente escolas licenciadas que atraem famílias adeptas do ensino doméstico, de acordo com outro relatório.

O crescimento ocorreu a despeito da revisão preventiva de pesquisas realizadas pelo Ministério da Educação dos EUA. O órgão identificou benefícios em cursos online para universitários, mas também concluiu que poucos estudos rigorosos foram feitos no ensino básico – e os legisladores “não têm evidência científica de eficácia” para este tipo de educação.
O crescimento mais rápido foi verificado nas aulas de recuperação para alunos que reprovaram o curso regular. Apoiadores dizem que os alunos entediados ou deixados para trás aprendem em seu próprio ritmo.

Em Memphis, a escola de Hamilton, Sheffield High, já foi qualificada como “fábrica de desistentes” com um índice de graduações abaixo dos 60%. Agora, o planejamento de 2011 tem o objetivo de formar 86% dos alunos, disse Elvin Bell, o “treinador de graduação” da escola. O aumento almejado deve-se em parte a um dia mais longo de aulas e cursos de recuperação para alunos que reprovaram nas aulas presenciais.

Sessenta e um alunos estão nessas aulas este semestre, incluindo Hamilton, cuja média em Inglês 3 está abaixo para aprovação. Melony Smith, sua professora online, disse que não reconheceu de imediato que sua resposta na tarefa sobre Jack London fora copiada da internet, mas disse também que o plágio era um problema para vários alunos.

Assim como outros debates educacionais, este contrapõe linhas ideológicas. O ensino básico online é advogado por grupos ligados a políticas mais conservadoras que defendem a ampliação da escolha das escolas. Um exemplo é a Bush’s Foundation for Excellence in Education, que convocou os estados a providenciarem “terminais de acesso à internet” a alunos e remover proibições de escolas virtuais sem fins lucrativos. Do outro lado estão os sindicatos de professores e outras entidades que argumentam que o apoio aos cursos online, como vouchers e escolas licenciadas, propõe canalizar o dinheiro de contribuintes para o setor privado. “O que querem é substituir professores por tecnologia”, disse Alex Molnar, docente de política educacional na Arizona State University."



Abraço!

Ministério nega suspensão do processo de fusão de escolas

Corre a notícia que o processo de fusão de escolas (os tais mega-hiper-agrupamentos) foi suspensa. Fiquei mais confiante no futuro, com mais emprego. Mas durou pouco.

Agora na Rádio Renascença fontes do nosso ministério "garante que o processo não sofreu alterações, embora não saiba dizer qual o calendário dos encontros para definir os agrupamentos."

Agora se isto é conversa da treta daquela a que já nos habituaram não sei...

Espero que se deixem de "mega-hiper-ideias" e não olhem para a Educação como um negócio que tem que apresentar lucros. Ou melhor, lucros tem que apresentar, mas não monetários: a formação de bons cidadãos é a maior riqueza que o país podde ter. O resto vem logo a seguir!

Mas a questão é económica, por isso vão ter que poupar estes 450 milhões de que se fala. Se não nos tramam por um lado, tramam-nos por outro!

Mal por mal, prefiro estar colocado e dar-lhes 5% dos meus "luxuosos" 650 euros ao fim do mês... Apesar de haver muito para cortar em tantos lados antes de terem mesmo que chegar a este ponto, só não há a coragem necessária para isso!

Deixo-vos as duas versões a da suspensão e a da sua negação:  

"Fusão de escolas suspensa devido a chumbo do PEC 4
O reordenamento da rede escolar visava poupar 450 milhões de euros ao Estado.

O Governo suspendeu o processo de fusão das escolas. O Ministério da Educação cancelou reuniões com as autarquias e escolas para a constituição dos 170 mega agrupamentos.

A notícia é do “Correio da Manhã”, segundo o qual o chumbo do PEC 4 estará na origem da decisão do Governo.

O jornal conta ainda que coube ao secretário de Estado da Educação, João Trocado da Mata, cancelar os encontros com os municípios e as escolas.

