segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Professores que se evadem das Escolas

Li num mural do facebook, depois noutros blogues e no Jornal onde está publicado. Já está bem divulgado, mas arrisco a "repetição" pois vale a pena ler:


"A grande evasão

Jornal de Notícias

'Quem pode, foge. Muitos sujeitam-se a perder 40% do vencimento. Fogem para a liberdade. Deixam para trás a loucura e o inferno em que se transformaram as escolas. Em algumas escolas, os conselhos executivos ficaram reduzidos a uma pessoa. Há escolas em que se reformaram antecipadamente o PCE e o vice-presidente. Outras em que já não há docentes para leccionar nos CEFs. Nos grupos de recrutamento de Educação Tecnológica, a debandada tem sido geral, havendo já enormes dificuldades em conseguir substitutos nas cíclicas. O mesmo acontece com o grupo de recrutamento de Contabilidade e Economia. Há centenas de professores de Contabilidade e de Economia que optaram por reformas antecipadas, com penalizações de 40% porque preferem ir trabalhar como profissionais liberais ou em empresas de consultadoria. Só não sai quem não pode. Ou porque não consegue suportar os cortes no vencimento ou porque não tem a idade mínima exigida. Conheço pessoalmente dois professores do ensino secundário, com doutoramento, que optaram pela reforma antecipada com penalizações de 30% e 35%. Um deles, com 53 anos de idade e 33 anos de serviço, no 10º escalão, saiu com uma reforma de 1500 euros. O outro, com 58 anos de idade e 35 anos de serviço saiu com 1900 euros. E por que razão saíram? Não aguentam mais a humilhação de serem avaliados por colegas mais novos e com menos habilitações académicas. Não aguentam a quantidade de papelada, reuniões e burocracia. Não conseguem dispor de tempo para ensinar. Fogem porque não aceitam o novo paradigma de escola e professor e não aceitam ser prestadores de cuidados sociais e funcionários administrativos.

'Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável 'pastiche' de Woody Allen 'Para acabar de vez com o ensino', a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.

Os professores falam de 'desmotivação', de 'frustração', de 'saturação', de 'desconsideração cada vez maior relativamente à profissão', de 'se sentirem a mais' em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da 'escola de sucesso', do 'passa agora de ano e paga depois', dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?'"
Manuel António Pina
 
 
- - - - -
 
Abraço!

Ministra da Educação não adianta número de escolas que vão encerrar

"Esses números [do encerramento] não importam, o que importa é que as crianças tenham boas condições", frisou a ministra Isabel Alçada, lembrando que são 400 as escolas que foram identificadas como não tendo as condições adequadas "para poder permanecer".


É mais escola, menos escola, isso não interessa. Queremos é poupar uns euros aqui para podermos contratar mais um motorista, um acessor para o acessor do acessor, comprar umas flores para enfeitar o ministério... Professores há muitos... E a Educação lá se vai desenrascando...

É uma notícia do JN:

"A ministra da Educação escusou-se, esta segunda-feira, a concretizar o número exacto de escolas do 1.º Ciclo que encerram no final do ano lectivo, afirmando desconhecer as estimativas das autarquias, que apontam para cerca de 600 escolas.



De acordo com os levantamentos feitos pelas autarquias, "até 654 escolas do primeiro Ciclo, com menos de 21 alunos, poderão fechar as portas no final deste ano lectivo", noticiou o Diário de Notícias, esta segunda-feira.

"Esses números [do encerramento] não importam, o que importa é que as crianças tenham boas condições", frisou a ministra Isabel Alçada, lembrando que são 400 as escolas que foram identificadas como não tendo as condições adequadas "para poder permanecer".

A ministra da Educação falava aos jornalistas em São Brás de Alportel, à margem da inauguração dos trabalhos de ampliação da Escola Secundária José Belchior Viegas, intervenção que representou um investimento de 1,3 milhões de euros.

"Estamos a preparar tudo para que no momento certo vejamos quantas são as escolas que vão abrir e quantas vão encerrar", referiu, sublinhando que o ministério vai em conjunto com as autarquias "verificar todos os casos".

Quanto aos números estimados pelas autarquias de que irão encerrar no final deste ano lectivo até 654 escolas, Isabel Alçada diz não ter essa informação, referindo apenas que "não há dúvida" que irão encerrar as escolas sem condições.

Segundo a ministra da Educação, tratam-se de escolas muito pequenas, que não têm salas adequadas, cantina, instalações desportivas ou biblioteca."

- - - - -

Poupança...

Abraço!

Lembram-se do Tiririca?

Ou melhor, do sr. Deputado Federal Tiririca?

Pois, este sr. já dá cartas no reino da Educação: vai integrar a Comissão de Educação e Cultura da Câmara de são Paulo. Como ele pertence ao meio da cultura, pediu para integrar esta comissão...

Uma brincadeira que foi longe (demais?).

Podem ler mais aqui.

Abraço!

Estude: pelo seu coração!

E chegaram à conclusão que... estudar faz bem à saúde!

