Não é bem assim, claro: um bom aluno não é só o que tem melhor memória, certo?
Mas nesta parte vamos ter uma ajuda: Cientistas estudam fármaco capaz de intensificar memórias.
É uma notícia do Diário Digital, que podem ler aqui.
Abraço!
sábado, 19 de março de 2011
Uma escola para tolos?
Dantes só tinhamos que ensinar.
Agora a Escola serve para tudo e mais alguma coisa...
"Uma escola para tolos?
João Ruivo - Educare
O teimoso prosseguimento da implementação das atuais medidas de política educativa anuncia uma clara mudança de paradigma: a transição do modelo sixty da "escola para todos", para o modelo pós-modernista da "escola para tolos".
A grande reforma educativa sorvida dos quentes e vibrantes anos do final da década de sessenta, consubstanciada nas filosofias do maio de 68, apontava para uma escola aberta, universal, inclusiva, interclassista, meritocrática, solidária, promotora da cidadania e, até, niveladora, no sentido que deveria esbater as desigualdades sociais detetadas à entrada do percurso escolar.
Os professores passavam a ser mediadores da aprendizagem, promotores da socialização e do trabalho partilhado. Os alunos metamorfoseavam-se em aprendentes ativos, participativos, concretizadores, colíderes da sala de aula e do rumo a dar às planificações. Os pais, descolarizados ou iletrados, por vergonhosa opção de quatro décadas de ditadura, entregavam os seus filhos naqueles centros de promoção do sucesso social. Era a escola aberta à comunidade, uma escola moderna, que se impunha à escola tradicional.
Era, enfim, a escola para todos.
Com o decorrer dos anos, os governantes, lá no alto do seu douto saber, entenderam que, já agora, os professores e a escola poderiam também cumprir uma imensidão de funções até então cometidas ao Estado, às famílias e à sociedade. Mesmo que não tivessem tido preparação para isso, os professores tinham demonstrado que sabiam desenvencilhar-se e, sobretudo, que não sabiam dizer não.
E desde então, essas passaram também a ser tarefas e funções da escola e dos seus docentes. A partir desse momento singular, passámos a ter uma escola que, por acaso, também era um local de aprendizagem formal, mas que, sobretudo, se foi desenvolvendo como um espaço de aprendizagens sociais, informais, socializadoras. E foi assim que se baralhou e se desvirtuou uma escola que, altruisticamente, queria ser para todos, transformando-a numa escola onde tudo cabia. Era a escola para tudo.
Mais recentemente (reportando-nos ao baronato de Maria de Lurdes Rodrigues e ao principado de Isabel Alçada), entendeu-se que a escola gastava muito e os professores, numa indolência secular, pouco faziam. Logo, quem sabe? até poderiam ser substituídos uns pelos outros, à molhada, degradantemente. Ou até secundarizados por "skinnerianas" máquinas de ensinar, que apressadamente se viram batizadas de Magalhães, porque os governantes portugueses gostam que a História, tal como as telenovelas, se repita.
Aos professores, era exigido que reincarnassem de novo: uns em avaliadores, outros em avaliados; uns em diretores, outros em assessores, outros em assessorados; uns em titulares, outros em titulados, uns em relatores, outros em ralados. Porém, desta vez, a culpa não ia morrer solteira. Mas, para isso, revelava-se necessário desviar as atenções: o resvalar da escola não podia ser atribuído ao acumular dos insucessos de continuadas e desastrosas políticas educativas. Com o derrapar da instituição escolar, a responsabilidade tinha que ser apenas atribuída a um dos atores: aos docentes, claro... e, logo, à sua falência profissional. Acreditam? Pois... é a escola para tolos.
O que eles não sabem nem sonham é que os professores têm dentro de si a força regeneradora do saber, da cultura e da utopia social. Modelando sabiamente os seus alunos, são os construtores de futuros. Dentro e fora da escola querem partilhar a discussão do amanhã, porque aprenderam que ter, é ceder e partilhar.
Infelizmente, como humanos que são, também erram: do seio da escola por vezes saem maus políticos e, logo, más políticas. Mas não é por isso que se deixam abater, já que exercem uma profissão que exige a reflexão permanente, a busca de consensos, e a capacidade de ser persistente, sem teimosia.
Hoje, e talvez por estarmos à beira de uma pressentida reedição do maio de 68, com os jovens na rua a contestarem as políticas e os políticos que se enredaram em rotinas de salamaleques e na narcísica gestão das suas imagens e carreiras, faço minhas as palavras dos Deolinda: "E fico a pensar/que mundo tão parvo/onde para ser escravo/é preciso estudar". "
Abraço!
Agora a Escola serve para tudo e mais alguma coisa...
"Uma escola para tolos?
João Ruivo - Educare
O teimoso prosseguimento da implementação das atuais medidas de política educativa anuncia uma clara mudança de paradigma: a transição do modelo sixty da "escola para todos", para o modelo pós-modernista da "escola para tolos".
A grande reforma educativa sorvida dos quentes e vibrantes anos do final da década de sessenta, consubstanciada nas filosofias do maio de 68, apontava para uma escola aberta, universal, inclusiva, interclassista, meritocrática, solidária, promotora da cidadania e, até, niveladora, no sentido que deveria esbater as desigualdades sociais detetadas à entrada do percurso escolar.
Os professores passavam a ser mediadores da aprendizagem, promotores da socialização e do trabalho partilhado. Os alunos metamorfoseavam-se em aprendentes ativos, participativos, concretizadores, colíderes da sala de aula e do rumo a dar às planificações. Os pais, descolarizados ou iletrados, por vergonhosa opção de quatro décadas de ditadura, entregavam os seus filhos naqueles centros de promoção do sucesso social. Era a escola aberta à comunidade, uma escola moderna, que se impunha à escola tradicional.
Era, enfim, a escola para todos.
Com o decorrer dos anos, os governantes, lá no alto do seu douto saber, entenderam que, já agora, os professores e a escola poderiam também cumprir uma imensidão de funções até então cometidas ao Estado, às famílias e à sociedade. Mesmo que não tivessem tido preparação para isso, os professores tinham demonstrado que sabiam desenvencilhar-se e, sobretudo, que não sabiam dizer não.
E desde então, essas passaram também a ser tarefas e funções da escola e dos seus docentes. A partir desse momento singular, passámos a ter uma escola que, por acaso, também era um local de aprendizagem formal, mas que, sobretudo, se foi desenvolvendo como um espaço de aprendizagens sociais, informais, socializadoras. E foi assim que se baralhou e se desvirtuou uma escola que, altruisticamente, queria ser para todos, transformando-a numa escola onde tudo cabia. Era a escola para tudo.
