terça-feira, 12 de abril de 2011

Universitários por quatro dias

É uma forma diferente de aliciar os alunos em risco de abandono do meio escolar que me parece bastante relevante. Espero que dê frutos:

"Educação: Vinte seis alunos das escolas de Aveiro serão universitários por quatro dias

Jornal i
 
Cerca de três dezenas de alunos adolescentes com um percurso escolar considerado irregular vão viver durante quatro dias no campus da Universidade de Aveiro (UA), iniciativa que quer combater o abandono escolar.


Trata-se do "Campus Júnior" que irá decorrer de 13 a 16 de abril e que conta com a participação de 26 alunos, entre 13 e os 15 anos, de escolas do concelho de Aveiro para despertar vocações e combater o abandono escolar.

"Queremos que o programa funcione como uma espécie de injeção de motivação e de entusiasmo para jovens adolescentes que às vezes atravessam fases criticas no seu desenvolvimento e na sua relação com a escola e a sociedade", disse à Lusa, António Neto Mendes, diretor do "Campus Júnior"."



Abraço!

Governo não contesta providência cautelar que o obriga a repor financiamento a colégio

Vai pagar, mas pelo valor mais "moderno"... No entanto fica a novidade: o ministério da Educação vai aceitar uma decisão do tribunal sem contestar! E esta, hein?

"O Ministério da Educação revelou que não contestará a providência cautelar que o obriga a pagar as mensalidades a uma escola privada de Coimbra que recusou assinar a adenda ao contrato de associação.

Esta segunda-feira, o Tribunal Administrativa e Fiscal de Coimbra deferiu uma providência cautelar do Instituto Educativo de Souselas contra a interrupção do financiamento do ME por não subscrever a adenda que lhe reduzia o valor das mensalidades contratualizadas no início do presente ano lectivo.

"O Ministério da Educação não vai recorrer da sentença. O que Tribunal decidiu é que deve ser pago o valor previsto na portaria, o que o Ministério sempre defendeu (e não o valor anterior que era o pretendido pela escola)", revelou à agência Lusa uma fonte do ME.

A providência cautelar decretada esta segunda-feira obriga o ME a pagar, no prazo de dez dias, as mensalidades em falta, desde Janeiro do corrente, no montante estabelecido após os cortes impostos em Dezembro pelo Ministério das Finanças.

No entanto, o Instituto Educativo de Souselas pretendia a reposição no valor contratualizado no início do ano lectivo, o que não foi acolhido na decisão daquele tribunal.

Na sequência da providência cautelar, o ME fica também obrigado a pagar as mensalidades futuras "até ao dia 25 de cada mês" ao Instituto Educativo de Souselas, que é frequentado por 710 alunos.

"Entretanto o Instituto avançará com a acção principal deste processo com objectivo de obter o financiamento contratualizado para este ano lectivo de forma integral, uma vez que o Estado Português se recusa a pagar o que acordou por escrito no 1.º período deste ano lectivo", revelou à agência Lusa Manuel Duarte, director pedagógico daquela escola.

Aquela escola, por dificuldades financeiras, não pagava desde Janeiro os salários aos professores e demais funcionários.

O director referiu que uma das razões da recusa à assinatura da adenda ao contrato de associação foi o facto de introduzir um novo contrato de financiamento, por valores mais baixos do que o contratualizado para o ano lectivo em curso com o ME."
JN


 
Abraço!

O Professor Polícia

"IDT aconselha ida de professores nas viagens de finalistas"

É aqui que entra o Professor Polícia, mais uma faceta do Professor moderno que corrige, aplica, ensina, ralha, educa, prepara, planifica, organiza, escreve, protesta, é injuriado, etc e tal.

Se os meninos são marotos, o Professor resolve tudo: acaompanha-os e tudo corre bem!

E a seguir vamos ao domicílio, ao fim de semana e "depois da hora", para evitar que se embebedem, tratem mal os pais, façam tudo o que querem...

Já somos nós os "heróis" na Educação (na que deve ser dada em casa e não na Escola) durante o nosso horário de trabalho, mas agora temos que ser a tempo inteiro: com os filhos dos outros!

Na verdade já acontece, já todos ouvimos ou conhecemos histórias pessoalmente de pais que, deseperados, ou já completamente rendidos, nos dizem, como quem pede auxílio "já não sei o que lhe fazer, ele é assim". E, alguns de nós, só porque estão dispostos a isso, lá dão uma ajuda, umas sugestões.

