segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Alterações no currículo do ensino básico e secundário

Estratégia para currículo do ensino básico e secundário delineada até final do ano lectivo


"O Governo vai concluir até final do ano lectivo uma nova estratégia para o currículo do ensino básico e secundário, baseada na definição de metas de aprendizagem para cada ciclo e áreas nucleares, segundo as Grandes Opções do Plano." - Uma nova estratégia é necessária, sem dúvida! Mas há algo que me deixa já de sobreaviso quando são medidas do Ministério da Educação...

"Pretende-se fazer ajustamentos no plano de estudos do ensino básico, de forma a reduzir o número de unidades curriculares simultâneas em cada ano de escolaridade" e a "promover uma maior flexibilidade de gestão", bem como a "efectiva integração curricular de áreas transversais", como a Educação para a Saúde e a Educação para a Cidadania.

Estas iniciativas serão desenvolvidas "de forma faseada até ao ano lectivo 2012-2013", de modo a assegurar mecanismos de consulta, acompanhamento e monitorização." - Quer isto dizer que vão dar ouvidos a quem  conhece a realidade?

"O Governo compromete-se também diversificar a oferta educativa e formativa dirigida aos jovens do ensino secundário, "através da valorização das modalidades de dupla certificação, de uma oferta adequada aos seus interesses e expectativas e da conclusão da reforma do ensino artístico". - Convém, uma vez que está a chegar a obrigatoriedade do Ensino Secundário. Não queria ver arrastar marasmo (e malabarismo) que é manter os alunos até ao fim do Básico para a realidade do Secundário...

"Prevê igualmente consolidar e desenvolver programas e projectos destinados a melhorar as competências-chave e combater o insucesso e abandono escolar precoce, apostando na "prevenção e detecção" de situações de risco, com o envolvimento das famílias e da comunidade local." - Pois, envolver a comunidade e a família... até parece bem, mas o que tenho visto deste envolvimento não tem servido para melhorar, é mais para criticar, agredir, trazer problemas de fora para dentro da escola...

"O Governo destaca o Plano de Acção para a Matemática e adianta que o Plano Nacional de Leitura terá uma segunda fase a partir de 2012.

As Grandes Opções do Plano preconizam ainda programas de formação contínua para professores em português, matemática, ciências experimentais, inglês, tecnologias da informação e comunicação, educação para a saúde." - Formação? Sim, eu quero! A não ser que seja tanta que se esgote nos Quadros que precisam de subir de escalão. Vou dar o benefício da dúvida, mas com cortes no orçamento...

"Às escolas classificadas como Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP) são prometidos "recursos humanos e pedagógicos adicionais". - Cortes no orçamento, aumento de recursos... vão ter que cortar em algum lado. E talvez fosse melhor rever este conceito de TEIP e a sua autonomia. Já que são autónomos e têm privilégios em relação aos outros Agrupamentos, porque não começar a pedir contas do sucesso que nem sempre obtêm?

"Irá também ser aprofundada a dimensão inclusiva da educação especial, designadamente através do estudo de modalidades de diagnóstico precoce na educação do pré-escolar e no 1.º Ciclo, da caracterização da população educativa com necessidades especiais", entre outras medidas para aperfeiçoamento do regime em vigor." - Aperfeiçoar, ou eliminar e recomeçar, porque assim não parece estar a resultar.


domingo, 21 de novembro de 2010

Como criar um milionário

"Ou, pelo menos, um miúdo que não vai acabar os dias enterrado até ao pescoço em dívidas de cartão de crédito. Sim, vale a pena começar logo no infantário."

É assim que começa esta interessante notícia do Metro.

Há um tempo atrás já abordei a importância dos mais pequenos estarem a par de coisas simples da economia (preços, poupança, dívidas, entre outros) e agora ao ler esta notícia decidi reforçar a mensagem.

"Hoje, 93% dos pais de jovens estão preocupados porque os seus filhos vão gastar mais do que têm, acumular dívidas e não ter dinheiro para fazer face a uma emergência."

"81% não ensinam o que é e como se deve investir.