Mais recentemente (reportando-nos ao baronato de Maria de Lurdes Rodrigues e ao principado de Isabel Alçada), entendeu-se que a escola gastava muito e os professores, numa indolência secular, pouco faziam. Logo, quem sabe? até poderiam ser substituídos uns pelos outros, à molhada, degradantemente. Ou até secundarizados por "skinnerianas" máquinas de ensinar, que apressadamente se viram batizadas de Magalhães, porque os governantes portugueses gostam que a História, tal como as telenovelas, se repita.
Aos professores, era exigido que reincarnassem de novo: uns em avaliadores, outros em avaliados; uns em diretores, outros em assessores, outros em assessorados; uns em titulares, outros em titulados, uns em relatores, outros em ralados. Porém, desta vez, a culpa não ia morrer solteira. Mas, para isso, revelava-se necessário desviar as atenções: o resvalar da escola não podia ser atribuído ao acumular dos insucessos de continuadas e desastrosas políticas educativas. Com o derrapar da instituição escolar, a responsabilidade tinha que ser apenas atribuída a um dos atores: aos docentes, claro... e, logo, à sua falência profissional. Acreditam? Pois... é a escola para tolos.
O que eles não sabem nem sonham é que os professores têm dentro de si a força regeneradora do saber, da cultura e da utopia social. Modelando sabiamente os seus alunos, são os construtores de futuros. Dentro e fora da escola querem partilhar a discussão do amanhã, porque aprenderam que ter, é ceder e partilhar.
Infelizmente, como humanos que são, também erram: do seio da escola por vezes saem maus políticos e, logo, más políticas. Mas não é por isso que se deixam abater, já que exercem uma profissão que exige a reflexão permanente, a busca de consensos, e a capacidade de ser persistente, sem teimosia.
Hoje, e talvez por estarmos à beira de uma pressentida reedição do maio de 68, com os jovens na rua a contestarem as políticas e os políticos que se enredaram em rotinas de salamaleques e na narcísica gestão das suas imagens e carreiras, faço minhas as palavras dos Deolinda: "E fico a pensar/que mundo tão parvo/onde para ser escravo/é preciso estudar". "
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Abraço!
sexta-feira, 18 de março de 2011
Proteção na parentalidade
Está no Blogue Professores Lusos ( e no ad duo uma ligação para este blogue) uma mensagem que nos encaminha para o departamento jurídico do SPGL, onde se encontram informações muito úteis sobre a protecão na parentalidade.
Podem ler aqui.
Abraço!
Podem ler aqui.
Abraço!
Câmara de Lisboa quer assumir competências do Ministério da Educação
Recordam-se da notícia que aqui deixei onde as câmaras "rasgavam" os acordos com o ministério da Educação?
Pelos vistos Lisboa é diferente, quer assumir competências do ministério da Educação...
Cada um sabe de si!
Podem ler aqui.
Abraço!
Pelos vistos Lisboa é diferente, quer assumir competências do ministério da Educação...
Cada um sabe de si!
Podem ler aqui.
Abraço!
Quem quer entrar nos quadros? Esperem mais uns anitos...
Queriam entrar nos quadros? Pois queriam! Eu também, mas naõ vai ser para o próximo ano lectivo.
As borradas que fizeram no último não vão ser limpas tão cedo (será que alguma vez virão a ser?).
Lembram-se do "por cada dois funcionários públicos reformados só pode entrar um"? Que bom que seria... Nem que fosse "por cada 3 ou 4"...
"PS, PSD e CDS-PP vão inviabilizar concurso para professores contratados proposto por PCP e BE
PS, PSD e CDS-PP vão inviabilizar os projectos de lei do PCP e BE que determinam a abertura de um concurso para a entrada nos quadros de professores contratados, hipótese que o Governo já descartou por motivos orçamentais.
Em Janeiro de 2010, no âmbito de um acordo entre o Ministério da Educação e os sindicatos de docentes, a tutela tinha-se comprometido a realizar este ano um concurso para a entrada nos quadros dos professores contratados que preenchem na realidade necessidades permanentes do sistema educativo.
No entanto, em Outubro do ano passado, a ministra Isabel Alçada assumiu no Parlamento a impossibilidade de realização do concurso, tendo em conta a necessidade de contenção orçamental.
Os projectos de lei de Bloco de Esquerda e PCP são discutidos hoje à tarde no Parlamento e votados na sexta-feira.
O diploma do Bloco de Esquerda determina que o Ministério deve realizar durante este ano um concurso para a entrada nos quadros de escola dos professores contratados a termo, sendo abertas todas as vagas relativas a horários completos que nos últimos três anos foram preenchidas como necessidades transitórias ou mediante renovação de contratos.
O PCP optou pela apresentação de dois projectos de lei: um determina que os horários completos dos últimos três anos preenchidos por docentes contratados dêem lugar à abertura de lugares de quadro, sujeitos a concurso, e que, por outro lado, os contratados com três ou mais anos de serviço são integrados no quadro.
O segundo diploma dos comunistas estipula que durante o primeiro semestre do ano realiza-se um concurso de ingresso e mobilidade de professores, para integração na carreira dos contratados que se encontrem a suprir necessidades não transitórias nas escolas públicas.
Em declarações à agência Lusa, o deputado do CDS-PP José Manuel Rodrigues indicou que o partido vai, "em princípio", abster-se em todos os projectos de lei.
Pelo PSD, o deputado Pedro Duarte anunciou que a intenção dos sociais-democratas é votar contra o diploma do PCP que garante a vinculação dos professores e abster-se nos outros dois projectos de lei, o que, tendo em conta o voto contra do PS, inviabiliza qualquer um dos documentos.
Sobre a mesma matéria será hoje também discutida no Parlamento uma petição da Fenprof tendo em vista a realização do concurso inicialmente previsto, “com um número de vagas adequadas às reais necessidades das escolas e agrupamentos”."
Abraço!
As borradas que fizeram no último não vão ser limpas tão cedo (será que alguma vez virão a ser?).
Lembram-se do "por cada dois funcionários públicos reformados só pode entrar um"? Que bom que seria... Nem que fosse "por cada 3 ou 4"...
"PS, PSD e CDS-PP vão inviabilizar concurso para professores contratados proposto por PCP e BE
PS, PSD e CDS-PP vão inviabilizar os projectos de lei do PCP e BE que determinam a abertura de um concurso para a entrada nos quadros de professores contratados, hipótese que o Governo já descartou por motivos orçamentais.