Já fazemos de tudo, é só mais uma função...

E que tal responsabilizarem os país pela Educação dos filhos?

Será que não sabem que estas viagens são planeadas para o "excesso" (de tudo o que não podem fazer quando estão vigiados)?

E quem é que vai nestas viagens? Os meninos(as) que merecem um presente por se portarem bem durante o ano? Ou vão também aqueles que podem ficar traumatizados por os colegas irem e eles não?


"O delegado regional do centro do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), Carlos Ramalheiro, defendeu hoje que as viagens de finalistas devem ser “enquadradas” por professores para minimizar problemas relacionados com o consumo de drogas e álcool.


A advertência de Carlos Ramalheiro surge numa altura em que a GNR e a PSP, em operações levadas a cabo nos últimos dias, só nos distritos de Viseu e da Guarda, apreenderam centenas de doses de haxixe, ecstasy e outros estupefacientes na posse de jovens integrados nas viagens de finalistas em direção a Espanha.

A PSP de Viseu, numa operação conduzida no fim-de-semana, segundo informação do comando distrital, apreendeu 400 doses de haxixe em buscas efetuadas em autocarros que transportavam estudantes em direção a Espanha.

Na Guarda, a GNR, numa operação levada a cabo na fronteira de Vilar Formoso, também no fim-de-semana, deteve pelo menos, três estudantes no âmbito de uma operação de controlo de grupos de alunos que seguem para Espanha em viagens de finalistas.

O tenente-coronel Cunha Rasteiro, chefe da secção de investigação criminal do Comando Territorial da GNR da Guarda, disse à Lusa que os jovens foram detetados na posse de estupefacientes durante a fiscalização a 38 autocarros que transportavam estudantes para a costa mediterrânica de Espanha.


Os estudantes, que seguiam em quatro autocarros diferentes, detinham “meio milhar de doses individuais de ecstasy, haxixe e ‘cannabis’”, que foram apreendidas pela GNR, indicou Cunha Rasteiro.

Perante este cenário, que se reproduz um pouco por todo o país, o delegado regional do centro do Instituto da Droga e da Toxicodependência defendeu hoje em Tondela, Viseu, à margem da cerimónia de criação de um núcleo territorial do Programa de Respostas Integradas de combate ao consumo de drogas e álcool, que as viagens de finalistas “merecem uma atenção dos pais” mas também das escolas.

Estas viagens de finalistas são normalmente organizadas pelas associações de estudantes e não envolvem acompanhamento de professores ou encarregados de educação.


Situação que Carlos Ramalheiro considera errada e para a qual aconselha a intervenção das escolas, nomeadamente a criação de condições para que estas viagens de finalistas tenham o acompanhamento de professores.

“Trata-se de um fenómeno cultural onde, quantas vezes, os jovens, como é da sua natureza, testam limites. Por isso é importante que os pais e as escolas reflitam sobre a participação dos seus filhos nestas viagens”, apontou."
Diário Digital / Lusa



Abraço!

Avaliação de professores é para continuar a aplicar

É o que defende o presidente do Conselho de Escolas, Manuel Esperança.


Ainda não existe um "papel" oficial a confirmar a sua suspensão. Estamos todos ainda a "celebrar" uma decisão que não produz efeito enquanto não sair em Diário da República, temos que jogar pelo seguro.
 
Ou então é desta que todos se reunem e, sendo ou não obrigatória, ninguém apresenta os documentos referentes a este processo. Mas isto é só uma ideia, não acredito que aconteça...
 
 
 
"O modelo de avaliação de professores é para aplicar até que seja publicada em Diário da República nova legislação, considera o presidente do Conselho de Escolas, Manuel Esperança.


“Neste momento, é extremamente perigoso as escolas pararem, porque não temos nenhum documento oficial com a tomada de decisão da Assembleia da República”, alerta, em declarações à Renascença.

Depois de a oposição parlamentar se ter unido para aprovar a revogação do diploma, há mais de duas semanas, a questão seguiu para Belém e, na semana passada, o Presidente da República pediu a sua apreciação ao Tribunal Constitucional.

O diploma da revogação anda de mão em mão e o presidente do Conselho de Escolas garante que todo este processo "descredibiliza o sistema de ensino". Na opinião de Manuel Esperança, aliás, a eventualidade de o actual modelo de avaliação de professores ser suspenso "é uma má decisão para as escolas, que assim perdem mais uma vez a oportunidade de avaliar o que está a correr mal".