Com o reordenamento da rede escolar, o Governo previa poupar ao Estado 450 milhões de euros.

Na reacção, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, já disse temer que o pacote de medidas negociado pela “troika” vá ainda mais longe."


&
"Ministério nega suspensão do processo de fusão de escolas


Fonte do Ministério de Isabel Alçada, contactada pela Renascença, garante que o processo não sofreu alterações, embora não saiba dizer qual o calendário dos encontros para definir os agrupamentos.




O Ministério da Educação desmente a notícia da suspensão do projecto dos mega agrupamentos escolares.

Fonte do Ministério de Isabel Alçada, contactada pela Renascença, garante que o processo não sofreu alterações, embora não saiba dizer qual o calendário dos encontros para definir os agrupamentos.

O presidente da Associação Nacional de Municípios, Fernando Ruas, garante, por seu lado, não ter sido informado de qualquer suspensão das reuniões para a reorganização escolar.

Segundo o jornal “Correio da Manhã”, o chumbo do PEC 4 terá levado o Executivo a suspender as reuniões com as autarquias e os estabelecimentos de ensino para a constituição de 170 mega agrupamentos, que vão fundir várias escolas."  




Abraço!   

sábado, 23 de abril de 2011

Governo corta nos apoios aos alunos com deficiências

Corta-se em tudo o que não se deve, só não se corta na vergonha de quem nos governa...

Vamos ser nós a continuar a remendar/remediar no trabalho com estas crianças, que cada vez ficam mais excluídas das escolas supostamente inclusivas...



"Governo corta nos apoios aos alunos com deficiências
Jornal i

No próximo ano lectivo os alunos com necessidades especiais vão ter menos apoios nas escolas. As equipas dos Centros de Recursos para a Inclusão (CRI) que acompanham as crianças portadoras de deficiências nos agrupamentos escolares vão ficar reduzidas a um fisioterapeuta, dois terapeutas ocupacionais e da fala e um psicólogo. De foram ficam assistentes sociais, monitores e ainda os técnicos de psicomotricidade que asseguram outras necessidades que os estabelecimentos de ensino poderiam solicitar às instituições privadas (psicoterapia, musicoterapia ou outras terapêuticas que envolvem expressões artísticas).

São algumas das regras do novo modelo de financiamento para os CRI impostas pelo Ministério da Educação às instituições privadas, mas há outros cortes anunciados que podem comprometer a sobrevivência destes centros criados há três anos quando o governo decidiu retirar estas crianças das instituições e integrá-las nas escolas com os outros alunos.

"A tutela não se compromete a pagar os encargos obrigatórios como seguros e consultas de medicina do trabalho, segurança social ou subsídios de refeições e nem sequer definiu critérios para pagar as deslocações dos técnicos às escolas", critica João Dias, dirigente da Federação Portuguesa para a Deficiência Mental - Humanitas. Em causa estão também as indemnizações aos técnicos decorrentes dos contratos a prazo, interrompidos sempre que os projectos educativos são suspensos pelo ministério: "Esses custos passam igualmente a serem suportados pelas instituições."

Tudo isto são despesas que os responsáveis dos CRI garantem não ter condições para suportar, avisa Rogério Cação, da Federação de Cooperativas de Solidariedade Social (Fenacerci), dando o exemplo do CRI que dirige em Peniche: "Com a redução das equipas que prestam apoio às escolas terei de dispensar cinco técnicos. Fazendo uma média de anos de trabalho que deram à casa, que são sete, e de salários que rondam os mil euros, terei de pagar cerca de 40 mil euros a estes funcionários. Tendo em conta que já tenho um défice de seis mil euros do ano anterior, diria que o centro não é governável."

E tal como o centro de Peniche tem de reavaliar as suas condições, os outros 74 centros que prestam actualmente apoio às escolas terão de fazer o mesmo. "Só no final deste mês, após terminar o prazo de candidaturas, é que vamos ver o verdadeiro impacto destes cortes. Será esse o momento para saber quais os centros que vão desistir por incapacidade financeira", alerta o dirigente da Humanitas.