80% nunca falaram do custo da escola

71% nunca explicaram o que são juros e taxas

80%não os envolvem em decisões sobre poupanças

76% não costumam falar de dinheiro

71% nunca ensinaram a usar o cartão de crédito

72% dos miúdos que aprendem a poupar tendem a fazê-lo regularmente

Os pais têm de começar a educação financeira muito antes de os filhos chegarem a adolescentes.

Porque lidar com dinheiro conta com dois factores essenciais: sabedoria e hábito.

A melhor idade para os ensinar a ter hábitos é quando ainda estão no ardim infantil. Se esperamos pelo liceu, vai ser muito mais difícil que eles ganhem novos hábitos.

A organização norte-americana “Pay Your Family First” sugere que se ensine os primeiros conceitos monetários a miúdos de 4/5 anos. Só a partir desta idade é que são capazes de distinguir a diferença entre uma nota de 5 e 20 euros, por exemplo.

Começar com o porquinho mealheiro pode ser uma boa ideia.

Aquilo que damos aos filhos deve ser visto como muito valioso, um tesouro que deve ser muito bem guardado ou para gastar apenas em ocasiões especiais. As lições que aprenderem com essa idade ficarão para o futuro.

As crianças e jovens devem perceber bem a diferença entre desejo e necessidade. Por exemplo, se pedem alguma coisa que custa o dobro só por causa da marca, obrigue-os a pagar a diferença em dinheiro retirado da mesada ou a fazer um trabalho doméstico em troca."

Mais tarde poderei ter oportunidade de debruçar-me mais e melhor sobre este artigo.

Abraço!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Menos Professores para o ano - "Diz que disse..."

Fala-se (não vi nada escrito oficialmente) em passar o Desporto Escolar para os tempos de estabelecimento e aumentar a carga lectiva dos últimos escalões para as 22h.

São mais desempregados a acrescentar aos já falados 30 mil que não vão ter lugar na escola no próximo ano!

Por enquanto só se fala...

Abraço!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Normas para a criação de agrupamentos

Portaria n.º 1181/2010 - Diário da república

Extractos da notícia
Normas para a criação de agrupamentos - Lusa / EDUCARE

"Os procedimentos de criação, alteração e extinção de agrupamentos de escolas ..."

"No caso da criação de agrupamentos de escolas, a apresentação de propostas compete às direcções regionais de educação (DRE) e no caso da criação de estabelecimentos da educação pré-escolar, do Ensino Básico e Secundário, envolve também os municípios."

"Quando apresenta as propostas, a DRE deve antes auscultar os municípios abrangidos e pode também ouvir outras entidades da comunidade educativa."

"Se a iniciativa for dos municípios, as propostas serão dirigidas ao director regional de Educação, devendo as entidades consultadas pronunciar-se no prazo máximo de dez dias. O silêncio equivale à "aceitação tácita das propostas" e a decisão compete ao titular da pasta da Educação."

"A resolução estabeleceu orientações para o reordenamento da rede, no sentido de a adaptar à escolaridade obrigatória de 12 anos, adequar as condições das escolas ao sucesso escolar e combate ao abandono, bem como de promover a racionalização dos agrupamentos, "de modo a favorecer o desenvolvimento de um projecto educativo comum, articulando níveis e ciclos de ensino distintos", de acordo com os argumentos do Governo."


"Estão também sujeitos a alteração os estabelecimentos que "deixem de reunir as condições e os recursos necessários a uma efectiva capacidade pedagógica à promoção do sucesso escolar" num dos níveis ou ciclos de educação ou ensino.

"Os agrupamentos ou escolas não agrupadas que não reúnam as "condições necessárias" ao cumprimento dos princípios e orientações de reordenamento da rede escolar definidas na resolução do Conselho de Ministros "devem ser objecto de extinção", a menos que sejam os únicos existentes em determinado território."


"No final do processo [de reorganização] da rede escolar, deverão estar cerca de 900 escolas encerradas, mas este universo só corresponde a 3,5% das crianças que frequentam o 1.º ciclo", declarou Isabel Alçada, em conferência de imprensa."
Lusa/Educare


Como todos se recordam, fecharam 700 escolas, ainda faltam 200... Vai continuar a redução de despesa e respectiva redução de qualidade do ensino.