“Tivemos uma oportunidade de identificar os pontos fracos [do actual modelo de avaliação] e, com base nessa avaliação, podíamos partir para um novo modelo já completamente reajustado”, sustenta.

De acordo com o calendário, os professores contratados têm de ter a sua avaliação concluída até ao final das actividades lectivas, a 5 Julho, um mês depois das eleições legislativas.

Hoje, começam as férias que marcam o fim do segundo período do corrente ano lectivo. São as férias da Páscoa, que terminam a 26 de Abril."
RR




Abraço!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Professores fazem greve em protesto contra indisciplina dos alunos

É verdade, mas não aconteceu aqui. Mas, fica a sugestão, já que importamos tantas modas, porque não esta?


"Os professores da escola secundária de Darwen Vale, no Reino Unido, iniciaram uma greve contra o que dizem ser o "mau comportamento" dos alunos e os "maus tratos" por parte dos dirigentes escolares. Esta greve inédita surge no seguimento do anúncio do governo britânico de pretender adotar medidas mais duras contra a indisciplina escolar - Correio da Educação)"



"Teachers at a troubled high school said they were 'delighted' today after starting a one-day strike over bad behaviour by children and 'poor treatment' from bosses.


Staff at Darwen Vale High School in Darwen, Lancashire, say they are angry over a lack of backing from the head, Hilary Torpey, and other management at the school when they confront unruly children.

The unusual move - teachers have gone on strike over pay and conditions before but rarely over school discipline - comes after Education Secretary Michael Gove signalled a new crackdown on discipline in the classroom.


Around 70 teachers with placards picketed the school gates today, cheering the occasional hooting of horns in support from passing motorists.

Simon Jones, a local National Union of Teachers (NUT) official manning the picket line, said: "We are delighted with the turnout and the support we are receiving.

"This is not a strike against pupils. It is about management, and management failure to support staff in dealing with challenging behaviour.

"No one wants to demonise the children here, they are no better or no worse than any other.

"The biggest difference between this school and other schools is the management failure to support staff."

The new head, believed to earn between £80,000 and £100,000 a year, was at her desk in the school today, but it was a free day for the 1,100 pupils.

Members of both the NUT and National Association of Schoolmasters/Union of Women Teachers (NASUWT) had voted overwhelmingly for the one-day strike action.

The action comes after what unions claim are months of complaints from members about both the pupils and the school management's way of dealing with teachers who have to enforce discipline in the classroom.

Unions say complaints from members at the school include teachers being pushed, shoved and sworn at, and some pupils filming staff on mobile phones and clips being posted on Facebook.

There have also been problems of cyberbullying and pornography.

But when teachers confiscated pupils' phones, they have then been returned by management, leaving staff "totally undermined", it is claimed.

And since last September, when the new head was appointed, five teachers have been suspended, according to staff at the school.

They claim some children have realised that if they are disciplined, they can make a complaint about a teacher's behaviour to get the member of staff suspended.

Mr Jones said: "A really serious part of this is a minority of pupils have got into the habit of making false allegations.

"The head has proven this time and time again, with a number of staff suspended for all sorts of reasons.

"On the one hand, she is draconian with staff, and, on the other, I would not use the words namby pamby but inconsistent with pupils.

"There is a lack of clarity. I think there is a philosophy of not wanting to suspend."

Unions say they have been forced to take strike action because previous complaints, starting before Christmas, to the head and school management have fallen on deaf ears.

But Harry Devonport, director of education at Blackburn with Darwen Borough Council, suggested the teachers had been hasty in going out on strike.

"I am very disappointed that, so quickly, teachers have felt the need to take strike action," he said.

"There has only been two meetings to discuss this.

"I am saying we have got to this position very quickly without a clear understanding of what the concerns are about.

"The council is working hard to bring the leadership of the school, together with the unions, to clarify what needs to be done."

In its latest Ofsted inspection last June, Darwen Vale was rated a good school where pupils' behaviour was given a good rating.

The original Darwen Vale High School is being rebuilt under the Building Schools for the Future programme.

Currently the 1,100 pupils are being housed temporarily in the empty buildings of a former local school, which had a capacity of only 800.