Em Janeiro de 2010, no âmbito de um acordo entre o Ministério da Educação e os sindicatos de docentes, a tutela tinha-se comprometido a realizar este ano um concurso para a entrada nos quadros dos professores contratados que preenchem na realidade necessidades permanentes do sistema educativo.
No entanto, em Outubro do ano passado, a ministra Isabel Alçada assumiu no Parlamento a impossibilidade de realização do concurso, tendo em conta a necessidade de contenção orçamental.
Os projectos de lei de Bloco de Esquerda e PCP são discutidos hoje à tarde no Parlamento e votados na sexta-feira.
O diploma do Bloco de Esquerda determina que o Ministério deve realizar durante este ano um concurso para a entrada nos quadros de escola dos professores contratados a termo, sendo abertas todas as vagas relativas a horários completos que nos últimos três anos foram preenchidas como necessidades transitórias ou mediante renovação de contratos.
O PCP optou pela apresentação de dois projectos de lei: um determina que os horários completos dos últimos três anos preenchidos por docentes contratados dêem lugar à abertura de lugares de quadro, sujeitos a concurso, e que, por outro lado, os contratados com três ou mais anos de serviço são integrados no quadro.
O segundo diploma dos comunistas estipula que durante o primeiro semestre do ano realiza-se um concurso de ingresso e mobilidade de professores, para integração na carreira dos contratados que se encontrem a suprir necessidades não transitórias nas escolas públicas.
Em declarações à agência Lusa, o deputado do CDS-PP José Manuel Rodrigues indicou que o partido vai, "em princípio", abster-se em todos os projectos de lei.
Pelo PSD, o deputado Pedro Duarte anunciou que a intenção dos sociais-democratas é votar contra o diploma do PCP que garante a vinculação dos professores e abster-se nos outros dois projectos de lei, o que, tendo em conta o voto contra do PS, inviabiliza qualquer um dos documentos.
Sobre a mesma matéria será hoje também discutida no Parlamento uma petição da Fenprof tendo em vista a realização do concurso inicialmente previsto, “com um número de vagas adequadas às reais necessidades das escolas e agrupamentos”."
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Abraço!
David Justino defende mais confiança nos professores e menos burocracia na escola
Defendemos todos os que acreditamos que a Escola pode ser bem melhor!
Para quando um voto de apoio da ex-Lurdinhas? Está na moda virem todos opinar...
"David Justino defende mais confiança nos professores e menos burocracia na escola
Público
O ex-ministro da Educação David Justino defendeu hoje mais confiança no trabalho dos professores e menos burocracia nas escolas, bem como uma discussão alargada sobre o que se quer para o sector depois de 2025.
Para David Justino, sem visão de futuro não existe previsibilidade e a confiança dos parceiros morre
Durante um debate promovido pela Federação Nacional da Educação (FNE), em Lisboa, o ex-governante considerou que é preciso “começar a desdramatizar” e que a “descompressão” passaria muito por os professores sentirem “maior confiança relativamente à forma como trabalham, como são avaliados e como avaliam” os alunos.
“Seria muito interessante podermos pensar que um dos pontos nevrálgicos que tem a ver com o modelo de avaliação dos professores pudesse ser superado. Isso seria um passo importante relativamente a esse voto de confiança nos professores”, afirmou.
David Justino exemplificou que esse voto de confiança poderia traduzir-se “numa carga menos burocrática na avaliação”.
O ex-titular da pasta da Educação recordou que nas muitas conferências que tem dado em escolas é sempre interrompido, “com palmas”, quando fala no excesso de burocracia no trabalho dos professores: “Até já nem uso muito (o caso) para não parecer que estou a aproveitar-me da desgraça dos outros”.
O professor defendeu uma discussão, sem pressa e com a participação de toda a sociedade, “num processo sustentado” que leve a uma reflexão sobre o que o país quer para a Educação.
“É a falta de sentido de futuro que limita a eficácia das próprias políticas”, sustentou.
Para David Justino, sem visão de futuro não existe previsibilidade e a confiança dos parceiros morre.
“Quando vou fazer uma viagem não sei qual é a rota que o comandante está a seguir. Confio, mas só tenho confiança no comandante se souber onde é que ele vai aterrar”, ilustrou.
O debate que defende não tem necessariamente de conduzir a uma nova Lei de Bases, como defende a FNE. O sociólogo avisou que os problemas não se resolvem criando leis em série, como os políticos tendem a fazer.
“Há uma grande tentação: quando há um problema cria-se uma lei”, criticou David Justino, acrescentando que o fundamental é que haja reflexão para os parceiros se pronunciarem, sem preconceitos ideológicos.
E reafirmou: “só com ideologia não se conseguem resolver os problemas. Temos de saber que educação queremos para os próximos 15 a 20 anos”.
“Devíamos projectar a educação para depois de 2025 e não conheço nenhum estudo sobre isso”, lamentou, referindo que uma criança que entre agora no sistema de ensino aí permanecerá, em média, 15 a 16 anos.
David Justino lamentou também que Portugal seja dos países com menor carga horária nos “saberes fundamentais” (matemática, português e ciências).
“O projecto para a Educação em Portugal é um projecto do país, não é dos partidos, nem dos ministros, nem dos sindicatos. Se for assim não vamos a lado nenhum”, avisou.
No final do debate, o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, insistiu na revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo, com ligação à formação profissional, e em leis claras.
O responsável da FNE reiterou igualmente que as opções orçamentais “não podem pôr em causa a qualidade pedagógica” do serviço prestado."
Abraço!
Para quando um voto de apoio da ex-Lurdinhas? Está na moda virem todos opinar...
"David Justino defende mais confiança nos professores e menos burocracia na escola
Público
O ex-ministro da Educação David Justino defendeu hoje mais confiança no trabalho dos professores e menos burocracia nas escolas, bem como uma discussão alargada sobre o que se quer para o sector depois de 2025.
Para David Justino, sem visão de futuro não existe previsibilidade e a confiança dos parceiros morre
Durante um debate promovido pela Federação Nacional da Educação (FNE), em Lisboa, o ex-governante considerou que é preciso “começar a desdramatizar” e que a “descompressão” passaria muito por os professores sentirem “maior confiança relativamente à forma como trabalham, como são avaliados e como avaliam” os alunos.
“Seria muito interessante podermos pensar que um dos pontos nevrálgicos que tem a ver com o modelo de avaliação dos professores pudesse ser superado. Isso seria um passo importante relativamente a esse voto de confiança nos professores”, afirmou.
David Justino exemplificou que esse voto de confiança poderia traduzir-se “numa carga menos burocrática na avaliação”.