Sofremos nós, os professores, mas sofrem também eles, os alunos!

Como nós não fazemos nada, vão ter que ser os pais deles a fecharem escolas a cadeado e a manifestarem-se para conseguirem uma ou outra migalha.

Abraço!

Solidão não rima com inclusão...

"Nunca será de mais voltar ao assunto, para lembrar que, apesar da teoria e contra ela, a realidade diz- nos que, desde há séculos, tudo está escrito e tudo continua por concretizar. Nunca será de mais falar de inclusão. Nunca será de mais lembrar que os projectos humanos carecem de um novo sistema ético e de uma matriz axiológica clara, baseada no saber cuidar, conviver com a diversidade.
A chamada educação inclusiva não surgiu por acaso, nem é missão exclusiva da escola. É um produto histórico de uma época e de realidades educacionais contemporâneas, uma época que requer que abandonemos muitos dos nossos estereótipos e preconceitos, que exige que se transforme a "escola estatal" em escola pública - uma escola que a todos acolha e a cada qual dê oportunidades de ser e de aprender.

Os obstáculos que uma escola encontra, quando aspira a práticas de inclusão, são problemas de relação. As escolas carecem de espaços de convivencialidade reflexiva, de procurar compreender que pessoas são aquelas com quem partilhamos os dias, quais são as suas necessidades (educativas e outras), cuidar da pessoa do professor, para que se veja na dignidade de pessoa humana e veja outros educadores como pessoas. Sempre que um professor se assume individualmente responsável pelos actos do seu colectivo, reelabora a sua cultura pessoal e profissional... "inclui-se". Como não se transmite aquilo que se diz, mas aquilo que se é, os professores inclusos numa equipa com projecto promovem a inclusão.

Aos adeptos do pensamento único (que ainda encontro por aí...) direi ser preciso saber fazer silêncio "escutatório", fundamento do reconhecimento do outro. Que precisamos de rever a nossa necessidade de desejar o outro conforme nossa a imagem, mas respeitá-lo numa perspectiva não narcísica, ou seja, aquela que respeita o outro, o não-eu, o diferente de mim, aquela que não quer catequizar ninguém, que defende a liberdade de ideias e crenças, como nos avisaria Freud. Isso também é caminho para a inclusão.

Aos cínicos (que ainda encontro por aí...) direi que, onde houver turmas de alunos enfileirados em salas-celas, não haverá inclusão. Onde houver séries de aulas assentes na crença de ser possível ensinar a todos como se de um só se tratasse, não haverá inclusão. Direi que, enquanto o professor estiver sozinho, não haverá inclusão. Insisto na necessidade da metamorfose do professor, que deve sair de si (necessidade de se conhecer); sair da sala de aula (necessidade de reconhecer o outro); sair da escola (necessidade de compreender o mundo). O ethos organizacional de uma escola depende da sua inserção social, de relações de proximidade com outros actores sociais.

Também é requisito de inclusão o reconhecimento da imprevisibilidade de que se reveste todo o acto educativo. Enquanto acto de relação, ele é único, irrepetível, impossível de prever (de planear) e de um para um (questionando abstracções como "turma" ou "grupo homogéneo"), nas dimensões cognitiva, afectiva, emocional, física, moral... As escolas que reconhecem tais requisitos estarão a caminho da inclusão.

Na solidão do professor em sala de aula não há inclusão. Nem do aluno, metade do dia enfileirado, vigiado, impedido de dialogar com o colega do lado, e a outra metade, frente a um televisor, a uma tela de computador ou de telemóvel... sozinho. A inclusão depende da solidariedade exercida em equipas educativas. Um projecto de inclusão é um acto colectivo e só tem sentido no quadro de um projecto local de desenvolvimento consubstanciado numa lógica comunitária, algo que pressupõe uma profunda transformação cultural. "


(Texto de) José Pacheco, Mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto, foi professor da Escola da Ponte. Foi também docente na Escola Superior de Educação do IPP e membro do Conselho Nacional de Educação.
Estas e outras em Educare



Abraço!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sabiam que...

