domingo, 6 de fevereiro de 2011

Educação: sindicatos vão estar atentos a avaliação, contratos a prazo e "mega agrupamentos"

Os sindicatos fazem o que fazem, mas parece que não têm força - a culpa é nossa, que não nos unimos, mas também deles, que não estão muito bem ajustados à realidade quotidiana. Os meios de luta são sempre os mesmos, as críticas repetem-se, e os resultados não aparecem... E os contratados são sempre deixados para último plano!

Quero acreditar que vão conseguir alguma coisa, mas...

Mais uma notícia do Jornal i de 6 de Fevereiro:

"A aplicação do novo modelo de avaliação dos professores, a defesa de um concurso extraordinário em 2011, as alterações curriculares e os novos “mega-agrupamentos” estarão sob a mira dos sindicatos da educação durante o próximo ano letivo.


“É fundamental que este ano letivo seja marcado pela estabilidade nas políticas educativas, mas também pela reformulação de políticas erradas”, disse à agência Lusa o secretário geral da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva.

Reformulação na qual a FNE quer ver o envolvimento de todos os atores sociais, “particularmente os que estão mais ligados à área da educação”.

Neste contexto, está a revisão curricular dos ensinos básico e secundário e a consequente alteração dos conteúdos programáticos de várias disciplinas.

A FNE considera fundamental que o próximo ano letivo, que arranca na quarta feira, fique marcado pela realização de um concurso extraordinário de professores que permita “corrigir injustiças” e “acabar ou limitar as margens de instabilidade que têm marcado o sistema educativo, com aquilo que tem sido o uso excessivo de professores contratados”. Esta será também uma batalha, já anunciada, da Federação Nacional dos Professores (FENPROF).

A FNE espera ainda ver o ano marcado pelo aumento da oferta da educação pré-escolar, também para as crianças com menos de três anos de idade, “limitando-se o acesso a amas e pondo à disposição das famílias profissionais de educação pré-escolar”.

“Queremos também que haja crescimento das condições de exigência e rigor nas certificações escolares e profissionais”, afirmou Dias da Silva, considerando fundamental que da parte dos ministérios da Educação e do Trabalho existam mecanismos que “garantam altas qualificações” ao nível escolar e profissional para quem as procura, sejam jovens ou adultos “à procura de uma segunda oportunidade”.

A FNE vai reunir nos dias 08 e 09 o secretariado nacional, em Lisboa, para identificar ações a realizar no primeiro período.

Os responsáveis da FENPROF vão para as escolas logo no início do ano letivo preparar reuniões e o secretário geral, Mário Nogueira, tem agendada presença em cerimónias de receção aos docentes realizadas pelas autarquias.

A FENPROF está já a preparar o Dia Internacional do Professor (05 de outubro) que por este ano coincidir com o Centenário da República pode ver passadas algumas iniciativas para mais tarde, como um seminário internacional sobre a profissão.

Muito trabalho no terreno, segundo Mário Nogueira, vai requerer o acompanhamento de novas dinâmicas, como “o funcionamento dos novos mega-agrupamentos” e do “novo modelo de avaliação que, na verdade, vai ser lançado em setembro”.

“Vamos ter de acompanhar isso muito de perto porque no final do ano letivo está previsto um momento de avaliação do novo modelo e eventual alteração”, indicou.

“Temos de ver o que se passa para termos exemplos concretos para fundamentar a nossa opinião”, declarou, prevendo um ano “complicado”.

“Estamos bastante apreensivos com o aumento da precariedade. Há escolas que começam a ter níveis de precariedade e de instabilidade do corpo docente muito relevantes e que fazem com que não funcionem bem”, referiu."



Abraço!

Conheça os novos megagrupamentos de escolas

Vale a pena ler esta notícia do Jornal i.

"Os agrupamentos que neste ano lectivo fundiram as escolas do pré-escolar ao secundário ganharam uma escala tão grande que, por vezes, se tornam ingovernáveis. As direcções ainda estão a aprender a lidar com a frustração dos professores que perderam autonomia e agora se sentem ignorados. Cinco meses depois de as comissões administrativas provisórias (CAP) assumirem a gestão deste novo modelo, há ainda carências de meios ou de docentes que se tornaram mais evidentes após a fusão. "A sobrecarga burocrática aumentou uma vez que as escolas estão distantes umas das outras. As rotinas de trabalho também são outras com implicações na qualidade dos serviços prestados, o que tem gerado um clima de escola agastado e desgastado", conta Ana Clara Almeida, que dirige o agrupamento de Penacova