O ex-titular da pasta da Educação recordou que nas muitas conferências que tem dado em escolas é sempre interrompido, “com palmas”, quando fala no excesso de burocracia no trabalho dos professores: “Até já nem uso muito (o caso) para não parecer que estou a aproveitar-me da desgraça dos outros”.
O professor defendeu uma discussão, sem pressa e com a participação de toda a sociedade, “num processo sustentado” que leve a uma reflexão sobre o que o país quer para a Educação.
“É a falta de sentido de futuro que limita a eficácia das próprias políticas”, sustentou.
Para David Justino, sem visão de futuro não existe previsibilidade e a confiança dos parceiros morre.
“Quando vou fazer uma viagem não sei qual é a rota que o comandante está a seguir. Confio, mas só tenho confiança no comandante se souber onde é que ele vai aterrar”, ilustrou.
O debate que defende não tem necessariamente de conduzir a uma nova Lei de Bases, como defende a FNE. O sociólogo avisou que os problemas não se resolvem criando leis em série, como os políticos tendem a fazer.
“Há uma grande tentação: quando há um problema cria-se uma lei”, criticou David Justino, acrescentando que o fundamental é que haja reflexão para os parceiros se pronunciarem, sem preconceitos ideológicos.
E reafirmou: “só com ideologia não se conseguem resolver os problemas. Temos de saber que educação queremos para os próximos 15 a 20 anos”.
“Devíamos projectar a educação para depois de 2025 e não conheço nenhum estudo sobre isso”, lamentou, referindo que uma criança que entre agora no sistema de ensino aí permanecerá, em média, 15 a 16 anos.
David Justino lamentou também que Portugal seja dos países com menor carga horária nos “saberes fundamentais” (matemática, português e ciências).
“O projecto para a Educação em Portugal é um projecto do país, não é dos partidos, nem dos ministros, nem dos sindicatos. Se for assim não vamos a lado nenhum”, avisou.
No final do debate, o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, insistiu na revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo, com ligação à formação profissional, e em leis claras.
O responsável da FNE reiterou igualmente que as opções orçamentais “não podem pôr em causa a qualidade pedagógica” do serviço prestado."
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Abraço!
Ministério assegura que há condições de frequência dos laboratórios escolares
Em comunicado
Arriscando uma piada de mau gosto, por cá não temos centrais nucleares: temos laboratórios!
"Ministério assegura que há condições de frequência dos laboratórios escolares
Público
O Ministério da Educação garantiu hoje que estão garantidas as condições para a frequência de todas as disciplinas nos laboratórios das escolas portuguesas, depois do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) questionar as regras de segurança.
Sindicalistas citam estudo que aponta falhas de segurança
De acordo com a estrutura sindical, que cita um estudo realizado em 2010, abrangendo 277 escolas do centro do país, os laboratórios escolares estão “longe de respeitarem todas as regras de segurança”, sendo necessário “corrigir anomalias” e ouvir os docentes nesse sentido.
Em nota enviada à agência Lusa, o Ministério da Educação afirma desconhecer o estudo mas assegura que “estão garantidas as condições para a frequência de todas as disciplinas” nos laboratórios dos estabelecimentos de ensino nacionais.
Hoje, o dirigente do SPRC, Luís Lobo, disse que “em muitos casos as escolas não estão preparadas para actividades de laboratório de química”, explicando que estas salas “são mais indicadas para aulas do ensino básico”.
Algumas das lacunas detectadas, precisou o dirigente do SPRC, “têm a ver com falta de extintores, mantas anti-fogo, portas de emergência ou chuveiros lava-olhos”.
O sindicato, com sede em Coimbra, chegou a estas conclusões na sequência daquele estudo, envolvendo 46 por cento dos estabelecimentos públicos da região: EBI, EB2,3, EB2,3/secundário, secundárias/3ºCEB e secundárias.
“Do levantamento realizado e que tem uma cobertura da generalidade das escolas da região com ensino secundário, confirmaram-se as suspeitas relativamente a regras elementares de segurança que não são garantidas”, refere."
Abraço!
Arriscando uma piada de mau gosto, por cá não temos centrais nucleares: temos laboratórios!
"Ministério assegura que há condições de frequência dos laboratórios escolares
Público
O Ministério da Educação garantiu hoje que estão garantidas as condições para a frequência de todas as disciplinas nos laboratórios das escolas portuguesas, depois do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) questionar as regras de segurança.
Sindicalistas citam estudo que aponta falhas de segurança
De acordo com a estrutura sindical, que cita um estudo realizado em 2010, abrangendo 277 escolas do centro do país, os laboratórios escolares estão “longe de respeitarem todas as regras de segurança”, sendo necessário “corrigir anomalias” e ouvir os docentes nesse sentido.
Em nota enviada à agência Lusa, o Ministério da Educação afirma desconhecer o estudo mas assegura que “estão garantidas as condições para a frequência de todas as disciplinas” nos laboratórios dos estabelecimentos de ensino nacionais.
Hoje, o dirigente do SPRC, Luís Lobo, disse que “em muitos casos as escolas não estão preparadas para actividades de laboratório de química”, explicando que estas salas “são mais indicadas para aulas do ensino básico”.
Algumas das lacunas detectadas, precisou o dirigente do SPRC, “têm a ver com falta de extintores, mantas anti-fogo, portas de emergência ou chuveiros lava-olhos”.
O sindicato, com sede em Coimbra, chegou a estas conclusões na sequência daquele estudo, envolvendo 46 por cento dos estabelecimentos públicos da região: EBI, EB2,3, EB2,3/secundário, secundárias/3ºCEB e secundárias.
“Do levantamento realizado e que tem uma cobertura da generalidade das escolas da região com ensino secundário, confirmaram-se as suspeitas relativamente a regras elementares de segurança que não são garantidas”, refere."
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Abraço!
Seis mil professores escolhidos para corrigir exames
Foram contemplados com este prémio que tanto desejavam... Há muitas dúvidas e poucos esclarecimentos, foi tudo feito à pressa. E é à borla!
"Seis mil professores escolhidos para corrigir exames
Público
Na semana passada, cerca de seis mil docentes souberam que tinham sido seleccionados para corrigir as provas dos exames nacionais do ensino secundário. Os seus nomes foram indicados pelos directores das escolas. Ontem começaram a receber por email uma proposta de acordo para exercerem estas funções por quatro anos. Uma parte deles terá de decidir já hoje se aceita o acordo proposto pelo Gabinete de Avaliação Educacional (Gave) do Ministério da Educação.