... em 2009 tivemos 4716 diplomados na área da educação? E que em 2004 foram 14999? - Parece que foram ganhando juízo.

... nasceram 220 pessoas hoje (até agora)? E morreram 234 (até agora)? - Saldo negativo.

Isto e muito mais em Pordata. População, saúde, educação, emprego, cultura entre vários temas interessantes.

"A Pordata é um serviço público, um projecto destinado a todos, pensado para um vasto número de utentes que comungam do interesse em conhecer, com confiança e rigor, mais sobre Portugal. É, por isso, com imenso orgulho que passo, a partir de hoje, a partilhar esta fonte de informação com todos os que possam dela necessitar.


Maria João Valente Rosa
Directora do Projecto"

Vale a pena visitar e adicionar aos favoritos.

Abraço!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Só porque podem...

Apetece-me, faço e depois... será que sou punido à altura da gravidade?

Espero que não seja mais um caso sem consequências disciplinares.


Eles estão nas nossas escolas...

Abraço!

"...alunos a comporem músicas com piropos."

O título foi só para chamar atenção. A notícia não é real, mas "se não aconteceu podia ter acontecido".


"Trolha de Vieira do Minho vai ensinar alunos a comporem músicas com piropos


Por Fábio Benídio

Alguns professores que concorreram para cargos nas Actividades de Enriquecimento Curricular, em Vieira do Minho, perderam o lugar para pessoas que não tinham qualificações suficientes, incluindo um operário da construção civil, que vai substituir a professora de música.

Contactado pelo IP, o edil de Vieira do Minho garantiu que estava tudo dentro da legalidade, acrescentado que não se trata de um trolha qualquer, mas sim de um servente de primeira categoria, com habilitações para manusear betoneiras, e que já foi elogiado várias vezes pelos colegas devido à musicalidade dos seus piropos, que são quase poesia, e dos quais se destacam o famoso ‘Ó morcona, comia-te o sufixo’ e o não menos célebre ‘Usas cuecas TMN? É que o teu rabinho é um mimo’. O autarca minhoto salientou ainda a importância de ser um trolha a trabalhar com estes alunos, uma vez que a maioria deles acabará certamente a trabalhar na construção civil em Espanha."
Mais uma do Inimigo Público

Já não digo nada, há que aproveitar os melhores profissionais para ensinarem o que interessa...

Ai o sufixo...

Abraço!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Curso de Gandinismo

O Politécnico de Curral de Moinas está em grande e avançou com o curso de Gandinismo:



"Suspensório negro em gandinismo", ora aí está o futuro...

Abraço!

"Tiririca provou que sabe ler e escrever"

E depois da mensagem que escrevi abaixo, não podia deixar de referir esta notícia:

"Tiririca, eleito deputado federal por São Paulo nas eleições de 3 de Outubro, conseguiu ler e escrever durante o teste de alfabetização ontem realizado pelo Tribunal Regional Eleitoral, noticiaram os media brasileiros.
Francisco Everardo Oliveira Silva, de seu nome verdadeiro, foi o deputado federal que mais eleitores conquistou em todo o Brasil: 1,3 milhões de votos foi quanto obteve nas eleições.

No entanto, as suas capacidades de escrita e leitura suscitaram dúvidas e foi mesmo acusado de ter falsificado o documento oficial que susteve a sua candidatura.

Uma perícia que foi feita levantou a suspeita de que a declaração de alfabetização não teria sido redigida pelo humorista.

No teste que fez ontem, o humorista nordestino teve que escrever a seguinte frase: "A promulgação do Código Eleitoral, em Fevereiro de 1932, trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral."

Tiririca teve ainda que ler título o subtítulo de duas reportagens: uma sobre o Procon e outra sobre o filme de Ayrton Senna. O deputado federal eleito em São Paulo pelo Partido da República teve ainda que fazer uma interpretação sobre aquilo que escreveu e leu.

A decisão final sobre o teste, para saber se o deputado pode ou não exercer o cargo, fica agora nas mãos do juiz Aloízio Silveira."

DN

Não conhecem Tiririca?



Abraço!