Em boa parte dos casos, as escolas não conseguem funcionar em pleno porque agora é mais difícil fazer chegar a informação do topo até à base da pirâmide, sem se perder pelo caminho. Nos agrupamentos de escolas de Condeixa, de Vila Real de Santo António, Penacova, Arganil ou de Ana Castro Osório (Mangualde), as direcções enfrentam todos os dias a resistência de dezenas de professores avessos às mudanças. Os cinco novos agrupamentos procuram ainda o melhor caminho para eliminar o excesso de burocracias, encontrar as estratégias para reorganizar um quadro de docentes que triplicou ou descobrir novas rotinas para uniformizar as práticas de escolas até há pouco tempo habituadas a trabalhar com autonomia.

Há um longo percurso pela frente nestes agrupamentos, os primeiros a inaugurar um modelo de gestão que em Setembro do ano passado deu origem a 84 novas unidades que ficaram conhecidas como mega-agrupamentos. E, entretanto, o governo já avisou - as fusões de escolas são para continuar no próximo ano lectivo. Juntar todos os graus de escolaridade numa gestão única é o padrão que o Ministério da Educação quer estender a todo o ensino público. Os agrupamentos de Arganil, Condeixa ou de Penacova são os pioneiros e estão entre os poucos que podem partilhar com as próximas escolas a serem fundidas o que correu mal num processo feito contra o tempo e que está ainda longe do sucesso.


A maior fusão

De um mês para o outro, a comissão administrativa provisória das escolas de Ana Castro Osório passou a dirigir um agrupamento com 2800 alunos e 340 professores. É a maior fusão até agora e, gerir um quadro de funcionários e docentes três vezes maior, tornou-se numa tarefa muito mais complicada. Reuniões gerais com todos os professores deixaram de acontecer: "Precisaria de um estádio para conseguir juntar todos os professores que agora integram o corpo docente", conta ao i António Agnelo Figueiredo, presidente da CAP.

O grande obstáculo é agora conseguir que as orientações da direcção cheguem intactas no final da corrente de transmissão: "Pôr toda a gente a trabalhar junta é o nosso principal desafio, sobretudo porque é imprescindível uniformizar as práticas de escolas que antes tinham métodos de trabalho distintos." Legislar por "despacho" passou a ser o caminho mais rápido e fácil. Os professores tiveram de se habituar às "ordens de serviço" que, em muitos casos, substituíram o debate e a partilha de decisões. A internet entrou no quotidiano das escolas pois é a única ferramenta que permite manter a comunicação com o mínimo de falhas: "Passámos a usar um portal que está em actualização permanente."


MegaReuniões

Nas escolas de Penacova, que juntou 1568 alunos de dois agrupamentos extintos, as reuniões também passaram a ter "um número elevado de participantes", conta a presidente da CAP Ana Clara Almeida: "Isso tem dificultado o cumprimento da ordem de trabalhos, a circulação de informação e a tomada de decisões." Para facilitar a comunicação, a comissão criou a figura de representante da disciplina dentro dos novos departamentos que agora incluem várias disciplinas. Depararam-se com novo constrangimento. Dada a redução do crédito global de horas do corpo docente, consequência ligada à fusão, os professores estão ainda mais limitados no tempo disponível para reuniões de planeamento ou de avaliações: "A manutenção do regime de horário de trabalho dos professores, nas circunstâncias actuais, exigindo-se imenso sem contrapartidas, tem sido um quebra-cabeças para a CAP."

Os obstáculos nas escolas de Condeixa não são muito diferentes. O agrupamento juntou 1600 alunos e 210 professores e a recente dimensão do corpo docente "coloca sérias dificuldades ao nível da organização de reuniões, sendo agora mais difícil conseguir "gerir modos de trabalhar distintos", diz a dirigente da CAP Anabela Lemos. De resto, as dificuldades repartiram-se por todos os sectores, mas a pior fase aconteceu na preparação do arranque do ano lectivo. A fusão das várias bases de dados (alunos, professores e funcionários) foi a prioridade, uma vez que foi necessário processar vencimentos, uniformizar documentos contabilísticos, turmas e listagens várias de alunos. Foi portanto preciso reforçar a assistência técnica, o que a Direcção Regional de Educação do Centro não conseguiu prestar, critica a presidente.