A correcção de exames deixou de ser paga
"Está a ser feito tudo com muita pressa. É esse o principal problema e os professores estão muito preocupados, exaltados e também até com medo", comentou, em declarações ao PÚBLICO, o director da Escola Secundária Eça de Queiroz, da Póvoa de Varzim, que no ano passado foi a sétima que mais alunos levou a exame - mais de mil. O medo, explica Eduardo Lemos, deve-se sobretudo às muitas dúvidas que subsistem em torno das consequências daquele acordo: que obrigações advêm da sua assinatura? Que consequências terá uma recusa? Na última semana foram muitos os professores que pediram esclarecimentos ao Gave, mas aquelas dúvidas continuam por esclarecer. O PÚBLICO também ficou sem respostas.
Um despacho do ME de Dezembro último estipula que os professores seleccionados terão que ter acções de formação em cada um dos anos do período de vigência do acordo. Neste despacho também se estipula que aqueles docentes "estabelecem com o Gave um acordo de colaboração com a vigência de quatro anos".
Ontem, a Federação Nacional de Professores apelou a estes docentes "a que, em caso de dúvida, não assinem o acordo sem uma opinião jurídica abalizada". "Por exemplo, assinando para quatro anos, esses professores ficam ou não condicionados na sua mobilidade interna, isto é, serão impedidos de mudar de escola durante esse período?", questiona em comunicado. "Um acordo significa que a outra parte também tem algo a dizer. Portanto, o que nós propomos é que os professores escrevam no acordo "tomei conhecimento" e os que decidam assinar o façam propondo três alterações, entre as quais a possibilidade de o contrato poder ser denunciado", acrescentou Mário Nogueira. A proposta de alterações foi colocada no site da Fenprof.
As primeiras acções - serão realizadas cerca de 300, no total - decorrem entre hoje e amanhã. Estão agendadas 40. Os professores escolhidos para esta primeira leva começaram a ser convocados na sexta-feira passada. Na terça-feira passada foi-lhes comunicado o local onde se deviam apresentar. No Algarve, por exemplo, dos 223 docentes seleccionados, 42 terão que se deslocar a Beja, Évora, Setúbal, Lisboa e Coimbra para receberem formação.
"Em disciplinas com um menor número de classificadores, a nível nacional, foi necessário proceder à concentração geográfica dos locais da formação", justificou o Ministério da Educação. Será nestas sessões que os professores terão que entregar o acordo proposto pelo Gave. Este ano, pela primeira vez, a correcção de exames não será paga. Antes, os docentes do ensino secundário recebiam cinco euros ilíquidos por prova classificada. Segundo o ME, o fim da remuneração suplementar deve-se ao facto de os exames nacionais terem passado a fazer parte do "âmbito das actividades dos professores do ensino secundário e dos seus deveres profissionais". Os classificadores poderão corrigir um máximo de 60 provas por chamada. O limite antes era de 50."
Abraço!
"Seis mil professores escolhidos para corrigir exames
Público
Na semana passada, cerca de seis mil docentes souberam que tinham sido seleccionados para corrigir as provas dos exames nacionais do ensino secundário. Os seus nomes foram indicados pelos directores das escolas. Ontem começaram a receber por email uma proposta de acordo para exercerem estas funções por quatro anos. Uma parte deles terá de decidir já hoje se aceita o acordo proposto pelo Gabinete de Avaliação Educacional (Gave) do Ministério da Educação.
A correcção de exames deixou de ser paga
"Está a ser feito tudo com muita pressa. É esse o principal problema e os professores estão muito preocupados, exaltados e também até com medo", comentou, em declarações ao PÚBLICO, o director da Escola Secundária Eça de Queiroz, da Póvoa de Varzim, que no ano passado foi a sétima que mais alunos levou a exame - mais de mil. O medo, explica Eduardo Lemos, deve-se sobretudo às muitas dúvidas que subsistem em torno das consequências daquele acordo: que obrigações advêm da sua assinatura? Que consequências terá uma recusa? Na última semana foram muitos os professores que pediram esclarecimentos ao Gave, mas aquelas dúvidas continuam por esclarecer. O PÚBLICO também ficou sem respostas.
Um despacho do ME de Dezembro último estipula que os professores seleccionados terão que ter acções de formação em cada um dos anos do período de vigência do acordo. Neste despacho também se estipula que aqueles docentes "estabelecem com o Gave um acordo de colaboração com a vigência de quatro anos".
Ontem, a Federação Nacional de Professores apelou a estes docentes "a que, em caso de dúvida, não assinem o acordo sem uma opinião jurídica abalizada". "Por exemplo, assinando para quatro anos, esses professores ficam ou não condicionados na sua mobilidade interna, isto é, serão impedidos de mudar de escola durante esse período?", questiona em comunicado. "Um acordo significa que a outra parte também tem algo a dizer. Portanto, o que nós propomos é que os professores escrevam no acordo "tomei conhecimento" e os que decidam assinar o façam propondo três alterações, entre as quais a possibilidade de o contrato poder ser denunciado", acrescentou Mário Nogueira. A proposta de alterações foi colocada no site da Fenprof.
As primeiras acções - serão realizadas cerca de 300, no total - decorrem entre hoje e amanhã. Estão agendadas 40. Os professores escolhidos para esta primeira leva começaram a ser convocados na sexta-feira passada. Na terça-feira passada foi-lhes comunicado o local onde se deviam apresentar. No Algarve, por exemplo, dos 223 docentes seleccionados, 42 terão que se deslocar a Beja, Évora, Setúbal, Lisboa e Coimbra para receberem formação.
"Em disciplinas com um menor número de classificadores, a nível nacional, foi necessário proceder à concentração geográfica dos locais da formação", justificou o Ministério da Educação. Será nestas sessões que os professores terão que entregar o acordo proposto pelo Gave. Este ano, pela primeira vez, a correcção de exames não será paga. Antes, os docentes do ensino secundário recebiam cinco euros ilíquidos por prova classificada. Segundo o ME, o fim da remuneração suplementar deve-se ao facto de os exames nacionais terem passado a fazer parte do "âmbito das actividades dos professores do ensino secundário e dos seus deveres profissionais". Os classificadores poderão corrigir um máximo de 60 provas por chamada. O limite antes era de 50."
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Abraço!
Seis mentes brilhantes. Os melhores alunos têm vida própria
Onde está o "marrão" enfiado nos livros e pouco social que existia nos nossos tempos?