E que tal usarmos esta para convencermos os políticos a darem-nos as condições que precisamos?

A notícia é do DN:

"Educação reduz pressão arterial



Ainda que o stress aumente com os exames, a educação a longo prazo é bom para a pressão arterial, segundo cientistas norte-americanos.

Pressão arterial alta ou hipertensão está ligada a ataques cardíacos, enfartes e insuficiência renal.

O estudo publicado no jornal "BMC Public Health" mostra que a ligação é mais evidente nas mulheres do que nos homens.

As pessoas que têm níveis superiores de educação têm menos riscos de ter doenças cardíacas. E os investigadores acreditam que é por terem níveis de pressão arterial mais baixos."

- - - - -

Não parem de estudar!

Abraço!

Professores abdicam do salário...

...para salvar escola até ao fim do ano. Recebem apenas para as despesas com alimentação e deslocações.

Uma escola que vai ficar aberta à custa de solidariedade? Só se o ministério deixar...


"Pais não aceitam fecho da Escola Pedro Teixeira

DREC quer inserir alunos da Pedro Teixeira nas escolas públicas de Cantanhede. Associação de Pais não aceita. Professores, solidários, abdicam do salário até ao final do ano lectivo

Conforme o Diário de Coimbra adiantou na edição de ontem, a Direcção Regional de Educação do Centro (DREC) chamou a Associação de Pais da Escola Pedro Teixeira para informar os encarregados de educação de que os seus filhos – face ao encerramento da escola previsto para terça-feira – iriam ser inseridos nas escolas dos três agrupamentos de Cantanhede. Simultaneamente, a directora da DREC, Helena Libório, chamou no mesmo dia (sexta-feira) os directores dos agrupamentos para os informar desta decisão, o que motivou uma reunião urgente, no mesmo dia à noite, da Associação de Pais, que não aceita o fecho do estabelecimento de ensino e muito menos a transferência dos seus filhos para outras escolas a meio do ano escolar.

«Não aceitamos! A DREC quis distribuir os nossos filhos pelas escolas de Cantanhede, o que é condená-los ao insucesso escolar», disse ontem ao nosso Jornal Lúcia Mateus, da Associação de Pais da Pedro Teixeira, inconformada com a decisão do Ministério da Educação. Para salvaguardar o ano lectivo em curso e o futuro dos alunos, os encarregados de educação decidiram criar um fundo financeiro (cada encarregado de educação contribui com uma verba) com a finalidade de pagar as despesas dos professores até ao final do ano lectivo e evitar, assim, que os alunos mudem de escola a meio do ano.

Esta decisão dos encarregados de educação recolheu, aliás, a aprovação dos mais de 20 docentes da Pedro Teixeira que, inclusive, «estão dispostos a abdicar do seu vencimento até ao fim do ano lectivo para evitar a mudança dos alunos», revelou Lúcia Mateus. O fundo criado servirá, apenas, para pagar as deslocações e alimentação dos docentes, revelou a encarregada de educação.

Por outro lado, o proprietário/director da escola, António Negrão, apesar de confirmar o fecho do estabelecimento de ensino e do despedimento colectivo de 44 pessoas (entre pessoal docente e não docente) a partir de 1 de Março (terça-feira), não se opõe a esta tomada de posição dos pais dos alunos.

«Até ao final do ano lectivo, nós, os pais, e os professores, ficaremos responsáveis pela gestão das aulas. Foi isto que decidimos juntamente com os professores, mas...»

Mas, nada desta resolução saída da reunião de pais e professores é exequível sem o aval do Ministério da Educação, o que deixa apreensíveis os encarregados de educação.


“Ao menos deixem-nos acabar o ano lectivo”

«Segunda-feira (amanhã), vamos novamente à DREC apresentar esta proposta à directora (Helena Libório), e não sabemos o que vamos ouvir. Já que o fecho da Pedro Teixeira é irreversível, não queremos que os alunos sejam condenados ao insucesso e pedimos que os deixem terminar o ano nesta escola», apela Lúcia Mateus.

O Diário de Coimbra também falou ontem com a representante dos professores que, emocionada, transmitiu uma imagem de grande desalento. «O despedimento colectivo está certo. São 31 professores e 13 funcionários que vão para o desemprego». Catarina Marques, visivelmente emocionada, lamenta este desfecho que considera «cruel» e revolta-se por «não nos deixarem fazer o que queremos: ensinar os nossos alunos», que consideram «a nossa família».

Esta docente, a leccionar na Pedro Teixeira há 13 anos, confirma que as próprias crianças «não param de chorar» ao saberem que têm de mudar de escola a meio do ano e, num apelo mais profundo, pede aos responsáveis: «ao menos deixem-nos terminar o ano lectivo com os nossos alunos». Amanhã, com a proposta que os encarregados de educação vão apresentar à directora regional de Educação, logo se verá..."

- - - - - -

Abraço!

654 Escolas para encerrar: vão ouvir as autarquias?

Uma notícia do Público.
"O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, reiterou hoje que nenhuma escola deve encerrar sem a concordância da respectiva autarquia, no âmbito do protocolo celebrado o ano passado com o Ministério da Educação."