Comunicações interrompidas

No agrupamento de escolas de Arganil ainda hoje há processos que ficaram incompletos: "A transmissão de tarefas ou de orientações continua a ser um problema, uma vez que ainda não temos um servidor que nos permita comunicar informaticamente com as escolas básicas do 2.o e 3.o ciclos e a secundária onde está a base de dados de alunos, professores e funcionários", conta o dirigente da comissão Fernando Antunes. Cristina Silveira, do Agrupamento de Vila Real de Santo António, não ficou muito surpreendida com as dificuldades que encontrou quando em Agosto assumiu a CAP: "Cada uma das escolas tinha a sua organização própria e a fusão implicou alterar normas e hábitos administrativos ou relacionais." O primeiro puzzle passou por construir horários com professores que dão aulas em duas escolas diferentes.

A diminuição de horas de crédito também aqui não facilitou a distribuição dos cargos nem dos projectos aprovados em cada uma das cinco escolas reagrupadas. Foi preciso ainda importar os processos dos alunos, usando programas informáticos diferentes, reorganizar serviços e processos administrativos e departamentos curriculares tendo em conta a distância entre as escolas. Tudo feito contra a vontade da comunidade, mas que teve de ser feito "porque tem de ser"."

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É mesmo isto, "porque tem que ser"! Não interessa se há condições, se há ganhos a nível da educação, se se dá um passo maior do que as pernas... "é mais barato? Avança-se!"

Mas calma, estamos todos a salvo: o Sr. Eng. reafirmou que a Educação é uma prioridade!

Abraço!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Acordo Ortográfico - Conversor de texto

Está sempre online, pode ser muito útil. Escrevem o texto "à moda antiga" e é convertido para "a moda mais moderna".

Podem comprovar aqui.

E não se esqueçam do outro conversor, que já vos deixei aqui há algum tempo, o lince.

O lince pode ser descarregado aqui.

Abraço!

Crianças entre os 9 e 16 anos têm conversas com estranhos na internet

Na sequência de uma mensagem que escrevi há pouco tempo atrás, deixo-vos este vídeo com um trabalho da SIC sobre a utilização da internet sem supervisão de adultos:





A internet é boa e má, depende de como a usamos e deixamos usar...

Abraço!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cantinas escolares em guerra contra a “junk food”

Mais uma no Público:

"Sopas, legumes, peixe — as cantinas escolares fornecem cada vez mais comida saudável aos alunos e estão ensiná-los a distinguir o que faz bem do que faz mal. Mas, quando chegam ao ensino secundário e têm dinheiro nas mãos, os jovens saem das escolas e compram bolachas, refrigerantes e batatas fritas no supermercado mais próximo. Estamos a ganhar ou a perder a guerra contra a obesidade – provavelmente, “o maior problema de saúde pública em Portugal”?


Alexandra Prado Coelho fez uma reportagem por diversas escolas, onde ouviu estudantes, professores, nutricionistas e outros responsáveis. Entrevistou também Jack Winkley responsável pela Unidade de Política de Nutrição da London Metropolitan University, um dos autores do estudo “The School Fringe – What Pupils Buy and Eat from Shops Surrounding Secondary Schools” (A Zona em Redor da Escola – O Que é que os Alunos Compram e Comem nas Lojas que Rodeiam as Escolas Secundárias), cujas conclusões merecem reflexão. No Reino Unido, onde o famoso cozinheiro Jamie Olivier tentou melhorar a saúde e a alimentação das crianças com a campanha “Feed me Better, dois quintos dos alunos nunca foram à cantina e só seis por cento têm o hábito de comer uma refeição quente ao almoço."

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Pelo que vou vendo, não são só os maiores que se "baldam" à cantina. Já passei por escolas que fechavam o bar dos alunos à hora do almoço, mas mesmo assim eles comiam "porcarias"... É a atracção pela "comida de plástico", jovem, na moda, cool...


Abraço!

Mais de 30 mil postos de trabalho serão eliminados no próximo ano lectivo, diz Fenprof

Mais de 30 mil: voltou o número que todos queremos que seja errado, mas, mesmo pensando que poderá haver um exagero por parte dos sindicalistas, não conheço informação do ministério da educação que contrarie esta projecção... se fosse mesmo descabido já teriamos ouvido um "os sindicatos são tolos, nunca cortariamos tantos postos de trabalho".

Dantes atirava para metade, 15 mil. Agora já atiro para 2/3, 20 mil... Não queria ter que refazer os cálculos, mas já nem sei...