The new £18 million Darwen Vale school is scheduled to reopen in September 2012.

Unions say the looming Easter holidays, starting on Friday, will give more time for the issue to be resolved.

They want the head, governors and local council to come up with a "robust behaviour management policy" and give teachers the freedom to implement it.

Otherwise union officials warn more strike action could not be ruled out.

Regras sobre os castigos

Estamos sempre a aprender. Mas há sempre quem não queira aprender. Depois levamos nós com os filhos deles...

Regras sobre os castigos

por Paulo Oom - Jornal i

"Alguns pais têm dificuldade em aplicar um castigo aos seus filhos. Na altura de o fazer, diz-me a minha experiência, muitos caem, ingenuamente, num erro tremendo que, no entanto, pode ser evitado.


Se um filho se portou mal e a mãe o avisa de que vai ficar de castigo, o pior que ela pode fazer é oferecer vinte explicações para estar a avisá-lo. Muitas mães não resistem a explicar ao seu filho, pela vigésima vez, porque razão não deve bater nos irmãos, ou porque não deve fazer batota, ou ainda porque não pode comer na sala.

Mas o que estas mães não sabem é que muitas explicações são normalmente interpretadas pela criança como a mãe estar a "implorar" para que o filho se porte bem. Se chega a hora do castigo, a criança sabe muito bem que não se portou bem e a mãe não tem dúvidas de que aquele comportamento não deve ser repetido, o castigo deve ser aplicado sem mais explicações. Nada mais é necessário, apenas acção.

Se for bem aplicado, ficar de castigo não provoca qualquer tipo de "trauma psicológico" na criança. Pode frustrá-la, isso sim. Mas aviso já que é impossível educar um filho sem o frustrar de vez em quando. Não propositadamente, mas faz parte de ser pai ou mãe fazer ver aos nossos filhos que não podem ter tudo aquilo que desejam - e isso implica, por vezes, que fiquem frustrados, quando as suas expectativas não se realizam. Mas isso também os ajuda a crescer."

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Abraço!

domingo, 10 de abril de 2011

Novo currículo do Ensino Secundário

Podem consultá-lo aqui e/ou ler esta notícia do Educare:

"A partir do próximo ano letivo, os alunos do secundário passam a contar com um exame final nacional optativo de Filosofia e com uma disciplina de Formação Cívica nos cursos científico-humanísticos, segundo legislação hoje publicada em Diário da República.


Este decreto-lei, que altera pela quarta vez o diploma n.º 74/2004, de 26 de março, e estabelece os princípios orientadores da reorganização curricular do ensino secundário e da avaliação das aprendizagens, determina ainda o fim da disciplina de Área-Projeto da matriz dos cursos científico-humanísticos.

De acordo com esta nova reorganização curricular, é alargada a oferta de exames nacionais nas disciplinas de formação geral, sem aumentar o número de exames obrigatórios, e criada a disciplina de Formação Cívica nos cursos científico-humanísticos.

A decisão de acabar com a Área de Projeto no 12.º ano tem por base a experiência da aplicação desta disciplina e o benefício pedagógico que se espera obter da utilização das chamadas "metodologias de projeto" em cada uma das disciplinas do currículo, não como disciplina autónoma.

Esta reorganização curricular do Ensino Secundário tem também como objetivo diminuir a carga horária letiva semanal dos alunos no último ano, de modo que possam centrar-se na conclusão do ciclo de ensino e na preparação para os exames nacionais.

A criação da disciplina de Formação Cívica no 10.º ano pretende reforçar a formação nas áreas da educação para a cidadania, para a saúde e para a sexualidade.

O diploma introduz ainda o exame final nacional optativo na disciplina de Filosofia da componente de formação geral.

O decreto-lei hoje publicado contraria as recomendações do Conselho Nacional de Educação (CNE), que defendia a manutenção da Área de Projeto no 12.º ano.

Quanto à Formação Cívica, o parecer do CNE apontava para a criação dessa disciplina em todos os cursos e em todos os anos de escolaridade do Ensino Secundário, contestando o tempo de 45 minutos atribuído."


Abraço!

Ensino Particular: escola de Souselas sem dinheiro para salários

É grave: não assinou e agora não tem verba! É a chantagem...