Não está nestes seis exemplos apresentados num artigo do Jornal i:
"Seis mentes brilhantes. Os melhores alunos têm vida própria
Deixe cair a ideia de que o tradicional rato de biblioteca fica sempre com o queijo. Ser o melhor aluno é mais do que estudar arduamente para garantir grandes notas nos exames. São necessárias médias elevadas para constarem da lista de melhores alunos na sua universidade, mas os distinguidos não rebentaram necessariamente as escalas de notas altas. Distinguidos anualmente pela Universidade Técnica de Lisboa, os melhores alunos deste ano submeteram-se a provas, que incluíram jogos, tarefas em grupo e análise escrita. O i falou com os seis primeiros, que ganharam um prémio de 1500 euros e fizeram-se os melhores alunos UTL2010. Em época de geração enrascada, ser flexível com as oportunidades e dar-se à prova é meio caminho andado
Veterinária, 17 valores
Helena Ribeiro Se esta médica veterinária fosse um verbo, "persistir" assentava-lhe como uma luva. Para ter hoje dois empregos, aos quais se dedica de corpo e alma – na ADS Baixo Tejo e na Luso Pecus – Helena Ribeiro, agora com 35 anos, fez um caminho de 17 anos para chegar onde queria. Começou a candidatar-se a uma licenciatura em Medicina Veterinária em 1993 e passaram 11 anos até atingir o lugar que sempre ambicionou. Em 2004, Helena conseguiu finalmente entrar na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa, onde terminou o mestrado em 2010. A média? Dezassete valores. "Estava longe de pensar que seria uma das melhores", conta ao i. Mas é. A distinção deu-lhe a compensação financeira e trouxe-lhe o reconhecimento merecido. Mas antes de qualquer outra coisa, o resultado final valeu-lhe "uma forma bonita de agradecer aos pais e àqueles que nunca me deixaram desistir". É fácil perceber que lutar tem sido a palavra de ordem nos dias de Helena Ribeiro. Apesar de compreender o "grande pedido de ajuda da geração à rasca", Helena acaba por considerar que a juventude portuguesa está "um pouco amorfa. Os jovens devem ser mais participativos", defende. Mas a médica veterinária diz que a manifestação do passado dia 12 já foi um passo em frente.
Economia monetária e financeira, 17 valores
Rita Soares Para a técnica assistente em análise de operações e gestão de liquidez do Banco de Portugal, o maior interesse deste "reconhecimento" é o de poder "premiar cérebros, mas fundamentalmente distinguir pessoas". O prémio Melhores Alunos UTL 2010 define os primeiros lugares num único dia, que é recheado com variadas provas. "O mais simpático é sermos nós a votar uns nos outros. Foram estes seis, como podia ter sido qualquer um dos outros 20", acredita. Quando Rita Soares, de 30 anos, decidiu frequentar o mestrado de Economia Monetária e Financeira no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), já trabalhava no banco. Considera por isso que o mais importante é ter um bom método: "O equilíbrio está na organização e na força de vontade e na motivação para superar os obstáculos", diz. No futuro, esta economista quer conciliar a análise económica com a possibilidade de dar aulas na faculdade, como assistente.
Engenharia física e tecnológica, 18 valores
Nuno Loureiro As malas estão feitas. Holanda vai ser o destino de Nuno que, em Abril, começa a frequentar um programa de treinos na Agência Espacial Europeia – ESA. "O segredo não é estudar e estudar. É fazer aquilo de que se gosta", diz o aluno de 24 anos, que terminou o mestrado em Engenharia Física Tecnológica, em 2010, no Instituto Superior Técnico (IST), com média de 18 valores. A viagem não se justifica pela falta de oportunidades em Portugal: "Já existem empresas a apostar nesta área, mas o meu objectivo é adquirir o máximo de conhecimento. Quero ir para os melhores sítios ligados ao espaço. Penso voltar mais tarde e formar a minha empresa. Portugal pode avançar nesta área." Apesar dos 24 anos, Nuno sabe o que quer para o seu futuro e acredita que um "rumo" é aquilo que falta aos jovens portugueses. "É preciso ter os objectivos definidos. Contentar-se com o médio não chega", sublinha. ~
Marketing, 17 valores
Carolina Afonso "Se a vida nos dá limões, temos de fazer limonada." Foi este princípio que levou Carolina Afonso, marketing manager na Asus Portugal, a tirar um mestrado no ISEG, na mesma área, e a fazer parte do rol dos melhores alunos 2010 da UTL. Aos 29 anos, Carolina começou a colher alguns frutos do empenho investido nos últimos três anos de especialização. A sua tese de mestrado valeu-lhe a publicação de um livro ("Green Target, As Novas Tendências do Marketing"). A escrita "é uma actividade paralela", da qual não abdica. A marketeer reconhece que os jovens não têm a vida facilitada, mas contesta: "Temos de nos reinventar. Sou licenciada em Relações Internacionais e queria seguir a carreira diplomática. As oportunidades são limitadas e reinventei o meu percurso." E segue em frente, diz.
Antropologia, 18 valores
Artur Santos Ser o melhor "vai para além do estudo", diz. O interesse na sociedade e a especialização em antropologia faz com que Artur Santos, de 26 anos, esteja constantemente a analisar a sociedade: "Se as pessoas demonstrarem que perseguem algo, com atitude e valor, Portugal tem espaço para toda a gente. Não chega tirar as melhores notas." Talvez por isso tenha deixado escapar algum contentamento com os protestos do último sábado: "Esta geração está a ganhar voz para exigir que o nosso país não seja dirigido como algo privado." Artur Ventura concluiu o mestrado em Antropologia no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e é técnico superior na reitoria da faculdade, pelo que está sempre perto de estudantes: "A nossa juventude tem razões para ir para a rua, mas é imprescindível que apresente propostas concretas ao Estado. Devem ter voz, mas sobretudo devem resolver os problemas."
Engenharia química, 17 valores
Bruno Santos Estagiou numa empresa petrolífera de grande dimensão em França e chegou a ser convidado para ficar. Não quis "Sou demasiado patriota. O país apostou em mim e quero contribuir para fazer algo de novo em Portugal", explica. Bruno Santos, 23 anos, frequenta agora um programa doutoral em Engenharia Química, Refinação e Petroquímca (ENGIQ), comparticipado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e por uma petrolífera. Enquanto adquire mais conhecimentos com a especialização de três anos, Bruno põe em prática o que tem aprendido:"O objectivo é concluir um doutoramento em meio empresarial, enquanto as empresas podem optimizar processos", explica. Bruno Santos admite que a conjuntura actual é preocupante, mas alerta: "É a da Europa e do mundo. Temos de ser optimistas e usar esse optimismo para contrariar a tendência." Defende uma "visão periférica" das oportunidades e uma aposta no empreendedorismo:"Concordo com os protestos da juventude, mas também era interessante que essa força fosse aproveitada para criar. Se as pessoas são boas mobilizadoras, também devem ser boas a inovar", refere."