É uma notícia do Público (já estava na hora de patrocinarem este blogue, à publicidade que lhes faço...)


"Mais de 30 mil postos de trabalho serão eliminados no próximo ano lectivo, diz Fenprof


No final de uma reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Mário Nogueira afirmou que as contas da Fenprof e que “o Ministério da Educação não conseguiu negar” apontam para uma redução de 30 a 40 mil horários, o que significa que “quase o mesmo número de postos de trabalho vão ser eliminados”.

“Nós calculamos que os mega-agrupamentos deem uma redução na ordem dos 10 a 12 mil lugares, que as alterações curriculares dêem uma redução de 12 mil, sendo que 7 mil são horários de EVT [Educação Visual e Tecnológica], e que com a organização do ano escolar e o novo despacho sejam mais cerca de 10 mil. Isto dá qualquer coisa como 34 mil horários”, disse.

O secretário de Estado Alexandre Ventura confirmou que as alterações curriculares “vão implicar alterações nas escolas”, mas negou que correspondam aos números avançados pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

Contudo, quando questionado quanto ao número de horários previstos serem reduzidos, o governante respondeu que o “Ministério da Educação não está de maneira nenhuma envolvido na abordagem de quantos [professores] serão necessários”.

“O Ministério da Educação está envolvido na prestação do seu serviço educativo com máxima qualidade, portanto mobilizará todos os recursos necessários para a satisfação dessa necessidade da sociedade portuguesa”, afirmou.

Caberá às escolas escolher os professores em função dos seus recursos, disse Alexandre Ventura.

Mário Nogueira afirmou, por sua vez, que “as escolas só podem pedir pessoas em função dos critérios que o Ministério da Educação impõe”, ou seja, menos 30 a 40 mil horários.

Um decreto-lei publicado na quarta-feira em Diário da República veio alterar o desenho curricular do ensino básico e secundário a partir de Setembro de 2011.

O diploma decreta a extinção da disciplina de Área de Projecto, o fim da obrigatoriedade de frequência de Estudo Acompanhado, passando a ser apenas para alunos com dificuldades a língua portuguesa e matemática, e o fim do par pedagógico na leccionação da disciplina de EVT, que passa a ter apenas um professor."




Abraço!

Escola de sonho abre em 2012

Não sei se o título é exagerado, mas parece que os interessados estão contentes.

Eu também quero a minha escola de sonho. Até pode ser um barraquito num pedaço de terreno. O meu sonho não são as instalações... (quantos de vós estão a pensar como eu?)

"Escola de sonho abre em 2012
JN


Secundária e EB 2,3 juntas na zona desportiva

A Escola Básica e Secundária de Anadia - que vai substituir as actuais Secundária e EB 2,3 - deverá acolher alunos em 2012. As obras, que custarão 16 milhões de euros - arrancam em Março. Alunos, professores e Câmara estão perto de ver concretizado um sonho.

O director do Agrupamento de Escolas de Anadia, Luís Santos, apelidou-a de "sonho antigo". O presidente da Câmara, Litério Marques, considerou-a a "melhor escola da zona Centro". São imagens que dão uma ideia da importância e grandeza para o município da Escola Básica e Secundária de Anadia, a infra-estrutura que vai substituir e juntar as actuais Secundária e EB 2,3, que há muito pediam a "reforma" por não terem condições mínimas. Segundo a previsão da Parque Escolar - empresa pública responsável pela modernização da rede de escolas secundárias e outras afectas ao Ministério da Educação e que vai investir 16 milhões de euros na escola de Anadia - a escola deverá estar pronta em Setembro de 2012.

Se não houver derrapagens no tempo previsto para a obra (18 meses após o início previsto para Março próximo), os cerca de 1200 alunos que habitualmente frequentam a Secundária de Anadia (800) e a EB 2,3 (400) vão iniciar o ano lectivo 2012/13 nas novas instalações localizadas junto ao campus desportivo de Anadia.

A Câmara cedeu à Parque Escolar um lote com nove hectares (equivalente a nove campos de futebol), recebendo em contrapartida os terrenos onde actualmente estão as (vizinhas) escolas Secundária e EB 2,3, localizadas junto ao IC2. Litério Marques disse, anteontem à noite, durante a apresentação da nova escola, que será efectuada uma avaliação dos três terrenos de forma a ser efectuado um ajuste de contas. "Se a Câmara tiver que receber algum dinheiro, adianto que prescindimos dele.