Isabel Cottinelli Telmo, presidente da Federação Portuguesa de Autismo, não espera pelo fim deste prazo para deixar o aviso: "Se os encargos com a segurança social, subsídios de refeições e outros custos não forem suportados pelo Estado, não temos alternativa senão suspender o apoio, que prestamos a cerca de 120 crianças de escolas na área de Lisboa e Setúbal."

Tão grave quanto os encargos que "deixam de ser da responsabilidade da tutela", é a redução do "leque de profissionais especializados" que já não fazem parte das equipas que prestam apoio a estas crianças, esclarece João Dias. "No caso das instituições federadas na Humanitas, a eliminação das assistentes sociais das suas equipas implica deixar de apoiar as famílias na busca de soluções para os alunos que estão na transição para a vida activa."

O que está em causa - defende Rogério Cação - é uma posição "inequívoca" que a tutela terá de tomar: "O governo tem de clarificar se quer ou não continuar com estas parcerias e não pode pensar que está a fazer um favor a quem presta este tipo de apoios. Os CRI prestam um serviço público e, como tal, todos os seus custos devem ser pagos pelo Estado", remata o dirigente da Fenacerci."
Abraço!

Pode ser uma explicação para a falta de vergonha...

...de quem nos anda a gozar e, sobretudo, à Educação em Portugal, há já muito tempo!

Há uma área do cérebro que quanto mais pequena for menos vergonha se sente.

Posso abusar e dizer que há pessoas que nem têm essa área?


"Cientistas localizam a região do cérebro responsável pela vergonha

Descoberta pode antecipar diagnósticos de doenças neurodegenerativas.
G1, Globo

Uma pesquisa apresentada num encontro da Academia Norte-americana Neurologia de localizou a região do cérebro responsável pelo sentimento de vergonha: “córtex cingulado anterior pregenual”.

Os participantes do estudo foram filmados cantando e depois tiveram de assistir ao vídeo. O nível de vergonha que eles sentiam era medido pelas expressões faciais e por fatores fisiológicos, como o suor e os batimentos cardíacos. Em seguida, foram submetidos a exames de ressonância magnética para fazer o mapeamento do cérebro.

A importância médica da descoberta está no fato de que a região se atrofia no caso de doenças neurodegenerativas – grupo de doenças que inclui, entre outros, os males de Parkinson e Alzheimer. “Essa região do cérebro previu o comportamento”, afirmou Virgina Sturm, professora da Universidade da Califórnia em São Francisco, autora do estudo. “Quanto menor for a região, menos vergonha a pessoa sente”, explicou.

Saber que as pessoas perdem a capacidade de sentir vergonha e qual parte do cérebro comanda essa capacidade pode sugerir modos de diagnosticar mais cedo certas doenças neurodegenerativas.

“Não é que eles não tenham nenhuma reação emotiva, mas pacientes com perda nessa região do cérebro parecem perder mais emoções sociais complexas”, esclareceu Sturm."




Abraço!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Krugman e a educação

"Assim, se quisermos uma sociedade em que a prosperidade é amplamente partilhada, a educação não é a resposta – teremos de construir essa sociedade directamente, pelas nossas mãos."

É um extracto deste artigo de opinião de Luís Malheiro, no jornal da Madeira.

Numa altura em que se tem falado muito da importância da Educação para o desenvolvimento do país, surge esta perspectiva, que não queria afirmar ser contrária, apenas útil para reflectirmos mais e melhor.

É verdade que não é um curso superior que nos garante o emprego, mas a Educação é fundamental. Possivelmente um curso profissional numa escola de secundária ou de formação pode ser mais vantajoso do que um curso universitário para um vasto leque de jovens/adultos: saem mais cedo para o mercado de trabalho (logo ganham mais experiência e recebem salário mais cedo, não tendo gastos com a continuação dos estudos), ganham mais experiência no terreno (em oposição às "teorias" das aulas), podem ter um emprego mais estável mais cedo e assim pensar em construir família também mais cedo, entre outras vantagens.