Abraço!

Governo vai encerrar mais de 600 escolas em todo o país

Ora vamos lá fazer as contas: 654-40=614.

Ouve um "pequeno lapso" de 614 escolas na semana passada quando o sr. Secretário de Estado João da Mata referiu que haviam 40 escolas para encerrar?

São menos (pelo menos) 654 postos de trabalho para docentes (não se esqueçam de somar os auxiliares, as empresas que vão ter menos estes clientes para fornecer e outros "envolvidos").

Uma notícia do Jornal i:

"O ministério da Educação pondera encerrar 654 escolas do primeiro ciclo do ensino básico, com menos de 20 alunos.


A medida que está ainda a ser discutida entre o Governo e os municípios resulta de um levantamento exaustivo feito pelas autarquias.

Segundo avança a TSF, os agrupamentos de escolas já receberam ordens para não aceitarem novas matrículas e informarem os pais que devem esperar pela entrada em funcionamento da plataforma que vai centralizar o processo.

Para o coordenador do ensino básico da Federação Nacional de Professores (FNE), Francisco Almeida, a confirmação do encerramento destas escolas traduzir-se-á no "fechar" de muitas aldeias do interior do país.

"Pode parecer poucos alunos, mas uma aldeia que tem hoje 20 crianças no primeiro ciclo, nalgumas regiões é uma aldeia já de uma dimensão razoável", advertiu.

O número de escolas a encerrar são, no entanto, bastante superiores aos que foram projectados para este ano pelo secretário de Estado da Educação, João da Mata, que na semana passada, como refere o Diário de Notícias, falou de 40 escolas primárias por encerrar."


- - - - -

Já no Público:

"José Junqueiro diz que encerramento de escolas faz parte do que está estabelecido nas cartas educativas"

Não é grave, está tudo como previsto, porque nos haveriamos de preocupar?

- - - -


Abraço!

Ainda a sanita para 80 alunos

Volto ao tema "sanitário" pois ouvi na Antena3 uma crónica muito engraçada que decidi partilhar convosco.

Para quem não esteve atento à mensagem aqui deixada ou às notícias do país, há uma escola em Aveiro com apenas uma sanita para 80 alunos. Das 4 habituais, 2 entupiram (diz o Serginho - responsável pelo áudio que disponibilizo) e uma foi partida por um funcionário da Junta de Freguesia.

Resulatado: urina-se no caixote do lixo e gere-se como se pode o "luxo" que é ter uma sanita - podiam não ter nenhuma!

Podem ouvir a crónica de Serginho (na Farmville) aqui.

Abraço!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Professores no período probatório sem fim à vista

Isto de passar do índice 126 para o 151 é um luxo que o governo não pode sustentar, coitadinhos...

O período probatório não vai ter fim à vista?

Foi com grande espanto que li isto no ad duo:



"De:DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt [mailto:DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt]


Enviada: sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011 11:xx

Para: DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt

Assunto: Docentes Contratados - Alteração de Indice em 2011.


Exmo.(a) Senhor(a) Director(a)

A alteração do índice remuneratório dos docentes contratados por decurso dos 365 dias de tempo de serviço ocorre automaticamente por força da lei, sem que os contratos careçam de qualquer aditamento. Todavia, por força da Lei nº 55-A/2010, de 31 de Dezembro (Lei do Orçamento), essa regra foi sustida, uma vez que estão impedidas quaisquer alterações ao posicionamento remuneratório.

Assim, a partir do dia 1 de Janeiro e, enquanto vigorar o art. 24º da supracitada Lei, qualquer direito que possa ser constituído por parte de algum docente que no decurso do seu contrato complete os 365 dias, a sua posição remuneratória não pode ser alterada do índice 126 para o índice 151.

Com os melhores cumprimentos

Jorge Oliveira
Director de Serviços
DSGRHE"


Enfim...

Abraço!

O ministério da Educação desapareceu...

A ideia parece-me certa... Não há dúvidas que a vertente económica está a esmagar todas as outras vertentes. A qualidade do serviço é secundária: poupe-se a todo o custo! Nem que se esteja a hipotecar o futuro do país!


"Para Mário Nogueira, a educação «carece» de um ministério atuante:
«Neste momento não há ministério da Educação. Há um ministério das Finanças
que decide e depois um ministério que aplica o que aquele decidiu»."



É o que se pode ler nesta notícia do Diário Digital:

"Professores: «Não há ministério da Educação» - Mário Nogueira


O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) Mário Nogueira disse hoje «que não há ministério da Educação» e apelou à participação dos docentes nas manifestações previstas para março e abril.

As acusações de Mário Nogueira foram feitas no discurso do dirigente no sétimo congresso do Sindicato de Professores do Norte (SPN), em Guimarães, no Centro Cultural Vila Flor.

Para Mário Nogueira, a educação «carece» de um ministério atuante: «Neste momento não há ministério da Educação. Há um ministério das Finanças que decide e depois um ministério que aplica o que aquele decidiu»."


Abraço!