Espero a mesma atitude da Parque Escolar se for ao contrário...", afirmou o autarca numa demonstração de parceria para com a empresa pública que responde perante os ministérios da Educação e das Finanças. Litério Marques - que disse não ter ainda projectos para os terrenos das actuais escolas que irão ficar para a Câmara - elogiou a postura dos responsáveis da Parque Escolar. "Valeu a pena a insistência porque vamos ter uma escola de raiz, a melhor escola da zona Centro", repetiu o autarca.

A Escola Básica e Secundária de Anadia é uma das duas escolas que a Parque Escolar vai construir de novo. Todas as outras - e ainda na semana passada foram inauguradas 21 em todo o país - são remodelações. "Fafe irá receber a segunda escola nova, mas o processo está mais atrasado que Anadia, devendo Fafe arrancar no próximo Verão", informou Luís Marques, responsável da Parque Escolar na Zona Centro."


Abraço!

ADD - Vamos à luta?

Estão a ser tomadas algumas posições interessantes.

Estive a espreitar aqui e acolá e no "Educação do Meu Umbigo" encontrei o seguinte:

Posições – Agrupamento Vertical De Escolas Clara De Resende (Porto)

Concretizam em 6 pontos a "TOMADA DE POSIÇÃO SOBRE A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOCENTE" - Neste caso não a querem!



Posições – Fátima Inácio Gomes

É-nos apresentada uma forma de luta que pode resultar: a escusa dos relatores.

"Há um caminho que vários têm tentado trilhar, mas por falta de coordenação, de união, de clareza, não tem vingado – ou, se o tem feito, morre no indivíduo – e que deve ser explorado, com consistência: o pedido de escusa dos relatores"


Pedido De Escusa – Maria José Simas

Ainda as escusas, aqui com um documento que a colega apresentou.

"Assim, de acordo com as alíneas c) e d) do artigo 44º do Código do Procedimento Administrativo, declaro o meu impedimento em avaliar os docentes que me foram confiados no processo de ADD, peço escusa do cargo de relator para o qual fui nomeado."



Cliquem nos títulos para acederem à mensagem integral. Vale a pena a leitura.

Abraço!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Fenprof exige concurso para professores já este ano

"Fenprof exige concurso para professores já este ano


Dezenas de professores concentraram-se junto ao Ministério da Educação esta quinta-feira, em Lisboa, para reclamar a abertura de concursos este ano, conforme prometido pela tutela.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) lidera a concentração que tem como objectivo garantir que o concurso avance já este ano, uma exigência considerada essencial para estabilizar escolas e corpo docente.

Por isso, a organização sindical foi hoje à Avenida 5 de Outubro entregar essa reivindicação «subscrita por mais de 10.000 professores e educadores em postais» dirigidos à ministra da Educação.

Segundo fazem notar os dirigentes sindicais, a ministra Isabel Alçada comprometeu-se pouco após a tomada de posse a avaliar as necessidades permanentes de professores nas escolas para que pudessem ser integrados. Porém, as medidas de austeridade decididas pelo Ministério das Finanças no âmbito do combate ao défice vieram inviabilizar o concurso este ano."



No que é que isto dará?

Abraço!

Sobre a Avaliação - Santana Castilho

No facebook de um sub-director de uma escola onde já leccionei encontrei este texte que partilho convosco.

Nunca tinha pensado desta forma, é mais uma visão sobre o assunto.

No entanto considero que a nossa profissão/avaliação não poderá ser directamente comparada com a dos médicos ou juízes.


"in Público, 19/01/2011 Santana Castilho


“Que patifes, as pessoas honestas” é uma citação atribuída ao escritor francês Émile Zola, que me revisita sempre que vejo os políticos justificarem com o manto diáfano da legalidade comportamentos que a ética e a moral rejeitam. E é ainda Zola que volta quando a incoerência desperta o meu desejo de falar, para não ser tomado por cúmplice.