Não me alongo mais (sei que esta questão foi só aflorada, muito há para dizer, mas dêm a vossa opinião e posso lançar uma nova menssagem mais direccionada para as conclusões a que chegarmos) e deixo-vos o texto integral:


"Estamos em época de Páscoa, de férias escolares, de feriados e tolerâncias de ponto – criticadas por alguns por poderem constituir um mau exemplo dos negociadores da “troika” que em Portugal estudam a forma como nos vão passar a corda pelo pescoço e a intensidade do respectivo nó…. – pelo que o tema da educação, particularmente depois de indicadores da OCDE pouco favoráveis, parece-me constituir uma ideia de reflexão recomendável.
Mas em vez de perorar ou de inventar, sujeitando-me ao julgamento fundamentalista do sector – ainda por cima sendo eu um “outsider” – nada melhor que usar um texto opinativo de quem acredito saber do que escreve. Refiro-me a Paul Krugmam, docente universitário, investigador, economista e Prémio Nobel da Economia. Já sei! Para alguns um “tonto” que não percebe patavina do assunto. Sim, porque em Portugal falar de educação é falar de sindicalistas, já que fico muitas vezes com a ideia de que só eles é que sabem do que falam, só eles conhecem os problemas do sector, só eles são capazes de dar a volta aos obstáculos que afectam a educação de uma maneira geral, e que na minha opinião, não começam na escola, nem nas decisões tomadas pelos governantes (também…), mas na mentalidade social, na educação que as pessoas adquirem nos seus meios familiares, na forma como a sociedade valoriza a educação na perspectiva de mais-valia para quem a frequenta, na postura dos pais relativamente aos filhos no que à educação diz respeito. Contento-me com a alusão ao facto de se tratar “só” de um Prémio Nobel (2008), com tudo o que isso implica.
Com a devida vénia utilizarei o texto, intitulado “A educação não é a chave do sucesso económico”, publicado no Jornal I onde aquele economista reputado é articulista, dele extraindo algumas das ideias essenciais de uma filosofia que, no caso do nosso país, muito raramente alguém ousaria utilizar. A minha ideia é apenas deixar algumas ideias para reflexão as quais, apesar de terem os EUA como pano de fundo, acabam por ser as mesmas noutras latitudes:
“A ideia de que a educação é a chave do sucesso económico é aceite por toda a gente; todos concordam que os empregos do futuro vão exigir um maior grau de qualificação. Foi por isso que, numa aparição pública na última sexta-feira com o antigo governador da Florida Jeb Bush, o presidente Barack Obama declarou que, "se quisermos melhores notícias na frente do emprego, temos de investir mais na educação". Só que toda a gente está enganada. No dia a seguir ao do evento Obama-Bush, o "The Times" publicou um artigo acerca do uso crescente de software em pesquisas de natureza jurídica. Acontece que os computadores podem analisar rapidamente milhares de documentos, desempenhando por um custo baixíssimo uma tarefa que antigamente exigia verdadeiros exércitos de advogados.