"Instituto Educativo de Souselas não assinou alterações ao financiamento e o Ministério não está a transmitir verbas

O Instituto Educativo de Souselas (Coimbra) anunciou, esta sexta-feira, que tem salários em atraso e que não vai poder pagar as remunerações de Abril, porque o Ministério da Educação (ME) «não transfere qualquer verba» para a escola.


«A falta de assinatura de uma adenda é o motivo para o ME não transferir qualquer verba para esta escola situada em zona onde não há escola estatal», de acordo com um comunicado divulgado esta sexta-feira pela administração do estabelecimento com contrato de associação.

O Instituto Educativo de Souselas (INEDS) interpôs uma providência cautelar, que teve audiência na quinta-feira no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra, «porque o Ministério da Educação não transfere qualquer verba ao abrigo do contrato de associação para pagamento de salários e outras despesas a partir do mês de janeiro, inclusive».

Reagindo à situação, que é destacada esta sexta-feira nos dois matutinos de Coimbra, o Ministério da Educação sublinha que «a Direção Regional de Educação do Centro garantirá, em qualquer circunstância, a prestação do serviço educativo» aos alunos abrangidos pelo contrato de associação.

«O Ministério da Educação lamenta que a entidade titular do Instituto Educativo de Souselas se recuse, nos termos do novo regime legal de financiamento dos contratos de associação, a celebrar a adenda ao contrato com a Direção Regional da Educação do Centro e que tenha optado pela via litigiosa», adianta a fonte da tutela na resposta enviada à Agência Lusa.

De acordo com o INEDS, «há salários em atraso. Os que foram pagos foram-no com recurso a crédito bancário através de livranças e contas caucionadas. Não vai ser possível pagar salário de abril porque está esgotada a capacidade de endividamento» junto da banca.

«Nestes 18 anos de existência do Instituto, sempre houve transferências mensais para despesas com o corpo docente, não docente e restantes despesas (o ensino é de sempre totalmente gratuito nesta escola) havendo posteriormente (final do ano letivo) lugar à assinatura do respetivo contrato ou adenda», adianta a nota da administração do Instituto Educativo de Souselas.

Segundo o mesmo comunicado do estabelecimento da rede de ensino particular e cooperativo, «a pressa do ME para que se assine tem como objetivo legalizar legislação eventualmente inconstitucional em vez de pagar aquilo que deve às escolas»."

Uma factura pior do que a do FMI...

“Governo poupou na Educação… vamos pagar fatura muito pesada”
Nuno F. Santos - Educare

O secretário-geral da FNE fala das razões da contestação, do acordo com o ME e das prioridades reivindicativas. Mais. João Dias da Silva diz o que a FNE vai fazer mesmo antes das eleições legislativas junto dos partidos políticos e não se escusa a abordar a crise e a poupança... no setor errado.

A Federação Nacional da Educação espera a decisão do Presidente da República no que toca à constitucionalidade do diploma que revogou o modelo de avaliação de desempenho. Um modelo que tanto protesto causou e ainda causa no seio dos professores.

E: Desde as grandes contestações contra a política liderada por Maria de Lurdes Rodrigues até à atual ministra da Educação num quadro de um Governo de gestão, Isabel Alçada, são mais, ou menos, as razões da insatisfação?

João Dias da Silva: As razões da insatisfação são outras. Conseguimos eliminar aquilo que realmente eram fatores de perturbação e que era a divisão dos professores em duas categorias. Conseguimos estabelecer algumas fórmulas para fazer com que as pessoas tivessem mais atrativa a profissão só que, em cima dessas decisões veio a crise e veio a forma atabalhoada como o Governo respondeu à crise, fazendo com que a mesma seja resolvida através dos bolsos daqueles que lhe estão mais à mão: os trabalhadores da administração pública, em geral, e dos professores em particular, diminuindo-lhes os salários e reduzindo a formação das condições para a qualidade do sistema educativo. Nós consideramos que não faz mal nenhum que se racionalize o sistema e se procure ter soluções mais racionais, mais equilibradas na gestão dos recursos da Educação. Agora, daí não pode resultar é o abaixamento da qualidade da Educação.


"Poupar na Educação pode vir a ter fatura pesada"

E: Concretamente...