- - - -
Abraço!
Não está nestes seis exemplos apresentados num artigo do Jornal i:
"Seis mentes brilhantes. Os melhores alunos têm vida própria
Deixe cair a ideia de que o tradicional rato de biblioteca fica sempre com o queijo. Ser o melhor aluno é mais do que estudar arduamente para garantir grandes notas nos exames. São necessárias médias elevadas para constarem da lista de melhores alunos na sua universidade, mas os distinguidos não rebentaram necessariamente as escalas de notas altas. Distinguidos anualmente pela Universidade Técnica de Lisboa, os melhores alunos deste ano submeteram-se a provas, que incluíram jogos, tarefas em grupo e análise escrita. O i falou com os seis primeiros, que ganharam um prémio de 1500 euros e fizeram-se os melhores alunos UTL2010. Em época de geração enrascada, ser flexível com as oportunidades e dar-se à prova é meio caminho andado
Veterinária, 17 valores
Helena Ribeiro Se esta médica veterinária fosse um verbo, "persistir" assentava-lhe como uma luva. Para ter hoje dois empregos, aos quais se dedica de corpo e alma – na ADS Baixo Tejo e na Luso Pecus – Helena Ribeiro, agora com 35 anos, fez um caminho de 17 anos para chegar onde queria. Começou a candidatar-se a uma licenciatura em Medicina Veterinária em 1993 e passaram 11 anos até atingir o lugar que sempre ambicionou. Em 2004, Helena conseguiu finalmente entrar na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa, onde terminou o mestrado em 2010. A média? Dezassete valores. "Estava longe de pensar que seria uma das melhores", conta ao i. Mas é. A distinção deu-lhe a compensação financeira e trouxe-lhe o reconhecimento merecido. Mas antes de qualquer outra coisa, o resultado final valeu-lhe "uma forma bonita de agradecer aos pais e àqueles que nunca me deixaram desistir". É fácil perceber que lutar tem sido a palavra de ordem nos dias de Helena Ribeiro. Apesar de compreender o "grande pedido de ajuda da geração à rasca", Helena acaba por considerar que a juventude portuguesa está "um pouco amorfa. Os jovens devem ser mais participativos", defende. Mas a médica veterinária diz que a manifestação do passado dia 12 já foi um passo em frente.
Economia monetária e financeira, 17 valores
Rita Soares Para a técnica assistente em análise de operações e gestão de liquidez do Banco de Portugal, o maior interesse deste "reconhecimento" é o de poder "premiar cérebros, mas fundamentalmente distinguir pessoas". O prémio Melhores Alunos UTL 2010 define os primeiros lugares num único dia, que é recheado com variadas provas. "O mais simpático é sermos nós a votar uns nos outros. Foram estes seis, como podia ter sido qualquer um dos outros 20", acredita. Quando Rita Soares, de 30 anos, decidiu frequentar o mestrado de Economia Monetária e Financeira no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), já trabalhava no banco. Considera por isso que o mais importante é ter um bom método: "O equilíbrio está na organização e na força de vontade e na motivação para superar os obstáculos", diz. No futuro, esta economista quer conciliar a análise económica com a possibilidade de dar aulas na faculdade, como assistente.
Engenharia física e tecnológica, 18 valores
Nuno Loureiro As malas estão feitas. Holanda vai ser o destino de Nuno que, em Abril, começa a frequentar um programa de treinos na Agência Espacial Europeia – ESA. "O segredo não é estudar e estudar. É fazer aquilo de que se gosta", diz o aluno de 24 anos, que terminou o mestrado em Engenharia Física Tecnológica, em 2010, no Instituto Superior Técnico (IST), com média de 18 valores. A viagem não se justifica pela falta de oportunidades em Portugal: "Já existem empresas a apostar nesta área, mas o meu objectivo é adquirir o máximo de conhecimento. Quero ir para os melhores sítios ligados ao espaço. Penso voltar mais tarde e formar a minha empresa. Portugal pode avançar nesta área." Apesar dos 24 anos, Nuno sabe o que quer para o seu futuro e acredita que um "rumo" é aquilo que falta aos jovens portugueses. "É preciso ter os objectivos definidos. Contentar-se com o médio não chega", sublinha. ~
Marketing, 17 valores
Carolina Afonso "Se a vida nos dá limões, temos de fazer limonada." Foi este princípio que levou Carolina Afonso, marketing manager na Asus Portugal, a tirar um mestrado no ISEG, na mesma área, e a fazer parte do rol dos melhores alunos 2010 da UTL. Aos 29 anos, Carolina começou a colher alguns frutos do empenho investido nos últimos três anos de especialização. A sua tese de mestrado valeu-lhe a publicação de um livro ("Green Target, As Novas Tendências do Marketing"). A escrita "é uma actividade paralela", da qual não abdica. A marketeer reconhece que os jovens não têm a vida facilitada, mas contesta: "Temos de nos reinventar. Sou licenciada em Relações Internacionais e queria seguir a carreira diplomática. As oportunidades são limitadas e reinventei o meu percurso." E segue em frente, diz.
Antropologia, 18 valores
Artur Santos Ser o melhor "vai para além do estudo", diz. O interesse na sociedade e a especialização em antropologia faz com que Artur Santos, de 26 anos, esteja constantemente a analisar a sociedade: "Se as pessoas demonstrarem que perseguem algo, com atitude e valor, Portugal tem espaço para toda a gente. Não chega tirar as melhores notas." Talvez por isso tenha deixado escapar algum contentamento com os protestos do último sábado: "Esta geração está a ganhar voz para exigir que o nosso país não seja dirigido como algo privado." Artur Ventura concluiu o mestrado em Antropologia no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e é técnico superior na reitoria da faculdade, pelo que está sempre perto de estudantes: "A nossa juventude tem razões para ir para a rua, mas é imprescindível que apresente propostas concretas ao Estado. Devem ter voz, mas sobretudo devem resolver os problemas."
Engenharia química, 17 valores
Bruno Santos Estagiou numa empresa petrolífera de grande dimensão em França e chegou a ser convidado para ficar. Não quis "Sou demasiado patriota. O país apostou em mim e quero contribuir para fazer algo de novo em Portugal", explica. Bruno Santos, 23 anos, frequenta agora um programa doutoral em Engenharia Química, Refinação e Petroquímca (ENGIQ), comparticipado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e por uma petrolífera. Enquanto adquire mais conhecimentos com a especialização de três anos, Bruno põe em prática o que tem aprendido:"O objectivo é concluir um doutoramento em meio empresarial, enquanto as empresas podem optimizar processos", explica. Bruno Santos admite que a conjuntura actual é preocupante, mas alerta: "É a da Europa e do mundo. Temos de ser optimistas e usar esse optimismo para contrariar a tendência." Defende uma "visão periférica" das oportunidades e uma aposta no empreendedorismo:"Concordo com os protestos da juventude, mas também era interessante que essa força fosse aproveitada para criar. Se as pessoas são boas mobilizadoras, também devem ser boas a inovar", refere."