A investigação jurídica não é um exemplo isolado. Como o artigo indica, o software também está a substituir os engenheiros em tarefas como a concepção de novos chips. De uma maneira mais geral, a ideia de que a tecnologia moderna elimina apenas empregos pouco qualificados, de que as pessoas com formação académica sofisticada não têm nada com que se preocupar, pode dominar a imprensa popular mas é claramente anacrónica – várias décadas. A realidade é que desde o início dos anos 90, mais ou menos, o mercado de trabalho dos Estados Unidos se tem caracterizado não por um aumento generalizado de competências, mas por um fenómeno diferente: tanto os empregos muito bem como muito mal pagos têm crescido imensamente, mas não os de remuneração média – aqueles com que contamos para alimentar uma classe média forte –, que têm ficado claramente para trás. E o fosso está a alargar-se: muitas das ocupações que cresceram de forma rápida nos anos 90 têm crescido de forma mais lenta nos últimos anos, ao mesmo tempo que o emprego mal pago e pouco qualificado tem aumentado.
Por que razão está isto a acontecer? A ideia de que a formação académica se está a tornar cada vez mais importante assenta na noção aparentemente razoável de que os avanços da tecnologia aumentam as oportunidades de emprego para aqueles que trabalham com informação – em sentido lato, que os computadores favorecem aqueles que trabalham com a mente, prejudicando os que fazem trabalho manual (…)
A maior parte do trabalho manual que ainda não desapareceu na economia norte-americana é do tipo que é difícil de automatizar. Numa altura em que a força de trabalho em linhas de montagem nos Estados Unidos está reduzida a 6% da população activa, já não há muitos empregos deste tipo que possam ser eliminados. No entanto, muitos trabalhos de pessoas com formação e relativamente bem pagos podem vir a ser informatizados em breve. Os robôs domésticos são engraçados, mas os empregados domésticos ainda estão longe de passar à história; a investigação jurídica computorizada e o diagnóstico médico com ajuda computacional também já existem.
E depois há a globalização. Em tempos só os operários tinham de se preocupar com a concorrência dos operários de outros países, mas a combinação entre informática e telecomunicações tornou possível transferir muitos trabalhos para outros países. A pesquisa dos meus colegas da Universidade de Princeton Alan Blinder e Alan Krueger sugere que os trabalhos altamente qualificados e muito bem pagos são, em certo sentido, mais facilmente deslocalizáveis que os menos qualificados e mais mal pagos. Se eles tiverem razão, o crescimento do comércio internacional de serviços vai afectar ainda mais o mercado de trabalho norte-americano.
De que maneira é que isto afecta a educação nos Estados Unidos? É um facto que temos um problema com a educação. O mais preocupante são as desigualdades à partida – as crianças inteligentes de famílias pobres têm menos probabilidades de concluir a faculdade que crianças muito menos inteligentes de meios mais ricos. Isto não só é escandaloso como representa um desperdício imenso do potencial humano do país. Mesmo assim, há coisas que a educação não tem capacidade de fazer. A ideia de que mandar mais jovens para a universidade poderia recuperar a nossa classe média é pura fantasia. Se hoje já não se pode dizer que um curso universitário assegura um bom emprego, a cada nova década isso vai sendo mais evidente.
Assim, se quisermos uma sociedade em que a prosperidade é amplamente partilhada, a educação não é a resposta – teremos de construir essa sociedade directamente, pelas nossas mãos. Temos de devolver à força de trabalho o poder negocial que ele perdeu ao longo dos últimos 30 anos, de maneira que tanto um vulgar operário como uma superestrela possam exigir bons salários. Temos de garantir os direitos essenciais a todos os cidadãos, em especial o direito à saúde. O que não podemos é chegar onde queremos distribuindo mais formação universitária a torto e a direito. Podemos estar apenas a vender bilhetes para empregos que já não existem, ou então que não asseguram salários de classe média”.
Não me digam que o homem não tem razão?!..."




Abraço!

Retrato de Portugal

Se estiveram atentos às notícias mais recentes ouviram falar na Pordata. Eu já vos tinha falado deste sítio (www.pordata.pt) onde se podem ver e cruzar várias informações muito interessantes sobre diferentes indicadores nacionais (e estrangeiros).

Está nas notícias pois lançou um e-book onde apresenta alguns desses dados, referentes a 2009. Desta publicação já sairam várias notícias sobre a justiça, literacia, tecnologia e outros. A parte da educação pode ser consultada em http://www.retrato-de-portugal.com/#/p10

É sempre interessante saber mais...



Abraço!

Patrões portugueses são menos qualificados que empregados

Não querendo ofender os patrões com menos habilitações literárias, pode ser esta uma das explicações para a falta de investimento/actualização das nossas empresas.

É uma notícia do Jornal i:

"A escolarização dos empregadores portugueses está abaixo do nível dos trabalhadores empregados. Mais de 70% do total de empregadores não foi além da escolaridade obrigatória (9.o ano). isto quando apenas 63% dos trabalhadores portugueses empregados por conta de outrem não passaram esse nível.