JDS: Concretamente aquilo que em muitas medidas o Governo anunciou e colocou em marcha, como a fusão de agrupamentos excessivamente grandes, a atabalhoada reforma curricular que fez, a forma de organização do tempo de trabalho dos professores, o fim da área de projeto e da área escola... tudo feito em prejuízo dos alunos, do tempo em que os alunos estão acompanhados educativamente dos professores. Estas medidas significaram que, para poupar, o Governo diminuiu o tempo em que as crianças e os jovens têm de acompanhamento assegurado por educadores e por professores. Isto pode ter um efeito prático imediato de poupança, mostrando que se consegue poupar dinheiro através de medidas desta natureza. O impacto no futuro em termos de qualidade é que há de corresponder a uma fatura extremamente pesada que vamos ter de pagar para contrabalançar as perdas destas medidas.

E: Quer dizer que o Governo fez as opções erradas na Educação...

JDS: Durante muitos anos, em Portugal não se investiu na alfabetização; Durante muitos anos, em Portugal, ao contrário do que acontecia nos outros países, não se investiu numa escolaridade básica obrigatória mínima ou de dimensão adequada. Sempre poupámos na Educação e o que isto significou é que Portugal era nos anos setenta do século passado o País com mais elevadas taxas de analfabetismo, com taxas incompreensíveis de frequência da escola e, portanto, essa fatura teve de ser paga depois em investimento muito forte da área da Educação. Agora, o Governo quis voltar a poupar, no tempo em que as crianças e os jovens são acompanhados por educadores e professores... a fatura que vai ficar para pagar em termos de crescimento e desenvolvimento vai ser extremamente pesada e não faz sentido que estas tenham vindo a ser as medidas escolhidas para resolver os problemas de défice e os problemas orçamentais do Estado.


"Professores têm direito a ter vida pessoal"

E: Neste momento, perante a atual situação política, quais são as prioridades da FNE... Elas mudam tendo essa crise em conta?

JDS: As prioridades da FNE são as prioridades dos professores.... E dos trabalhadores não docentes das escolas. E essas prioridades têm a ver com a compreensão que as pessoas têm de que não podemos estar a fazer crescer despesa em Educação. Podemos rentabilizar melhor a gestão do dinheiro que temos para a Educação. Em termos de futuro imediato há questões concretas profissionais que têm a ver com as condições de trabalho dos professores. E é preciso garantir que aos professores são reconhecidos direitos essenciais como, por exemplo, terem vida pessoal. E aquilo que se está a fazer é continuar uma lógica de crescimento de burocracia, de papéis, de conceções meramente administrativas para funcionamento das escolas que são apenas sinais da desconfiança da administração em relação aos professores. O ainda e atual modelo de avaliação de desempenho, a forma como está a ser concretizado... na nossa perspetiva está a ser concretizado de uma forma errada e que não corresponde àquilo que foi o acordo que celebrámos no dia 8 de janeiro do ano passado. É o sinal claro de que estamos a dar mais importância àquilo que é a papelada e àquilo que é menos importante do que àquilo que é mais importante e que é o trabalho que o professor faz. Aquilo que nós temos hoje, o trabalho que os professores têm de fazer nas escolas, como o registo daquilo que fazem, é como o apontador de obra que está a cada minuto a cada meia hora a assinalar o trabalho que faz. Isto é inaceitável que aconteça, e o Ministério da Educação, que é o regulador do sistema educativo, não pode assobiar para o lado, fazer de conta que esta insatisfação não existe e não pode deixar de promover medidas que façam com que este desmesurado peso administrativo e burocrático continue a massacrar os professores no seu dia a dia.


"Sindicatos têm de se atualizar"

E: Assistimos recentemente a uma manifestação apartidária que juntou cerca de 200 mil pessoas em todo o País. Não houve intervenção nem organização dos sindicatos... e quer a FNE quer a FENPROF são filiadas em centrais sindicais afetas a alguns partidos políticos. Podem os sindicatos perder força?

JDS: Os sindicatos não podem deixar de se atualizar. Mal irão os sindicatos que continuem a pensar que as lógicas de intervenção do passado devem continuar sem mudança. E é fundamental que os sindicatos atualizem a sua forma de intervenção. É fundamental que as pessoas sintam que a voz dos dirigentes sindicais corresponde àquilo que são os seus anseios, os seus problemas, as suas dificuldades. E isso passa por uma mudança eventual do quadro reivindicativo e formas de chegada às pessoas. Aquilo que era funcional no movimento sindical e que funcionava até agora, precisa de reflexão e de mudança. Mas nós não podemos passar o tempo todo a refletir para mudar, temos de, muito rapidamente, perceber o que é que o movimento sindical nacional e internacional deve fazer para estar próximo das pessoas, para reforçar a sua proximidade em relação às pessoas. As pessoas não podem dizer nem sentir que os sindicatos não estão próximos dos seus problemas.