Foi duplamente incoerente o apelo ao respeito e à valorização dos professores que Cavaco Silva fez há dias em Paredes de Coura. Incoerente quando confrontado com o passado recente e incoerente face ao que tem acontecido no decurso da própria campanha eleitoral. Em 2008 e 2009, os professores foram continuamente vexados sem que o Presidente da República usasse a decantada magistratura de influência para temperar o destempero. E foi directa e repetidas vezes solicitado a fazê-lo. Por omissão e acção suportou e promoveu políticas que desvalorizaram e desrespeitaram como nunca os professores e promulgou sem titubear legislação injusta e perniciosa para a educação dos jovens portugueses. Alguma ridícula e imprópria de um país civilizado, como aqui denunciei em artigo de 11.9.06. Já em plena campanha, Cavaco Silva disse num dia que jamais o viram ou veriam intrometer-se no que só ao Governo competia para, dias volvidos, aí intervir, com uma contundência surpreendente, a propósito dos cortes impostos ao ensino privado. Mas voltou a esconder-se atrás do silêncio conivente, agora que é a escola pública o alvo de acometidas sem critério e os professores voltam a ser tratados, aos milhares, como simples trastes descartáveis.

Imaginemos que o modelo surreal para avaliar professores se estendia a outras profissões da esfera pública. Que diria Cavaco Silva? Teríamos, por exemplo, juízes relatores a assistirem a três julgamentos por ano de juízes não relatores, com verificação de todos os passos processuais conducentes à sentença e análise detalhada do acórdão que a suportou. Teríamos médicos relatores a assistirem a três consultas por ano dos médicos de família não relatores; a verificarem todos os diagnósticos, todas as estratégias terapêuticas e todas as prescrições feitas a todos os doentes. Imaginemos que os juízes teriam que estabelecer, ano após ano, objectivos, tipo: número de arguidos a julgar, percentagem a condenar e contingente a inocentar. O mesmo para os médicos: doentes a ver, a declarar não doentes, a tratar directamente ou a enviar para outras especialidades, devidamente seriadas e previstas antes do decurso das observações clínicas. Imaginemos que o retorno ao crime por parte dos criminosos já julgados penalizaria os juízes; que a morte dos pacientes penalizaria os médicos, mesmo que a doença não tivesse cura.
Imaginemos, ainda, que o modelo se mantinha o mesmo para os juízes dos tribunais cíveis, criminais, fiscais ou de família e indistinto para os otorrinolaringologistas, neurologistas ou ortopedistas. Imaginemos, agora, que um psiquiatra podia ser o relator e observador para fins classificativos do estomatologista ou do cirurgião cardíaco. Imaginemos, por fim, que os prémios prometidos para os melhores assim encontrados estavam suspensos por falta de meios e as progressões nas respectivas carreiras congeladas. Imaginemos que toda esta loucura kafkiana deixava milhares de doentes por curar (missão dos médicos) e muitos cidadãos por julgar (missão dos juízes). A sociedade revoltava-se e os profissionais não cumpririam. Mas este modelo, aplicado aos professores, está a deixá-los sem tempo para ensinar os alunos (missão dos professores), com a complacência de parte da sociedade e o aplauso de outra parte. E os professores cumprem. E Cavaco Silva sempre calou.

Ultrapassámos os limites do tolerável e do suportável. Ontem, o estudo acompanhado e a área-projecto eram indispensáveis e causa de sucesso. Hoje acabaram. Ontem, exigiram-se às escolas planos de acção. Hoje ordenam que os atirem ao lixo. Ontem Sócrates elogiou os directores. Hoje reduz-lhe o salário e esfrangalha-lhes as equipas e os propósitos com que se candidataram e foram eleitos. Ontem puseram dois professores nas aulas de EVT em nome da segurança e da pedagogia activa. Hoje dizem que tais conceitos são impróprios. Ontem sacralizava-se a escola a tempo inteiro. Hoje assinam o óbito do desporto escolar e exterminam as actividades extracurriculares. Ontem criaram a Parque Escolar para banquetear clientelas e desorçamentar 3 mil milhões de dívidas. Hoje deixaram as escolas sem dinheiro para manter o luxo pacóvio das construções ou sequer pagar as rendas aos novos senhores feudais. Ontem pagaram a formação de milhares de professores. Hoje despedem-nos sem critério, igualmente aos milhares.

Os portugueses politicamente mais esclarecidos poderão divergir na especialidade, mas certamente acordarão na generalidade: os 36 anos da escola democrática são marcados pela permanente instabilidade e pelo infeliz desconcerto político sobre o que é verdadeiramente importante num sistema de ensino. Durante estes 36 anos vivemos em constante cortejo de reformas e mudanças, ao sabor dos improvisos de dezenas de ministros, quando deveríamos ter sido capazes de estabelecer um pacto mínimo nacional de entendimento acerca do que é estruturante e incontornável para formar cidadãos livres. Sobre tudo isto, o silêncio de Cavaco Silva é preocupante e obviamente cúmplice."
 
Abraço!