Além disso, e embora continuemos a registar os trabalhadores empregados menos qualificados dos 27 países da União Europeia, a melhoria entre estes tem sido maior que a registada entre os patrões portugueses. De 2000 a 2009, a taxa de empregados com qualificações entre o analfabetismo e o 9.o ano caiu 12 pontos percentuais, de 73,9% para 62,3%. Já a queda no lado dos empregadores não chegou aos 10 pontos, passando de 81,1% para 71,3%.

Este foi um dos principais problemas referidos ontem por Maria João Valente Rosa, directora do portal Pordata, a propósito do lançamento do livro "Retrato de Portugal - 2009", online desde ontem. A proporção é explicada pela realidade do tecido empresarial português, composto em 99% por empresas com menos de 250 trabalhadores. Segundo Maria João Rosa, "é deste tipo de empresas que falamos quando olhamos para estes números [de escolarização]".
A educação é um dos "sérios bloqueios em sectores muito importantes" em Portugal. "Partimos muito tarde, o que significa que temos que andar mais depressa que outros países para os apanhar", disse aos jornalistas, acrescentando que "se calhar a resposta [a este problema] está lá fora. É preciso atrair pessoas qualificadas." Mas há factores que afastam esse investimento no país, como é o caso da justiça, referiu. Segundos dados publicados no livro, os tribunais portugueses estão cada vez mais lentos: por cada 100 processos findos, mais de 184 ficam pendentes. O indicador tem vindo a piorar consideravelmente: em meados dos anos 90, esta percentagem rondava valores abaixo dos 80% - por cada 100, 80 ficavam pendentes.

retrato online "Espero que estes números façam sobretudo pensar", referiu Maria João Valente acerca do primeiro livro digital de estatísticas publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. A ideia, esclareceu, é lançar uma edição a cada ano.

Esta primeira versão engloba um total de cerca de 130 indicadores, arrumados em 12 temas, à semelhança do que se encontra no site Pordata. Cada um dos indicadores do livro digital tem um link directo para os quadros estatísticos correspondentes no site."
 
 
 
 
Abraço!

Também conta como tempo de serviço e antiguidade?

Quem é que já se arrependeu de responder nos Censos que trabalha 35 horas semanais? Eu sugeri, como outros o fizeram, para porem o máximo...

Eu também trago a escola para casa! Mas não no sentido de arrastar comigo os problemas de lá. Há momentos para tudo.

Em casa faço a parte que é possível fazer fora da escola: planeio, invento, corrijo, edito, crio, investigo, reflicto e tudo o mais que muitos de nós fazemos.

Gosto do que faço, mas não sou (nem quero ser) escravo do trabalho. Nem só de trabalho vive o Professor Raro...

O artigo é interessante, mas quem vai acreditar nisto?

"Estudo revela que professores portugueses não conseguem desligar-se do trabalho fora da escola

Os professores portugueses não conseguem “recarregar baterias” após um dia de escola, mantendo-se sempre ligados ao trabalho, o que provoca “um desgaste enorme”, conclui um estudo hoje revelado.

Desenvolvido em 2010 no âmbito da tese de doutoramento da docente do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) Maria Alexandre Costa, este estudo visou estudar uma população que vivesse elevados níveis de stress e de que forma as actividades desenvolvidas nos tempos livres têm impacto no seu trabalho.

A docente escolheu um grupo de cem professores do ensino pré-universitário para tentar perceber qual a influência do tempo livre na produtividade destes profissionais.

“A maioria dos professores revela uma grande dificuldade em distanciar-se do trabalho”, disse, acrescentando que estes profissionais “levam muitas vezes trabalho para casa”, como correcção de testes e preparação de aulas, “mas também muitas preocupações”, como mau comportamento dos alunos.