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Abraço!
quinta-feira, 17 de março de 2011
Gerir a diferença
É verdade que temos vários alunos numa turma e a gestão de todos não é tarefa fácil. Ainda menos fácil se forem heterogéneos, como quase sempre são.
Se queremos "puxar" pelos fracos, por um lado, por outro não nos podemos esquecer dos que conseguem mais e não são estimulados para isso. E estes saõ quase sempre esquecidos.
Gereir grupos dentro de uma turma não é fácil, muito menos quando são vários e em turmas que se aproximam dos 30 indivíduos...
Possíve? Sim, é, e posso comprová-lo.
Fácil? Claro que não...
"Gerir a diferença
Teresa Martinho Marques - Correio da Educação
A escola tende a ser um espaço de massas anónimas, espaços e tempos formatados, uniformização e médias. Número excessivo de alunos é uma tentação para adormecer no branco e não convida ao arco-íris.
Há muitos anos, a Filipa (nunca mais esqueci o nome dela), depois de concluir uma ficha de avaliação, surpreendeu-me com este desabafo: Professora, fiquei desapontada com o teste. Explicou-me que sabia resolver problemas e expressões numéricas muito mais complicados, tinha estudado imenso e o teste era... muito fácil!
Esta menina de 11 anos motivou a mudança na minha forma de olhar as turmas e o ensino da Matemática no 5.º e 6.º anos. Muito jovem, professora a lecionar em escola complicada de periferia, acreditava que era preciso zelar quase apenas pelos (imensos) desfavorecidos, porque os filhos de um Deus maior acabariam sempre por encontrar o seu caminho. Falso. Todos têm o direito a ver os seus limites desafiados, mesmo que nem sempre seja fácil encontrar o equilíbrio.
Depois deste episódio, constituiu-se na turma um grupo autónomo (e crescente) de alunos que trabalhavam a um ritmo diferente. Podiam avançar nos conteúdos, escolher os exercícios, fazer muitos mais do que aqueles que eu conseguia com os restantes alunos mais necessitados de explicações, de reforço e da minha presença. Os testes para esse grupo incluíam perguntas de desenvolvimento desafiadoras. Não era uma questão de “ser melhor”, era uma questão de “ser responsável”, mais exigente consigo mesmo e merecer o prémio de maior autonomia.
Quando um aluno, de aproveitamento médio, se deslocava para aquela zona, normalmente fazia progressos mais rápidos do que se permanecesse na zona das explicações imensas vezes repetidas de aula para aula.
Hoje continuo a gerir a diferença da mesma forma, ajustando a gestão às características da turma. Se é fácil? Não é. Não há apenas rosas no caminho e estes tempos não são simples. Mas é bem mais cinzento, ineficaz e triste chamar apenas à turma turma, aos alunos alunos, à aula aula... Se me "libertar" dos que menos precisam de mim e confiar neles (sem os abandonar e desafiando-os), abro caminho para mais tempo de qualidade com quem (ainda) necessita. Permito a todos chegarem tão longe quanto possível, no tempo disponível e nos contextos em que vivemos.
Voltarei a esta questão com alguns exemplos, histórias e caminhos de "como fazer" essa gestão da diferença..."
Se queremos "puxar" pelos fracos, por um lado, por outro não nos podemos esquecer dos que conseguem mais e não são estimulados para isso. E estes saõ quase sempre esquecidos.
Gereir grupos dentro de uma turma não é fácil, muito menos quando são vários e em turmas que se aproximam dos 30 indivíduos...
Possíve? Sim, é, e posso comprová-lo.
Fácil? Claro que não...
"Gerir a diferença
Teresa Martinho Marques - Correio da Educação
A escola tende a ser um espaço de massas anónimas, espaços e tempos formatados, uniformização e médias. Número excessivo de alunos é uma tentação para adormecer no branco e não convida ao arco-íris.
Há muitos anos, a Filipa (nunca mais esqueci o nome dela), depois de concluir uma ficha de avaliação, surpreendeu-me com este desabafo: Professora, fiquei desapontada com o teste. Explicou-me que sabia resolver problemas e expressões numéricas muito mais complicados, tinha estudado imenso e o teste era... muito fácil!
Esta menina de 11 anos motivou a mudança na minha forma de olhar as turmas e o ensino da Matemática no 5.º e 6.º anos. Muito jovem, professora a lecionar em escola complicada de periferia, acreditava que era preciso zelar quase apenas pelos (imensos) desfavorecidos, porque os filhos de um Deus maior acabariam sempre por encontrar o seu caminho. Falso. Todos têm o direito a ver os seus limites desafiados, mesmo que nem sempre seja fácil encontrar o equilíbrio.
Depois deste episódio, constituiu-se na turma um grupo autónomo (e crescente) de alunos que trabalhavam a um ritmo diferente. Podiam avançar nos conteúdos, escolher os exercícios, fazer muitos mais do que aqueles que eu conseguia com os restantes alunos mais necessitados de explicações, de reforço e da minha presença. Os testes para esse grupo incluíam perguntas de desenvolvimento desafiadoras. Não era uma questão de “ser melhor”, era uma questão de “ser responsável”, mais exigente consigo mesmo e merecer o prémio de maior autonomia.
Quando um aluno, de aproveitamento médio, se deslocava para aquela zona, normalmente fazia progressos mais rápidos do que se permanecesse na zona das explicações imensas vezes repetidas de aula para aula.
Hoje continuo a gerir a diferença da mesma forma, ajustando a gestão às características da turma. Se é fácil? Não é. Não há apenas rosas no caminho e estes tempos não são simples. Mas é bem mais cinzento, ineficaz e triste chamar apenas à turma turma, aos alunos alunos, à aula aula... Se me "libertar" dos que menos precisam de mim e confiar neles (sem os abandonar e desafiando-os), abro caminho para mais tempo de qualidade com quem (ainda) necessita. Permito a todos chegarem tão longe quanto possível, no tempo disponível e nos contextos em que vivemos.
Voltarei a esta questão com alguns exemplos, histórias e caminhos de "como fazer" essa gestão da diferença..."
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