Respeitar as dúvidas do PR em relação à revogação da avaliação de desempenho

E: Depois da revogação do atual modelo de avaliação de desempenho na Assembleia da República, o que lhe parece que será o futuro a curto e médio prazo? E o que fará a FNE?

JDS: Entendemos que não há razões de ordem constitucional que possam fazer com que não seja válida a deliberação da Assembleia da República para revogar a forma como a avaliação de desempenho estava a decorrer. O Presidente da República, no exercício das suas funções, tem toda a legitimidade para ter dúvidas sobre a constitucionalidade do diploma e nós respeitamos esta prorrogativa presidencial. Esperamos serenamente uma decisão que corresponda aos nossos objetivos e que garanta que a norma não venha a sofrer de problemas futuros quanto à sua legalidade. Com a marcação de eleições antecipadas, impõe-se-nos a tarefa de ir junto dos partidos políticos e expor-lhes as nossas preocupações e as nossas propostas. E é o que faremos logo depois de aprovarmos a nossa proposta de Roteiro para a Legislatura, o que ocorrerá na reunião do Secretariado Nacional da FNE a 12 de abril, em Lisboa."

Educação sexual embaraça pais e professores

Vou-me repetir: o tema não é fácil.

Como pai assumo a importância e terei que desempenhar o meu papel.

Como Professor, tenho cuidado para não me meter em "areias movediças", uma vez que os próprios pais podem alegar que estamos a entrar numa matéria em que devem ser os educadores principais.

E as questões da linguagem, dos temas, do grau de maturidade de quem está a ouvir é sempre matéria complexa.

Mas temos que abordar o tema...


"A escolha da linguagem mais adequada à educação sexual dos jovens é uma «angústia permanente» que embaraça pais e professores, foi hoje realçado em Coimbra num seminário sobre a matéria.


«A questão da linguagem a adoptar, por exemplo o nome dos órgãos genitais, é uma angústia permanente dos pais», disse Sónia Araújo, uma técnica da Associação para o Planeamento da Família (APF) que participou nos trabalhos.

Também o director executivo da APF, Duarte Vilar, defendeu que «a questão da linguagem é um problema fundamental, não só para os pais, mas também para os professores».

«A educação sexual lá em casa» foi o tema do seminário, uma iniciativa conjunta da APF e da Confederação Nacional de Associações de Pais (CONFAP), que decorreu no auditório do Conservatório de Música de Coimbra.

O sociólogo Duarte Vilar corroborou a opinião de Sónia Araújo para dizer que importa saber «como falar» com os jovens de educação sexual, em casa e na escola, abordando com clareza temas como relações sexuais, homossexualidade, menstruação ou doenças sexualmente transmissíveis, entre outros.

«Qual o quadro de valores pelo qual se rege a educação sexual nas escolas?», afirmou, ao salientar a importância da informação e preconizando que «não é preciso um momento especial para falar disto».

Duarte Vilar sublinhou que, dois anos após a entrada em vigor da lei da educação sexual nas escolas, persistem ainda na sociedade portuguesa diversas «dúvidas e inseguranças nesta matéria».

«Como falar, o que dizer, quando e como?» são algumas das interrogações mais frequentes, designadamente entre pais e docentes, disse.

Segundo um estudo da APF, realizado em 2009 e discutido na sessão, «hoje em dia, os pais estão mais envolvidos na educação sexual dos filhos».

«O estudo revela que pais e mães estão, de facto, envolvidos na educação sexual dos filhos e sempre com grande grau de informalidade», adiantou o mesmo responsável.

Intitulado Ditos e não ditos - Educação sexual e parentalidade , o estudo foi apresentado pela psicóloga Vanda Beja.

O presidente da CONFAP, Albino Almeida, falou dos Mitos, tabus e constrangimentos neste domínio.

«Os constrangimentos são aqueles que decorrem do acertar daquilo que os filhos querem saber», declarou Albino Almeida.

Um dos actuais desafios consiste em «perceber, à luz do conhecimento científico, como podemos melhorar a nossa atitude», referiu, preconizando uma maior aposta na formação dos pais nesta área."
Lusa / SOL


Abraço!