Na sua opinião, os professores são incapazes de recarregar totalmente as baterias e, por estarem sujeitos a níveis elevados de stress, “o desgaste é tal que pode já não ser possível algum dia recuperá-las”, podendo-se comparar a “uma bateria viciada”.

Maria Alexandre Costa acrescenta que os professores “têm maior dificuldade em se envolver em actividades de recuperação" (relaxamento), porque muitas vezes “são confrontados em casa com situações similares às vividas durante o dia de trabalho”, como, por exemplo, explicações/orientações aos filhos.

Na sua opinião, o segredo “é encontrar formas de relaxamento que são próprias para cada pessoa”, porque “quanto maior é o desgaste de um dia de trabalho, mais difícil é relaxar, embora haja uma maior necessidade de o fazer”.

O estudo conclui também que a segunda-feira é o dia mais difícil para os professores, porque é quando “os profissionais se sentem menos relaxados”.

Para a docente, esta é uma conclusão “curiosa”, uma vez que, apesar de ser o dia seguinte ao maior período da semana destinado aos tempos livres, apresenta-se como aquele em que “os professores mais rapidamente perdem esse relaxamento”.

O estudo permitiu também concluir que “à sexta-feira há recuperação de relaxamento” (distanciamento psicológico da actividade profissional), referiu a docente, que interpreta este dado como “o efeito de contaminação do fim-de-semana”.

Para realizar este estudo, Maria Alexandre Costa acompanhou os professores durante duas semanas, colocando-lhes questões antes do início do trabalho, “logo pelas 08h00”, e ao final da jornada “para avaliar como correu o dia de trabalho”."


Abraço!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Mais uma forma de Educar crianças

Calma. quando comecei a ler vieram-me logo várias ideias contrárias ao que lia, que não podia ser be assim. Mas depois lá vem a ressalva que não é uma táctica para usar em todos os casos.

"Simplesmente não lhes ligar

Ignorar uma atitude é uma das melhores formas de levar ao seu desaparecimento. Se a criança percebe que determinado comportamento não está a produzir os efeitos desejados, acaba por o abandonar. Tal como dar atenção é uma das principais armas ao nosso dispor quando pretendemos estimular a criança a portar-se bem, também o inverso é verdade: não dar atenção é uma das melhores formas de levar os nossos filhos a eliminarem comportamentos incorrectos.

Ignorar é mais fácil que outras atitudes possíveis, por exemplo, pôr de castigo. É também uma atitude que exige pouco esforço por parte dos pais, porque não envolve contacto físico, verbal ou visual com a criança.

Como é óbvio, apenas podemos usar esta estratégia quando a saúde ou a segurança da criança não está em risco. É uma forma inteligente de não termos que estar constantemente a repreender os nossos filhos por pequenas coisas que eles fazem propositadamente para nos provocar, como quando fazem caretas, lançam olhares, deitam a língua de fora, chamam a atenção, fazem birras ou choram por tudo e por nada.

Não deve ser uma estratégia a utilizar quando as faltas são mais graves, como, por exemplo, quando dizem palavrões, insultam, fazem gestos grosseiros, batem nos irmãos, correm ao atravessar a estrada ou desobedecem deliberadamente aos pais."
Paulo Oom - Jornal i


Abraço!

De novo a autonomia das Escolas

Sou dos que acredita que isto vai acontecer. Que vamos chegar ao ponto em que as Escolas vão ter voz activa na Educação, vão poder fazer como pensam ser melhor. Mas que também vão ter que apresentar resultados!

E por aqui anda a contratação dos Professores: se uma escola vai ter que justificar os seus resultados, vai ter que poder contratar quem quiser, tem que poder acreditar no seu grupo de trabalho.

Já estão a pensar "cunhas e mais cunhas"? Até acredito que sim, mas nem todos temos cunhas, vão sobrar lugares. Onde? Não sei. Mas depois as escolas vão ter que apresentar resultados. E o filho do amigo ou do sr. fulano de tal pode ter cunha mas ser incompetente... E que tal uma política de compensação por um trabalho bem feito? Quem faz mais e melhor tem que ter tratamento preferêncial...

É claro que isto levanta muitas mais questões e até pode entrar a ideia dos "cheque-ensino" já falada por Passos Coelho: financia-se o aluno e não a Escola. Seja pública ou privada os pais podem decidir (pelo menos parcialmente pois podem não haver vagas ou as escolas rejeitarem quem não quiserem...) onde matricular os filhos. E onde se matricularem levam o "cheque" para pagar o seu Ensino.

Mas deixando as "reflexões" por aqui, deixo-vos um artigo do Público:

"Autonomia das escolas será o passo mais importante"

Investigador e ex-secretário de Estado da Educação do PSD, Joaquim Azevedo diz que o próximo titular da pasta de Educação devia dar prioridade à autonomia das escolas. "É possível avançar-se bastante mais neste domínio e criar um sistema de responsabilidade", defende.

Quais as medidas que considera obrigatórias para o próximo titular da pasta da Educação, não esquecendo a situação em que o país vive?
Penso que há condições, porque não depende sobretudo de recursos financeiros, para se introduzir muito mais autonomia nas escolas e promover a contratualização com todas as escolas integradas no serviço público de educação. Defendo que todas as escolas integradas no sistema público de educação devem ter autonomia de gestão, pedagógica, de contratação de professores. É possível avançar-se bastante mais neste domínio e criar um sistema de responsabilidade. Essa é a grande questão em todas áreas: criar sistemas de responsabilidades que impeçam desmandos ou desorientações. Temos muitas falhas a esse nível. É preciso um novo compromisso social pela educação, que envolva professores, alunos, pais, autarquias.

Como é que a autonomia poderá beneficiar as aprendizagens dos alunos?

Há um primeiro esforço que é o de identificar os responsáveis pela promoção de melhores aprendizagens. E os responsáveis são cada escola e o conjunto dos seus autores. Depois é preciso atribuir-lhes as competências para tal e concentrá-las neles e isso pode fazer-se através de um mecanismo de contratualização. E depois de esta estar concretizada tem que se pedir às escolas que se coloquem numa rota de melhoria gradual. O objectivo da contratualização deve ser o de exigir que as escolas melhorem gradualmente as suas aprendizagens e isto deve estar inserido num sistema claro de responsabilidade, não pode ser uma coisa diluída.

A autonomia é então mais importante do que uma reforma curricular ou a revisão dos programas em vigor?

Já fizemos muitas alterações. Esse é um aspecto secundário. Pode-se redimensionar o currículo nacional, mas isso só por si não altera nada. Pode-se apontar um horizonte, como fez a actual ministra com as metas de aprendizagem [definição do que os alunos devem saber no final de cada ano]. Mas o problema permanece: como é que se chega lá? É bom que exista uma clarificação das metas porque isso ajuda também a criar um sistema de responsabilidade. Mas é cada escola que tem de olhar sobre si própria e promover uma reflexão interna, que envolva toda a comunidade, para perceber onde pode melhorar e o quê, e fazer isso ano a ano.

No quadro de contenção que sairá das conversações com o FMI será possível prosseguir medidas como, por exemplo, o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos?

Falta saber se o programa de contenção vai ser aplicado cegamente ou se serão acautelados dois ou três sectores, como a educação, a saúde, a solidariedade social. É possível distinguir. Por outro lado, o sistema continua a ter possibilidades de realização de alguma racionalização, de economias de escala. Mas não como se fez através de mega-agrupamentos, que estão a destruir a qualidade da direcção das escolas. É possível ir buscar economias de um lado para investir no outro. É evidente que a qualificação ao nível secundário tem de ser uma prioridade. A última coisa que devemos fazer neste contexto é baixar a qualificação das pessoas porque temos de fazer face à crise, mas também temos de pensar simultaneamente como vamos sair dela e a educação e qualificação das pessoas são fundamentais para se sair bem da crise.

Das medidas adoptadas por Isabel Alçada qual destacaria?

O foco nas metas de aprendizagem foi útil."


Abraço!